Álbum novo do Paramore?

Depois de lançar o single Monster, que faz parte da trilha sonora de Transformers: O Lado Oculto da Lua (Não, eu não inventei esse título), o Paramore agora se concentra na produção de um novo álbum que, segundo a vocalista Hayley Williams, deve chegar no começo do ano que vem!

Em entrevista à rede britânica BBC, Hayley contou que a banda deve entrar em estúdio ainda no final deste ano e que já está trabalhando na composição das novas faixas.

De NARUTO a NARUTO SHIPPÜDEN: A evolução de TOSHIRO MASUDA

Em 1999, Masashi Kishimoto lançava o mangá Naruto como série em uma revista semanal japonesa, a Shonen Jump. A história do jovem ninja e sua luta para vencer seus inimigos não demorou a conquistar o grande público, ganhando, em 2002, uma adaptação em anime para a televisão.

Para a versão animada, o compositor Toshiro Masuda, o responsável pelas trilhas de outros títulos como Excel Saga e Hand Maid May, foi escalado para montar a trilha sonora da série.

A composição de Masuda contempla os diversos segmentos que marcam o roteiro de Naruto, que mescla batalhas explosivas com momentos cômicos, romanceados ou de drama total. A trilha mergulha nos tons orientais clássicos, no velho estilo de música de Dojo, ou Teatro Kabuki. As batidas de tambor se misturam com flautas e guitarras, criando um ritmo que tonifica as cenas elétricas do anime.

Um bom exemplo da técnica está em “The Raising Fight Spirit”, faixa bastante explorada em cenas de combate. A composição é quase um resumo do trabalho de Masuda para a série, dos tambores ao clímax com o refrão flauteado. Confira:

O sucesso do anime foi incontestável. Do Japão, Naruto conquistou o mundo. No Brasil, o título ganhou uma legião de fãs, que variam em idade, gostos e estilos.

Em 2007, foi lançado Naruto: Shippüden, as crônicas de um furacão. Shippüden corresponde à segunda parte do mangá, que relata o crescimento do protagonista e dos outros personagens, além da presença de novos inimigos, romances, etc. Masuda foi escalado novamente, chegando ao ponto alto de sua composição.

A trilha sonora de Naruto: Shippüden não perde o estilo da anterior, mas, também não deixa de surpreender por sua evolução, como se tivesse acompanhado o crescimento físico e emocional das personagens da série. São tons mais sérios, sombrios e com característica mais épica. Masuda pareceu ter compreendido que o rumo da série já não era tão infantil, e assinou o fundo musical com o mesmo traço de avanço.

A comparação “The Raising Fight Spirit” com “Shippüden”, por exemplo, aponta bem a diferença entre as composições. Aqui, a música na íntegra:

O roteiro de Naruto ainda está em andamento. Os fãs acompanham a continuidade da história, que está perto do fim, através da leitura online do mangá, traduzido e compartilhado por outros fãs, através da internet.

É possível citar uma dezena de comparações, mas, a série fala por si e consagra Toshiro Masuda como um dos grandes nomes da composição de animes. Muito além do bom roteiro e dos personagens cativantes, as músicas de Naruto e Naruto: Shippüden são integrante indispensável da fórmula que alavancou o sucesso do título. Vale a pena deixar qualquer preconceito de lado para conferir e se divertir.

Nowhere Boy (O Garoto de Liverpool)

O filme é de 2009 e, talvez por não ser entusiasta dos Beatles, talvez por ter me afastado dos sofás e cinemas, ainda não havia ouvido falar a respeito. No entanto, comprei um DVD recentemente e, nos trailers de abertura, acabei me deparando com o dele. Me interessei na hora, por vários motivos. O primeiro? É música. Para mim, isso basta. Mas não foi só: a história de como alguém se apaixona pela música sempre me é atrativa. E tem também a meninice: sou “fã” de Aaron Johnson e de Thomas Sangster e, assim que o trailer começou, já ganhou karma points comigo por conta do elenco.

O britânico Nowhere Boy retrata a história de John Lennon pré-Beatles: a infância sem a mãe e a adolescência rebelde. Não é um filme ousado, tampouco pretende-se assim. É uma história para alimentar qualquer público, com uma personagem ilustre e a dose certa de drama. Entra na onda das dicas imperdíveis especialmente pela trilha sonora. Lançada pela Sony Music, a trilha é repleta de músicas dos anos 50 — período em que se passa a história — e conta com nomes como Jerry Lee Lewis, Elvis Presley, Walda Jackson… Fica na vitrola pra sempre. Afinal, todo dia é dia pra colocar um pouco mais de rock’n'roll em nossas vidas, não?

Se eu fosse você, corria agora na locadora (ou no Paul Torrent, como preferir). Como não sou, vou só dar o play por aqui e curtir a trilha.

Nowhere Boy Original Soundtrack
01. Wild One – Jerry Lee Lewis
02. Mr Sandman – Dickie Valentine
03. Rocket 88 – Jackie Brenston & His Delta Cats
04. Shake, Rattle & Roll – Elvis Presley
05. Hard Headed Woman – Wanda Jackson
06. I Put A Spell On You – Screamin’ Jay Hawkins
07. Maggie May – The Nowhere Boys
08. That’ll Be The Day – The Nowhere Boys
09. Rockin’ Daddy – Eddie Bond & The Stompers
10. Twenty Flight Rock – Eddie Cochran
11. That’s Alright Mamma – The Nowhere Boys
12. Movin and Groovin – The Nowhere Boys
13. Raunchy – The Nowhere Boys
14. Hound Dog – Big Mama Thornton
15. Be-Bop-A-Lula – Gene Vincent and the Blue Caps
16. Hello Little Girl – Aaron Johnson
17. In Spite Of All The Danger – The Nowhere Boys
18. Mother – John Lennon

~ oh leave, leave ~

Gustavo Perez, vocalista do Outono em Marte — que está no top independentes nacionais do QG desde 2008 — canta Leave, da trilha sonora de Once. Vontade de ouvir em loop.

a dica é do @Guiii_Machado. :)


para ouvir: http://myspace.com/outonoemmarte
para seguir: @outono_em_marte

tem alguma dica? mande para nós via reply no twitter (@vitroleiros), email (contato@vitroleiros.org) ou a página do Vitroleiros no facebook. :)

Encontre as músicas que você ouviu nos filmes

Que atire a primeira pedra quem nunca saiu correndo atrás das trilhas de Star Wars, O Senhor dos Anéis, Harry Potter, O Poderoso Chefão, Pulp Fiction… Todo mundo tem seu filme favorito – e sua trilha sonora também.

Não tem coisa mais chata do que sair do cinema com uma música da trilha na cabeça e não saber qual é, fala a verdade. Tudo bem que agora, em tempos de internet, fica mais fácil de descobrir. Mas se ao ver algo, como eu, você tem memória curta e fica desesperado por uma solução rápida, a dica imperdível de hoje é a sua cara.

O site What Song é imperdível, pois agrupa as trilhas sonoras dos filmes e séries, com direito a descrição das cenas em que tocaram essas músicas, o tempo de aparição, um player que permite ouvi-las no próprio site e espaço para perguntas dos usuários. Para mim, toda perdida com nomes de faixas e filmes, não é menos que incrível.

Também dá pra se divertir um bocado fuçando trilhas de filmes inusitados, relembrando os clássicos da Sessão da Tarde ou mesmo pensando em plays alternativas só com suas trilhas favoritas! Taí, bora tentar?


Para mais dicas imperdíveis como essa, acesse o Blog Vivo On.
What Song
http://www.what-song.com/

Movimento e instrumento: Hans Zimmer

Qual é a semelhança entre os filmes O Rei Leão (1994), Gladiador (2000), Pearl Harbor (2001), Piratas do Caribe (2007) e Hanibbal (2001)? Hans Zimmer. Compositor e produtor musical, Zimmer é o responsável por diversas trilhas sonoras cinematográficas de sucesso, além das citadas no início do parágrafo.

Hans Florian Zimmer nasceu em Frankfurt, na Alemanha, e começou sua carreira como um simples tecladista de bandas. Em Londres, conheceu o compositor Stanley Meyer, com quem aprendeu e compôs. Através de Meyer, Hans Zimmer se lançou no cenário musical, misturando, com certa peculiaridade, arranjos instrumentais com música eletrônica. A técnica o levou mais longe do que imaginava. Hoje, Zimmer é considerado um dos pioneiros dessa integração.

Em 1988, sua carreira deslanchou. A composição de Rain Man (1988), vencedor do Oscar de melhor filme do ano, do diretor Barry Levinson, trouxe ao compositor o prestígio que precisava para lançar o próprio nome. No ano seguinte, Zimmer encabeçou a trilha sonora de Driving Miss Daisy (1989), estrelado pelo veterano Morgan Freeman.

Mas foi em 1990 que o músico soube o que é ser reconhecido. A trilha sonora de O Rei Leão, além de um Oscar, rendeu mais de 15 milhões de cópias vendidas. Só com o álbum, Zimmer recebeu um Globo de Ouro, um Tony, dois Grammys e certificados de prestígio da Academia.
Posteriormente, o compositor assinou outros nomes como Missão Impossível 2 (2000), Falcão Negro em Perigo (2001), os dois últimos títulos e Piratas do Caribe e O Chamado (2002). Com Gladiador, o trabalho de Zimmer foi indicado ao Oscar, assim como em O Príncipe do Egito (1998). Aos 52 anos, Hans Zimmer parece não querer parar, tendo assinado, recentemente, a trilha sonora de Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008) e da adaptação cinematográfica O Código da Vinci (2006).

Para quem presta atenção, Piratas do Caribe e Gladiador são exemplos que bem caracterizam o estilo Zimmer, que mistura o tom forte dos metálicos com batidas de efeito e vocais sintetizados. O estilo também é muito bem exemplificado pelo trabalho realizado em O Pacificador (1997) e em Maré Vermelha (1995). Para tons mais calmos, Zimmer trás melodias simplistas, como em Pearl Harbor e O Chamado, não poupando oscilações entre o leve e o pesado. Para Os Simpsons: O Filme (2007) e Melhor Impossível (1997), o trabalho é o de musicar e alegrar, ao mesmo tempo.
Recentemente, o trabalho de Zimmer concorreu ao Oscar de Melhor Trilha sonora pela composição que deu vida ao filme Sherlock Holmes, perdendo para o realizado em Up (2009), de composição de Michael Giacchino. O músico também é o responsável pela trilha de Sherlock Holmes (2010).

As composições de Hans Zimmer, além de serem influência para as melodias de outros profissionais, como James Horner- que assinou o filme Tróia (2004), por exemplo- trazem ao trabalho de cinema uma magia inexplicável. Muito além das imagens, as trilhas, ainda que não notadas, nem valorizadas como deveriam, são grandes bases de produção e sentimento. O trabalho de Zimmer, assim como o de outros compositores, é o de registrar cada filme como singular.

A trilha do país das maravilhas

O longa-metragem “Alice no País das Maravilhas” (Alice in Wonderland) será estreado no Brasil no dia 21 de abril de 2010. O filme é de Tim Burton, que também assina a direção de filmes como Sweeney Todd (2007), A Noiva-Cadáver (2005), A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005) e outras películas reconhecidas no mercado do cinema comercial.

A aventura conta com duas trilhas sonoras com lançamento previsto no Brasil para o final deste mês de março: uma instrumental e outra, intitulada “Almost Alice”, com tracks de artistas para todos os gostos como um dos ícones do pós-punk, Robert Smith, do The Cure e a diva pop Avril Lavigne, além de bandas do indie rock como Franz Ferdinand e Tokio Hotel. A parte instrumental fica por conta do notável compositor de trilhas sonoras para cinema, Danny Elfman. O musicista já escreveu partituras originais de outros filmes de Burton, como O Estranho Mundo de Jack, Beetlejuice e Edward Mãos de Tesoura.

Quem conhece o coelho branco, desesperado pela pontualidade ou as flores bizarras da história de Alice in Wonderland, percebe que os títulos das faixas do “Almost Alice” dialogam com cenas e passagens do longa e da história original, como a White Rabbit (Coelho Branco), de Grace Potter & The Nocturnals ou a Always Running Out Of Time (Sempre Correndo Contra o Tempo) do Motion City Soundtrack e ainda a Painting Flowers (Pintando Flores) de All Time Low.

Algumas músicas que merecem uma atenção/audição especial estão a The Poison (All-American Rejects), uma balada acústica suave com uma sonoridade leve e poucos toques nas cordas de um violão e momentos surpreendentes. Quem for fã deve conferir o som do Franz Ferdinand, The Lobster Quadrille, que tem uma pegada diferenciada dos outros trabalhos da banda, lembrando um country antigo do velho cowboy do Texas Willie Nelson ou ainda o clássico folk de Johnny Cash. Robert Smith compôs uma trilha um tanto confusa e lúdica. A Very Good Advice faz jus ao enredo fantasioso e hiperbólico do filme, com tons altos e baixos, ecos, distorções no teclado e uma percussão que chega a lembrar algumas trilhas da animação “O Rei Leão” (1994).

Trechos do álbum de Danny Elfman e “Almost Alice” podem ser ouvidos no site oficial da trilha sonora do filme (www.almostalicemusic.com), mas os CDs já estão circulando pela internet e no Youtube.

ALMOST ALICE

1. “Alice” Avril Lavigne 5:01

2. “The Poison” The All” American Rejects 3:54

3. “The Technicolor Phase” Owl City 4:28

4. “Her Name Is Alice” Shinedown 3:39

5. “Painting Flowers” All Time Low 3:26

6. “Where’s My Angel” Metro Station 3:39

7. “Strange” Tokio Hotel e Kerli 3:52

8. “Follow Me Down” 3OH!3 e Neon Hitch 3:24

9. “Very Good Advice” Robert Smith 2:58

10. “In Transit” Mark Hoppus e Pete Wentz 4:28

11. “Welcome to Mystery” Plain White T’s 4:03

12. “Tea Party” Kerli 3:29

13. “The Lobster Quadrille” Franz Ferdinand 2:09

14. “Running Out of Time” Motion City Soundtrack 3:00

15. “Fell Down a Hole” Wolfmother 5:04

16. “White Rabbit” Grace Potter and the Nocturnals 3:22


Ouça as músicas mais legais (na minha modesta opinião):


Larissa Tassi WHO?

Por Francisco Junqueira)

Gente! Alguém se lembra da Larissa Tassi?

Pra quem não faz idéia de quem seja, estamos aqui. Quem pegou a primeira exibição de Cavaleiros do Zodíaco, exibida pela TV Manchete, entre 1994 e 1997, muito provavelmente teve contato com diversas aberturas do desenho. Entre elas, uma foi divulgada promocionalmente e lançada, junto com outras canções, também comerciais, em um CD, “Os Cavaleiros do Zodíaco”. Larissa Tassi foi uma das cantoras do álbum, e foi quem nos deixou uma das músicas mais famosas da série, aliás, para mim, a melhor. Confiram:

E por que estou falando dela agora? Em 2004, a série foi restaurada e exibida pelo Cartoon Network, da TV fechada, e pela Rede Record, da TV aberta, trazendo de volta a febre, que precedeu o re-lançamento de brinquedos, DVDs e, curiosamente, artistas. Em 2008, foram lançados os DVDs com novos episódios, a chamada Saga de Hades, e adivinha só quem foi convidada para cantar a abertura dublada da série? Nossa Larissa Tassi!

Eu confesso que fiquei meio descrente, e acabei indo atrás dela Internet afora. Encontrei, no Youtube, claro, uma apresentação, em um evento no litoral. A qualidade do vídeo é péssima, bem como os dançarinos, a platéia, o local, mas, quem rouba a cena é a mulher que está cantando. A menina cresceu, e, por favor, olha como ficou a voz:

E, como eu citei, a Larissa foi convidada para a edição brasileira da nova abertura de “Os Cavaleiros do Zodíaco”. A original, ‘Chikyugi’, é da oriental Yumi Matsuzawa, pra quem se interessar e quiser procurar. A dublada, de Larissa Tassi, recebeu a tradução ‘Pelo Mundo’, e ficou assim:

Particularmente, prefiro a original, mas, curti da versão dublada, e gostei mais da iniciativa de trazer a Larissa Tassi de volta.

Desculpem a demora para aparecer (como se alguém tivesse notado). Pra variar, a Ariane vai postar pra mim, porque ainda não aprendi a mexer aqui! Beijão pra todo mundo. Juro que vou postar mais.

Tá, não juro, mas, vou me esforçar.

Alô! Alô?! Planeta Terra chamando!

Das 17 horas do último dia 8 até algo por volta de 3:40 da madrugada do dia 9, o Main Stage do festival Planeta Terra 2008 dominou o público. Os ingressos vendidos por R$65,00 valeram a pena. Nas próximas linhas, tentarei descrever minhas impressões desse grande evento. Mais do que uma matéria ou resenha, esse texto será apenas minha visão dos acontecimentos desse dia, elegido por mim como um dos melhores do ano.

Localizado na Avenida Nações Unidas, número 20003, a Villa dos Galpões comportou cerca de 15 mil pessoas que foram ao festival que mais prometia desse ano (pelo menos para mim). O local era bem grande e dividido em três grandes palcos: Main, Indie e DJ stages. Placas ajudavam na sinalização de lugares de uma forma, digamos, suficiente para bêbados encontrarem o que queriam. Os balcões dos bares eram extensos, então não havia tanto problema para comprar uma cerveja por R$4,00. A comida era cara como tudo lá dentro, mas mesmo assim, depois de mais de 10 horas lá dentro aquela fome bateu e tive que apelar para um hot-dog, R$6,00. Os banheiros pareciam uma árvore de natal, lotados de galhos de pinheiros no chão para deixar o cheiro um pouco melhor, o que, pelo visto, funcionou até o fim do evento.

Ao entrar no evento, praticamente todos ganhavam um guia, com um mapa do lugar e as atrações com seus respectivos horários e um “porta-bitucas”, para não sujar o chão com os cigarros já fumados. Alguns já fizeram um uso diferente para o tubinho: lança-perfume. Alguns baseados também rolavam soltos em alguns grupinhos. Durante os shows, telões anunciavam os nomes das músicas tocadas pelos artistas, conseguindo, quase sempre, errar. Esse foi o maior erro que consegui perceber no Planeta Terra 2008: enquanto tudo estava perfeito, apenas escolheram as pessoas erradas para nomear as músicas do telão. Mesmo assim, foi um problema apenas para quem não conhecia as diferentes bandas. Nos intervalos dos shows, reprisavam imagens do último e passavam entrevistas (que para nós do palco principal eram transmitidas sem som).

Mas vamos ao que realmente o festival se propunha: a música!

Mallu Magalhães - Foto: Reinaldo Marques

Dos quatro shows que assisti, o primeiro foi de Mallu Magalhães. Antes dela, o Vanguart havia se apresentado. O show da Mallu correspondeu ao esperado. Tocou alguns de seus sucessos, como Tchubaruba, Vanguart e J1. Pelo que parece, Mallu está evoluindo bem rápido no campo musical. Em alguns outros shows que vi e ouvi, desafinava algumas vezes, mas, nesse, foi impecável. Trocando várias vezes seu figurino e tirando e colocando a cartola com a qual se apresentou e agindo com aquele seu jeito meigo e um pouco ingênuo de ser, ela conseguiu atingir o público com Town of Rock’n Roll, que foi a que mais animou o público. Tocou também covers dos Beatles e de Cash. Entretanto, a música que mais me chamou atenção (e que eu mais gostei) foi Noil, com Mallu tocando sua escaleta no começo e usando bastante a voz, com altos e baixos, para criar um clima melancólico para a música.

The Jesus and Mary Chain - Foto: Reinaldo Marques

Meu segundo show, logo após o da adolescente prodígio, foi o dos veteranos do The Jesus and Mary Chain. Esse foi um show que, me arrisco dizer, foi um dos melhores do festival. Mesmo sem conhecer muito da banda dos anos 80, as músicas tocadas eram boas e, apesar de não muito animadas, conseguiram prender o público. Mesmo assim, grande parte das pessoas que dominavam a grade eram jovens com a camiseta do Offspring, que seria o próximo show. Para mim, o ponto alto do show foi algo que me pegou de surpresa: a interpretação de Just Like Honey, a música final da trilha sonora de Lost in Translation (Encontros e Desencontros), de Sophia Coppola (um de meus filmes preferidos e, com certeza, um dos melhores finais de filme que já vi, favorecidos pela música). Antes mesmo da melodia começar, apenas com as batidas da bateria, o público já gritava e aplaudia.

Dexter Holland, vocalista - Foto: Reinaldo Marques

O Offspring foi, para muitos, o show do festival. Eu mesmo estava indo principalmente para vê-los, mas não me surpreendi. Tocaram alguns dos seus maiores sucessos como All I Want, Gone Away e The Kids Aren’t Allright, que animaram muito a platéia. Mesmo assim, pelo que percebi (e senti) enquanto estava em uma roda punk, Bad Habit causou grande furor nos quase violentos jovens que pulavam loucamente. Ao que me parece, a música mais cantada pelo público foi Hit That, mas não posso nunca afirmar, já que mudei de lugar várias vezes. Provavelmente mais perto da grade, a maioria conhecia quase todas as músicas da banda e acompanhava as canções. Greg K teve seu momento de glória em Have You Ever, na qual luzes de seu baixo acenderam como uma espécie de neon azul. Dexter ainda fazia piadinhas como sempre, e Noodles apareceu com a camisa 9 da seleção brasileira e brincou mostrando a barriga. Ao acabar o show, a banda se retirou e esperou o encore (bis). Mesmo não sendo tão clamada pelos fãs, percebe-se que em poucos minutos a banda seguiu o script e voltou aos palcos (como anteriormente combinado, provavelmente). Parece que foi aí que o público se tocou que não veria o Offspring por mais um bom tempo e resolveu aproveitar pra valer as três últimas músicas: Can’t Get My Head Around You, Want You Bad e, finalmente, Self Esteem, que fechou com chave de ouro para os antigos fãs.

Após o Offspring, foi a vez de Bloc Party, show que não tinha a mínima vontade de conferir, já que estava cansado, com sede e com fome, depois de três shows seguidos próximos à grade. Mesmo assim, depois do fracasso no VMB, parece que a banda conseguiu restituir sua reputação com o festival, tocando suas músicas ao vivo.

Wilson com boina de fã - Foto: Reinaldo Marques

O último palco da noite foi do Kaiser Chiefs, que conseguiu reunir grande platéia por ser o último palco a apresentar alguma atração. Todos pareciam acabados, mas foram revitalizados pela presença de palco do vocalista Ricky Wilson em um show com uma interatividade marcante com a platéia. A agitação da banda transpirava aquela vontade de estar ali, como nenhum outro teve no festival todo. Tentando falar em português várias vezes e arremessando as coisas no palco e até no público, como as baquetas que havia usado, o vocalista pulava do palco para conseguir proximidade com seus fãs. Chegou a colocar uma boina cedida por um deles e a subir em um amplificador fora do palco. Wilson pediu para cantarem Na Na Na Na Naa e todos atenderam, levantando folhas de papel com Na, Na e Naa. Uma das mais conhecidas da banda, Ruby, agitou bastante o público cansado e fez todo mundo esquecer que já estava em pé e pulando por algumas horas. Mas foi The Angry Mob que fez o povo ir mais alto: como último grande acontecimento da noite, a platéia inteira esgotou suas últimas energias restantes. A banda finalizou o show com Oh My God.

Depois disso, as pessoas só procuravam pensar em como ir para a casa depois de um dia cansativo, mas que tinha valido a pena. O festival todo foi – arrisco dizer mesmo só tendo estado no Main Stage o tempo todo – ótimo. Tenho certeza que algumas das bandas que se apresentaram para um público desconhecido ganharam novos fãs. Além disso, renovaram o espírito de que ainda hoje temos qualidade musical. Isso é tudo uma questão de gosto, claro, mas gosto não se discute.