#musicmonday: Princesinhas do Pop

Na semana entre os shows de Rihanna e Katy Perry em São Paulo e a pouquíssimos dias do início do Rock In Rio, nada melhor que preparar os ouvidos para os agudos com uma playlist dedicada a todas as mulheres que dominaram o pop nas últimas décadas e certamente continuarão a nos bombardiar com suas músicas chiclete por muito tempo.

É claro que não poderiam faltar a Deusa do Pop, Cher, a Imperatriz Cyndi, a Rainha Madonna e a Princesinha Britney nesta seleção. Aliás, muitas das integrantes da nobreza do pop estiveram e ainda estarão no Brasil este ano. Cyndi veio em fevereiro, Rihanna, Katy, Shakira e Ke$ha chegam para o Rock In Rio e Britney aparece por aqui em novembro.

A playlist de hoje tem músicas novas, velhas, preferidas dos fãs, minhas preferidas, muitas famosas e outras nem tanto assim. Animou? Então vamos ao…

Tracklist:

  1. Cher – Believe
  2. Cyndi Lauper – Girls Just Wanna Have Fun
  3. Janet Jackson – Rhythm Nation
  4. Madonna – Ray of Light
  5. Britney Spears – Piece of Me
  6. Christina Aguilera – Come on Over Baby
  7. Mariah Carey – We Belong Together
  8. Jennifer Lopez – Love Don’t Cost a Thing
  9. Kylie Minogue – Can’t Get You out of my Head
  10. Shakira – Whenever, Wherever
  11. Beyoncé – Single Ladies
  12. Rihanna – S&M
  13. Katy Perry – One of the Boys
  14. Lady Gaga – Bad Romance
  15. Ke$ha – Take it Off

Destinee & Paris são muito amor!

Quem me acompanha no Twitter, já me viu falando destas duas loirinhas que tem acompanhado ninguém menos que a princesinha do pop Britney Spears em sua turnê norte-americana. Destinee & Paris são irmãs, tem 17 e 15 aninhos, são lindas e ainda cantam bem! Até 2009, elas faziam parte da girl band Clique Girlz, mas com o fim do grupo, as duas seguiram com a dupla em um canal do Youtube über-pop, com covers de Katy Perry, Lady Gaga, Jessie J e até Adele.

A novidade boa é que as bonitinhas estão lançando seu primeiro álbum com músicas próprias desde o fim das Clique Girlz em setembro e liberaram o primeiro clipe do single True Love para a gente ter uma ideia do que esperar!

Para quem gostou, vale torcer para que elas venham com a Brit para a turnê na América do Sul! Aliás, quem já garantiu o ingresso? o/

Você conhece Grimes?

Como bem apontou a Anita neste post, as cantoras pop da atualidade entraram em uma onda de quanto mais estranho, melhor. Pois estranho foi justamente a palavra que me veio à cabeça quando assisti o novo clipe da canadense Claire Boucher, aka Grimes, intitulado Crystal Ball.

Se você não conhece Grimes, uma rápida pesquisa no Google vai te contar que a jovem fã de Chopin tem sido comparada a Kate Bush e Björk e que seu estilo musical transita entre alternative house e sci-fi pop, o que só torna as coisas ainda mais confusas.

Pois em minha curiosidade, fui pesquisar mais sobre a moça. Em seu myspace, ela lista diversos artigos sobre seus discos Geidi Primes e Halfaxa, ambos de 2010, além de disponibilizar algumas faixas dos dois álbuns, portanto, vale a pena conferir.

Particularmente, nenhuma música me lembrou Björk ou Kate Bush, embora meu repertório destas artistas seja um pouco limitado. A verdade é que o som experimental desta cantora de Montreal está conquistando o mundo e logo, logo devemos ouvir mais de seus sintetizadores por aqui.

#playlist: Just Dance

Vocês se lembram de Just Dance, hit que revelou uma magrelinha, loira, esquisita para o mundo? Pois antes das roupas absurdas, dos penteados enormes, dos clipes polêmicos, do vestido de carne e de tanto Bad Romance, havia apenas uma Lady Gaga bonitinha cantando sua música chiclete: Just Dance.

Pois bem, não é de nada disso que vamos falar hoje! Hoje o dia é de #playlist e resolvi escolher o primo pobre – ou seria rico? – de Dance Dance Revolution para montar uma seleção pop adoravelmente tolerável até por quem não suporta Lady Gaga.

É claro que não podia faltar Madonna, Spice Girls e muito menos Katy Perry numa lista feita por mim, mas tentei manter as outras musas do pop distantes desta vez. Além disso, Iggy Pop, The Clash e Rolling Stones trazem uma pitadinha de rock n roll para a mistura, que ainda tem todo o charme de James Brown e Jackson 5.

Apesar de o game ter apenas três edições publicadas – a quarta é aguardada para o final deste ano – e estar disponível somente para Wii, os jogos juntos somam mais de 140 músicas disponíveis para as coreografias, com algumas canções originais, além das licenciadas para a série. Apesar de a jogabilidade ser um pouco estranha e baseada no movimento dos controles com sensores de movimento, o título é um sucesso, sendo que Just Dance 2 concorre neste ano na categoria Favorite Video Game do Kids’ Choice Awards, promovido pelo canal de assinatura infantil Nickelodeon.

 Tracklist:

1. Just Dance – Heart of Glass – Blondie

2. Just Dance – Hot n Cold – Katy Perry

3. Just Dance – Louie Louie – Iggy Pop

4. Just Dance – U Can’t Touch This – MC Hammer

5. Just Dance – Wannabe – Spice Girls

6. Just Dance 2 – Alright – Supergrass

7. Just Dance 2 – I Got You – James Brown

8. Just Dance 2 – Should I Stay or Should I Go – The Clash

9. Just Dance 2 – Sympathy for the Devil – The Rolling Stones

10. Just Dance 2 – Viva Las Vegas – Elvis Presley

11. Just Dance Kids – ABC – The Jackson 5

12. Just Dance Kids – All Star – Smash Mouth

13. Just Dance Kids – Holiday – Madonna

14. Just Dance Kids – Mmmbop – Hanson

15. Just Dance Kids – Surfin’ U.S.A. – The Beach Boys

Nascimento (de e por Leo Cavalcanti)

Aluno de suas próprias canções, o músico paulistano Leo Cavalcanti conta sobre seu primeiro e intenso álbum, Religar, e sua história intuitiva com a música, que apresenta nesta quinta no Sesc Pompeia

Parto talvez seja a melhor imagem para explicar o álbum Religar, estreia do cantor e compositor paulistano Leo Cavalcanti. Desde o coincidente período que as gravações levaram – nove meses – até o processo de produção do disco, tudo lembra uma gestação e um nascimento.

Dois anos atrás Leo ganhou o Festival da Semana da Canção Brasileira em São Luis do Paraitinga. “Eu fui sem expectativa, foi inusitado e emocionante”, relembra o músico em entrevista ao Vitroleiros. Depois de ter deixado a faculdade de geografia e optado por investir na música ao invés da ioga e massoterapia como profissão, o festival virou um marco na sua carreira. Mas, mais do que o prêmio, ele lembra com carinho daquela semana do festival.

Durante nossa conversa, o céu desaba e a chuva deixa parte do bairro de Pinheiros, São Paulo, sem energia elétrica, como se para lembrar o início de sua carreira. “Paraitinga serviu como um trampolim para o disco. E dois meses depois teve a tragédia, a cidade foi assolada pela chuva. Foi muito forte, cantei de frente para igreja e depois ela não estava mais lá.” A intensidade que antecipou as primeiras gravações ainda aumentaria: “Um grande amigo meu fez sua passagem, foi muito forte”. Tanto a cidade, quando o parceiro são para quem Leo dedicou o álbum.

No tom de “Vamos enfrentar?”
“Intenso, transformador, doloroso, prazeroso, trabalhoso”, assim o cantor define o processo de gravação que durou nove meses. Ao invés de paralisar, o cantor se permitiu crescer e aprender com o registro de suas canções. “Me descobri muito possessivo com o meu trabalho”, explica ele que, compositor das 14 faixas, já sabia muito bem a concepção musical que queria e teve de aprender a deixar os produtores Décio 7, Cris Scavello e Betão Aguiar interferirem. “Um processo de entrega, de doação.”

E as lições não pararam por aí. “No final, descobri que as músicas foram minhas professoras. Eu vivi todos os conflitos que elas dizem: descrença, supervalorização, apego, tudo isso”, relembra Leo, que não quer perder esta relação nunca, “senão perde a essência”. Até o físico entrou na brincadeira. Uma mesa de vidro onde estava apoiado durante uma das gravações quebrou e cortou seu antebraço até o osso. “Levei três níveis de ponto. Fiquei sem dúvidas sobre o nome do disco”, comenta rindo.

Leo ainda teve a oportunidade de tocar no exterior, convidado pelo Festival Tensamba, de Tenerife e Gran Canária, na Espanha. Com ajuda de amigos marcou shows também em Portugal e Inglaterra e chegou a tocar em balada hardcore e boliche, ganhando confiança. “Foi bom para testar uma comunicabilidade além da língua. Quer dizer: a música mesmo.”

Com tudo pronto, Leo subiu aos palcos do Studio SP no dia 14 de dezembro do ano passado para a festa de pré-lançamento. Preocupado, o cantor acordou com febre e apresentou as músicas rouco. “Foi curador”, comenta. Agora, para lançar o disco de fato, ele cantará nesta quinta-feira, 24 de fevereiro, no Sesc Pompeia, e segue para um show dia 2 de março, no Solar de Botafogo, no Rio de Janeiro, onde também participará do programa global Som Brasil.

Longa caminhada
Filho do também músico Péricles Cavalcanti, Leo teve a sorte de crescer num berço musical amplo. “Eu vejo que de onde eu vim eu tenho um altar onde todos [músicos e tipos de música] estão presentes no mesmo patamar”, explica a influência de MPB à MTV. Aprendeu a ler e escrever cedo, aos 4 anos, e aos 8 já se interessava por livros adultos.

Mas a música escolheu Leo Cavalcanti. Aos nove anos ele ganhou um violão do pai e começou a tirar canções de ouvido. Ao longo da vida, ele até fez uma aula ou outra e pensou em cursar música erudita – que não passou. Mas deixou de lado para prezar a relação mais profunda e pessoal que ele tem com a música: “Tive uma resistência em aprender as coisas teoricamente. Queria, acho que por instinto, manter minha relação intuitiva até hoje”.

Aos onze, Leo “descobriu” os Beatles e virou maníaco. “Com o Anthology eu descobri muita beleza e comecei a incorporar isso na minha vida”, conta. A este momento se juntou uma paixão platônica que o instigou a compor. “Mas comecei justamente colocando como a gente se apaixona por um desenho que a gente faz, não pela realidade”, reflete.

A primeira vez no palco foi num show do pai, no qual tocou percussão, violão e cantou. Na plateia: Sandra Peres e Paulo Tatit, a dupla que depois o convidou para participar, aos 14 anos, da banda e turnê do grupo musical infantil Palavra Cantanda. “A gente fez a turnê do [álbum] Canções Curiosas por várias cidades, entrei com o lance profissa. Foi fluido e maravilhoso, porque era um show que eu gostava muito, tinha muito prazer. Além disso, meus amigos também participavam.” Leo inclusive participou de alguns clipes, como “Fome Come” (abaixo) e “Criança Não Trabalha”. Dois anos depois, o adolescente ainda teve uma banda de forró que estudava o repertório do Jackson do Pandeiro, de quem guardou o jeito de tocar violão e cantar, e Luiz Gonzaga.

Se faculdade é a hora em que se escolhe o futuro, para Leo não foi diferente. Mas ele cursou geografia e a decisão só veio lá pro terceiro ano, quando parou para se dedicar à música. Nesta época, há seis anos, começou a fazer ioga e viu seu mundo – pelo menos o interior – mudar. “Percebi que eu andava meio torto… em vários sentidos. E aí comecei a ter uma relação de descoberta da percepção do meu corpo de uma maneira diferente, e a ter uma outra visão sobre o homem”, divide. “De repente o sagrado começou a fazer sentido para mim, a vida como uma manifestação divina.”

Não demorou muito para Leo começar a fazer música sobre “a necessidade de ampliação de consciência da gente, de olhar para o nosso ego de uma maneira mais desidentificada”. Ele estudou a ioga e também se interessou por massoterapia até que se viu enrolado em duas rotinas: “música, dentro da minha área, é um trabalho noturno, ioga e massoterapia é diurno”. Foi difícil, mas há dois anos resolveu que estava na hora de se dedicar a música por inteiro. “Na verdade foi difícil até o momento que eu falei: ‘Peraí, eu posso conciliar os dois, um alimenta o outro‘. Quero utilizar a música como um canal para meditação, para tomada da força pessoal, para questionar, para focar”, resume.

Religar
E assim o cantor e compositor desembarcou na intensidade da gravidez e do nascimento de Religar, um álbum que ele considera completo num significado praticamente “old school”. “É um conjunto mesmo, uma obra que tem uma ordem, tem um enredo. Dentro da sua prolixidade tem uma coerência”, explica. O produto de momentos fortes e intensos só podia ser gerado assim. “Meu trabalho tem essa: ou ele é intenso, ou não se entende. Ele tem de ser vivido de verdade. Eu sei que não é uma música para ser ouvida de passagem, sem atenção. Requer uma abertura.” Fortes, as músicas são deliciosas e chegam até a serem divertidas. Mas, acima de tudo, são lições.

Produzido pro Leo Cavalcanti ao lado de Décio 7 e Cris Scabello, com participação de Betão Aguiar, o disco foi lançado pela YB Music e teve o apoio do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo, o ProAC. Tatá Aeroplano deu o nome de “pop transcendental” ao estilo do músico, que, “já que tem de definir”, gosta bastante e já usa o termo ele mesmo.

Depois de tudo isso, quem é o Leo Cavalcanti agora? “Eu sei mais agora que eu sei menos. Ao mesmo tempo eu sei que eu estou em evolução. Isso dá uma confiança”, diz. “Eu estava criando, agora nasceu e é a criança se constituindo em relação ao mundo. Eu não sei como, mas sei que estou diferente, mais forte principalmente”, analisa.

No fim do mês de março, Leo quer aproveitar o aniversário de 27 anos para lançar mais uma linguagem de Religar: o clipe de “Ouvidos ao Mistério”, com direito a coreografia aflamencada. Ele ainda sonha em transitar muito com seu som e continua estudando ioga. Leo Cavalcanti não é um artista óbvio, nem comum, mas um artista que se expõe à sua arte e deixa que ela o modifique. É mais um colorido para a MPB.

Show de lançamento: 24 de fevereiro (quinta), 21 horas. Teatro do Sesc Pompeia (rua Clélia, 93).

Pop pra dar e vender

Arte comercial de massa, estética publicitária, vendida. Superficial, consumista e sensacionalista. É com essa imagem que o pop – termo que vem de “popular” mesmo – surgiu por volta dos anos 50. Bem ou mal para a cultura, o estilo sempre foi meio polêmico. Tudo serviu de influência: do rock à música erudita, das propagandas às HQs. Na pop art o banal tornou-se cultura, numa produção praticamente irônica, e a identidade ficou difusa.

Em 1952 surge um grupo precursor na Inglaterra, The Independente Group, que já apresentava o olhar voltado para as propagandas e os filmes, sempre pensando no público consumidor. E depois de vários artistas e a imigração das ideias para os Estados Unidos, chegamos no que se conhece da obra de gente como Andy Warhol.

O caminho das artes plásticas não foi de mãos dadas com o da música. Aliás, na música, o pop sempre é controverso. Há os artistas que todos sabem que são pops – pra citar exemplos atuais, a Lady Gaga e o Justin Timberlake – mas há vários outros cuja discussão não chega à conclusões, como Frank Sinatra, The Beatles e Elvis Presley. O grande estouro mesmo do estilo foi no fim dos anos 70 e nos 80, quando aderiu também aos teclados e sons da música disco. Daí surgem nomes como Michael Jackson e, depois, Madonna, a rainha do estilo. Nos anos noventa as bonitinhas e as boy bands dominaram. E, em todos estes casos, não é preciso nem lembrar como a moda acompanhou os artistas.

Parte da produção pop já é considerada “arte”, mas outra parte ainda é tratada como produção de baixa qualidade. Os primeiros anos da produção de arte e música pop também são bem desconhecidos. Quem quer saber mais, fica a dica, a Casa do Saber do shopping Cidade Jardim vai apresentar a partir do dia 8 de novembro, às 19h30 o curso “Pop, cinquenta anos depois”. Gratuito, será ministrado por André Toral, professor de estética e história da arte na Faap. Você pode se inscrever pelo telefone (11) 3707-8900, e vai logo, que as vagas são limitadas.

Pra relembrar e curtir (ou rir) a música pop, uma playlist pra vocês, feita com ajuda da Anita (tks!):

Trilha internacional

Roney Giah pode ser um nome novo para muita gente, mas tem mais de 20 anos de estrada, muita bagagem e história para contar. Seu apuro técnico e o caminho que percorreu o levou a poder transmitir uma arte cem porcento pessoal, já que é ele mesmo que se empresaria.

O cantor e compositor brasileiro começou a estudar música formalmente aos seis anos de idade. De lá pra cá fez diversas aulas e cursos incluindo no currículo o Musicians Institute of Technology em Los Angeles e o Instituto de Áudio e Vídeo em São Paulo. Seu reconhecimento nacional veio com o primeiro CD, Semente (1997), com o qual concorreu aos prêmios Sharp e Visa e conquistou segundo lugar no Festival Berklee/Souza Lima. Alguns anos depois, em 2005, surgiu o álbum Mais Dias na Terra, que durou seis anos para ficar pronto. Pré-selecionado na edição de 2006 do Latin Grammy e do Prêmio TIM de Música, o álbum acompanhou internacionalização da carreira de Roney.

Lá fora, já recebeu Menção Honrosa no Billboard World Song Contest e no The John Lennon Songwriting Contest, com curadoria de Yoko Ono. Participou da trilha sonora do filme No Pain, No Gain e assinou contrato com a gravadora inglesa Astranova Records, pela qual lançou uma espécie de coletânea, o Yesterday’s Tomorrow. Também foi indicado, recentemente, à edição de 2010 do festival The Musicoz Award e faz parte do Jingle Punks. Voltando à terra tupiniquim, o clipe de “Few People Laughing” foi incluído no início de julho na programação da MTV.

Neste sábado 24 de julho, Roney fará o único show do ano por aqui. Lançamento do seu último CD Queimando a Moleira e gravação de DVD, a apresentação será no Grande Auditório do MASP (Av. Paulista, 1578, São Paulo), acompanhado pelos músicos da The Pop Chamber Orchestra. O show tem ingressos a preços populares (10 reais!) e também contará com a participação da Perseptom Banda Vocal.

O álbum que será apresentado traz uma faceta mais tranquila de Roney Giah. Com menos traços da música brasileira – mas sem perder a identidade com a terra natal – o cantor leva melodias mais voltadas para o pop. As dezoito (!) músicas autorais de Queimando a Moleira variam entre ritmos calmos e animados, mas sem perder a sonoridade tranquila.

Alguns instrumentos clássicos se juntam à voz e violão de Roney, como piano, baixo acústico, acordeom, violoncelo e clarinete. Curiosamente misturados, não chegam a parecer uma orquestra, mas dão às canções um toque de naturalidade. O som pode ser aproximado do chamber pop, estilo parecido com o baroque pop inglês dos anos 60 que adicionou, pela primeira vez, os instrumentos clássicos ao pop e rock. Mas vai além e dialoga com diversas influências, praticamente inumeráveis, do pop à bossa nova. O álbum também tem uma temática leve de romance e faz, algumas vezes, uma certa graça.


Você vem de um histórico de estudo musical desde cedo na vida. Como isso ajudou ou influenciou no seu trabalho enquanto artista?

Em tudo. Quanto mais se absorve, mais tem resultado no seu produto cultural. Quanto mais bebo do universo da música, mais ecoa na obra. Vejo o que eu faço e estudei como uma coisa só, como alimento e digestão, não são separados.

E na inspiração?
Depende, divido em setores. Tem o que eu vou falar, o tema, que percebo no dia-a-dia. Se estou numa padaria, o que escuto, o que passa no jornal, conversas também viram temas que fico atento para. E outra coisa é a inspiração musical, que para mim vem primeiro [antes da letra]. Sonho muito com melodias e acordes. E, depois dessas ideias, a temática depende de anotações diárias de temas que quero abordar. Faço um quebra-cabeça.

Você é reconhecido lá fora, tendo recebido inclusive menção honrosa em prêmios importantes e lançado CD com gravadora inglesa. Você sente a diferença na recepção da sua música lá fora e no Brasil?
Eu sinto. [risos] É uma coisa que eu acho importante ressaltar entre a cultura deles e a nossa. Cultura para eles é monstruosa financeiramente e deveria ser assim no Brasil, mais que borracha e laranja. Não se dá a devida importância financeira e, não é só isso, é cultural, política. E lá [fora], eles tem tudo isso. Não é só interesseiro, é muito mais sofisticado, tem o lado financeiro mas ele está sempre acoplado à importância da cultura e da manutenção da cultura. Percebo isso neles mais evidente do que em nós e isso reflete no dia-a-dia, na atenção, no carinho, na prontidão, nas ofertas e respostas, tudo feito com muito cuidado. Aqui está em desenvolvimento, tem um certo despreparo para lidar com um mercado deste tamanho.

Quais são seus objetivos daqui pra frente? Tem essa de querer ampliar seu público no Brasil?
Meu objetivo agora é cumprir os cronogramas. Por conta da velocidade com que tudo está acontecendo é tudo muito a curto prazo. Farei o show este sábado, gravando DVD, no segundo semestre vou divulgar meu CD [Queimando a Moleira] em Londres e Nova York. O próximo disco, Co’as Goela e Tudo, já está pronto. [Será lançado por aqui no começo de 2011.] Enquanto tô lá fora, vou aproveitar para gravar com a minha gravadora [inglesa] Astranova meu primeiro disco todo em inglês para o final de 2011. E será uma delícia porque vai ser um sonho de infância: a gente vai gravar na Abbey Road.

Este seu disco, Queimando a Moleira, tem mais de pop e melodias mais tranquilas do que alguns trabalhos anteriores. Dá pra dizer que é resultado de amadurecimento musical? Novas experiências? Ou há uma gama de novas influências neste? O que causou o som mais tranquilo?
Tudo isso. Tem maturidade, mas estou sempre inovando. Sou um fã assíduo desta postura a la David Bowie de nunca saberem o que você vai lançar. O próximo disco é inteiro a capella, por exemplo, eu e uma banda inteira no vocal imitando instrumentos com a boca nas minhas músicas. É também uma forma de surpreender. Mas acho que neste processo de surpreender constantemente, estar sempre trabalhando e os anos vão passando, obviamente ganha-se maturidade. Você vai se transformando no processo. Quero, inclusive, é me surpreender.

Você cuida da sua própria carreira?
Cuido, sem dúvida. Depois de 20 anos de carreira tenho grandes parceiros, essencial para a saúde da carreira, mas a organização geral são planejados por mim mesmo.

Quais são os pontos positivos e negativos?
Positivo é a liberdade, é impagável fazer um CD do jeito que eu quis, do jeito que estava na minha cabeça. O lado negativo é o tempo. É muito tempo de trabalho, consome do tempo que seria utilizado para o artístico, ter mais composições, etc. Mas hoje eu penso que tudo é um processo criativo, então, nos problemas diários e administrativos, acho que estes momentos são também um exercício de criatividade.

Vai lá: Roney Giah & The Pop Chamber Orchestra, 24/07 às 20h30 – Grande Auditório do MASP – R$ 10 – Única apresentação.

Levanta São Paulo: Sampa Music Festival II

Sampa Music Festival 2 contará com Cine, Catch Side, Replace, Gloria e outros no palco em setembro

Os festivais estão em alta e bem coloridos em São Paulo. Depois do Yes!Rock Music Fest e da primeira edição em maio, haverá mais um Sampa Music Festival em setembro. No dia 19, a partir das 10 horas, o Espaço Victory receberá vários grupos de Pop Rock a Hardcore.

Para começar a sensação Cine será a principal atração que levará o show do seu primeiro DVD. O rock ficará por conta da banda Gloria, além do hardcore do Rancore. Entre outras atrações, haverá Catch Side e os recém-contratados de Rick Bonadio, V.O.W.E. e Replace (foto). E estas não são todas as bandas, ou seja, haverá ainda muito mais!

Animou? Ainda dá tempo, até o dia 31, de comprar ingressos a R$ 25! Corre lá! O segundo lote custará R$ 30. Você pode acompanhar no site do festival mais informações como sobre os locais de compra dos ingressos.

Pra anotar:
Quando?
19 de setembro, 10 horas
Onde? Espaço Victory, Rua Major Ângelo Zanchi, 825, próximo ao Metrô Penha
Quanto? Ingressos promocionais R$25 até dia 31
Mais informações: www.sampamusicfestival.com.br

aprecie sem moderação

uma dica pra quem, como eu, anda num corre impossível e/ou passando por uma OVERDOSE de hormônios/sentimentos e o que quer que seja. dá para ouvir em loop o dia todo.

[quem desconhece precisa assistir urgente, quem conhece aproveita pra lembrar. :P ]

wyclef jean, niia & jerry wonda no acústico de “sweetest girl”, single do sexto álbum de jean (de 2007).

she used to be the sweetest girl ever / now she like sour ameretta / she wears a dress to the T like the letter / and if you make it rain she will be under the weather…

ps: como meu combustível é música e estou na fase vinde a mim, respeito muito quem me mandar dicas de sons que valham a pena. pode ser aqui nos comentários, via reply no meu twitter ou recado na last.fm. que tal?

Mondo Cane

por Leandro Gabriel
@trecker


Vocês já ouviram esse negócio aqui?

Pergunto logo porque o projeto é antigo e foi adiado em um monte, ano após ano. Eu aqui nem ouvi falar até dia desse, quando Bruno Galera panfletou no tuíter.

Depois de conhecer Fantomas deixei de lado os desandos e experimentos de Patton, voltando a falar dele só depois de saber da volta do Faith no More. Noticia que me chegou ao som de Reunited e me provocou taquicardia moderada, parcialmente resolvida somente após presenciar a verdade no Maquinaria. Parcialmente porque cadê disco? Não que precise, a discografia do FNM é grande o bastante pra que tenham se tornado ainda maiores depois do que eram durante. Não sabia responder o motivo de querer novo disco até essa quinta-feira, quando ouvi pela primeira vez o Mondo Cane.

Baixei o disco e nos primeiros segundos de Patton cantando em italiano me veio a resposta: queria disco novo pra me surpreender mais com Mike Patton. E com ele, surpresa é bem uma constante, haja visto o já mencionado Fantomas, que vai do impressionante ao Simply Beautiful, ao mefaltaumadjetivo. A ultima coisa nova que tinha me espantado foi Peeping Tom, que, comparada ao resto de sua obra, impressiona por ser quase normal. Quase. Mas o fato é que Patton surpreende desde Mr. Bungle, que deve ter transitado por todos os gêneros musicais conhecidos e exatamente por isso não aponto música nenhuma. De tão diverso, não dá pra dizer que alguma música é marcante. Se é pra escolher um disco do Mr. Bungle, fico com o California e pra não dizer que não falei de música, me rendo com Pink Cigarette.

Michael Allan Patton é merecidamente reconhecido pela critica como um dos cantores de rock mais versáteis e talentosos. Crooning, beat-boxing, gutural, falsete, faz de tudo. Fato curioso em que esbarrei enquanto escrevia isso aqui é que foi ele quem fez as vozes dos monstrengos em I am Legend.

Cheguei até a baixar seus discos solo Adult Themes for Voice, que não tem música, apenas suas experimentações vocais gravadas em hotéis durante turnês do FNM; e Pranzo Oltranzista, que em conversa com um amigo não consegui classificar e apresentei “é ambient… ou quase… e o sax alto diverte”. Aproveitei a imersão e fui atrás de mais coisa. Achei Lovage – Music to make love to your old lady by. Trata-se de trip hop, sim, mas trip hop com Patton. E Dan the Automator. Baixei, gostei e joguei nos poucos 16GB que tenho pra levar música daqui pra lá. Depois achei também Crudo, projeto com o mesmo Dan the Automator ainda pendente de disco. Não conhecia também Tomahawk, que em primeira impressão pareceu excelente. Baixei o disco homônimo e Mit Gas, pra digerir ao longo da semana.

Tudo isso pra explicar: queria mais surpresas de Mike Patton. A essa altura do texto multimidiático até quem não conhece pode dizer que é isso que ele faz. Imprevisível. E com Mondo Cane não poderia ser diferente. O que temos é um disco que, segundo as palavras do próprio, resgata e ilustra a influência e importância da música pop italiana dos anos 50 e 60. E isso é feito tendo Patton como ingrediente, tempero. A música ali da primeira linha do texto é de ninguém menos que Ennio Morricone e é ela que uso pra abrir o texto por ser a única do disco cuja versão original eu já conhecia. Arrisco dizer que deviam até refilmar Danger Diabolik, só pela versão de Patton para a música tema.

Em entrevista, quando questionado como escolheu as músicas para o projeto, Patton conta que tinha uma lista imensa de excelentes canções e que precisava se limitar àquelas que ele podia cantar, que qualquer um é capaz de escolher boas musicas, mas que o segredo é escolher aquelas que se é capaz de interpretar da sua própria maneira. Completou dizendo que não são em todas as suas canções favoritas que ele gostaria de encostar. “Se já são perfeitas, pra quê estragá-las?”

É com esse argumento que escolho apresentar Mondo Cane. Patton se propõe a responsabilidade de apresentar um gênero e repertório rico, importante, porém que não faz parte do meu consumo musical diário, e faz isso com a promessa de só executar aquilo que vai executar bem e de um jeito novo. Se, como eu, confiarem nele para isso, serão bem recompensados. Mondo Cane, como diz o review da Culture Bully, é bastante acessível e basta coração e ouvidos pra apreciar.