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75 anos de Elvis: Rock n’ Roll Meme

Posted on 28 January 2010 by leonardoatorama

Em uma tarde de Dia das Crianças, o pequeno Elvis Presley, saído de seus dez anos, pisou pela primeira vez ao palco. Presley foi convidado por sua professora, Oleta Grimes, para se apresentar na feira de Laticínios de Alabama-Mississipi, em 1945. Nesse exato momento,  para além dos alagadiços sulistas, o mundo já havia conhecido os horrores de duas grandes guerras que dizimaram um contingente sem paralelos e levaria ainda o conhecimento dos horrores da bomba de fissão nuclear. Altivo em seu traje de cowboy, o menino não tinha tempo para pensar na reação de Neutrons, Urânio e Plutônio, ocupado que estava com o prêmio que recebera com sua colocação em segundo lugar na feira: singelos 5 dólares e passe livre para todos os brinquedos do parque improvisado. A homenagem é ainda mais singela se comparada ao que Elvis conquistou no fim de sua carreira: mais de um bilhão de discos vendidos mundialmente e a chave mestra de todo um gênero musical, que ele ajudou a moldar e sobre o qual, com personalidade ímpar até então, construiu sua linguagem e reinado. Não a toa, Elvis foi um estouro!<br><br>

Depois de mais de cinco décadas de carreira (que realmente decolou em 1955 com o contrato entre Elvis e a gravadora RCA Victor) é mais fácil perceber o que atraia tanta gente no que Elvis Presley fazia. A mistura de sua sonoridade – do Gospel (de sua infância em Tupelo, Mississipi) ao R&B e Jazz (das calçadas da lendária Beale St. em Memphis, Tennessee, onde residiu a partir de 48) – não era lá uma grande novidade, mas com músicas de ritmo agitado e melodias bem construídas e viciantes, sem exagerar nos ataques, a fórmula bem balanceada levava o Rock ao patamar do mainstream. Com Elvis, o Rock era uma música de todos os homens, para todos os homens. Uma mensagem musical um bocado forte, principalmente considerando que, enquanto o rei fazia sucesso durante a década de 50, o apartheid sul-africano estava à todo o vapor e movimentos segregacionistas agitavam até mesmo os quintais norte-americano, com o retorno de protestos da famosa Ku Klux Klan.

Por outro lado, é seguro dizer que muito do que tornava Elvis Presley especial estava no visual. Sua carreira é um dos primeiros exemplos de um músico que percebe que fazer Rock é mais do que pegar uma guitarra elétrica e soltar alguns acordes agressivos. Mais do que isso, Rock é atitude, algo que Elvis despejava não apenas em sua música, mas em toda sua imagem pública, que simplesmente brilhava nos televisores norte-americanos em shows de sucesso como os de Ed Sullivan, onde gente como os Beatles também deram suas caras. Se o Rock de hoje tem seu que intrínseco de glamour, roupas arrojadas e penteados fora de série, há muito a que se agradecer ao casaco de couro, regata, jeans e topete arrassa-quarteirão do bom e velho Elvis Presley. A mensagem visual era tão potente que deu inspiração para uma centena de sósias e “wannabes” que andam por aí até hoje. Elvis, em seus plenos 75 anos, de fato não morreu, e sua existência hoje pode ser comparada a um “Meme”: um fenômeno cultural que segue até hoje nas entranhas de seu gênero, altivo com sua roupa de cowboy e seus 5 dólares no bolso.


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O Rock vindo de cima

Posted on 22 January 2010 by Ariane Freitas

Por Rosana Villar de Souza

No final do ano passado um amigo fotógrafo me convidou para assistir a um show no Sesc Pompéia. Esse amigo havia trabalhado no festival Porão do Rock, que rolou em setembro em Brasília, e era só elogios para uma banda que tinha visto por lá, uns goianos chamados Black Drawing Chalks.
Os caras iriam se apresentar ao lado da também goiana MQN, de Fabrício Nobre (dono do maior selo independente do Brasil, a Monstro Discos), e da pernambucana AMP, no festival 666, que rolaria na choperia do Sesc, um dos lugares mais bacanas para se ver um show em sampa.
Pode ter sido o clima, o público (super seleto), a noite agradável, a acústica do lugar ou só o puta talento de todas as bandas mesmo. Mas sei que a noite foi sensacional, todos os shows, e saí de lá um bocado embasbacada com aquilo tudo, afinal, fazia tempo que não ouvia um rock com tanta “paudurisse” como o daquela noite.

Fiquei um tanto obcecada, em especial, pelos Black Drawings. Os sujeitos tinham uma energia no palco que seria capaz de abastecer Itaipu! Nunca vou esquecer a performance daquele baixista, uma mistura de Cheech, de Cheech e Chong, com Slash e uma pitada de pica-pau de meias, alucinado em cima do palco, ou em baixo dele, vestindo indefectíveis botas vermelhas. Genial!

E não é só a performance, o som é de arrepiar os cabelos. Pesado e sacana. Lembra de leve Queens of the stone age, mas sem a parte dos efeitos disso e daquilo. Só rock, puro e muito bem tocado.

O grupo canta e inglês e lançou sem primeiro CD, Big Deal, em 2007, pela Monstro. No final do ano passado lançaram Life is a Big Holiday for us, que tem o single/clipe mais bacana do rock nacional atual. Não tem como ouvir My Favorite Way e não se apaixonar imediatamente por ela.
O clipe é um show alucinógeno de animação e tem ilustrações de dois componentes da banda, que também são designers, Douglas Castro (sr baterista) e Victor Rocha (sr vocalista e guitarra). A produção foi uma parceria entre o coletivo Bicicleta sem freio, do qual os músicos fazem parte, e o Nitrocorpz Design Studio.

Na premiação piada VMB 09, da Music (not!) Television, o Black Dawing Chalks chegaram a concorrer nas categorias Aposta do ano e Rock alternativo, mas, numa piada de muito mal gosto, não levaram nada.

Na terça (19/01) tive a chance de assistir a outro show do grupo, no Tapas, e foi só para ter certeza. Agora eu entendia a empolgação do Sr baixista e pulei e me sacudi como ele, a ponto de acabar com um olho roxo!

Black Drawing Chalks vai ser MINHA aposta para este ano, que corrobora mais ou menos com uma outra aposta que faço: o fim da supremacia sudeste na música.
O rock anda cada vez mais bunda mole, principalmente em São Paulo, que deveria ser a Meca do gênero, e quando surgem bandas como esta, de lugares geralmente negligenciados quando o assunto é rock’n roll, a gente se toca que esse Brasil é um mundão velho sem porteira e que nossa cultura vai muito além do que possa pensar nossa consciênciazinha medíocre.

A banda é:
Denis de Castro – Baixo
Douglas de Castro – Bateria
Renato Cunha – Guitarra
Victor Rocha – Guitarra e vocal
Visite e ouça: http://www.myspace.com/blackdrawingchalks

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Esculpindo em gelo negro

Posted on 19 January 2010 by leonardoatorama

Sabe como é às vezes a vida: você acorda, faz um café/chá, lê algum livro/jornal/resenha, vai trabalhar/estudar, sai com alguns amigos/namorada(o/as/os) e deita a cabeça na cama à noite surpreso de estar satisfeito de poder repetir a exata mesma rotina no dia seguinte, uma felicidade molenga de estar em um ponto ótimo e seguro, de onde nenhum imprevisto ou sentimento repentino possa te abalar. É assim que me sinto musicalmente com a banda de Hard Rock AC/DC. Na cena rocker desde os idos de 1973 o grupo australiano lança álbuns com um pouco mais do que um miasma criativo e alguns riffs parecidos funcionando como fio condutor da obra. Desde Black in Black e para além dos discos de menor intensidade que povoaram a década de 80, ouvir AC/DC agora é admiravelmente similar a ouvir AC/DC de coisa de 20 anos atrás. No cenário atual, em que o Rock e suas vertentes vêm se diferenciando e reinventando entre e para além de seus paradigmas, isso pode soar um bocado negativo. E, convenhamos, AC/DC está num patamar estranho mesmo se comparado a bandas de igual calibre e tempo de estrada (qualquer um vai concordar comigo depois de ver a repaginada estilística que Judas Priest organizou sob o single Nostradamus). Claro, constatar essa estagnação não deixa de ser “lugar comum” – além de um desserviço para a capacidade criativa musical de Angus, Johnson e cia. Portanto, eis o caso em questão: O CD Black Ice, lançado em outubro de 2008 e a mais nova aventura da banda. Seria este um novo experimento, um disco conceitual pronto para romper suas barreiras de estilo? Um Nostradamus? Ou suas previsões falharam? Confiram a seguir, enquanto disseco o mais atual fruto dos autralianos do AC/DC.

Ok, ok, vamos falar sério! Se vocês conhecem bem AC/DC sabem que a resposta para essas perguntas é um sonoro NÃO. Os autralianos são desse tipo de caras que encontram sua voz na multidão, um formato de sucesso e uma boa sonoridade e seguem firmes e fortes. Sem experimentalismos, sem viagens à lá Jethro Tull. E quer saber, não é nada mal. Se Black Ice consegue fazer algo bem, é superar a sombra do Back in Black e se firmar em suas próprias pernas. As canções são boas, vibrantes e energéticas, além de extremamente viciantes. O disco começa (sim, eles começam sim, geração “Shuffle”! Começam sim!) em uma alta nota com “Rock n’ Roll Train”, uma entusiásmatica coleção de riffs contagiantes, trocados com precisão e velocidade entre o Guitar Hero Angus e Malcolm Young. O ritmo Staccatto um pouco violento e grosseiro faz seu retorno, auxiliado pelo baterista Phil Rudd e o baixista Cliff Williams. A música, entretanto, soa mais organizada e afiada.

De “Rock n’ Roll Train” em diante, o roqueiro padrão está em casa, com uma coleção de músicas com elementos bem semelhantes com os do passado da banda: “War Machine”, por exemplo, parece algo saído de “Back in Black”, enquanto “Anything Goes” tem uma levada similar à de “For Those About to Rock (We Salute You)”. Entre esses sons mais familiares e um ou outro que pode soar vazio de inspiração – “Spoilin’ for a Fight” vem à mente – minha favorita de todo o disco é, sem dúvida, “Rocking All The Way”. Nela, um ritmo funky puxado para Jazz rouba a cena, e o baixo de Cliff Williams ganha voz. Também não dá para deixar de se lembrar dos tempos em que Bon Scott estava nos vocais do AC/DC, e em que o ritmo Soul tinha presença mais marcante no trabalho dos autralianos. É uma faixa genial, e a mais surpreendente de todas as presentes, soprando um pouco de vida nova e personalidade ao álbum.

Já que a base instrumental se manteve a mesma, é o papel do vocal criar a sensação de novo. Diferente de Scott, Brian Johnson é um barítono natural, mas em Black Ice, o vocal explora tons mais altos e, como resultado, sua voz soa um pouco menos impactante.  Longe de estragar a experiência, claro. As letras ainda mantém uma saudável dose de irreverência com pitadas de Tom Sawyer,  relegando tudo o que não for Rock n’ Roll pra um mero segundo plano. Sem emoções profundas e investigações sobre o melodrama humano, é interessante notar como o AC/DC ainda consegue criar um material tão divertido com palavras e temas que já são clichés há décadas. Fato é que depois de um tempo ouvindo Black Ice é possível que você comece a cantarolar coisas que te fariam soar no mínimo cafona. E que você não dê a mínima pra isso.

ACDC – Black Ice (Sony/BMG)

Produzido por Brendan O’Brian

Lead Guitar: Angus Young

Rythym Guitar: Malcolm Young

Vocais: Brian Johnson

Baixo: Cliff Williams

Bateria: Phil Rudd

Canções compostas por A. Young e M. Young

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