The Damned reaviva punks apaixonados em São Paulo

Por Gabriel Daher

Falar sobre o Damned não é falar sobre qualquer banda de punk rock. Além de sua imensa contribuição para o estilo de três acordes, a banda londrina tem em seu currículo uma grande contribuição para o que viria a se tornar o gótico, estilo difundido e imitado à exaustão nos anos 80.

Tudo começou em meados dos anos 70, em Londres, quando, embalados pela atitude de bandas americanas como Ramones e Dictators, formam o grupo e lançam aquele que é considerado o terceiro álbum punk da história: Damned Damned Damned, de fevereiro de 1977. Para pesquisadores, os dois primeiros seriam o homônimo dos Ramones, de abril 1976, e Teenage Depression, da banda Eddie & The Hot Rods, lançado em novembro do mesmo ano.

Ao longo dos anos, a formação da banda mudou consideravelmente, mantendo-se apenas o guitarrista Captain Sensible e o vocalista Dave Vanian. O primeiro, um magrelo excêntrico e caricato, capaz de criar riffs divertidos e agitados, tal qual sua personalidade. O segundo, um vampiresco vocalista de voz grave e marcante, trajando sempre roupas pretas, cabelos penteados para trás com gel e maquiagens soturnas, uma versão punk do Conde Drácula, mais famoso personagem do escritor irlandês Abraham “Bram” Stocker.

Além de seu primeiro álbum, dois outros álbuns igualmente simbólicos se destacam na discografia do Damned. Machine Gun Ettiquete, de 1979, mostra a banda já reformada, sem a presença do antigo guitarrista Brian James (membro chave da composição dos dois primeiros álbums), e traz clássicos do grupo, como “Love Song” e “I Just Can’t Be Happy Today”.

The Black Album, de 1980, foi a grande jogada de Vanian . Assumindo o controle das composições e a liderança do grupo, o vocalista colocou suas ideias em pauta e criou um álbum marcante para o estilo gótico, tornando o álbum um clássico cult para punks e darks.

Visitando o Brasil pela primeira vez desde sua formação, a banda não decepcionou os poucos e fanáticos fãs que estiveram na Clash Club, em São Paulo, na última quinta-feira, dia 12. A simbólica data – véspera de uma sexta-feira 13 – contribuiu para que o show da banda ganhasse ares ainda mais assustadores. Mas quem estava com medo de ver no palco um bando de velhos desesperados atrás de dinheiro – fato cada vez mais recorrente em shows de bandas punks da leva original – respirou aliviado quando o Damned subiu ao palco, abrindo sua apresentação com a empolgante “Wait For The Black Out”.

Toda e qualquer desconfiança sobre a banda acabava logo ali, no início do show. Vestindo calças de risca, camiseta a là Wally (com um Freak bem grande no peito, assumindo sua condição esquisitóide), óculos brancos e sua inconfundível boina vermelha, o guitarrista Captain Sensible fazia caretas para o público, arracando riffs simples e ritmados de sua guitarra. Bastou o soturno Vanian entrar no palco – cabelos para trás, roupa social típica da Transilvânia – para o cenário estar completo.

Punks pogando e pulando, garotas dançado, fãs se emocionando. Se a estrutura e o som abafado da Clash Club não ajudavam, os fãs faziam sua parte, e o apresentação do Damned começava com pé direito – e esquerdo, e os braços, no caso do pogo.

A partir dali, o Damned fez o que se esperava da banda. Do delírio do público em músicas como “New Rose” (maior sucesso de sua carreira), “Love Song”, “I Just Can’t Be Happy Today” e “Fan Club”, passando pelas pouco empolgantes “Shadow Of Love” (de Phantasmagoria, álbum lançado em 1985), “13th Floor Vendetta” e “Eloise” (de The Black Album), o grupo marcou sua passagem brasileira com empolgação e simbolismo dignos de sua história.

Na noite em que Thurstoon Moore se apresentava no Cine Jóia e Carl Barat fazia os indies dançarem no Beco 203, o Damned mostrou que ainda há espaço para os fãs de punk rock em São Paulo. Poucos em número, muitos em animação, os gatos pingados que estiveram na Clash não se arrependeram de desembolsar os cerca de R$100 que estavam sendo cobrados pelo ingresso, valor um tanto quanto fora dos padrões da cena underground brasileira.

Se para estes fãs é cada vez mais raro ver suas bandas favoritas ao vivo, – e ainda mais raro ver estes shows serem executados com qualidade – o Damned é a prova de que os chamados “punks 77” da cidade ainda podem se manter esperançosos quanto ao futuro próximo.

Se estão presos a uma lacuna do tempo e apaixonados por discos que já chegam aos 35 anos de lançamento, os jovens de calças justas e jaquetas de couro ainda podem se vangloriar de ter a oportunidade de ver bandas honestas como o Damned , mesmo que o público seja composto apenas por outros e poucos apaixonados como eles. E, pra falar a verdade, eles preferem assim. Ou vai dizer que você viu algum punk passeando pelo Lollapalooza Brasil?

Acredito que não.

*Este texto é dedicado aos meus amigos Thig e Erick Martorelli, irmãos e fanáticos pelo Damned, e ao pai deles, Zé, que mostrou que o punk rock não tem idade e mesmo com seus mais de cinquenta anos foi ao show e agitou mais do que muitos garotos de vinte.

Pete Doherty vem para o Brasil

Tudo indica que o fanfarrão Pete Doherty, ex-líder da extinta Libertines, vem para São Paulo no final deste ano para um show único em formato acústico. A data prevista é 16 de dezembro, no Cine Jóia, e informações de horário de preço de ingressos ainda não foram divulgadas.

Há a possibilidade de outras cidades receberem Doherty e seu banquinho e violão, mas nada ainda foi confirmado. A gente torce para que ele se mantenha em pé até lá, e qualquer novidade contaremos aqui! :)

 

The Reign of Kindo no Brasil! É nessa semana!

Anunciamos antes aqui no Vitroleiros e agora estamos lembrando dos shows da banda essa semana pelo Brasil:

19/08/2011 – Rio Rock and Blues Club – Rio de Janeiro, Brazil
20/08/2011 – Manifesto – São Paulo, Brazil
21/08/2011 – Blackmore – São Paulo, Brazil (Acoustic)

Os integrantes da banda ainda gravaram um vídeo promovendo o show, veja só:

Remanescentes do CBGB: Television faz show virtuoso em São Paulo

Fotos: Séfora Rios

Quando formou os Neon Boys em 1972, ao lado de seu então parceiro Richard Hell e do baterista Billy Fica, Tom Verlaine talvez não imaginasse que aquele trio seria a espinha dorsal de uma das mais cultuadas bandas da cena punk e new wave.

Verlaine e Hell haviam estudado juntos na Sanford School, na pequena cidade de Hockessin, no estado americano de Delaware, e se mudado para Nova Iorque em tempos diferentes. Em 1973, recrutaram o guitarrista Richard Lloyd e mudaram o nome da banda para o qual ela seria conhecida desde então: Television.

Em 1974 o Television conseguiu um contrato para ser a banda residente do lendário CBGB, então um local desconhecido e antiquado, referência apenas para as bandas que não tinham outro lugar para tocar. Ali, a banda se tornou parte de um recente movimento batizado pelo jornalista Legs Mcneil como “punk” e que consistia no estilo de som rápido e inovador tocado por bandas como Ramones, Blondie, Dictators, Dead Boys, Television e outras. Apesar disso, em recente entrevista à Folha De S. Paulo, o guitarrista Tom Verlaine afirmou que o Television não é uma banda punk, o que fica evidente em seu som diferenciado e bem trabalhado em comparação com a crueza e a rapidez das outras bandas que foram peças-chave daquele movimento.

Em 1975 Verlaine e Hell se desentenderam por conflito de egos nas disputa para escrever as canções da banda, e Hell abandonou o Television para participar dos Heartbreakers com os ex-New York Dolls Johnny Thunders e Jerry Nolan. Posteriormente, e pela mesma razão de sua saída do Television, Hell criaria sua própria banda, o Richard Hell and The Voidoids. Para seu lugar, Verlaine chamou o então baixista do Blondie, Fred Smith.

Em fevereiro de 1977 o Television lançou Marquee Moon, considerada sua obra-prima. Diferente dos outros discos da cena punk, o Television apresentava um som mais trabalhado, com as linhas de guitarra de Lloyd e Verlaine se cruzando e o baixo de Smith marcando o ritmo diferenciado da banda. Marquee Moon esbanjava virtuosismo e introspecção, sem perder os momentos de agito. As letras intelectuais e o tom de voz de Tom Verlaine fizeram de Marquee Moon um clássico cult. O disco acabaria por influenciar diversas bandas das cenas new wave e pós-punk, e suas músicas eram as mais aguardadas pelos presentes que compareceram ao Beco 203 na última quinta-feira, dia 11, para ver a lendária banda se apresentar ao vivo.

Com o guitarrista Jimmy Rip no lugar de Lloyd, que abandonou seu posto em 2007, o Television tocou para um público lotado que se apertava na plateia esperando ouvir os clássicos, e a banda não decepcionou, entrando logo com Prove It, música presente em Marquee Moon. Na sequencia a banda tocou Jericho, uma música que não está presente em nenhum de seus registros de estúdio. Little Johnny Jewel, que faz parte de uma edição com faixas bônus de Marquee Moon veio na sequencia, e os fãs que esperavam e clamavam pelo agito de músicas como “See No Evil” e “Friction” se deparou com o virtuosismo de Verlaine e Rip, em uma execução que deixou o público parcialmente entediado.

A animação foi retomada com Glory, faixa de abertura do segundo disco do Television, Adventure (lançado em 1978), e um dos clássicos da banda. The Fire, do mesmo disco, veio na sequencia. Psychotic Reaction, cover da banda garageira sessentista Count Five foi a próxima do set list. O público, calado e estranhando o caráter virtuoso e instrumental do show, voltou a se animar, mas não por muito tempo. Com uma execução improvisada em um português carregado de forte sotaque norte-americano, Verlaine declamou palavras como “andando”, “não esquecerei” e “sem mágoas, vou embora”, enquanto os músicos destoavam experimentalismo e a maior parte do público, ansioso em ouvir os clássicos, pedia para que ele ficasse. Para fechar, o Television atacou com Marquee Moon, clássico absoluto de seu mais famoso disco, o que animou a plateia, que pediu o bis. E ele veio com Venus, faixa 2 de Marquee Moon, e um cover de Satisfaction dos Rolling Stones. Verlaine se despediu e o Television retornou ao camarim, enquanto alguns esperançosos fãs ainda gritavam por sua volta e pediam os clássicos não executados como See No Evil, Friction e Days.

O agito das músicas ausentes fez falta ao show, que apesar de muito bem executado, manteve a plateia fria durante a maior parte do tempo. O preço do ingresso de 80 reais (100 na porta), sem meia-entrada, também foi acima da realidade da maior parte dos jovens fãs presentes. O vocal de Verlaine também não é mais o mesmo, o que ficou evidente em alguns momentos do show.

As constantes afinações de guitarra do líder da banda e o virtuosismo e experimentalismo apresentados ao longo da maior parte da apresentação mantiveram parte dos fãs com certa distância e, em alguns momentos, frustração. Mas, apesar disto, o Television conseguiu dar ao público presente o gosto de sentir parte da atmosfera que o consagrou ao longo dos anos como uma das mais inovadoras e criativas bandas de seu tempo.

Fotos: Séfora Rios

Remember the Milk: Tem The Cribs hoje e amanhã no Beco 203

Contei há alguns dias sobre o Garage Project, o projeto mega bacana da Citroen em parceria com a Vice, produtora de contéudo, para dar aquele gás pras bandas que estão começando.  Uma delas é a 8bit Pipe, que contou com a ajuda dos especialistas do projeto, Zegon e Roy Cicala, para dar uma consultoria especial. O mais legal é que eles vão abrir pro The Cribs, no show que rola hoje (para convidados) e amanhã, no Beco 203, na Rua Augusta.

Tá afim? Ainda dá pra garantir seu ingresso pra amanhã, veja aqui como.

Ed Kowalczyc no Brasil

O vocalista do LIVEcujo nome é impronunciável, Ed Kowalczyc, fará três shows no Brasil entre o final desse mês e começo de julho, para apresentar seu primeiro ãlbum solo, “Alive”, lançado em 2010.

Os shows acontecem em São Paulo, no dia 30, no HSBC Brasil, no Vivo Rio no dia 1º de julho, no Rio de Janeiro, e no dia 3 no Pepsi on Stage, em Porto Alegre. O valor dos ingressos varia entre R$50 e R$250.

Além de Ed ser impressionante ao vivo, o show promete ser um prato cheio para os fãs de LIVE. O setlist  que ele vem fazendo é recheado de hits da banda e conta com poucas músicas do seu álbum solo.

Para mais informações sobre os shows e vendas de ingresso, clique aqui.

Planeta Terra: Quem completará o line up?

Esse segundo semestre no guarda muitas surpresas. Em novembro vai rolar SWU, ainda sem nenhuma atração confirmada, mas com especulação sobre a vinda de Bob Dylan e Pearl Jam. E vai rolar também Planeta Terra, o festival mais indie do Brasil, dia 05 de novembro, prometendo 12 horas de boa música, coisa que já estão cumprindo, pois já confirmaram a presença do Toro Y Moi, da sensação indie The Vaccines e dos Strokes (!). E podemos esperar muito mais coisa boa vindo por aí, pois dia 08 de junho o SWU começa finalmente a divulgar seu line up e o Planeta Terra deve divulgar mais atrações também, neste mesmo dia.

Há rumores fortes sobre a vinda de Peter Bjorn and John, segundo fontes internas a negociação está avançada e deve ser confirmada muito em breve. Ainda há rumores sobre a presença de James Blake, Mumford and Sons e Warpaint, tudo a ser confirmado.

É aguardar e cruzar os dedos.

 

Cee Lo Green cancela show no Urban Music Festival

O cantor norte-americano Cee Lo Green cancelou hoje o show que faria em São Paulo, no Urban Music Festival, neste domingo, dia 29 de maio, na Arena Anhembi.

A organizadora do evento, Coliseu, divulgou que não ouve nenhuma explicação da parte do cantor sobre o cancelamento, que o cachê já estava pago e que está tomando as medidas legais cabíveis, e também promete colocar no site oficial como fará a restituição dos valores dos ingressos para os que desistirem de ir ao

evento. Também tocarão no evento Ja Rule, John Legend and The Roots e Copacabana Club, entre outros.

 

 

Paul McCartney no Rio

 

Mais uma vez o ex Beatle e genial Paul McCartney passa pelo Brasil, dessa vez pelo Rio de Janeiro, que havia ficado de fora em novembro passado, quando a turnê Up and Coming Tour passou por Porto Alegre e São Paulo. Serão dois shows, o primeiro foi ontem e hoje se realizará o segundo. Como não fui, aproveitei a transmissão do Terra e revi esse momento mágico que tive a oportunidade de presenciar dia 22 de novembro do ano passado.

O setlist variou mais na ordem do que nas músicas, que foram praticamente as mesmas dos shows de novembro, salvo o show ter sido aberto com “Hello Goodbye”, grata surpresa. Apesar dos shows dele serem parecidos, no sentido de ordem de pausas, falas ensaiadas, músicas tocadas e tudo o mais, é sempre um espetáculo. Não no sentido visual, de efeitos especiais, mas sim no sentido de qualidade. A banda é impecável, o som é ótimo, a empatia com o público é imensa e a energia dele absurda. Um senhor de 68 anos que não pára um segundo, nem para tomar água.

Como sempre, a homenagem a George Harrison com “Something” é mais calorosa que “Here Today”, em homenagem a John Lennon. Como sempre ele pede para a platéia cantar junto em “Ob-la-di-ob-la-da”. Como era de se esperar, os balões coloridos encheram o Engenhão em “A Day in The Life/ Let’s give peace a chance”. Mas o ponto alto do show foi mesmo os cartazes com a sílaba NA, erguidas no coro sem fim de na na nas em “Hey Jude”. Um mar de cartazes. Até ele achou incrível, elogiou. Provavelmente hoje teremos algumas mudanças de setlist ou de ordem das músicas, mas uma coisa é certa: será mais um showzaço, mais um momento inesquecível na vida de milhares de pessoas, como aquele 22 de novembro de 2010 na minha vida.

 

Setlist:

Hello, Goodbye” (The Beatles)

Jet” (Wings)

All My Loving” (The Beatles)

Letting Go” (Wings)

Drive My Car” (The Beatles)

Sing The Changes” (The Fireman)

Let Me Roll It” (Wings) / “Foxy Lady” (Jimi Hendrix)

The Long and Winding Road” (The Beatles)

Nineteen Hundred and Eighty-Five” (Wings)

Let ‘Em In” (Wings)

I’ve Just Seen a Face” (The Beatles)

And I Love Her” (The Beatles)

Blackbird” (The Beatles)

Here Today

Dance Tonight

Mrs Vandebilt” (Wings)

Eleanor Rigby” (The Beatles)

Something” (The Beatles)

Band on the Run” (Wings)

Ob-La-Di, Ob-La-Da” (The Beatles)

Back in the U.S.S.R.” (The Beatles)

I’ve Got a Feeling” (The Beatles)

Paperback Writer” (The Beatles)

A Day in the Life” / “Give Peace A Chance” (The Beatles)

Let It Be” (The Beatles)

Live and Let Die” (Paul McCartney & Wings)

Hey Jude” (The Beatles

 

bis

Day Tripper” (The Beatles)

Lady Madonna” (The Beatles)

Get Back” (The Beatles)

 

bis 2

Yesterday” (The Beatles)

Helter Skelter” (The Beatles)

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band / The End” (The Beatles

 

Foto: Terra.