5 x 1: Quem vai ganhar um show para 8 milhões de pessoas?

100 estádios do Morumbi lotados. Esse é o valor equivalente mais próximo dos 8 milhões de pessoas que assistirão ao show da banda vencedora do Levi’s Music.

Calma, nós explicamos: cinco bandas do cenário independente nacional foram selecionadas por gente que vive música. Cinco bandas que merecem minutinhos da sua atenção e mais: dos teus amigos! O hotsite do concurso entrou no ar para que o público conheça essas bandas e escolha qual deve ganhar. No dia 7 de junho, será divulgada a vencedora — que ganha um videoclipe e a exibição na homepage do YouTube, acessado por cerca de 8 milhões de pessoas.

Sim, nós já apresentamos o concurso aqui no vitrolas. Mas agora, na reta final, nós batemos um papo com os curadores e os membros da banda pra que quem ainda não conheceu descubra em tempo o que está perdendo! Aperte o play e se prepare pra conhecer melhor cada uma das concorrentes! E, claro, não esqueça de ajudar quem você julga merecedor! A votação será encerrada no dia 4 de junho.

Nevilton

por Jessica Grant


Quem diria que uma banda formada no interior do Paraná iria concorrer num dos maiores concursos de música contemporânea brasileira? O grupo umuarense Nevilton, composto por Nevilton de Alencar, Tiago Inforzato e Éder Chapolla, conseguiu a proeza, ainda por cima indicados por Pablo Miyazawa, editor da Rolling Stone Brasil. “A gente se conheceu no primeiro show que fizemos em São Paulo”, lembra Nevilton do encontro com o jornalista. A apresentação, comemoração de um ano do podcast de José Flávio Júnior, Max de Castro e Paulo Terron, o Qualquer Coisa, e também aniversário do Paulo, ocorreu na Neu Club em fevereiro de 2009. “O Pablo estava lá, ele viu, gostou do show, a gente foi conversar, trocamos ideia e tínhamos vários gostos parecidos de música”, conta o vocalista que, depois, teve a chance de aparecer algumas vezes na revista do seu padrinho. O jornalista logo gostou da banda. “Achei [o show] bastante energético e gostei que ele cantava em português e tocava bem a guitarra, me surpreendi com o fato de ser bem técnico.”

Quando a Levi’s convidou Miyazawa para apadrinhar uma banda no concurso, ele não pensou em outra. “[Nevilton] tem cheiro de novidade, frescor, e preenchem lacunas na música jovem brasileira hoje. E os caras são muito bacanas, o tipo de gente que você pega e simpatiza, sabe que eles merecem estar num lugar melhor de onde estão hoje”, defende. A humildade e simpatia ressoa na voz do vocalista, que quando perguntado porque merece ganhar, logo passa a bola. “Quem tem de responder isso é o Pablo e o público [risos]. A gente tá fazendo som, tá vindo do nosso suor mesmo. A gente cativa pelo nosso trabalho porque se envolve com ele”, e dá o mesmo valor ao concurso anterior da Levi’s que ganharam uma das 12 edições anuais, o Be Original.

Se vencer o concurso, Nevilton terá dado mais um passo na sua carreira musical. “Somos uma banda que, apesar de estar bastante exposta, é carente em vários sentidos, por exemplo em material de vídeo. E ganhando isso já ganharíamos um clipe, algo que seria muito bom”, destaca. Já Pablo defende o trio com um argumento simples, mas de peso: novidade e qualidade. “Eu acho que é uma banda original e eles tem essa qualidade melódica musical, as composições são boas.”

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Stellabella

por Emanuelle Herrera


Stellabella é sinônimo de rock’nroll, puro e simples. “Eu, André Stella (voz e guitarra), formei a banda em 2000. Já tinha tocado em outras bandas, mas dessa vez queria formar um grupo que realmente levasse música a sério. Chamei o André Mafra (China, baixo), que eu já conhecia desde a época de colégio e ele me apresentou o Diego Laje (bateria), que é argentino e veio para o Brasil também com a vontade de entrar para uma banda e tocar. Nessa época eles tocavam em uma outra banda e eu acabei “roubando” eles para tocar comigo”.

O powertrio carioca, junto há 10 anos, lançou um disco homônimo em 2008 com apoio do curador e amigo da banda, Tico Santa Cruz (Detonautas e Raimundos). “Nossa amizade com o Tico Santa Cruz e com todos do Detonautas vem desde 2001, quando tocamos juntos aqui no Rio pela primeira vez. Nós estávamos bem no início da banda e eles nos incentivaram muito. Desde então nós nunca perdemos contato e eles sempre nos deram a maior força, inclusive nos chamando para abrir alguns shows”, conta André.

“A química entre a gente foi imediata e nossa vontade de conseguir mostrar nosso trabalho e um dia poder viver só de música fez com que a gente chegasse até aqui”. A parceria com Tico e a química entre a banda é que estão fazendo a campanha para o Levi’s Music. Pois bem:  StellaBella tem apoio de peso e um disco no forno que sai ainda esse ano. No MySpace, Tico Santa Cruz defende: “O disco [antigo] rodou muito nas estradas por onde passei. Fiz questão de distribuir em rádios, indicar em festivais, mostrar aos amigos, porém nada disso adiantaria se o mais importante não estivesse presente, a boa música”. E com essa mesma parceria, saem em campanha para tocar para 8 milhões de pessoas.

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Stop Play Moon

por Ariane Freitas


Tudo muito visual e moderno. Uma vocalista que é modelo e atriz, um fotógrafo na guitarra e um ilustrador gráfico na bateria compõem a Stop Play Moon: Geanine Marques, Paulo Bega e Ricardo Athayde, que começaram a tocar em novembro de 2007. “Paulo acabava de sair da banda Vague, convidou Geanine, Ricardo e eu para começarmos um novo projeto. O convite veio pelo fato de nos conhecermos, termos amigos em comum e trabalharmos no mesmo meio, a moda”. Alexandre Youssef, que apresentou a banda ao Levi’s Music, conhecia os integrantes de longa data e gostou de início da proposta do som. E ele é mesmo um padrinho: foi o anfitrião do primeiro show da banda — quando o Studio SP ainda era na Vila Madalena — e apresentou o então produtor do quase pronto CD de estreia.

O diferencial da banda, segundo Alê Youssef, é a inovação: “Acho que são modernos, mesclam música e moda como poucos: o vocal forte da Geanine Marques foge do convencional, as bases e composições bem pop de Ricardo Athaide e Paulo Bega e produção caprichada do craque Plinio Profeta”. Ricardo conta que o que os motiva é a harmonia entre os integrantes e os ritmos: “Desde os primeiros ensaios o resultado sempre foi incrível, uma sonoridade original. Com o tempo a personalidade da banda foi se solidificando. A Stop Play Moon tem vida própria e isso nos motiva”.

Com influências que vão do Jazz ao Technopop, o grupo está sempre misturando e evoluindo. Essa é sua principal característica. “Aposto [na Stop Play Moon] pois são antenados e contemporâneos. Com nítido potencial internacional. Foi por isso que os achei perfeitos para se associarem a uma marca como a Levi’s”, defende Alê. Potencial não falta mesmo – só falta o apoio de vocês. :)

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Sweet Fanny Adams

por Leonardo Ávila

Os Pernambucanos do Sweet Fanny Adams trazem ao ringue um estilo completamente destítuido de firulas e regrinhas. Não, o estilo dos caras é diversão pura, um rock montado com desapego ao próprio Rock e a paixão cega de fazer todo mundo sair do chão. E não é só a guitarra dançante e divertida o trunfo dos garotos. A banda tem experiência adquirida em suas passagens por diversos festivais nacionais em estados como Goiás, Pernambuco e Pará. Rock indepedente do norte como poucos.

Quem coloca a mão no fogo pela banda no Levi’s Music é Ana Garcia, redatora do site pernambucano Coquetel Molotov. Ana aposta nos refrões e riffs descolados, e acredita que é justamente esse niilismo juvenil por tudo que não seja diversão que colocará a Sweet Fanny Adams como a banda mais inovadora do festival. É ver pra crer.

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Zémaria

por Bruno Guerrero

Tá em uma festa? Tem luzes coloridas? Coisas brilhando? Luz negra? Não tem nada disso? Tudo bem, não precisa. Zémaria transporta a gente pra um lugar assim só com notas musicais, sintetizadores e seu eletro-rock quase surreal. Os capixabas que vieram do rock e do hardcore, com o esquemão básico guitarra-baixo-bateria, transformaram a música do início de sua formação para abraçar as diversas texturas eletrônicas de um jeito um pouco mais forte: “os timbres dos sintetizadores e das baterias eletrônicas nos pegaram de jeito”. A banda é formada por Sanny Lys, Spon, Marcel e Nargoléo. Dizendo que instrumentos são todos iguais (da guitarra ao moog), e que a única restrição para se fazer música é que ela tem que ser boa, Zémaria se mostra como minha favorita pra levar o prêmio da Levi’s Music.

Seu primeiro grande passo foi em 2002, quando lançaram o seu primeiro álbum. Desde então, 3 EPs e 3 CDs depois, já tocaram na Noruega, Inglaterra, França, Irlanda, Alemanha, Portugal, Argentina e, é claro, no nosso país do futebol. Para Marcel, a principal dificuldade de aparecer na cena brasileira é a enormidade do país, sendo que ela fica mais restrita ao “velho eixo RJ-SP”. Esse problema não é só vivido por eles, mas por muitos outros também. Com isso, a internet é a boa e (já) velha aliada na conversão cultural. E é com isso que Marcel explica que só dá pra conhecer de verdade mesmo Zémaria e sua energia ao assistir a um de seus shows: “é onde da pra entender a real”. E nada melhor para a divulgação, então, que concorrer à produção de um videoclipe que será veiculado na home do YouTube durante um dia inteiro. É por isso que eles pedem sua ajuda no Levi’s Music: “Estamos quase em primeiro, só falta o seu voto!”. Só mesmo.

Vote aqui em Zémaria

Ainda indeciso? Corre no site da Levi’s Music pra ouvir um pouco mais de cada uma e espalhe pros seus amigos. :]

Eixo Carioca

O festival Fora do Eixo, que em abril apresentou para São Paulo as bandas independentes do circuito, está em sua edição carioca. O evento do Rio de Janeiro começou ontem, com Lespops (RJ), Brown-Há (DF) e Os Outros (RJ) tocando na Cinemathèque. Hoje e amanhã ainda terão apresentações dos grupos do circuito e outros destaques locais para os amantes da música da Cidade Maravilhosa.

Hoje à noite, no Teatro Odisseia, a atração ficará a cargo da banda Tereza (RJ) e da Nevilton (PR). Além deles, tocará também os performáticos da Brasov (RJ), Porcas Borboletas (MG) e a banda estrelada Do Amor (RJ), que fechará a noite apresentando seu novo CD. O último dia do festival, 14 de maio, será no Circo Voador. O som será variado, com Stereologica (RJ), Camarones Orquestra Guitarrística (RN), Mini Box Lunar (AP), Canastra (RJ) e os já consolidados Macaco Bong (MT) e Black Drawing Chalks (GO). Paralelamente, as apresentações também contarão com discotecagem, exibição de vídeos e feiras culturais

Dia 15 de maio o festival segue para Nova Friburgo, seguindo com a proposta de apresentar estas bandas para todo o Brasil.

Livraria da Esquina – Diário de Palco 3

Em um aglomerado de livros, guitarras, bebidas e gente, a Livraria da Esquina abre espaço para o som alternativo e sobe aos palcos da noite paulistana trazendo o que dificilmente outro lugar traz – agitação cultural próxima ao centro da cidade. Na quinta e última parte deste especial, confira a conversa com Nevilton.

Por Bruno Guerrero, Guilherme Assen e Jessica Grant

09/04/2010 – Livraria da Esquina “A” – Show Circo Vivant e Nevilton

Do dia 6 a 11 de abril São Paulo sediou o festival Fora do Eixo, que trouxe um panorama do cenário cultural independente brasileiro. O Circuito chegou a São Paulo também com a agência de mesmo nome para cuidar das carreiras de 15 bandas. Grupos já conhecidos, como Macaco Bong e Porcas Borboletas, se apresentaram no mesmo cenário que outros ainda novos para os paulistanos, como Mini Box Lunar e Calistoga. O melhor do festival foi abrir os olhos de São Paulo para a música que vem sendo feita no resto do Brasil. No dia 9 de abril foi a vez da Livraria da Esquina dar espaço para o festival com Circo Vivant e Nevilton. A resenha do show, você confere aqui, publicada na época.

Mesa de Boteco: Bate-papo entre um acorde e outro

Nevilton de Alencar, vocalista e guitarrista da banda Nevilton

Vocês reconhecidos pelo show, mas ainda sem disco, só um EP, vocês acham que esse é o caminho da música atual? As apresentações?
Acho que pra gente dá certo porque mesmo quando não tínhamos disco, só um demo, a gente distribuía pra muitas pessoas, então mesmo quem não ia no show acabava conhecendo pelas gravações. O segredo na verdade é sempre ter material pra apresentar pra turma e fazer de tudo que pode pra divulgar, internet, muitas apresentações, passar pra pessoas que podem falar pra outras, no boca a boca mesmo. A gente nem imaginava chegar na imprensa [Rolling Stone de fevereiro, matéria “Iê-iê-iê moderno”, por Fernanda Catania].

Vocês trazem algo do Paraná (Umuarama) em si, regional, na música de vocês?
Com certeza, né? Acho que São Paulo é um negócio muito maluco, não sei como consegue pensar direito, é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Viver no interior nos deu um contato diferente do que as pessoas por São Paulo, isso reflete na arte. O grande estalo foi isso de viver a vida inteira no interior e ter o choque de, do nada, ir para Los Angeles, onde a cidade serve arte e entretenimento. Lá minha cabeça virou algo assim, começou a pensar em arte.

O que vocês fizeram em Los Angeles?
A gente foi lá para viver mesmo e tentar tocar lá. Tocamos bastante, trabalhamos em eventos, nos envolvemos com tudo. O pessoal de lá é muito receptivo, muito legal. A questão é que do entretenimento lá é mais organizado, pode ser uma grande escola.

Como é participar do Festival Fora do Eixo? Como entraram para o Circuito?
A gente entrou no circuito porque ficamos indo atrás para estar nos festivais, a gente sempre mandava as primeiras gravações pra tocar em algum festival. Quando começaram a chamar, a gente foi de cabeça. Gostamos de participar [de festivais], conhecer outras bandas. sempre que é possível a gente participa.

Já conhecia a Livraria da Esquina?
A gente já tocou lá no início de dezembro do ano passado, foi bem bacana. Achei bem bonito e a história de juntar livraria com ambiente da música me lembrou alguns bares que vi em Los Angeles, achei um charme.

Especial – Do outro lado da ponte – a Livraria da Esquina

Parte 1 – Do outro lado da ponte, uma esquina do outro lado da música
Parte 2 – Esquina Sinestésica
Parte 3 – Diário de Palco/Fabulosa Banda do Curinga/mesa de boteco
Parte 4 – Diário de Palco/Spooler
Parte 5 – Diário de Palco/Circo Vivant e Nevilton/mesa de boteco

Livraria da Esquina – Diário de Palco 2

Em um aglomerado de livros, guitarras, bebidas e gente, a Livraria da Esquina abre espaço para o som alternativo e sobe aos palcos da noite paulistana trazendo o que dificilmente outro lugar traz – agitação cultural próxima ao centro da cidade. Veja, na quarta parte deste especial, o que um músico de fora espera de seu show no local.

Por Bruno Guerrero, Guilherme Assen e Jessica Grant

14/05/2010* – Livraria da Esquina Lado A – Show Spooler (Belo Horizonte, MG)

Mesa de Boteco: Conversa com David Dines, vocalista, guitarrista e tecladista da banda Spooler, antes de seu show.

Sendo de outro estado, como vocês chegaram a conhecer a Livraria da Esquina e ter a oportunidade de tocar lá? Conte um pouco sobre a história de como conseguiram este show!
A fama da Livraria da Esquina como destaque da cena independente ultrapassa a barreira do estado. Sempre ficamos sabendo de bandas bacanas tocando nos dois ambientes da casa e resolvemos tentar a sorte de tocar nesse espaço.

De onde conhecem a banda com quem vocês vão tocar? Já tocaram juntos antes?
Vamos tocar com o Lautmusik, de Porto Alegre. Ainda não nos conhecemos pessoalmente, só via Internet. Espero que role uma química bacana.

Já viram o local pessoalmente ou virão sem conhecê-lo?
Apesar de o Gustavo ter morado em São Paulo por três anos e ter sido DJ do Bunker Lounge, vamos sem ainda conhecer a Livraria. Mas, no mês passado, nossos amigos do Valsa Binária, também de BH, tocaram no Livraria A com a banda Flavião e o Retrofuturismo e nos contaram um pouco sobre o local, então já há um pouco de familiaridade.

Quais são suas expectativas pro show?
Tentar estabelecer um primeiro contato com o público de São Paulo, que já nos deu um feedback bacana pela Internet desde o lançamento do nosso EP.

Qual o público que vocês esperam aqui em São Paulo?
Gente interessante, divertida, aberta a novas propostas musicais.

É o primeiro show de vocês na terra da garoa, esperam que algo vá ser diferente do que já fizeram até agora?
Já tocamos em espaços bem diferentes, para público em pé e dançando, e também para público sentado. Vamos com gás, inclusive com algumas músicas inéditas na bagagem. Se for diferente, espero que seja melhor!

*A dupla avisou que o show de maio foi cancelado, mas já programam outro para julho.

Especial – Do outro lado da ponte – a Livraria da Esquina

Parte 1 – Do outro lado da ponte, uma esquina do outro lado da música
Parte 2 – Esquina Sinestésica
Parte 3 – Diário de Palco/Fabulosa Banda do Curinga/mesa de boteco
Parte 4 – Diário de Palco/Spooler
Parte 5 – Diário de Palco/Circo Vivant e Nevilton/mesa de boteco

Livraria da Esquina – Diário de Palco 1

Em um aglomerado de livros, guitarras, bebidas e gente, a Livraria da Esquina abre espaço para o som alternativo e sobe aos palcos da noite paulistana trazendo o que dificilmente outro lugar traz – agitação cultural próxima ao centro da cidade. Na terceira parte deste especial, confira um show no espaço e um bate papo com a banda.

Por Bruno Guerrero, Guilherme Assen e Jessica Grant

14/01/2010 – Livraria da Esquina Lado B – Show Fabulosa Banda do Curinga (Cotia – SP)

O espaço estava lotado, cheio de gente que queria conferir o som. Nas mesas, amigos e parentes dos músicos também acompanhavam. Em pé, os fãs e interessados na música que aqueles sete garotos se propunham a apresentar.

O palco do espaço B é bem baixinho, próximo ao público. A sensação é que a banda está tocando para alguns amigos íntimos. Guitarras e outros instrumentos se espremem em um retângulo pequeno. De tão perto, a sensação é de estar dançando junto com cada ritmo ditado pelo surdo da bateria.

A banda tocou as músicas de seu primeiro CD e alguns covers de bandas das quais admiram o trabalho. Durante uma das canções, o vocalista André Di Bona e o pianista Paulo Giannini distribuem cartões com as informações da banda para todos – assim, mão a mão, olho no olho entre um acorde e outro.

Estavam todos alegres com a presença de tanta gente – o espaço era pequeno e aproximadamente 100 pessoas pulavam juntinhas para não ocupar tanto espaço.

Assim que o show terminou e começou a discotecagem típica da Esquina. Para quem gosta de música eletrônica, o rock melódico e alternativo dos rapazes deu espaço para o ritmo bem marcado do dub, estilo jamaicano de música eletrônica no qual o baixo e a bateriam são valorizados ao extremo, enquanto os vocais simplesmente desaparecem.

Os sete descem do palco entusiasmados. Alguns pegam água, outros cerveja. Contentes, abraçam os amigos como se aquele fosse o melhor show da vida deles, sorrisos enormes e abraços apertados – sobraram alguns para uma dezena de desconhecidos que ainda pulavam com o pouco de música que pairava no ar.

Dançaram um pouco, conversaram um pouco, beberam um pouco. São jovens normais, de assuntos normais. Futebol, namoradas, eles esquecem os acordes entre um papo e outro. Mas é inevitável, alguém sempre aborda um integrante ou outro para elogiar e discutir as músicas da noite.

Não demora muito e alguns deles, incluindo o vocalista, sobem para o espaço “A”, onde a banda Jardim das Horas estava tocando. O show teve um clima tão positivo que agendaram outra data, naquela mesma noite, e voltaram a tocar na Livraria no dia 22 de abril.

Mesa de Boteco: bate-papo entre um acorde e outro

Igor Fediczko, guitarrista da Fabulosa Banda do Curinga

De onde você conhece a Livraria da Esquina?
Na verdade a livraria hoje é na Barra Funda, numa rua qualquer, e tem esse nome porque era uma livraria em perdizes na Caeté com a Caiuby, se bem me lembro. Quando era em Perdizes, era uma livraria mesmo, tinha alguns livros espalhados por umas estantes, mas era menor, tinha público menor e não tinha tanta visibilidade.

Como vocês foram tocar lá?
A gente um dia viu a entrada do lugar e nos interessamos. Entramos e nos oferecemos pra tocar. Como era menor o Heitor topou na hora, ainda não tinha muita banda querendo subir nos palcos da Livraria, não era um espaço muito bom para um show – não podiamos fazer muito barulho… E então, acho que o cara se mudou pra Barra Funda. Saiu no Guia da Folha como um dos melhores lugares pra ouvir música em São Paulo e ficou conhecido, mas a gente já conhecia muito antes. Tem um clima diferente para nós.

E o que é bom e ruim pra você no novo espaço?
O bom é que podemos tocar mais alto, mais tarde, pra mais gente, mas eu preferia a localização em Perdizes. Em relação a parte técnica é tudo muito melhor, tem palco, aparelhagem, estrutura. Mas o lugar é complicado, todo mundo se perde pra chegar. A Barra-Funda não é um bairro tão tranquilo assim.

E quem vai à livraria? Quem foi no teu show?
O público é de São Paulo, a gente é de Cotia. É diferente, é muito mais presente, mais perto do palco. O principal é isso, tava cheio, não tinha como ficarem longe, mas com certeza o melhor é a recepção do público.

Qual tua relação com os donos do local?
É meio complicado falar com os donos porque estão com muita banda e muita gente, mas são muito gente boa. São pessoas que estão ali porque querem música. Pelo fato de quererem música estão ajudando a gente que quer fazer uma música própria. O que a gente pede, dão um jeito de fazer, ajudam em tudo que a gente precisa. É bem confortável tocar aqui.

André Di Bona, vocalista da Fabulosa Banda do Curinga

Qual é a tua relação enquanto músico com a Livraria da Esquina?
A Esquina é um espaço bom porque é aberto pra todo mundo, a gente tocou a primeira vez na esquina mesmo, lá em Perdizes.

E como foi, pra você, o show no novo espaço?
O show foi bom porque tava cheio. Quando a gente toca na Granja [casa Canto Granja Viana, onde uma vez por mês fazem o projeto Fabulosa Convida com outra banda ou músico], o público é diferente, são os amigos nossos. Na Esquina é uma galera que a gente não conhece. O lugar é meio fora de mão, mas pra quem está aí é bem no centro, é uma puta opção. Foi um bom show porque estava cheio.

E o que você acha do espaço como um todo?
Legal, tem acesso interessante a bandas legais. Lá toca gente como o Volver. O mais legal daqui é a Livraria estar aberta para bandas independentes. A região eu não curto muito, mas é legal pelas bandas que tocam. Se investissem mais com iluminação, som, o retorno seria maior.

Lá tem uma pegada de independente, né? Pode influenciar na estrutura, talvez.
Muita gente confunde com essa coisa de tosco e roots [de origem própria e simples]. A galera confunde o ruim com alternativo, se investisse um pouco mais ia dar um pouco mais certo e não deixaria de ser alternativo.

E vocês estão fazendo seu próximo álbum, não é mesmo?
Estamos na pré-produção, fazendo algo mais orgânico. O primeiro, como éramos muito novos, colocamos um monte de coisa. Na hora de reproduzir no show fica complicado. Agora é mais parecido com que a gente faz no palco.

Especial – Do outro lado da ponte – a Livraria da Esquina

Parte 1 – Do outro lado da ponte, uma esquina do outro lado da música
Parte 2 – Esquina Sinestésica
Parte 3 – Diário de Palco/Fabulosa Banda do Curinga/mesa de boteco
Parte 4 – Diário de Palco/Spooler
Parte 5 – Diário de Palco/Circo Vivant e Nevilton/mesa de boteco

Esquina Sinestésica

Em um aglomerado de livros, guitarras, bebidas e gente, a Livraria da Esquina abre espaço para o som alternativo e sobe aos palcos da noite paulistana trazendo o que dificilmente outro lugar traz – agitação cultural próxima ao centro da cidade. Na segunda parte deste especial, confira as impressões de uma noite no espaço.

Por Bruno Guerrero, Guilherme Assen e Jessica Grant

Na entrada da Livraria da Esquina “A”, depois de subir uma escada estreita, há um cubo mágico iluminado por dentro e fotos, textos e recados escritos a giz por todas as paredes. Além de alguns poucos ao lado da escada, só há livros nas estantes mais para frente, na parede da esquerda. Mesmo assim, alguns livros são mais antigos e estão dispostos como se fosse um sebo – desorganizados, meio que deitados, esperando uma boa música. Os livros empoeirados se equilibram sem querer nas estantes mais vazias.

Antes, a parede do lado esquerdo também possui seis retratos de homens e mulheres nus. Os retratos são gravados em vidro e com a luz baixa do local formam silhuetas escuras atrás na parede. Abaixo destes retratos, um balcão para apoio dos clientes com bancos altos. Neste balcão de madeira há flyers de shows antigos, como do Gritando HC, todos prensados abaixo de um vidro. Algumas garrafas de cerveja já vazias sempre estrelam o balcão. A livraria abre às 18h e, até os shows que, em média, começam às 22h, muita conversa já rolou nestes bancos.

No céu da livraria, zepelins de papel maché flutuam iluminando as mesas. São lustres, de cor roxa, verde, laranja e um todo misturado, com várias cores.

Do outro lado, no canto direito, um bar com dois homens fortes servindo. Não dão um sorriso, falam seriamente e baixo, mas pedem para repetir quase tudo que se pede. Quando é um lanche, ele pega uma espécie de interfone para avisar a cozinha do pedido. A dispensa e a cozinha ficam no lado “B” da Esquina. No lado “A”, apenas uma pia e um bar atendem ao show.

Quando conversam, entre si, entretanto, são brincalhões e dão risadas, correndo de um canto pro outro do balcão e recolhendo as garrafas vazias. Passam desapercebidos, mas estão lá. O lugar é limpo, organizado. Suporta horas de show alternativo sem perder a ordem.

Há sempre muitas pessoas no local, quase todas com o visual alternativo: chapéus, boinas, blusas e calças xadrez. Mesmo assim, dificilmente o lugar está lotado, há um amplo espaço entre os grupos que conversam em rodinha de cinco a oito. Alguns músicos falam sobre sobreviver da música, pagar as contas com seu trabalho, e poder ir uma vez ao mês na “balada” Love Story. “Aí sim, vou estar com a vida firmada”, diz um deles, com um imenso alargador na orelha.

Ao fundo, toca uma mescla de música eletrônica, psicodélica, e, às vezes, até um samba escapa entre um bit e outro. Naquela noite (9 de abril), O DJ Alexandre Marques, da cidade paulista de São Carlos, diz que são todas nacionais, mas muitas são entoadas em inglês.

Antes do palco, que fica ao fundo, mesas e cadeiras de madeira clara ficam nas laterais formando um corredor e um espaço entre elas e o palco onde as pessoas podem ficar em pé. Este espaço só é ocupado, com amplos buracos, durante as apresentações ao vivo. Ninguém parece dançar muito ao som da discotecagem.

No caixa, ao lado da escada e próximo à entrada, várias blusas e CDs de bandas independentes estão à venda em um estande montado pela organização do festival que ocorria naquela noite. Um casal recebe as comandas e os pagamentos dos clientes, enquanto um gato pula entre as estantes, caixas e mesas logo atrás deles.

A cena parece de filme: um gatinho passando por todos, como se não estivesse lá, em meio a uma casa em mudança, com caixas de papelão no chão, camisetas e discos espalhados. De pelos beges, o gato parece não incomodar ninguém; todos são alheios à sua existência. O nome do bichano é Paul Simonon – originalmente do co-fundador da banda britânica The Clash, uma das favoritas de Heitor. Na opinião do público, e até dos funcionários da casa, o gato é o mais chato dos frequentadores da Esquina. Ego compartilhado com seu ilustre homônimo.

Especial – Do outro lado da ponte – a Livraria da Esquina

Parte 1 – Do outro lado da ponte, uma esquina do outro lado da música
Parte 2 – Esquina Sinestésica
Parte 3 – Diário de Palco/Fabulosa Banda do Curinga/mesa de boteco
Parte 4 – Diário de Palco/Spooler
Parte 5 – Diário de Palco/Circo Vivant e Nevilton/mesa de boteco

Do outro lado da ponte

Em um aglomerado de livros, guitarras, bebidas e gente, a Livraria da Esquina abre espaço para o som alternativo e sobe aos palcos da noite paulistana trazendo o que dificilmente outro lugar traz – agitação cultural próxima ao centro da cidade. Confira o especial de cinco partes.

Por Bruno Guerrero, Guilherme Assen e Jessica Grant

Nos últimos anos, a Barra-Funda – antigo bairro comercial de São Paulo – tem sido cenário para a agitada vida noturna da cidade. Algumas das casas de shows mais famosas têm suas sedes nas pacatas ruas barra-fundenses. Como a Clash, casa que figura entre umas das opções mais caras de entretenimento e tem suas portas de entrada de frente ao PROCON, órgão público hoje localizado em uma enorme construção que fora, há muito tempo, sede para a então imponente Ferrovia Paulista AS – a FEPASA, incorporada à rede ferroviária federal, em 1998, em pagamento de uma dívida e privatizada durante o governo FHC.

Muito deste contexto decadente da estrada de ferro ficou pelas vias povoadas por casas conjugadas e sobrados com paredes descascadas e tijolos a mostra; cenários dos operários, maquinistas e magnatas da locomotiva que impulsionou o estado. A linha do trem corta o bairro ao meio, criando, geograficamente, a Barra-Funda de cima e a Barra-Funda de baixo, batizada pelas bocas dos antigos ferroviários e moradores como “México”, apelido de uma antiga favela – hoje inexistente – que dominava parte de seu atual terreno.

A Clash, com seus custosos ingressos de entrada, fica no lado de cima do bairro, de braços dados aos trilhos e ao que já foi promessa de um futuro promissor para a região. O espaço é companhia para outras casas noturnas – tão ou mais famosas – como a D-Edge, a Berlin e a Flex GLS. Atravessando o Viaduto Pacaembu – vizinho das badaladas casas, do PROCON e da antiga FEPASA -, passa-se em cima da estrada de ferro que hoje atende a Companhia Paulista de Trens e Metrô (CPTM), e chega-se a, ainda espaçosa, repleta de terrenos, Barra-Funda de baixo, que hoje é ponto de interesse do mercado imobiliário paulistano. Afinal, concordando com as bocas que, há décadas, se contorciam para chamar a região de “México”, o local faz jus à alcunha e nos faz lembrar os cenários de filmes de faroeste que exibiam as cidades mexicanas entregues às moscas – o lado de baixo do bairro é espaço tomado pelos pátios industriais (ativados e desativados), por armazéns e por garagens de viações rodoviárias que dão suporte à frota do terminal que leva o mesmo nome do bairro e localiza-se ali, próximo a todos aqueles trilhos.

E é nessas ruas, cuja impressão é de que se vai cruzar com algum personagem imortalizado pela atuação de Charles Bronson ou de Clint Eastwood, que se localiza a Livraria da Esquina. A entrada é barata, variando entre 10 e 20 reais. A fachada é singela, uma porta de vidro e uma normal, de madeira. Grafites por toda a parede são uma mera indicação de que naquele lugar, durante a noite, shows podem acontecer.

Assim como o bairro ao qual pertence, a Livraria também se divide em duas: Lado A e o Lado B, iniciais de alto e baixo – outra coincidência. No entanto, não há México e ferrovia. A divisão apenas acontece para que o lugar comporte dois shows em uma mesma noite. Diversidade é a opção até mesmo na hora do espetáculo.

Nasceu nas Perdizes – outro bairro paulistano que, no entanto, de comercial não tem nada. Era uma pequena livraria com mais espaço do que livros que, para o Heitor, dono do estabelecimento, era a oportunidade para divulgar bandas de garagem dos jovens que moravam pela região. Com isso, veio os salgadinhos, a cachaça mineira, as guitarras, a cerveja, o barulho e as reclamações. Os condomínios próximos não sabiam ser bons vizinhos de agitadores culturais.

A Livraria foi parar na esquina da Rua do Bosque, no Lado B da Barra-Funda. Entre uma emissora de televisão e uma fábrica de piche para asfalto, a casa fica escondida – longe dos edifícios residenciais e da reclamação. Não é underground porque não é subterrânea, mas é um daqueles espaços dos quais se dá orgulho em ser um dos poucos a conhecer. Ainda assim, o lugar é aclamado por guias da cidade. Um número cada vez maior sobe as escadas e busca – lado A ou lado B, não importa – uma sabatina diferente.

Especial – Do outro lado da ponte – a Livraria da Esquina

Parte 1 – Do outro lado da ponte, uma esquina do outro lado da música
Parte 2 – Esquina Sinestésica
Parte 3 – Diário de Palco/Fabulosa Banda do Curinga/mesa de boteco
Parte 4 – Diário de Palco/Spooler
Parte 5 – Diário de Palco/Circo Vivant e Nevilton/mesa de boteco

Cinco bandas que você precisa conhecer hoje

Desde o comecinho de abril, está no ar a nova etapa da plataforma Levi’s Music , que ficou conhecida em 2008 e desde então apoia novos talentos musicais como Mallu Magalhães, Vanguart, Forgotten Boys, Drive, Cine, Garotas Suecas, Jennifer Lo-Fi, Copacabana Club, The River Raid e Tiê. Esse ano, pra tornar tudo ainda mais interativo, a Levi’s separou cinco curadores e deu de bandeja a chance de nós – que ouvimos – interagirmos com as bandas indicadas e escolhermos qual merece um super videoclipe com destaque na home do Youtube (e sabe quantas pessoas, em média, visualizam a home do youtube num sábado? Cerca de 8 milhões, meus amigos. Uma grande chance de crescer e aparecer, não?). A ideia é sensacional: espaço para a música de qualidade se mostrar e afirmar por aí.

Os curadores — padrinhos, a bem dizer — das bandas são nomes de responsa no mundo da música: Pablo Miyazawa, editor da Rolling Stone; Alexandre Youssef, dono do Studio SP; Tico Santa Cruz, nosso velho conhecido Detonauta (e agora também Raimundos) e as equipes do Move That Jukebox e do Coquetel Molotov. As afilhadas você conhece agora.

As cinco bandas

Nevilton, afilhada de Pablo Miyazawa, já é figurinha carimbada na memória de quem frequenta o Vitroleiros. Formada pelos paranaenses Nevilton Alencar, Tiago Lobão e Chapolla, é sem dúvida uma das maiores revelações do rock nacional hoje. Pudera: com suas influências entre Beatles, Pixies, Cake e Los Hermanos, os meninos já passaram — nuna despercebidos — por Maringá, Curitiba, Joinville, Brasília, Palmas, Goiânia, Florianópolis, Cuiabá, São Paulo, Campo Grande e… Los Angeles. Seu primeiro disco sai ainda esse ano.

pra ouvir:

Zémaria, afilhada do Move That Jukebox, é um quarteto que de “Zé” tem só o nome: desde sua estreia em Vitoria, e 2002, já fez mais de 90 shows pela Europa, em 13 meses de viagens. Juntando Sanny Lis, Marcel Dadalto, Michel Spon e NegoLéo, Zémaria mistura elementos de house music e electro em um show que é sempre uma viagem entre o rock e o eletronico, abusando de ruídos, sintetizadores, improvisos e… das surpresas. Boas, sempre.

pra ouvir:

Stop Play Moon, afilhada de Alê Youssef, é uma mistura digamos que inusitada para a música: Geanine Marques, a vocal, é modelo e atriz. O fotógrafo Paulo Bega comanda os sintetizadores e a guitarra ainda tem espaço pro ilustrador gráfico Ricardo Athayde no sintetizador e na bateria. Todo mundo muito visual, né? Mas não fica só na imagem não, o som é responsa: além de já ter levado sua batida diferente e cheia de distorções e progressões na melodia para uma turnê pela Europa, a Stop Play Moon já abriu o show da Vive La Fête em São Paulo e no Rio, participou do festival Motorola Motomix e ainda dividiu palco com Lobão e Renato Godá na Virada Cultural. Sucesso certo.

pra ouvir:

Sweet Fanny Adams, afilhada do Coquetel Molotov, investe no rock’n'roll dançante. Energia pra todo mundo aproveitar à beça. Tem dois EPs lançados pelo selo pernambucano Bazuka Discos em parceria com o carioca Midsummer Madness. Diego Araújo, Leo Gesteira, Hélder Bezerra e Rafael Borges comandam um barulho gostoso, que já passou por festivais como Bananada (GO), Se Rasgum No Rock (PA), Nordeste Independente (PE) e Abril Pro Rock (PE). Sweet Fanny Adams é pra quem quer diversão certa a qualquer momento. E, claro, pra quem adora novidades do bom e velho rock’n'roll.

pra ouvir:

Stellabella, afilhada do Tico Santa Cruz, é um trio formado no fim do ano 2000 por André Stella, China e Diego. Nesses quase dez anos, já passou por diversos palcos com seu som quente e cotidiano, ao lado de muitos representantes de peso da cena indie. O padrinho, Tico, foi responsável por apresentar o trabalho deles a Von Kilzer, da Coqueiro Verde Records, e acabou participando nas música “Alguém” e “Às vezes”, ambas do disco agora intitulado Stellabella. Pra quem gosta, presentão.

pra ouvir:

Hora de agir

Bob Dylan, Elvis Presley, Rolling Stones, Bruce Springsteen, Tina Turner, Madonna… Desde sua fundação, em 1853, a Levi’s esteve associada a diversos nomes da música. E se de lá pra cá a música veste Levi’s, por que não tornar o inverso válido? Afinal, segundo a marca, presente no dia-a-dia das pessoas, a música é tão necessária e básica quanto uma calça jeans. É aí que entra o projeto Levi’s Music.

Corre lá! Você pode votar quantas vezes quiser na sua banda escolhida, direto no hotsite da campanha; adicionar widgets com a música favorita no seu blog ou mesmo sair por aí divulgando na rede social que preferir. Além disso, vão rolar promoções especiais para quem curtir a Fan Page da Levi’s no Facebook. Tá esperando o quê? Ficou aí a dica.

Depois não adianta se fazer de desentendido quando sair o megaclipe e a banda estiver bombando!

Pulando bem alto

A banda de indie rock Nevilton, em turnê pelo Nordeste, anima qualquer um no palco. Acabaram de lançar um EP e logo mais tem um CD por aí

Nevilton de Alencar tocava em bares e compunha sozinho. Em Umuarama, no Paraná, ele cresceu com aquela vida mais calma, de interior, onde tocava violão em qualquer banco e tinha jardim (ouça “Nas Esquinas de Umuarama”, part. Luanna Bellini). Um dia ele e seu violão tocaram antes do show da banda de Lobão, o baixista Tiago Inforzato. A identificação foi rápida e logo montaram a banda Superlego. Com o grupo, começaram a tocar o que era deles mesmos, “a gente começou a querer fazer música autoral, antes tocávamos música de todo mundo”. Isso foi em 2005, e na época a empreitada não deu certo.

Do interior para o centro do mundo de entretenimento, Nevilton e Lobão seguiram para Los Angeles em 2007. “A gente foi lá para viver mesmo e tentar tocar lá”, conta o vocalista e guitarrista com voz engripada de uma noite de viagem, na tarde antes do show de abril na Livraria da Esquina. Tocaram em tudo quanto é lugar e aprenderam como funciona a indústria musical americana. O músico de 22 anos e seu companheiro aprenderam. “A questão é que do entretenimento lá é mais organizado, pode ser uma grande escola. Trouxemos decisões de foco e meta e do que fazer com a banda, gravar, divulgar… Isso a gente teve lá vendo outras bandas que nem ouvíamos falar aqui no Brasil e lá são super estruturadas, isso fez nossa cabeça.”

De cabeça feita, voltaram para o Brasil, e para o interior, com status de artistas: “O grande estalo foi isso de viver a vida inteira no interior e ter o choque de, do nada, ir para Los Angeles, onde a cidade serve arte e entretenimento. Lá minha cabeça virou algo assim, começou a pensar em arte.”

Como um trio, tocaram com Fernando Livoni até agosto de 2009. A banda começou a tocar cada vez mais ao vivo, os shows foram se formando o que é a cara deles, e a identidade se firmando. Fernando, cheio de responsabilidades, achou melhor sair do grupo e, no lugar dele, entrou Éder Chapolla, que pegou rápido o ritmo e hoje logo se vê o quanto entrosa com o som do Nevilton. A banda ficou com este nome mesmo, o do vocalista e compositor, pois a maioria das músicas estava sob o nome dele e, caso desse errado, ele queria continuar a tocar.

Tocar, por sinal, parece que é o que eles mais fazem. Ao ouvir o MySpace e as demos surge um som mais limpo, um indie rock abrasileirado, criativo e bem feito. Ao vivo a pegada é outra, mas sem perder a qualidade. Eles vestem os instrumentos, brincam, pulam, entrosam entre si. No palco, Nevilton toma vida e vira um rock cheio de vontade e diversão, no estilo bem dançante. Eles correm atrás dos festivais, e assim foi como chegaram, por sinal, no Fora do Eixo. “A gente sempre mandava as primeiras gravações pra tocar em algum festival. Quando começaram a chamar, a gente foi de cabeça”, conta Nevilton.

Se ano passado já tocaram bastante a ponto de ficaram em segundo lugar, atrás da Móveis Coloniais de Acaju, no site Scream & Yell, este ano irão além. A rotina de shows está completa, e agora partiram para uma turnê no nordeste, para a qual “prepararam” um pout-pourri de “forró agressivo”, músicas brasileiras na versão roqueira deles.

O sucesso rápido levou a banda a aparecer na Rolling Stone em fevereiro. Perguntado se as apresentações são o que dão mais sucesso à banda, Nevilton entrega a fórmula, que vai além do palco. “O segredo na verdade é sempre ter material pra apresentar pra turma e fazer de tudo que pode pra divulgar, internet, muitas apresentações, passar pra pessoas que podem falar pra outras, no boca a boca mesmo.”

Com o sucesso e o lançamento logo mais do CD De Verdade, uma extensão do EP Pressuposto, recém-lançado, podem esperar que o Nevilton ainda voltará muitas vezes pra metrópole paulistana, a qual o vocalista não entende muito bem… “São Paulo é um negócio muito maluco, não sei como consegue pensar direito, é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo”, afirma, mas pisa na loucura dia 30 de abril na Casa Dissenso.

Vote neles na Levi’s Music e confira os próximos shows da turnê nordestina:

15/04 Campina Grande, Paraíba – Bronx Bar
16/04 João Pessoa, Paraíba – Espaço Mundo
17/04 Recife, Pernambuco – Abril pro rock
18/04 Maceió, Alagoas – Praia de Jatiuca
19/04 Aracaju, Sergipe – Rua da Cultura, Rede Música
20/04 Salvador , Bahia – Boomerangue
21/04 Feira de Santana, Bahia – Botekim Tematic bar
23/04 Vitória da Conquista, Bahia – Teatro Carlos Jehovah

Coisa linda fora do eixo

O Vitroleiros conferiu parte da programação do Festival Fora do Eixo e te conta o que você perdeu – ou presenciou: na sexta-feira Circo Vivant e Nevilton aqueceram a noite da Livraria da Esquina

Jessica Grant e Bruno Guerrero

Começo da noite e era hora do grupo TRIO encenar uma apresentação teatral entre as mesas ao lado do bar. Todos assistem, alguns atentos, outros aproveitando para pedir sua cerveja ou bebida no bar. A apresentação anima o público, que, incluído nela, se diverte, solta gargalhadas e palmas quando vê a dupla saindo pelas escadas. Em seguida há a discotecagem que, com uma seleção de músicas alternativas nacionais, segue pela noite e guarda o público no ambiente, ansiosos pelo show. É sexta-feira à noite e o festival Fora do Eixo, que trouxe para São Paulo diversas bandas brasileiras do circuito independente, está na metade. Já foram apresentações como Macaco Bong e Caldo de Piaba, e agora é a vez de Pernambuco e Paraná tocarem na Livraria da Esquina “A”.

A abertura é por conta do Circo Vivant, de Olinda. O público chega mais perto, e vai conferir a banda em pé. Com um som mais “Jorge Bem Jor”, variam trazendo para MPB traços de ska, rock e reggea, divertido em sua essência. Alguns problemas de som atrapalham, mas o público insiste e ouve o que os pernambucanos têm a cantar. Animados, todos dançam enquanto tocam e aquecem muito bem a noite.

Depois de arrumar alguns instrumentos, Nevilton sobe ao palco e novamente o público vai para frente. Animados desde o começo, o baixista Tiago “Lobão” Inforzato vira um gole de cerveja para começar bem o show. Eles dançam, brincam com os instrumentos, pulam – bem alto, por sinal – e tocam uns para os outros num clima de banda unida e entrosada. Estão ali para tocar, mas, mais do que isso, para se divertir. Ou ao menos é esta a sensação que passam.

A música do Nevilton é mais limpa e fácil de acompanhar em sua versão gravada, mas, ao vivo, o barulho serve a outro propósito: o entretenimento. O público fica ouvindo atento, alguns até soltam alguns versos, principalmente quando conduzidos pelo vocalista, mas o dia parece não muito propício para dançar, fator que o próprio Nevilton, em conversa com o Vitroleiros após o show, comenta. “Se estivesse mais quente e o pessoal dançasse mais ia ser mais legal ainda.” Mas não foi por isso que o trio desanimou, tocaram muito bem e agitaram a noite. O baterista Chapolla tocava com força e vontade, às vezes ficava em pé, muitas vezes se entrosava com os demais da banda, mostrando que, mesmo tendo sido o último a entrar no grupo, não fica para trás na performance.

Dentre os destaques da noite está a faixa-título de seu EP recém-lançado, “Pressuposto”. Demonstrando suas diversas influências, os músicos também aproveitaram para improvisar um “forró agressivo”, que transformou algumas músicas, muito mais do que forró, num rock animado. De “Asa Branca” a Vinicius de Moraes, eles mostraram um bom repertório de sua própria maneira. Outro ponto alto da noite foi a participação afinadíssima da também paranaense Luanna Bellini, que, conforme ela mesma confessou, cantou pela segunda vez “Nas Esquinas de Umuarama”.

Além do frio, problemas técnicos também fizeram parte do show. De tanto se animar, pular e tocar com vontade, o parafuso da correia que segurava a guitarra no Nevilton soltou. Este e outros problemas técnicos atrapalharam um pouco a apresentação, prejudicando, em parte, o trio. E acho que já é repetição dizer, mas nem isto desanimou os músicos… Provaram que estão ali para fazer rock, se divertir e animar o pessoal. “Coisa linda de Deus”, como disse Nevilton algumas [boas] vezes durante o show.

Quer saber mais do Nevilton? Logo mais matéria sobre o grupo, aguarde.