
Tecnicamente, o show do Placebo, no dia 17 de abril, em São Paulo – última parada da terceira turnê da banda pelo Brasil – foi ótimo. Das instalações, não havia o que reclamar: o Credicard Hall é espaçoso e confortável, ainda mais com a casa apenas relativamente cheia, com cerca de 4 mil pessoas. O timing do grupo inglês também não foi nada menos que britânico: o show começou às 22h em ponto e durou quase exatos 90 minutos, com apenas 3 de intervalo antes do bis. A parte de iluminação e efeitos também foi boa; a videoarte que acompanhava a apresentação, em um telão no fundo do palco, era bonita, ainda que em alguns trechos fosse difícil estabelecer a relação entre esta e o que estava sendo tocado.
A apresentação começou com o pé direito, ao som das batidas vibrantes das canções do álbum Battle for the Sun (2009), For what is worth e Ashtray Heart. A plateia pulava e cantava junto, palavra por palavra, com uma animação que não foi reprisada nem durante a execução do maior hit da banda, a über conhecida Every You Every Me, sétima canção na set list.
Outros momentos que muito agradaram à plateia foram as interações com o vocalista, Brian Molko. Tiveram os (praticamente mandatórios para bandas internacionais, a essa altura) ‘óbrigadôu, sáo paulo’, em português. E ainda uma introdução interessante para a música Speaking in tongues,a quinta tocada.
Para apresentar a canção, Molko contou uma pequena história sobre as possessões em programas religiosos de televisão e em como os voluntários das ‘possessões por Jesus’ muitas vezes começavam a falar em línguas desconhecidas. Em inglês, esse fenômeno é chamado justamente de speaking in tongues.
Não duvido que tenha quem deteste o blablablá de cantores durante uma apresentação e fique só esperando a música começar logo. A minha opinião quanto a isso, é outra: a interação ídolo/público é um dos principais motivos que me levam a ir a um show. Como as improvisações do vocalista do Placebo pararam por aí, eu senti falta de mais, embora isso tenha prejudicado a performance de um modo geral.
A banda definitivamente não é mesma de seu primeiro álbum, Placebo, de 1996. Mas tudo bem, porque nada é pior para um artista do que a inércia. Apesar do tom melancólico dos primeiros anos ter se metamorfoseado em algo mais positivo em Battle fo the Sun – álbum que inclusive teve bastante influência do baterista Steve Forrest, que substituiu Steve Hewitt, em 2005 -, isso só é indicativo de que o Placebo procura novas formas de expressão e que, por isso, conseguiu agregar aos fãs antigos, um público mais jovem, como o que foi em massa ao show.
O encerramento da apresentação ficou por conta da música Taste in Men – do álbum Black Market Music – após a qual todos os membros da banda deram as mão e agradeceram ao público, como no final de uma apresentação de teatro.
Como saldo final, mesclando antigos sucessos às músicas mais novas de Battle for the Sun, o Placebo conseguiu sustentar um show e animar o público, apesar de a apresentação ter sido extramamente empolgante apenas em um ou outro momento. Foi um show verdadeiramente britânico, que deu ao fã nem mais nem menos do o que ele pagou para ver.
Set list:
For What It´s Worth
Ashtray Heart
Battle for the Sun
Sleeping with Ghosts
Speak in Tongues
Follow The Cops Back Home
Every You Every Me
Special Needs
Breathe Underwater
Julien
The Never-Ending Why
Bright Lights
Devil in the Details
Meds
Song to say Goodbye
Special K
Bitter End
Bis
Trigger Happy
Infra-Red
Taste in Men
Foto: Daigo Oliva
Destaque: Bruna Sanches