Malcom McLaren faleceu há um mês, no dia 8 de abril, e todo mundo se lembrou do ícone do punk. Mas a vida dele foi muito além – se é que um dia ele foi punk
Dia 8 de abril, quinta-feira, a internet ficou repleta com a notícia da morte de Malcolm McLaren. “Antigo empresário dos Sex Pistols”, “empresário do punk”, “fundador dos Sex Pistols”, noticiavam sites importantes como Rolling Stone, NME e Billboard. O britânico nascido dia 22 de janeiro de 1946 ficou realmente marcado pelo seu trabalho aos 29 anos ao lado dos primeiros grandes punks. Brigas, polêmicas, tudo que se conhece dele são os anos que ficou com o grupo inglês, e talvez seu nome seja o primeiro que muitos lembram ao ouvirem falar “Sex Pistols”. Alguns ainda lembram no New York Dolls, de seu trabalho na Let It Rock e depois na SEX, onde marcou a moda da época com Vivienne Westwood (quem, por sinal, fazia 69 anos no dia da morte dele). Mas será que isso é tudo?
Dentre os anarquistas, Malcolm sempre foi o mais capitalista de todos – e isto não era uma contradição, ao menos para ele. Montou aqueles punks de uma forma altamente vendável, adotou a postura de roqueiro encrenqueiro, questionador dos valores da época e marcou seu nome na indústria e cultura. Queria gritar contra esta cultura corporativa, mas ele mesmo ficou com a grana dos royalties de algumas das músicas dos Sex Pistols. Sobre seu lado bagunceiro, Bob Gruen bem que disse: “Malcom adorava quando as coisas ficavam fora de controle. Ele não achava divertido a menos que as coisas ficassem fora de controle.” Malcolm dizia que queria mesmo mudar a cultura, provocar uma geração inteira. “Havia uma lista de coisas ‘boas’ e de coisas ‘más’, e esta lista foi o começo pra eu me decidir de que forma usar o ‘mau’ e como fazê-lo funcionar de uma maneira que pudesse transformar definitivamente a própria cultura popular”, conta no livro Mate-me Por Favor, onde também fala que a normalidade o irritava. Na obra ele também comenta que “a raiva era simplesmente por causa do dinheiro, porque a cultura tinha se tornado corporativa, porque a gente não a possuía mais”. Mas bem que ele possuiu muita grana lucrada com o punk… contoverso, como sempre.
O ego de Malcolm sempre foi meio “super”. Como a Billboard contou, uma vez ele disse que “rock’n'roll não necessariamente significa uma banda. Não significa um cantor, e nem uma letra, realmente. É aquela questão de tentar ser imortal”. Seja pra mudar a cultura, seja pra marcar seu nome na história, Malcolm conseguiu se tornar um dos porta-vozes de todo um movimento de contra-cultura.
Mas isso não é tudo que Malcolm fez. Em 1978, depois de toda confusão com os Pistols, Malcolm formou o quarteto de new wave Bow Wow Wow e partiu para uma carreira solo. Punk? Que nada! O cara fez diversas experimentações com hip-hop, dance e eletrônica. As mixagens, cara dos anos 80, traziam também elementos da new wave e influências da música africana, algumas até um pouquinho de ópera. Até o midcult Yanni fez parcerias com o empresário-do-punk, uma delas era a adaptação do “The Flower Duet” da ópera Lakme (Leo Delibes).
Em 1983 o agora cantor lançou seu primeiro álbum solo, Duck Rock, do qual conseguiu alguns hits emplacar nas rádios da Inglaterra e dos Estados Unidos, como “Buffalo Gals” e “Double Dutch”. “Madame Butterfly” foi seu próximo single, e em 1985 ele lançou outro álbum, o Swamp Thing. Entre estes dois trabalhos também teve um disco americano, o mini-LP Scratchin’. Quatro anos depois, Malcolm reapareceu com Waltz Darling, que também fez sucesso na ilha da rainha Elizabeth. Em 90 lançou outros dois discos e em 94 veio o álbum Paris, justamente quando ele se mudou para França. Seu último projeto, um tanto quanto diferente e fora de algumas discografias suas, foi Shallow – Musical Paintings.
Lembra do documentário Fast Food Nation? O Malcolm co-produziu. Sabe estes realities-shows? Ele competiu no britânico The Baron e num Big Brother para famosos. Nos últimos anos fez filmes, como alguns sobre o Sex Pistols e Paris: Capital of the 21st Century, rodou a cena cultural, e ficou quieto na Suíça morrendo aos poucos com câncer. É, Malcolm é muito mais que um personagem do punk. Ele foi essencial para a formação do movimento contracultural dos anos 70, mas nem ele mesmo era tão punk, e nem o punk foi muito a cara do Malcolm.
Ou você acha que este vídeo abaixo, feito cinco anos depois dos anos punks do produtor, é punk? E vai dizer que esta música, um dos maiores singles de McLaren, não te lembra nada…:
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