E os covers gringos da bossa nova?

Costumo dizer que cresci ouvindo bossa nova e Beatles, graças a meu pai e minha mãe, respectivamente. Eles nunca entenderam muito de música, mas estes sons era fato no domingo a tarde lá em casa. A paixão por Beatles enredou, mais tarde, em todo o rock da minha vida. E a bossa nova trilhou o caminho da ampla e inclassificável MPB. Nada mais óbvio.

O carinho que ficou por algumas músicas é especial. Fui crescendo e ligando-as com minha própria vida, como todo mundo faz. Só que no caminho que já trilhei entre alguns nomes da música brasileira e os críticos desta costumo ouvir muito um peso sobre a bossa nova que não consigo entender. Parece que tá todo mundo de saco cheio: “Chega de bossa. Chega de música de protesto. Vamos voltar à Tropicália, à festa, ou produzir algo plenamente novo!”, diz o discurso.

Acontece que eu concordo que já cansei de intérpretes da bossa nova, do mesmo ritmo em músicas diferentes e de compositores que não chegam aos pés do Joãozinho, do Vinicius e do Tom. Mas, ao mesmo tempo, não acho que podemos nos dar ao luxo de excluir o estilo das novas produções. Eu já sinto uma falta absurda de bons compositores e intérpretes do gênero! Ficamos a desejar para as gerações anteriores e… para os gringos!

Uma das minhas músicas prediletas do Tom Jobim e Vinicius de Moraes é “É preciso dizer adeus” – que ouvi a primeira vez na voz da maravilhosa Miucha. Quase ninguém conhece, mas pra mim ela se torna trilha sonora de todo fim de relacionamento. Porque não quero esquecer nem destruir, mas guardar a memória de “um dia de sol” que foi aquela história.

Dois anos atrás procurei esta música no YouTube e não encontrei nada, nenhum registro. Hoje fiz a mesma coisa e encontrei algumas coisas mas, em especial, um vídeo com o cover do gringo Ray Gilbert para a canção – com versão em inglês inclusa. Fiquei admirada pela sensibilidade com que o fofo (combinemos) interpreta a música. Ele toca bem, mas passa, especialmente, um quê de admiração. Pra muito músico brasileiro deixar a desejar! Tive de correr aqui pra dividir com vocês, confiram:

#playlist: a clássica Bossa Nova

A Bossa Nova é um clássico não só para o Brasil, mas para a música mundial. Foram as cordas do violão de João Gilberto que começaram de fato o estilo que foi a trilha sonora dos anos 50 neste país tropical. Reuniões no apartamento de Nara Leão em Copacabana juntavam nomes como Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli e faziam crescer o som tranquilo da classe média, universitária e carioca.

Depois do samba-canção, a bossa nova foi a responsável por criar um mercado fonográfico no Brasil. O estilo conquistou o mercado internacional e consolidou a música brasileira, dando espaço para os diversos artistas que surgiriam alguns anos depois e movimentando o mercado. Anos depois, os grandes nomes musicais da Bossa Nova ainda são trilha de muitas novelas e influência para quase todo compositor brasileiro. Confira aqui alguns deles.


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Maracangalha

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A escada da sala da minha casa tem uns canos que vão do teto até os degraus. Eles vão diminuindo conforme a altura entre teto e degrau. O espaço entre eles é sempre igual. Eu gostava, quando pequeno, de sentar na escada, colocar os pés entre os canos e ficar observando meu pai lendo jornal. Os degraus são feitos de pedra e eu lembro como meu corpo ficava gelado enquanto eu fazia isso.
Um dia ele levantou os olhos de trás do jornalão e disse: “O Tom Jobim morreu”.
Essa foi a minha primeira morte. Tinha uns cinco anos.
E como entender a morte de Jobim? Como entender a morte do homem que dizia que iria para Maracangalha de chapéu de palha? Como entender a morte de alguém que tinha uma filha tão doce e que dizia “de novo” com tanta ternura?
Boa noite Jobim, você me ensinou o que é amor, morte, vida e álcool. Me despeço de você.