Tiê cheia de amigos e um lançamento em parque aberto

Em entrevista dada ao Vitroleiros em setembro de 2010, a multitalentosa Tulipa Ruiz disse que estamos vivendo um momento de movimento na música. A pergunta era sobre as novas “panelinhas” do meio. “Não existe uma preocupação estética de um coletivo, mas existe um caráter colaborativo, que também não é uma coisa pensada, é completamente natural.”, responde a cantora.

Foto: Eduardo Gabriel | Focka.virgula.uol.com.br

Tiê – amiga de Tulipa – seguiu à risca o novo movimento. O álbum “A coruja e o coração”, lançado nesta sexta no Auditório Ibirapuera, traz grandes parcerias e regravações. Ela não é mais independente, em vários sentidos. A musa cresceu, virou mãe – da pequena Liz –, foi contratada pela grande Warner e agora tem uma banda de apoio.

A fase “Sweet Jardim”, disco de estreia da cantora lançado em 2009, parece ter ficado pra trás. De um disco voz, violão e piano, Tiê pulou para um segundo mais vivo e realmente colaborativo, como havia descrito Tulipa. Das onze músicas do novo álbum, somente duas são de autoria única de Tiê, diferentemente do primeiro disco, que era completamente autoral.

Três canções são regravações. Só sei dançar com você, que veio do primeiro disco da mesma Tulipa – “Efêmera” – é acompanhada lindamente pelo acordeon de Marcelo Jeneci. Mapa Mundi é do companheiro inseparável da moça, Thiago Pethit, de seu também disco de estreia, “Berlin, Texas”. E a terceira, um tanto mais inusitada, é Você não vale nada, clássico brega da banda Calcinha Preta, que ganha uma versão doce e comportada.

As parcerias não param por aí. O cantor uruguaio Jorge Drexler empresta sua voz em Perto e distante, uma das músicas que mais chama a atenção no novo disco, já que Tiê coloca o violão de lado pela primeira vez. E Hélio Flanders, o menino à frente do Vanguart, toca dobro em Hide & Seek. Sem contar com o coro de Tulipa e Pethit em diversas músicas.

LANÇAMENTO

No palco, os sete músicos – Plinio Profeta (guitarra), Gianni Dias (baixo), Naná Rizinni (bateria), André Henrique (violão), Karina Zeviani (backing vocal), Ana Eliza Colomar e Luciana Rosa (cellos) – festejavam a nova fase da moça de nome de passarinho.

Thiago Pethit e Tiê. Foto: Eduardo Gabriel | Focka.virgula.uol.com.br

O único de fora a participar foi Thiago Pethit, que cantou metade de sua própria canção. Ou melhor, Tulipa também deu sua contribuição. Ao Tiê apresentar a música que acabara de cantar, de autoria da amiga, e confessar não saber o que esta havia achado de sua versão, Tulipa gritou da plateia: “Amei!”.

Do primeiro disco, cinco canções entraram no repertório: Dois, Passarinho, Stranger but mine, Chá Verde e Assinado eu, nesta ordem. Mas o auge do show foi em Passarinho, em que a imensa porta por detrás do palco do Auditório do Ibirapuera se abriu, deixando todo o verde à mostra no fundo.

Quando fechou, três músicas depois, Tiê contou que ali começava a parte alegre do show. Revezando-se entre o piano e o violão e aproveitando o silêncio entre uma canção e outra pra fazer a plateia rir, a cantora embalou as divertidas Hide & Seek e Você não vale nada.

Os “bises”, como ela mesma pronunciou, vieram sem nem mesmo a banda sair do palco. “O salto é muito alto, vou economizar a caminhada”, soltou a sempre sincera Tiê. Assinado eu, hit do disco de estreia, deixou primeiro a plateia de coração aflito. O que fez A varanda de Liz – que já havia aberto o show – ressurgir com ainda mais contraste e alegria, fazendo jus aos inúmeros aviõezinhos de papel que enfeitavam o palco.

Assista abaixo a um trecho do espetáculo:

 

Meu nome é Tulipa

por Érika Kokay e Jessica Grant

Com vestido e bem à vontade, Tulipa Ruiz abre a porta de seu apartamento num pequeno prédio de três andares no centro de São Paulo. Ela começa a mostrar os cômodos: cozinha, sala, quartos, estúdio improvisado e banheiro onde grava algumas vozes. Os outros moradores não se incomodam com o som caseiro? “Sim, só podemos fazer música até às 22h30…”, conta. Tulipa é uma das raras artistas que abre a casa sem medo. Sua informalidade surpreende e avisa: ali mora uma artista tranquila.

Sentada na beira da sacada, fumando um cigarro, Tulipa conversou com o Vitroleiros sobre música infantil, panelinha e seu show carioca. Ela, que navega no cenário há alguns anos, mas só publicou seu álbum no começo deste, ganhou o público e a crítica com sua simpatia e originalidade. Filha de Luiz Chagas, jornalista e músico do Isca de Polícia, banda do Itamar Assumpção, Tulipa cresceu com a mãe e o irmão, em Minas Gerais, rodeada pelos discos do pai. Mas seguir a carreira familiar – o irmão Gustavo Ruiz também é músico – nunca foi óbvio para a cantora, que antes de se aventurar nas notas musicais trabalhou como jornalista e também como ilustradora, ofício que exerce até hoje. O trabalho dela pode ser visto no seu ateliê virtual, na capa de seu disco e de álbuns de bandas como Felixfônica e Esquema P.

A voz fina de sereia se complementa nas faixas do seu CD de estreia, Efêmera, com várias feras. O pai guitarrista toca e divide a composição de duas músicas. O irmão (que, vale dizer, também é guitarrista) cuidou da produção. O disco também conta com as Negresko Sis (Céu, Thalma de Freitas e Anelis Assumpção), Mariana Aydar, Tiê, Tatá Aeroplano, Donatinho, entre outros.

Com um álbum de apenas alguns meses de vida, Tulipa não pensa em um próximo lançamento por enquanto. “Quero fazer muitos shows do disco ainda”, diz. E eles não param mesmo: na próxima quinta-feira (29), a cantora se apresenta no Studio SP, em São Paulo à 1h da manhã. Dia 29 é a vez do SESC Bauru e 08 de outubro, do SESC Araraquara.

Abaixo, confira a variedade de Tulipa Ruiz no bate-papo com o Vitroleiros.

Você já escolheu em algumas playlists da vida a música “Bolacha de Água e Sal”, do grupo Palavra Cantada. Qual a sua relação com música para crianças?
Eu sempre gostei muito do grupo Rumo, que é da Ná Ozzetti e do Luiz Tatit. Era um grupo que estudava a melodia da fala. Daí surgiu o Palavra Cantada, do Paulo Tatit [e Sandra Peres], que também trabalha com isto. Eu lembro que eu fiquei louca quando eu ouvi o disco do Rumo pela primeira vez. Eu tinha uns 13 ou 14 anos e achei aquilo a coisa mais genial do mundo. E, na verdade, eu sempre tive vontade de fazer música para crianças, e acabou sendo tema do meu TCC [Tulipa se formou em Comunicação em Multimeios na PUC-SP]. O nome do projeto era “A Lenda do Rio Verde e Outras Brincadeiras”. Rio Verde é o nome do rio que passa em São Lourenço (MG), onde fui criada. E o TCC foi 12 músicas para crianças, incluindo essa lenda do rio. E fiquei muito tempo estudando o que é, como fazer, como seria um projeto gráfico de música para crianças. Tudo isso sempre me interessou muito. Além disso, antes de eu largar a Comunicação, eu trabalhei num projeto que criou o museu de cantigas de ninar do Auditório do Ibirapuera, chamado Acervo Acalantos. Tem um acervo lindo com cantigas de ninar do mundo inteiro. Então sempre foi uma coisa que me despertou muito interesse. “Bolacha de Água e Sal” é uma música que eu sempre escolho quando estou discotecando em algum lugar. E já virou até uma brincadeira entre amigos. O Dudu Tsuda, por exemplo, quando tá discotecando e eu chego no lugar, ele põe essa música [risos].

Você participa do Novos Paulistas [junto a Tiê, Tatá Aeroplano, Dudu Tsuda e Thiago Pethit]. Tem também uma música sua no projeto Geração SP, que reúne novos nomes da cena musical paulistana. Como você vê esse novo grupo na música de São Paulo? Acha que a é algo natural?
No meio do ano passado, um antropólogo americano estava fazendo uma pesquisa sobre a música brasileira e me ligou perguntando se ele podia me entrevistar. Achei engraçado porque eu não tinha nem disco. Perguntei: “Como você chegou até mim?”. E ele disse que chegou ao Brasil, pegou o Guia da Folha e chamou todas as pessoas que estavam no Guia. Então, eu não vejo a gente como um movimento, nem nada. É um momento dentro da história e da linha do tempo na música em São Paulo. Realmente, se você abrir um guia cultural dessa semana, vai estar toda essa galera que tá fazendo música aqui em São Paulo: Tiê, Tatá Aeroplano, Juliana Kehl, Luísa Maita, Karina Buhr… São pessoas que estão fazendo shows em São Paulo hoje, assim como tinha a galera dos anos 90. O que eu acho que tem hoje de diferente é que essas pessoas vivem em um universo colaborativo muito grande. Por mais que nossas músicas sejam diferentes, nós já fizemos shows juntos, somos todos amigos. Nossos músicos tocam nas bandas uns dos outros, e acaba tendo uma troca de figurinha muito grande.

A impressão de quem vê de fora é de que existem “panelinhas” na música. Você vê assim?
Eu não vejo, não. Apesar de eu vir de uma panelinha, já que fiz faculdade com o Dudu Tsuda e conheci o Tatá Aeroplano na mesma época. Daí eu apresentei o Dudu pro Tatá, e o Dudu me apresentou pra Tié, e por aí vai. Então tem essa coisa de círculo de amigos, mas que se encontram no cinema antes de pensar em fazer música. E tem encontros também que foram musicais. A Andreia Dias, por exemplo, é amiga porque meu irmão era da banda Dona Zica com ela. E eu percebo que o que tá rolando aqui tem uma conexão com o Rio de Janeiro também. E com Recife, Belo Horizonte… Então é um momento de movimento na música. Não existe uma preocupação estética de um coletivo, mas tem esse caráter colaborativo, que também não é uma coisa pensada, é completamente natural. Pode ser uma “panela”, mas é uma “panela” sem tampa, sabe? Que pode entrar mais gente a hora que quiser.

Quando você abriu o show do Otto, no Circo Voador (Rio de Janeiro – RJ), O Globo fez uma resenha sobre o show, mas falou basicamente de você. Sobre o Otto, tinha um parágrafo só no final. Como foi tocar no Rio?
Foi muito bom ter feito este show no Rio, logo depois do show no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, onde eu lancei o disco [Efêmera]. Eu acho que o disco disparou muito rápido, as pessoas lá no Rio já estavam ligadas no disco. E tem gente carioca participando dele: tem o Duani, que é do grupo Forróçacana e é um popstar no Rio, tem o Stephan San Juan, baterista da Orquestra Imperial e da Vanessa da Mata, e tem o Donatinho, que é o filho do João Donato. Então, o disco já havia chegado lá e, pra melhorar, eu cheguei com músicos cariocas. Por eu ter crescido em Minas Gerais, acho que meu som não é totalmente paulistano, embora eu seja filha de um cara da Vanguarda Paulistana [Luiz Chagas], guitarrista do Itamar Assumpção. Antes do show, o Donatinho e o Duani falaram pra mim: “Olha, o Circo Voador é difícil, o Rio é difícil. Não fica nervosa. Se você achar que a galera ta meio blasé, vira pra gente e vamos fazer um som a gente mesmo e se divertir. Não se preocupa”. O Duani ainda combinou comigo que a banda ia começar fazendo uma introdução grande e quando a galera tivesse mais perto do palco, eu ia entrar cantando. Mas quando eu entrei, todo mundo já tava cantando junto. E a gente ficava se olhando durante o show, impressionados, não esperávamos que isso fosse acontecer. Surpreendeu a gente mesmo, e foi um show totalmente quente e delicioso, com uma recepção linda. Então eu não entendo essa coisa que falam que o público carioca é frio e blasé.

Você diz que sua música é um “pop florestal”. O que é isso?
Acho que tem muito a ver com esse negócio de eu ter vindo de Minas e estar fazendo show aqui em São Paulo. Esse encontro da natureza com o concreto, do Clube da Esquina com a Vanguarda Paulistana, do chá com a coca-cola, e todos esses duplos. Meu som é violão e guitarra, é a natureza e a cidade juntas, é um cross-fade entre essas duas coisas. Mas é também uma brincadeira, porque é muito engraçada essa coisa de escolha de gênero. Um dia desses, eu tava vendo uma entrevista de 1965 com o Gilberto Gil, e perguntaram se ele era folk. Em 65, o cara já tava com preguiça de responder que gênero ele tocava. E é muito louco, porque você pode acordar um dia querendo fazer música caipira, e ao meio dia você é folk, às duas da tarde você acha que é forró e à noite você tá fazendo rock, entendeu? Então o pop florestal é a mistura de tudo isso. É forró, é baião, é rock, é música eletrônica e é meio que eu tirando um barato com todos esses gêneros. É uma porta de entrada: que entrem os gêneros todos.

Você lançou o disco, e fizeram várias resenhas sobre ele. Você lê todas? Você disse que acha difícil definir um gênero pra você, como você encara as formas como te definem na mídia?
Eu leio muito, sou super ligada nas coisas que saem e sou ativa nas redes sociais, estou sempre por dentro de tudo. É engraçado, você faz o seu trabalho, e cada pessoa vai decupar da sua maneira. Existe uma necessidade de comparar para conseguir definir. Então, “ah, parece Gal Costa, lembra Tropicália”. As pessoas precisam disso para poder entender. E a gente é um desdobramento de um monte de coisa, como a Gal é um desdobramento de um monte de coisa e a Carmem Miranda também. Só o Adão e a Eva saíram do zero, o resto é tudo um desdobramento. Eu acho sensacional ler as coisas que as pessoas escrevem. Tem um cara do Sul, eu acho, que escreveu que eu era uma “sereia boêmia”. Daí eu fiquei tentando imaginar o que seria isso e cheguei à conclusão de que metade pra baixo seria uma sereia, e metade pra cima seria a Rê Bordosa [personagem dos quadrinhos de Angeli] (risos). Então é bem divertido.
Hoje em dia você vive só de música ou ainda faz ilustrações?
Faço as duas coisas. Antes, o desenho estava um pouquinho na frente, agora a música está saindo na frente, mas ainda trabalho com as duas coisas. Eu consegui parar de trabalhar em horário comercial com o jornalismo. Mas a gente tem sempre que se reinventar, porque não é nada fácil viver de música. Hoje, eu tenho um ateliê virtual, por onde vendo meus desenhos. Acabei de fazer também a capa do disco de uma banda, que chama Esquema P, e deve sair no próximo semestre.

Você toca com seu pai e com seu irmão. Como é essa relação?
É bem tranquila, eles são meus professores. Eu cresci ouvindo os mesmos discos que o Gustavo, então nossas referências são muito parecidas. Os discos eram todos do meu pai. Então a gente curte o mesmo tipo de som, e eles são os meus mestres. Fica mais divertido do que qualquer outra coisa. A gente gosta de estar junto, fazendo música. Independente de sermos uma família, nós somos pessoas que gostam de coisas parecidas e se encontraram musicalmente.

E planos futuros?
Olha, eu tenho música pra vários discos. Mas disco novo eu vou pensar direito só no próximo ano. “Efêmera” tem só poucos meses de vida. Eu quero fazer muitos shows do disco ainda e tocar muita música nova antes de gravar.

Virada a Paulista

Em 2010 a Virada Cultural completou 6 anos. Nesse período todas as suas edições promoveram uma maratona cultural democrática: no total foram 144 horas de música, dança teatro, cinema e intervenções artísticas pelos principais pontos da cidade de São Paulo.

Esse ano não poderia ser diferente: O evento contou com a participação de 4 milhões de pessoas, que prestigiaram mais de mil atrações nos 200 espaços espalhados pela cidade. Entre apresentações internacionais e nacionais, os destaques ficam por conta de Living Colour, Big Brother & Holding Company, Pitty (que tocou de pijama), Booker T. Jones e o encerramento com os Titãs.

A Virada Cultural é um projeto criado pela Prefeitura de São Paulo para promover de forma ampla o acesso à cultura. Quem pensa que esse é um privilégio dos habitantes da Paulicéia, enganou-se. No Rio de Janeiro aconteceu pelo segundo ano consecutivo o Viradão Carioca , que teve 54 horas de programação eclética distribuída entre os dias 23 e 24 de Abril, com destaque para os shows de Jorge Ben Jor, Lulu Santos, Luis Melodia e MV Bill.

Ainda à moda paulistana acontece também nesse fim de semana, nos dias 22 e 23, a Virada Cultural Paulista. O evento será realizado em 30 cidades do interior do Estado, contemplando também a Baixada Santista. Em modo importação apresentam-se: Mudhoney, Cat Power, Manu Chao e Yann Tiersen (compositor da trilha sonora do filme “O Fabuloso Destino de Amèlie Poulain”). Entre os tupiniquins, destaque para Autoramas, Barbatuques, Cachorro Grande, Del Rey, Mundo Livre S/A, Tiê, e Pública.

Confira a programação no hotsite oficial da Virada Cultural Paulista.

Ela, mais uma vez

 Noite fria e luzes quentes. Casa cheia, mas nem tanto. Os ouvintes, atentos e interessados, sentados no chão ou à mesa. A voz suave era a mesma de sempre, o sorriso cativante surpreendente. Tentava sempre ver o público, chateada por esconder-se atrás do piano em algumas músicas. Cantava com a alma, do lado do produtor. A blusa, bonita e cheia de estrelinhas, fez uma espécie de percussão sem querer no início do show. Vez ou outra revelava alguma espécie de nervosismo (raro em essas experientes de palco) tremendo, especialmente ao tocar “A Bailarina e o Astronauta”.
Tiê canta "Bailarina" com a alma

Tiê canta "Bailarina" com a alma

Em mais uma edição do Prata da Casa no SESC Pompéia, ontem (19/05) às 21 horas, podemos finalmente ver a Tiê tocando. Já falamos dela aqui e aqui, eu já decorei algumas músicas, mas nunca tínhamos (eu, Jessica Grant, e o Bruno Zerbini) visto esse passarinho a tocar e cantar ao vivo. Valeu a pena.

Recém-chegada da “gringa”, Tiê trouxe alguns comentários da viagem. Lá fora, disse, teve vergonha de cantar “Stanger but mine” com seu inglês. Mas achou interessante as faces dos ouvintes de lá tentando adivinhar o que ela cantava em português. “Eu falava que era sobre amor, e acho que eles ficavam pensando sobre amor ou dor…”, ria. Prefere tocar em casa.

O público, atento as letras, cantou somente suavemente “Chá Verde”, a pedidos da cantora. Mas na platéia muita gente de outras bandas (alternativas ou não) foi prestigiá-la. Pelo jeito (ou melhor: pelos aplausos) gostaram do que ouviram. Alternando instrumentos com seu produtor, Plínio Profeta, eles garantiram a simplicidade e lírica que a musa reflete em todo seu trabalho também no palco. Plínio, silencioso e com óculos de sol, foi apresentado duas vezes com alegria e brincadeiras de Tiê.

Tiê e Plínio Profeta

Tiê e Plínio Profeta

Depois do show que terminou com flores presenteadas pela mãe, Tiê foi rodeada por diversas pessoas. Simpática, linda e humilde. Não falamos com ela, mas valeu vê-la somente. O mais curioso é que o Bruno é amigo de um cara (tmb músico) que morou no mesmo prédio que ela e eu namoro um cara (oi Fê!) que era amigo do irmão dela (Gianni Dias, também músico). Parece que o mundo conspirou para que virássemos fãs da Tiê. Recomendo, mais uma vez, que escutem este passarinho, promessa de diva, “too sexy for her shirt”.

Tiê no piano e Plinio

Tiê no piano e Plinio

Voando de Volta

tieApós fazer shows em vários países da Europa e nos Estados Unidos, Tiê (já falamos aqui sobre ela – Doce Passarinho) retornará ao Brasil para diversos shows. O primeiro será no SESC Pompéia, no dia 19 de Maio, 21 horas.

Depois de toda as experiências no exterior, a paulistana marca o encontro com os fãs e continua com a divulgação do seu cd Sweet Jardim. A novidade é que agora todas as músicas estão disponíveis para serem escutadas no myspace da cantora. Mesmo assim, vale a pena dar uma força e comprar o cd, de qualidade indiscutível. A Fnac e a Livraria Cultura já estão vendendo!

Para quem quiser ficar sabendo de primeira mão as novidades desse passarinho, vale a pena ficar de olho no twitter. O mais divertido é saber de algumas coisas que a mídia tradicional não publica: a artista, por exemplo, contou que estava tocando na rua em Nova Iorque e ganhou 20 dólares e brincou: “acho que vou ficar por aqui”.

Finalmente, para os que gostam de tirar o som agradável de seus ídolos, aí vão as cifras que a Tiê colocou no seu site, pra todo mundo poder tocar junto:

tie-cifras

Doce passarinho

tie

A doce voz já lhe rendeu a admiração de artistas como Toquinho (que a "descobriu") e Caetano. Já apareceu no Estado de S.Paulo como promessa da música atual brasileira. Ou seja, Tiê, cantora paulistana, não é uma mera aposta, mas uma já ganha.

Com um toque de folk, seu estilo voz e violão conquista pela simplicidade. Sua voz sussurrada transmite uma paz digna de alguém que irá marcar a história da música por aqui. Apesar de gostar de Bossa Nova e sambas antigos, Tiê inova e aparece não somente como mais uma das novas cantoras de MPB, mas como destaque. Seu estilo demonstra de onde vêm as influências, mas esbanja originalidade e personalidade.

Caetano Veloso resumiu:

"Coisa mais linda mesmo é Tiê. “Passarinho” no Youtube é uma janela para um céu. Ela é apaixonante. Betão tinha me falado nela. Mas não pensei que fosse assim tão bonito tudo aquilo. Ela cantando sobre o próprio nome, com naturalidade total, musicalidade totalmente natural, tudo, fazendo as ruas de São Paulo parecerem bonitas como nas palavras de John Cage: “São Paulo é cheia de flores”."

Com seus 29 anos ela surge com o cd "Sweet Jardim", que vale a pensa conferir. O álbum se apresenta com um belo toque autobiográfico, fato que, para mim, transmite mais naturalidade ainda ao seu trabalho. Sem mais o que falar, Tiê canta como quem fala a verdade, simples assim.

Abaixo, um de seus vídeos, pelo qual vocês podem conferir além da bela voz a beleza da moça.

Tem gente que chega a dar raiva, né? Acho que isso se chama inveja. ;)