Coisa linda fora do eixo

O Vitroleiros conferiu parte da programação do Festival Fora do Eixo e te conta o que você perdeu – ou presenciou: na sexta-feira Circo Vivant e Nevilton aqueceram a noite da Livraria da Esquina

Jessica Grant e Bruno Guerrero

Começo da noite e era hora do grupo TRIO encenar uma apresentação teatral entre as mesas ao lado do bar. Todos assistem, alguns atentos, outros aproveitando para pedir sua cerveja ou bebida no bar. A apresentação anima o público, que, incluído nela, se diverte, solta gargalhadas e palmas quando vê a dupla saindo pelas escadas. Em seguida há a discotecagem que, com uma seleção de músicas alternativas nacionais, segue pela noite e guarda o público no ambiente, ansiosos pelo show. É sexta-feira à noite e o festival Fora do Eixo, que trouxe para São Paulo diversas bandas brasileiras do circuito independente, está na metade. Já foram apresentações como Macaco Bong e Caldo de Piaba, e agora é a vez de Pernambuco e Paraná tocarem na Livraria da Esquina “A”.

A abertura é por conta do Circo Vivant, de Olinda. O público chega mais perto, e vai conferir a banda em pé. Com um som mais “Jorge Bem Jor”, variam trazendo para MPB traços de ska, rock e reggea, divertido em sua essência. Alguns problemas de som atrapalham, mas o público insiste e ouve o que os pernambucanos têm a cantar. Animados, todos dançam enquanto tocam e aquecem muito bem a noite.

Depois de arrumar alguns instrumentos, Nevilton sobe ao palco e novamente o público vai para frente. Animados desde o começo, o baixista Tiago “Lobão” Inforzato vira um gole de cerveja para começar bem o show. Eles dançam, brincam com os instrumentos, pulam – bem alto, por sinal – e tocam uns para os outros num clima de banda unida e entrosada. Estão ali para tocar, mas, mais do que isso, para se divertir. Ou ao menos é esta a sensação que passam.

A música do Nevilton é mais limpa e fácil de acompanhar em sua versão gravada, mas, ao vivo, o barulho serve a outro propósito: o entretenimento. O público fica ouvindo atento, alguns até soltam alguns versos, principalmente quando conduzidos pelo vocalista, mas o dia parece não muito propício para dançar, fator que o próprio Nevilton, em conversa com o Vitroleiros após o show, comenta. “Se estivesse mais quente e o pessoal dançasse mais ia ser mais legal ainda.” Mas não foi por isso que o trio desanimou, tocaram muito bem e agitaram a noite. O baterista Chapolla tocava com força e vontade, às vezes ficava em pé, muitas vezes se entrosava com os demais da banda, mostrando que, mesmo tendo sido o último a entrar no grupo, não fica para trás na performance.

Dentre os destaques da noite está a faixa-título de seu EP recém-lançado, “Pressuposto”. Demonstrando suas diversas influências, os músicos também aproveitaram para improvisar um “forró agressivo”, que transformou algumas músicas, muito mais do que forró, num rock animado. De “Asa Branca” a Vinicius de Moraes, eles mostraram um bom repertório de sua própria maneira. Outro ponto alto da noite foi a participação afinadíssima da também paranaense Luanna Bellini, que, conforme ela mesma confessou, cantou pela segunda vez “Nas Esquinas de Umuarama”.

Além do frio, problemas técnicos também fizeram parte do show. De tanto se animar, pular e tocar com vontade, o parafuso da correia que segurava a guitarra no Nevilton soltou. Este e outros problemas técnicos atrapalharam um pouco a apresentação, prejudicando, em parte, o trio. E acho que já é repetição dizer, mas nem isto desanimou os músicos… Provaram que estão ali para fazer rock, se divertir e animar o pessoal. “Coisa linda de Deus”, como disse Nevilton algumas [boas] vezes durante o show.

Quer saber mais do Nevilton? Logo mais matéria sobre o grupo, aguarde.