
Bob Dylan chegou em Nova York em janeiro de 1961, com os objetivos de se apresentar na cena local e também visitar o músico que mais o influenciou, do sotaque às letras engajadas tudo foi emprestado de Woody Guthrie.
Guthrie era, junto com Peter Seeger, o principal representante da chamada “canção de protesto” (topical song) dos anos 40 e 50: música socialmente engajada, feita com arranjos de folk e fortemente influenciada pelo pensamento de esquerda. Uma década depois, a canção de protesto perdeu parte da sua orientação política esquerdista e adquiriu um espectro mais amplo, englobando as noções de “direitos iguais para todos” e “paz”. Tal mudança ocorreu também nos movimentos sociais como um todo.

E foi no Greenwich Village dos anos 60, em meio ao burburinho de conversas, poesia e fumaça dos cafés, que a lenda de Bob Dylan foi construída. Fervilhante de juventude, política e arte, o bairro era o principal reduto da boemia intelectual da época, que não fazia muita distinção entre platéia e artista – praticamente qualquer um poderia subir no palco e fazer um discurso, declamar um poema ou cantar suas canções. Jack Kerouc, Allen Ginsberg e Dylan Thomas beberam e escreveram nos balcões do Greenwich Village, os quatro membros do “Mamas and the Papas” se conheceram e começaram a carreira no Village, bem como o Velvet Underground, Joan Baez e Jimi Hendrix.
Inicialmente conhecido no meio musical por “cantar músicas do Woody”, Dylan logo começou a delinear seu próprio repertório e estilo. Apesar e talvez exatamente por isso, a primeira música do seu primeiro álbum – “Bob Dylan”, de 1962 – seja “Song to Woody” (Canção para Woody):
“Hey, hey Woody Guthrie, I wrote you a song/ ‘Bout a funny ol’ world that’s a-comin’ along./ Seems sick an’ it’s hungry, it’s tired an’ it’s torn,/ It looks like it’s a-dyin’ an’ it’s hardly been born./ Hey, Woody Guthrie, but I know that you know
/ All the things that I’m a-sayin’ an’ a-many times more./I’m a-singin’ you the song, but I can’t sing enough,/’Cause there’s not many men that done the things that you’ve done.”
Parte 1: Ele estava lá
Parte 2: Hey , Woody Guthie
Parte 3: Na calçada, pensando sobre o Governo
Parte 4: Não sou eu, Baby
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