Festival Natura Musical Minas

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Os casais mineiros terão mais uma opção de lazer para passar o Dia dos Namorados. No dia 12 de junho, acontece em Belo Horizonte o Festival Natura Musical Minas, com mais de 15 atrações espalhadas por quatro praças de diferentes regiões da capital mineira, entre 10h e 22h. E o melhor, tudo na faixa! Pato Fu, Palavra Cantada, Renegado, Marcelo Jeneci e Maria Gadú são só alguns dos artistas.

Confira a programação completa:

Praça da Liberdade (Região Centro-Sul)

A programação especial para o público infantil começa com a oficina musical Pratubatê, do grupo Trampulim, seguida do grupo Palavra Cantada, que se apresentam no local às 11h, com o espetáculo “Brincadeiras Musicais”. Às 15h30, o Pato Fu sobe ao palco para apresentar o “Música de Brinquedo”, e para fechar a tarde, o integrante do Clube da Esquina Lô Borges divide o palco com o cantor mineiro Pedro Morais.

10h: Oficina Grupo Trampolim (MG)
11h: Palavra Cantada (SP) - infantil
15h30: Pato Fu - Música de Brinquedo (MG) - infantil
17h: Lô Borges e Pedro Morais (MG)

Praça Duque de Caxias (Região Leste)

As apresentações começam às 10h15, com o show “Pequeno Cidadão”, em que os músicos Edgard Scandurra, Taciana Barros, Arnaldo Antunes e Antonio Pinto convidam seus filhos para cantarem juntos músicas infantis próprias, cuja inspiração vem da experiência como pais e também das lembranças de infância. Às 12h, o grupo Trampulim promove a oficina Pratubatê para os presentes. Karina Buhr sobe ao palco às 14h30, apresentando seu primeiro álbum “Eu menti pra você”. Na sequência, o rapper mineiro Renegado entra às 15h40 e Marcelo Jeneci encerra a tarde, às 16h50 apresentando seu álbum de estreia “Feito pra Acabar”.

10h15: Pequeno Cidadão (SP) - infantil
12h: Oficina do Grupo Trampolim (MG)
14h30: Karina Buhr (PE)
15h40: Renegado (MG)
16h50: Marcelo Jeneci (SP)

Parque Ecológico Lagoa do Nado (Região Norte)

O grupo mineiro “Curupaco” dá início às apresentações, às 10h30, com o espetáculo “Danca Balanca”, que brinca com elementos tradicionais da cultura da infância, ao mesmo tempo em que aborda assuntos contemporâneos ao cotidiano dos pequenos. O sexteto de violeiros mineiros “Vivaviola” se apresenta com o grupo “Meninhas de Sinhá”, formado por mulheres com idade entre 50 e 92 anos, moradoras da região Leste de Belo Horizonte às 12h15. Em seguida, o público participa da oficina do Grupo Trampulim a partir das 14h30, e às 15h40, Marku Ribas apresenta sua obra contemporânea, marcada por traços africanos, jazz e black music. Fechando a tarde no parque, às 17h, o grupo mineiro Zé da Guiomar apresenta seu samba de raiz.

10h30: Grupo Curupaco (MG)
12h: Vivaviola e Meninas de Sinhá (MG)
14h30: Oficina do Grupo Trampolim (MG)
15h40: Marku Ribas (MG)
17h: Zé da Guiomar (MG)

Praça da Estação (centro)

Depois de curtir as atrações nas outras três praças, o público poderá seguir para a Praça da Estação, onde o Festival Natura Musical Minas será encerrado. A primeira atração da noite, às 18h, será o grupo de percussão baiano Orkestra Rumpilezz, seguida pela sambista carioca, mas mineira de criação, Aline Calixto, às 19h, que traz Carlinhos Brown como seu convidado para um dueto. O cantor e compositor encerra o festival às 20hs, e para acompanhá-lo no palco, convida duas cantoras que têm ganhado cada vez mais destaque na cena musical: a paulistana Maria Gadú e a potiguar Roberta Sá.

17h30: Oskestra Rumpilezz (BA)
19h: Aline Calixto (RJ) convida Carlinhos Brown (BA)
20h: Milton Nascimento (MG) convida Maria Gadú (SP) e Roberta Sá (RN)

#essencialbuns XXIII: Acabou Chorare, Novos Baianos

Por Junior Abreu
@osabreus

A trilha sonora de minha adolescência foi bem roqueira. Sou do tempo dos festivais de rock que rolavam aqui na cidade. Esses festivais abriram os olhos de toda uma geração. Nirvana, Pearl Jam, Guns n’ Roses foram nos empurrados guela a dentro. As bandas gringas foram desmitificadas, foram trazidas pra nossa realidade, tudo muito naturalmente.

Foi em meados de 1997 talvez, numa dessas tardes cinzas de outono, na sala de um amigo, que estava cheia de amigos e ao redor muitos discos de vinil. Num canto havia uma vitrola bem mixuruca e um revesamento dos mais variados artistas na carrapeta. Dentre tantas músicas tocadas nesta tarde, lembro-me dos meus ouvidos absorverem todas as notas, toda a melodia que aquele disco de vinil emanava. Era o “Acabou Chorare”.

Ali, naquele dia, estavam me sendo apresentado os “Novos Baianos” e também ali, naquele momento, começou o meu amor pela musica popular brasileira.


o desfiado

Junior Abreu é o responsável pelo vocal e a guitarra da banda carioca Os Abreus, que encabeça a empreitada itinerante “Tamborete Apresenta”, com diversos shows no estado do Rio. pulalinha
pulalinha
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acabou chorare: tracklist + aperte o play

“Brasil Pandeiro”
“Preta Pretinha”
“Tinindo Trincando”
“Swing de Campo Grande”
“Acabou Chorare”
“Mistério do Planeta”
“A Menina Dança”
“Besta é Tu”
“Um Bilhete Pra Didi”
“Preta Pretinha (reprise)”

Clique aqui para ouvir “Acabou Chorare” via streaming no Terra Sonora.

Lucas Santtana: do vinil à música urbana

O músico baiano Lucas Santtana conversou com o Vitroleiros instantes antes do seu show em comemoração aos dez anos de carreira

No local de trabalho da mãe de Lucas Santtana, músico baiano cujos álbuns já foram destacados pelo The New York Times, um homem passava vendendo discos de vinil. Ela comprava LPs variados e levava para seus filhos ouvirem: jazz, rock, pop, clássica. Isso sem contar a MPB e o Roberto Carlos que ela já ouvia em casa. “Lembro de passar tardes no quarto, deitado no chão e ouvindo esses vinis. E tendo milhões de viagens, pensando: ‘Pô, é isso que eu quero fazer’”, conta. Hoje, dez anos depois de lançar seu primeiro disco, Santtana comemora a década lançando uma coletânea das melhores faixas de seus quatro álbuns em vinil. Coincidência? “Eu nem tinha me tocado”, afirma.

O LP é resultado de um encontro com Luiz Valente, da mineira Vinyl Land Records. A ideia inicial era prensar o último trabalho, Sem Nostalgia. Mas a proposta de produzir um disco único com uma compilação veio a calhar com o momento de dez anos de carreira, cujo show de comemoração ocorreu na quinta-feira passada, 18 de novembro.

Antes da apresentação, Lucas Santtana conversou com o Vitroleiros. Dono de um olhar calmo e centrado, o músico falava pausadamente ao lado do palco em que logo iria pisar. Minutos depois, ainda com a banda carioca Do Amor, ele sobe para dividir uma faixa – transição entre o show de abertura e o dele, que conta com parte da mesma banda. Lucas Santtana, no palco, é outro: hiperativo, dançante, anda de um lado para o outro e afasta-se do microfone enquanto apresenta músicas como “Amor em Jacumã” e “Cira Regina e Nana”.

Dos olhos que vão longe ao músico que toca com a alma, a história de um compositor que não para quieto. Na telona ele fez, entre outras coisas, a trilha de Morte e Vida Severina e a música-tema de Lutas, longas de animação que estrearão no próximo ano. Nos palcos, já passou pelo SWU, todos os estados brasileiros, a Europa, o Chile, a Argentina e irá encerrar, agora em dezembro, uma feira de artes plásticas em Miami.

Para 2011, Lucas Santtana tem novidades. Além de seu quinto álbum, irá lançar um disco em homenagem ao Tom Zé. Seu último, o excelente Sem Nostalgia, foi feito de forma experimental com voz e violão, mas agora ele adianta um projeto com mais canções e acompanho pela banda. Ele contou dos planos ao Vitroleiros, além de falar da aproximação com o público via seu selo e blog Diginóis e da forma com que fica ligado aos sons enquanto está produzindo e buscando texturas (“Uma coisa de laboratório de ficar vendo o que a música aceita e pede e não tentar impôr a ela o que você quer”). Santtana, que foi convidado recentemente para palestrar em locais como o TEDxAmazônia, afirma que a sigla “MPB” – a única que conseguimos classificá-lo aqui – já não basta mais, e dá sua sugestão: “é uma música do mundo, música urbana que é de qualquer lugar”.

Vitroleiros O que lembra da música na sua infância?
Lucas Santtana Nasci em Salvador, fiquei a infância inteira lá. Não tenho muita memória de criação, não, sabe? Sei que minha mãe ouvia muita MPB e Roberto Carlos, mas não tenho muitas lembranças. Quando eu tinha uns dez ou onze anos eu vi um show com um cara tocando flauta transversal. Daí eu falei pros meus pais: “pô eu quero tocar aquele instrumento”. Eles me deram a flauta doce, e realmente me animei, [mais tarde, por volta dos 12 anos] eles viram que era sério e compraram a transversal. E fui numa escola que chamava AMA – Academia de Música Atual. Eram uns músicos de jazz de Salvador que se formaram nos Estados Unidos e, quando voltaram, tentaram introduzir na universidade um curso de teoria através da música popular ao invés de usar a música clássica. Só que eles não conseguiram e abriram esta escola. Então, meu primeiro contato teórico com música foi através de música popular.

Como foi a história do selo e site Diginóis?
A partir do meu segundo disco eu percebi que muita gente tava fazendo selo e pensei em fazer um para, pelo menos, ser dono dos meus discos, não ter que pedir permissão futuramente quando fosse fazer alguma coisa. E a partir do segundo disco eu criei o selo Diginóis. Depois tive a ideia de fazer um blog inspirado em blogs de jornalistas que eu conheço e admiro. E, em vez de dar o nome Lucas Santtana, achei melhor usar o nome do próprio selo e transformá-lo num “net label”, já com a ideia de botar o disco para baixar, as pessoas poderem remixá-lo e deixarem seus remixes no site, ser uma coisa mais interativa. Foi muito importante, divulgou mais o meu trabalho a ponto de em muitos lugares as pessoas acharem que eu tenho só dois discos, porque são os que estão disponíveis no site.

Como é sua ligação com o processo de criação?
É bem variado. A gente tá começando a fazer o disco novo, eu fico com aquilo o dia inteiro na cabeça, sabe? Começo a ouvir coisas e tudo que eu ouço começo a relacionar e às vezes dez segundos de uma passagem de uma música que acontece alguma coisa eu falo: “pô, isso é uma ideia boa!”. É uma coisa que eu ouço na rua, ou eu percebo que tem uma movimentação de determinado estilo que eu tô vendo que tá mais forte. Enfim, é como se fosse um monte de informação que tá no ar que uma hora você abre a sua mente para estar muito ligado em tudo. E cada disco tem uma história. Mutas vezes você tem muitas ideias, mas no processo de feitura aquilo vai mudando. Quando você termina nunca é o que você pensou antes. Ele vai tomando forma. Até porque tem os músicos que participam, os produtores. As pessoas trazem suas ideias. Tudo vai se modificando. E tem esse lado experimental. Principalmente esse meu trabalho de muita textura, tem muito aquela coisa: gravou tudo, coloca no computador e daí fica madrugadas com fone no ouvindo experimentando. Uma coisa de laboratório de ficar vendo o que a música aceita e pede e não tentar impôr a ela o que você quer.

Como será feito este novo disco [previsto para o segundo semestre de 2011]?
A gente vai gravar com a banda [Seleção Natural] – fazer metade com a banda do Rio [David Cole (sinthy, dubs e efeitos), Ricardo Dias Gomes (baixo), Marcelo Callado (bateria), Gustavo Benjão (guitarra) e Lucas Vasconcelos (teclados)] e metade com a banda de São Paulo [Regis Damasceno (guitarra), Rian Batista (baixo), Dustan Gallas (teclados), Bruno Buarque (bateria)]. E vou gravar primeiro com a banda porque esse disco é muito canção, sabe? E depois que eu tiver isso no computador vou adicionar vários samples de várias coisas que tô pensando e nem sei se vão funcionar. Vou adicionar essas camadas de som e esse vai ser o ponto de experimentação. Só fazendo mesmo.

Qual é a história deste disco em homenagem ao Tom Zé?
Nesse ano, o Sesc Pompeia convidou a gente pra fazer um show só tocando músicas do Tom Zé, um dia só. A gente fez e todo mundo adorou. A banda ficou empolgada. E a gente tava com os arranjos ali. E pensamos: “Pô, o Tom Zé vai fazer 75 anos ano que vem, vamos aproveitar que estes arranjos estão prontos, gravar isto e chamar pra cada faixa alguém pra cantar, as pessoas da nossa geração e fazer um disco de toda essa geração que curte ele pra caramba”. Uma homenagem mesmo. E vamos fazer isso, gravar as bases que já estão prontas, chamar músicos e cantores.

Como você vê essa cena atual que pretende chamar?
Pô, eu acho que é uma cena muito rica. Todo mundo tem um trabalho autoral muito forte, muito pessoal, tem feito discos lindos, assim. Acho que musicalmente é um nível muito alto que não deixa nada a dever a tudo que veio antes, é tudo muito bem feito. E acho também que é tudo muito internacional, não tem mais uma coisa… Essa sigla “MPB” não comporta mais a nossa geração por isso, realmente o que a gente faz não é só música brasileira, é uma música do mundo, música urbana que é de qualquer lugar. Pode ter umas características daqui – com certeza, porque a gente é brasileiro tem essa da cultura impregnada –, mas acho que é uma coisa bem internacional mesmo, sabe?

Próximos shows do Lucas Santtana:
5 de dezembro no festival Varadouro (Rio Branco, Acre)
10 de dezembro na Feira Música Brasil (Belo Horizonte, MG)
17 de dezembro no festival Baianada (Salvador, BA)

Meu nome é Tulipa

por Érika Kokay e Jessica Grant

Com vestido e bem à vontade, Tulipa Ruiz abre a porta de seu apartamento num pequeno prédio de três andares no centro de São Paulo. Ela começa a mostrar os cômodos: cozinha, sala, quartos, estúdio improvisado e banheiro onde grava algumas vozes. Os outros moradores não se incomodam com o som caseiro? “Sim, só podemos fazer música até às 22h30…”, conta. Tulipa é uma das raras artistas que abre a casa sem medo. Sua informalidade surpreende e avisa: ali mora uma artista tranquila.

Sentada na beira da sacada, fumando um cigarro, Tulipa conversou com o Vitroleiros sobre música infantil, panelinha e seu show carioca. Ela, que navega no cenário há alguns anos, mas só publicou seu álbum no começo deste, ganhou o público e a crítica com sua simpatia e originalidade. Filha de Luiz Chagas, jornalista e músico do Isca de Polícia, banda do Itamar Assumpção, Tulipa cresceu com a mãe e o irmão, em Minas Gerais, rodeada pelos discos do pai. Mas seguir a carreira familiar – o irmão Gustavo Ruiz também é músico – nunca foi óbvio para a cantora, que antes de se aventurar nas notas musicais trabalhou como jornalista e também como ilustradora, ofício que exerce até hoje. O trabalho dela pode ser visto no seu ateliê virtual, na capa de seu disco e de álbuns de bandas como Felixfônica e Esquema P.

A voz fina de sereia se complementa nas faixas do seu CD de estreia, Efêmera, com várias feras. O pai guitarrista toca e divide a composição de duas músicas. O irmão (que, vale dizer, também é guitarrista) cuidou da produção. O disco também conta com as Negresko Sis (Céu, Thalma de Freitas e Anelis Assumpção), Mariana Aydar, Tiê, Tatá Aeroplano, Donatinho, entre outros.

Com um álbum de apenas alguns meses de vida, Tulipa não pensa em um próximo lançamento por enquanto. “Quero fazer muitos shows do disco ainda”, diz. E eles não param mesmo: na próxima quinta-feira (29), a cantora se apresenta no Studio SP, em São Paulo à 1h da manhã. Dia 29 é a vez do SESC Bauru e 08 de outubro, do SESC Araraquara.

Abaixo, confira a variedade de Tulipa Ruiz no bate-papo com o Vitroleiros.

Você já escolheu em algumas playlists da vida a música “Bolacha de Água e Sal”, do grupo Palavra Cantada. Qual a sua relação com música para crianças?
Eu sempre gostei muito do grupo Rumo, que é da Ná Ozzetti e do Luiz Tatit. Era um grupo que estudava a melodia da fala. Daí surgiu o Palavra Cantada, do Paulo Tatit [e Sandra Peres], que também trabalha com isto. Eu lembro que eu fiquei louca quando eu ouvi o disco do Rumo pela primeira vez. Eu tinha uns 13 ou 14 anos e achei aquilo a coisa mais genial do mundo. E, na verdade, eu sempre tive vontade de fazer música para crianças, e acabou sendo tema do meu TCC [Tulipa se formou em Comunicação em Multimeios na PUC-SP]. O nome do projeto era “A Lenda do Rio Verde e Outras Brincadeiras”. Rio Verde é o nome do rio que passa em São Lourenço (MG), onde fui criada. E o TCC foi 12 músicas para crianças, incluindo essa lenda do rio. E fiquei muito tempo estudando o que é, como fazer, como seria um projeto gráfico de música para crianças. Tudo isso sempre me interessou muito. Além disso, antes de eu largar a Comunicação, eu trabalhei num projeto que criou o museu de cantigas de ninar do Auditório do Ibirapuera, chamado Acervo Acalantos. Tem um acervo lindo com cantigas de ninar do mundo inteiro. Então sempre foi uma coisa que me despertou muito interesse. “Bolacha de Água e Sal” é uma música que eu sempre escolho quando estou discotecando em algum lugar. E já virou até uma brincadeira entre amigos. O Dudu Tsuda, por exemplo, quando tá discotecando e eu chego no lugar, ele põe essa música [risos].

Você participa do Novos Paulistas [junto a Tiê, Tatá Aeroplano, Dudu Tsuda e Thiago Pethit]. Tem também uma música sua no projeto Geração SP, que reúne novos nomes da cena musical paulistana. Como você vê esse novo grupo na música de São Paulo? Acha que a é algo natural?
No meio do ano passado, um antropólogo americano estava fazendo uma pesquisa sobre a música brasileira e me ligou perguntando se ele podia me entrevistar. Achei engraçado porque eu não tinha nem disco. Perguntei: “Como você chegou até mim?”. E ele disse que chegou ao Brasil, pegou o Guia da Folha e chamou todas as pessoas que estavam no Guia. Então, eu não vejo a gente como um movimento, nem nada. É um momento dentro da história e da linha do tempo na música em São Paulo. Realmente, se você abrir um guia cultural dessa semana, vai estar toda essa galera que tá fazendo música aqui em São Paulo: Tiê, Tatá Aeroplano, Juliana Kehl, Luísa Maita, Karina Buhr… São pessoas que estão fazendo shows em São Paulo hoje, assim como tinha a galera dos anos 90. O que eu acho que tem hoje de diferente é que essas pessoas vivem em um universo colaborativo muito grande. Por mais que nossas músicas sejam diferentes, nós já fizemos shows juntos, somos todos amigos. Nossos músicos tocam nas bandas uns dos outros, e acaba tendo uma troca de figurinha muito grande.

A impressão de quem vê de fora é de que existem “panelinhas” na música. Você vê assim?
Eu não vejo, não. Apesar de eu vir de uma panelinha, já que fiz faculdade com o Dudu Tsuda e conheci o Tatá Aeroplano na mesma época. Daí eu apresentei o Dudu pro Tatá, e o Dudu me apresentou pra Tié, e por aí vai. Então tem essa coisa de círculo de amigos, mas que se encontram no cinema antes de pensar em fazer música. E tem encontros também que foram musicais. A Andreia Dias, por exemplo, é amiga porque meu irmão era da banda Dona Zica com ela. E eu percebo que o que tá rolando aqui tem uma conexão com o Rio de Janeiro também. E com Recife, Belo Horizonte… Então é um momento de movimento na música. Não existe uma preocupação estética de um coletivo, mas tem esse caráter colaborativo, que também não é uma coisa pensada, é completamente natural. Pode ser uma “panela”, mas é uma “panela” sem tampa, sabe? Que pode entrar mais gente a hora que quiser.

Quando você abriu o show do Otto, no Circo Voador (Rio de Janeiro – RJ), O Globo fez uma resenha sobre o show, mas falou basicamente de você. Sobre o Otto, tinha um parágrafo só no final. Como foi tocar no Rio?
Foi muito bom ter feito este show no Rio, logo depois do show no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, onde eu lancei o disco [Efêmera]. Eu acho que o disco disparou muito rápido, as pessoas lá no Rio já estavam ligadas no disco. E tem gente carioca participando dele: tem o Duani, que é do grupo Forróçacana e é um popstar no Rio, tem o Stephan San Juan, baterista da Orquestra Imperial e da Vanessa da Mata, e tem o Donatinho, que é o filho do João Donato. Então, o disco já havia chegado lá e, pra melhorar, eu cheguei com músicos cariocas. Por eu ter crescido em Minas Gerais, acho que meu som não é totalmente paulistano, embora eu seja filha de um cara da Vanguarda Paulistana [Luiz Chagas], guitarrista do Itamar Assumpção. Antes do show, o Donatinho e o Duani falaram pra mim: “Olha, o Circo Voador é difícil, o Rio é difícil. Não fica nervosa. Se você achar que a galera ta meio blasé, vira pra gente e vamos fazer um som a gente mesmo e se divertir. Não se preocupa”. O Duani ainda combinou comigo que a banda ia começar fazendo uma introdução grande e quando a galera tivesse mais perto do palco, eu ia entrar cantando. Mas quando eu entrei, todo mundo já tava cantando junto. E a gente ficava se olhando durante o show, impressionados, não esperávamos que isso fosse acontecer. Surpreendeu a gente mesmo, e foi um show totalmente quente e delicioso, com uma recepção linda. Então eu não entendo essa coisa que falam que o público carioca é frio e blasé.

Você diz que sua música é um “pop florestal”. O que é isso?
Acho que tem muito a ver com esse negócio de eu ter vindo de Minas e estar fazendo show aqui em São Paulo. Esse encontro da natureza com o concreto, do Clube da Esquina com a Vanguarda Paulistana, do chá com a coca-cola, e todos esses duplos. Meu som é violão e guitarra, é a natureza e a cidade juntas, é um cross-fade entre essas duas coisas. Mas é também uma brincadeira, porque é muito engraçada essa coisa de escolha de gênero. Um dia desses, eu tava vendo uma entrevista de 1965 com o Gilberto Gil, e perguntaram se ele era folk. Em 65, o cara já tava com preguiça de responder que gênero ele tocava. E é muito louco, porque você pode acordar um dia querendo fazer música caipira, e ao meio dia você é folk, às duas da tarde você acha que é forró e à noite você tá fazendo rock, entendeu? Então o pop florestal é a mistura de tudo isso. É forró, é baião, é rock, é música eletrônica e é meio que eu tirando um barato com todos esses gêneros. É uma porta de entrada: que entrem os gêneros todos.

Você lançou o disco, e fizeram várias resenhas sobre ele. Você lê todas? Você disse que acha difícil definir um gênero pra você, como você encara as formas como te definem na mídia?
Eu leio muito, sou super ligada nas coisas que saem e sou ativa nas redes sociais, estou sempre por dentro de tudo. É engraçado, você faz o seu trabalho, e cada pessoa vai decupar da sua maneira. Existe uma necessidade de comparar para conseguir definir. Então, “ah, parece Gal Costa, lembra Tropicália”. As pessoas precisam disso para poder entender. E a gente é um desdobramento de um monte de coisa, como a Gal é um desdobramento de um monte de coisa e a Carmem Miranda também. Só o Adão e a Eva saíram do zero, o resto é tudo um desdobramento. Eu acho sensacional ler as coisas que as pessoas escrevem. Tem um cara do Sul, eu acho, que escreveu que eu era uma “sereia boêmia”. Daí eu fiquei tentando imaginar o que seria isso e cheguei à conclusão de que metade pra baixo seria uma sereia, e metade pra cima seria a Rê Bordosa [personagem dos quadrinhos de Angeli] (risos). Então é bem divertido.
Hoje em dia você vive só de música ou ainda faz ilustrações?
Faço as duas coisas. Antes, o desenho estava um pouquinho na frente, agora a música está saindo na frente, mas ainda trabalho com as duas coisas. Eu consegui parar de trabalhar em horário comercial com o jornalismo. Mas a gente tem sempre que se reinventar, porque não é nada fácil viver de música. Hoje, eu tenho um ateliê virtual, por onde vendo meus desenhos. Acabei de fazer também a capa do disco de uma banda, que chama Esquema P, e deve sair no próximo semestre.

Você toca com seu pai e com seu irmão. Como é essa relação?
É bem tranquila, eles são meus professores. Eu cresci ouvindo os mesmos discos que o Gustavo, então nossas referências são muito parecidas. Os discos eram todos do meu pai. Então a gente curte o mesmo tipo de som, e eles são os meus mestres. Fica mais divertido do que qualquer outra coisa. A gente gosta de estar junto, fazendo música. Independente de sermos uma família, nós somos pessoas que gostam de coisas parecidas e se encontraram musicalmente.

E planos futuros?
Olha, eu tenho música pra vários discos. Mas disco novo eu vou pensar direito só no próximo ano. “Efêmera” tem só poucos meses de vida. Eu quero fazer muitos shows do disco ainda e tocar muita música nova antes de gravar.

No mais: vida de artistas

Talento vezes cinco, esta é a composição do projeto musical 5 a seco que leva ao palco do Auditório Ibirapuera, esta sexta, e ao Teatro Rival, dia 28, grandes compositores paulistas com 20 e poucos anos

“Acho que só o Pedro Altério que não faz direito… eu, o Pedro Viáfora e o Tó [Brandileone] nos viramos. O Dani [Black] é melhor tecnicamente”, comenta Vinicius Calderoni, um dos cantores, violonistas e compositores do projeto 5 a seco sobre seus parceiros. “Pode por isso aí, vou adorar”, completa Dani Black. Na brincadeira os dois não falam sobre o motivo que os une a trabalho numa quarta a noite, mas sobre os passes de futebol que gravaram para o vídeo-convite do show que vão apresentar esta sexta-feira no Auditório Ibirapuera, com ingressos já esgotados. Risadas a parte, quando o assunto é música, eles se levam a sério e a admiração tem um pelo outro é o principal motor do projeto que eles formam.

São brincalhões, até porque ainda são novos. Na faixa dos vinte e poucos anos, eles levam uma leveza surpreendente ao palco. Apesar da pouca idade, apresentam talento já maduro, criatividade, apuro técnico e levam com seriedade a carreira. Tocam com sintonia no olhar e nas risadas. Ao mesmo tempo, são quase perfeccionistas e coordenam tudo com cuidado. Meio moleques, meio gente grande sabendo o que faz.

Vinicius e se conheceram no colégio. Tó conheceu Dani depois, que já conhecia Pedro Altério e Pedro Viáfora. De uma apresentação a outra, tornaram-se amigos e parceiros. “Todo mundo se admirava e gostava, muitos já eram parceiros quando, no final de 2008, aconteceu um convite para todos menos eu se apresentarem num bar na [rua] Melo Alves.” Vinicius conta rindo que sentiu dor de cotovelo e encontrou na sugestão do projeto uma forma de “vingar-se”.

A primeira ideia já veio sem protagonismo, tendo os cinco cantores, violonistas e compositores o mesmo papel. “São amigos que fazem a mesma coisa e tem um trabalho anterior”, resume Vinicius. Eles também tocam outros instrumentos nas apresentações, para criar uma “sonoridade autossuficiente, que possa se bastar”. “Autossuficiência, economia, daí vem essa ideia do 5 a seco, que também tem a brincadeira com a lavanderia”, conta.

O que começou com caráter esporádico para somente alguns shows ganhou público e demanda. “A gente cortou alguns caminhos e usou o que já estava solidificado no trabalho de cada um”, explica Vinicius. “A medida que deu certo e fomos chamados para mais shows, começamos a criar uma sonoridade própria.” Esta sonoridade específica do conjunto tornou-se marca, ao lado da presença de palco. O palco, por sinal, não é só uma plataforma para apresentação, mas onde tornam-se quase atores e praticamente dançam ao tocar. “Desde o começo tem uma ideia cênica do show. Nós mesmos trocamos os instrumentos e fazemos um pouco de contrarregragem, e tem uma questão de criar pequenas cenas, criar movimento”, conta. Para ele, esta organização teatral serve para que não seja um “simples amontoado de canções”.

Para o palco do Auditório Ibirapuera, espaço para 800 espectadores, o 5 a seco cresceu. “A primeira coisa que a gente fez foi ter uma voz de comando, sempre as coisas foram decididas conjuntamente”, explica Vinicius. “Já tínhamos nossa estrutura que era a Isabel [Sachs], nossa produtora, junto com as assistentes [de produção] Renata Cavalcanti e Marcela Katzin, o engenheiro de som Adonias Souza Jr. e o iluminador Pedro Altman. Agora trouxemos o Rafael [Gomes] para dirigir, junto dele veio a Monica Palazzo, diretora de arte que sempre trabalhou com cinema, e a Mari Leone, figurinista.” A equipe cuida de detalhes preciosos, como lembra Dani Black: “Pelo fato do show ser cru, os poucos elementos ganham grande valor”.

Com o tempo o som também cresceu e ganhou mais instrumentos. Um integrante soma à canção do outro e surgem detalhes novos. “A gente começa a ter ideias de arranjo e não é muito instrumentista, então a gente vai achando soluções para achar texturas”, conta Dani Black. Vinicius exemplifica: “O Tó toca acordeão? Não é acordeonista. Toca clarinete, mas não é clarinetista. A gente sabe se virar, criar alguma coisa para aquela canção. Tocar com a competência necessária para somar”. Da percussão à panelinha de água, Vinicius conta que “isso ajuda a nos desenvolver musicalmente, engrossar nossa sensibilidade.”.

A identidade de grupo que criaram deve-se muito ao respeito profissional que um tem com o outro. Eles se tratam com seriedade e reconhecem que trocam figurinhas. “Da minha parte, sempre vi o 5 a seco agregando mais quatro caras que individualmente me interessavam, eu gostava, me entendiam e me alimentavam”, afirma Dani. O Tó concorda: “É a hora em que eu me alimento da influência desses quatro caras maravilhosos tanto como compositores, quanto como amigos”.

E nenhum deles quer deixar a empreitada pessoal. Dani Black acaba de terminar seu disco, Vinicius está pré-produzindo o segundo, Tó Brandileone já está terminando também seu segundo e o Pedro Altério e o Pedro Viáfora estão começando seus trabalhos. Juntar a agenda de cinco músicos ocupados com seus projetos pessoais, que vão além da música, é a complicada tarefa da produtora. Se eles sabem como lidar com tanta coisa? “A gente ainda tá descobrindo”, Vinicius tenta explicar. “Não dá para se seguir caminhos já estabelecidos. Todo artista é um pouco bandeirante do bem, capinando sua própria estrada.” Já Tó Brandileone vê as coisas também do lado prático e com simplicidade. “É só combinarmos tudo com antecedência. A gente é muito amigo, se respeita muito. Não tem nenhum galho”, conta.

Mas agora é temporada de 5 a seco. Depois do show esta sexta-feira no Auditório Ibirapuera, os meninos vão tocar dia 15 de setembro num show da Luiza Possi (Teatro Bradesco, São Paulo). Dia 28 eles viajam para o Rio de Janeiro e se apresentarem no Teatro Rival. “Depois de um ano de shows, sinto que é hora de correr com o 5 a seco com força total; tanto do ponto de vista artístico quanto comercial”, instiga Tó. Mas os cinco ainda não estão acostumados com a resposta positiva do público. Pergunto como é desde que estouraram: “Não sinto que estourou ainda….”, medita Vinicius. Porque, claro, vídeo com mais de 13 mil visualizações e lotar o Auditório Ibirapuera com uma semana de antecedência é comum. Além de talentosos, são humildes e pé no chão. Pensando bem, eles já chegaram lá.

+Mais: É uma banda? Não tem CD? Já viu eles no YouTube? Se inspirou com alguma letra? Pra vocês, um pouco mais do 5 a seco.

Começou como um projeto, hoje em dia vocês arriscam me dizer que são uma banda?
Vinicius: Eu digo projeto porque como cada um de nós tem uma carreira solo e vai continuar tendo. Na verdade essa é a força do projeto: a força do trabalho pessoal e a força específica desta junção. A questão de chamar de projeto ou banda muda um pouco a medida que o 5 a seco ganhou muito espaço nas nossas vidas. O tempo de dedicação e espaço que está ocupando nas nossas vidas é comparável a uma banda, não é um absurdo chamar por este prisma, mas eu prefiro projeto pelo caráter de ser um caminho paralelo da identidade de cada um.

Pretendem gravar um álbum como 5 a seco?
Vinicius:
Com certeza, [mas] tem duas questões que impedem que seja tão imediatamente. Uma é as carreiras pessoais de cada um e também acho que o disco deveria ter muitas canções inéditas compostas especialmente. Deveria haver uma ideia, um trabalho focado. No ano que vem começa a ser uma coisa mais certa.

E, tendo toda essa característica de palco, pensam em gravar DVD?
Vinicius:
Sim, estamos pensando, algo talvez próximo ao disco, conjugado. O disco é diferente, e o show nasceu no palco, é feito para ser visto.

E como é esta exposição do projeto pelos vídeos no YouTube? Foi a grande janela para vocês, né?
Vinicius:
Uma coisa que tem desde o começo são os vídeo-convites. Criou-se uma demanda e a gente fez para todas as temporadas. A gente adora. O primeiro vídeo da primeira temporada a gente fez na casa do Tó. É um super despretensioso da gente tocando em casa.
Dani: Já deu uma volta legal do público, acho que aproxima as pessoas. Quanto mais próximo você tá de quem se interessa por você passa a existir uma conversa. E ninguém tá aqui para tá no palco e olhar de cima a plateia, mas olhar da mesma altura, é uma conversa mesmo.
Vinicius: E todos os vídeos convites tem uma de colocar a gente numas situações cotidianas, corriqueiras, que no final das contas tira um pouco essa ideia que, não sei se ainda paira, do artista como um cara inatingível.
Dani: Nós somos vocês, nós somos mais um da nossa geração, só que fazendo música, fazendo a nossa arte. Pelo menos era o que eu pensava em passar [risos]. Você concorda com isso? [Risos]
Vinicius: Acho que nem é tão pensado racionalmente, mas claramente tem esse peso…
Dani: Claramente tem essa leveza.

Ao Tó Brandileone: queria perguntar um pouco das composições. Algumas delas falam de relacionamentos, mas de uma forma muito próxima. O que te inspira? Do que você tira inspiração da vida real para compor uma canção?
Tó: O que me inspira é tudo o que respira. A cidade, pessoas e seus questionamentos, minha vida, a sua e a de todo mundo que passa por perto. Algumas das minhas músicas são desabafos, outras conclusões, conselhos, outras só literatura – ficção. Compor é uma loucura; um exercício solitário para vencer a solidão. É se sentir menos só. É ver que tem gente que sente as mesmas coisas que a gente. É se descobrir – e se mostrar. Sempre me perguntam o que é compor na minha visão cada vez eu respondo uma coisa, talvez eu não saiba mesmo a resposta.

O que você quer: clipe novo da Evora

No dia 29 de abril de 2010…

Vitroleiros: Vai rolar o lançamento de um videoclipe?

Evora: Sim, iremos gravar muito em breve o clipe de “Permita-se”. O projeto está bem encaminhado (…)

Prometeram e aí está! O Clipe novo da Evora, do hit “Permita-se” (álbum “Ignore a Inércia”).

Para quem não lembra, a Evora é aquela banda mutio bem apessoada, de meninos lindos e talentosos que deixam seu ouvido assim, querendo escutar mais desse misto de rock e MPB que é o resultado do que costumamos chamar de personalidade.

Paulinho no vocal, Guima e Adriano nas guitarras, Dan na batera e voz e Rufles no baixo.

Dê o play e veja um clipe de trás para frente que vai deixar seus anseios rock ‘mpb de cabeça para baixo.

Site oficial da Evora

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Andreia é que é mulher de verdade

A cantora Andreia Dias, aposta da MPB quando surgiu em 2007, aparece mais forte e intensa no segundo álbum de sua trilogia solo

Por Érika Kokay e Jessica Grant

Intensa, forte, repentina, imprevisível, teatral e talvez até exagerada, no bom sentido. Esta é Andreia Dias, em cima e atrás dos palcos. A cantora de 37 anos lançou em 2010 seu segundo álbum solo, intitulado Vol. 2, continuação de uma trilogia bem particular – tanto no sentido de única, quanto no sentido de pessoal. Sucessor do Vol. 1, lançado em 2007, o disco traz participações de músicos como Zeca Baleiro e Arrigo Barnabé.

A teatralidade, este aspecto praticamente ficcional da Andreia, transborda a música para dentro da vida real. A história desta paulistana é repetida em tudo quanto é lugar que aparece. O blablablá de sempre tem razão de ser: sua história parece explicar sua música (ou seria o contrário?). Saiu de casa ainda menor de idade, contrariada pelos pais evangélicos linha-dura que não aceitavam uma filha roqueira. Depois de passar por Ubatuba, foi para o Rio de Janeiro, onde passou fome e conheceu Seu Jorge, então morador de rua. Os dois montaram a Farofa Carioca, banda de qual Andreia saiu logo depois de alguns shows. Um tempo depois, voltou para São Paulo e engatou o grupo DonaZica, com Iara Rennó, sua parceira na música até hoje.

Mas é ainda de muitos outros casos que Andreia é feita. Além das bandas citadas e de algumas outras de que já participou, ela já construiu um bom caminho como cantora solo. Tida como uma aposta da MPB em seu primeiro projeto solo, a artista voltou mais roqueira e densa depois destes três anos. Mais intensa e caótica, a ponto de cantar sem pudor os versos de sua canção “Mulher”: “Feiticeira encurralada/Que a Santa Igreja assou/Fêmea excomungada/Que até o inferno voou”. Andreia confessou, inclusive, ter se inspirado na música “Ave Dor Maria”, de Tom Zé, para escrevê-la.

Sua ideia é lançar um terceiro álbum no próximo ano, finalizando a trilogia. Com composição mais madura, ela própria reconhece que mudou ao longo das gravações: “[O final da trilogia] será a conclusão de uma fase existencial intensa e de grande amadurecimento”. Para quem quiser conferir, as músicas estão disponíveis no seu site e, abaixo, um pouco mais desta forte voz da música contemporânea brasileira.

Teu álbum traz um aspecto teatral quase circense tanto na força da interpretação quanto na combinação de alguns elementos sonoros. Por quê? Qual foi o objetivo?
Porque minha vida é um teatro e sou uma palhaça. Tudo muito natural, nada calculado.

Apesar de parecer muito “teatral”, teu CD soa bem autobiográfico. Esta mistura foi proposital? O que tem da sua história lá? Qual é tua relação com esta exposição pessoal das canções?
Minha vida é um CD aberto. Minha relação com essa exposição? Pornográfica, quase incestuosa.

Qual é a diferença na Andreia do Vol. 1 para o Vol. 2? O visual está mais escuro, mais pesado, mas o que mudou em você e na sua música na sua opinião?
A essência é a mesma. O visual reflete a sonoridade, e a sonoridade reflete meu estado de espírito, que anda mais contestador e antenado.

E quando vem o Vol.3? Já tem as músicas? Como imagina que será o álbum?
Julho do ano que vem fecho a trilogia. O Vol. 3 está composto e vamos começar a gravar em breve. Será a conclusão de uma fase existencial intensa e de grande amadurecimento, tanto nas relações pessoais como no processo de individuação.

Você também fez e faz parte de outras bandas. Como você lida sua carreira solo paralela aos outros grupos que participa?
Todas as bandas que toco e toquei estão paradas no momento,  nunca tive problemas em conciliar carreira solo e bandas, tenho tempo livre, disposição e muito tesão no que faço. Com jogo de cintura vou levando

Trilha internacional

Roney Giah pode ser um nome novo para muita gente, mas tem mais de 20 anos de estrada, muita bagagem e história para contar. Seu apuro técnico e o caminho que percorreu o levou a poder transmitir uma arte cem porcento pessoal, já que é ele mesmo que se empresaria.

O cantor e compositor brasileiro começou a estudar música formalmente aos seis anos de idade. De lá pra cá fez diversas aulas e cursos incluindo no currículo o Musicians Institute of Technology em Los Angeles e o Instituto de Áudio e Vídeo em São Paulo. Seu reconhecimento nacional veio com o primeiro CD, Semente (1997), com o qual concorreu aos prêmios Sharp e Visa e conquistou segundo lugar no Festival Berklee/Souza Lima. Alguns anos depois, em 2005, surgiu o álbum Mais Dias na Terra, que durou seis anos para ficar pronto. Pré-selecionado na edição de 2006 do Latin Grammy e do Prêmio TIM de Música, o álbum acompanhou internacionalização da carreira de Roney.

Lá fora, já recebeu Menção Honrosa no Billboard World Song Contest e no The John Lennon Songwriting Contest, com curadoria de Yoko Ono. Participou da trilha sonora do filme No Pain, No Gain e assinou contrato com a gravadora inglesa Astranova Records, pela qual lançou uma espécie de coletânea, o Yesterday’s Tomorrow. Também foi indicado, recentemente, à edição de 2010 do festival The Musicoz Award e faz parte do Jingle Punks. Voltando à terra tupiniquim, o clipe de “Few People Laughing” foi incluído no início de julho na programação da MTV.

Neste sábado 24 de julho, Roney fará o único show do ano por aqui. Lançamento do seu último CD Queimando a Moleira e gravação de DVD, a apresentação será no Grande Auditório do MASP (Av. Paulista, 1578, São Paulo), acompanhado pelos músicos da The Pop Chamber Orchestra. O show tem ingressos a preços populares (10 reais!) e também contará com a participação da Perseptom Banda Vocal.

O álbum que será apresentado traz uma faceta mais tranquila de Roney Giah. Com menos traços da música brasileira – mas sem perder a identidade com a terra natal – o cantor leva melodias mais voltadas para o pop. As dezoito (!) músicas autorais de Queimando a Moleira variam entre ritmos calmos e animados, mas sem perder a sonoridade tranquila.

Alguns instrumentos clássicos se juntam à voz e violão de Roney, como piano, baixo acústico, acordeom, violoncelo e clarinete. Curiosamente misturados, não chegam a parecer uma orquestra, mas dão às canções um toque de naturalidade. O som pode ser aproximado do chamber pop, estilo parecido com o baroque pop inglês dos anos 60 que adicionou, pela primeira vez, os instrumentos clássicos ao pop e rock. Mas vai além e dialoga com diversas influências, praticamente inumeráveis, do pop à bossa nova. O álbum também tem uma temática leve de romance e faz, algumas vezes, uma certa graça.


Você vem de um histórico de estudo musical desde cedo na vida. Como isso ajudou ou influenciou no seu trabalho enquanto artista?

Em tudo. Quanto mais se absorve, mais tem resultado no seu produto cultural. Quanto mais bebo do universo da música, mais ecoa na obra. Vejo o que eu faço e estudei como uma coisa só, como alimento e digestão, não são separados.

E na inspiração?
Depende, divido em setores. Tem o que eu vou falar, o tema, que percebo no dia-a-dia. Se estou numa padaria, o que escuto, o que passa no jornal, conversas também viram temas que fico atento para. E outra coisa é a inspiração musical, que para mim vem primeiro [antes da letra]. Sonho muito com melodias e acordes. E, depois dessas ideias, a temática depende de anotações diárias de temas que quero abordar. Faço um quebra-cabeça.

Você é reconhecido lá fora, tendo recebido inclusive menção honrosa em prêmios importantes e lançado CD com gravadora inglesa. Você sente a diferença na recepção da sua música lá fora e no Brasil?
Eu sinto. [risos] É uma coisa que eu acho importante ressaltar entre a cultura deles e a nossa. Cultura para eles é monstruosa financeiramente e deveria ser assim no Brasil, mais que borracha e laranja. Não se dá a devida importância financeira e, não é só isso, é cultural, política. E lá [fora], eles tem tudo isso. Não é só interesseiro, é muito mais sofisticado, tem o lado financeiro mas ele está sempre acoplado à importância da cultura e da manutenção da cultura. Percebo isso neles mais evidente do que em nós e isso reflete no dia-a-dia, na atenção, no carinho, na prontidão, nas ofertas e respostas, tudo feito com muito cuidado. Aqui está em desenvolvimento, tem um certo despreparo para lidar com um mercado deste tamanho.

Quais são seus objetivos daqui pra frente? Tem essa de querer ampliar seu público no Brasil?
Meu objetivo agora é cumprir os cronogramas. Por conta da velocidade com que tudo está acontecendo é tudo muito a curto prazo. Farei o show este sábado, gravando DVD, no segundo semestre vou divulgar meu CD [Queimando a Moleira] em Londres e Nova York. O próximo disco, Co’as Goela e Tudo, já está pronto. [Será lançado por aqui no começo de 2011.] Enquanto tô lá fora, vou aproveitar para gravar com a minha gravadora [inglesa] Astranova meu primeiro disco todo em inglês para o final de 2011. E será uma delícia porque vai ser um sonho de infância: a gente vai gravar na Abbey Road.

Este seu disco, Queimando a Moleira, tem mais de pop e melodias mais tranquilas do que alguns trabalhos anteriores. Dá pra dizer que é resultado de amadurecimento musical? Novas experiências? Ou há uma gama de novas influências neste? O que causou o som mais tranquilo?
Tudo isso. Tem maturidade, mas estou sempre inovando. Sou um fã assíduo desta postura a la David Bowie de nunca saberem o que você vai lançar. O próximo disco é inteiro a capella, por exemplo, eu e uma banda inteira no vocal imitando instrumentos com a boca nas minhas músicas. É também uma forma de surpreender. Mas acho que neste processo de surpreender constantemente, estar sempre trabalhando e os anos vão passando, obviamente ganha-se maturidade. Você vai se transformando no processo. Quero, inclusive, é me surpreender.

Você cuida da sua própria carreira?
Cuido, sem dúvida. Depois de 20 anos de carreira tenho grandes parceiros, essencial para a saúde da carreira, mas a organização geral são planejados por mim mesmo.

Quais são os pontos positivos e negativos?
Positivo é a liberdade, é impagável fazer um CD do jeito que eu quis, do jeito que estava na minha cabeça. O lado negativo é o tempo. É muito tempo de trabalho, consome do tempo que seria utilizado para o artístico, ter mais composições, etc. Mas hoje eu penso que tudo é um processo criativo, então, nos problemas diários e administrativos, acho que estes momentos são também um exercício de criatividade.

Vai lá: Roney Giah & The Pop Chamber Orchestra, 24/07 às 20h30 – Grande Auditório do MASP – R$ 10 – Única apresentação.

#Lançamento: novo EP da banda Evora

E para a estreia da coluna semanal de lançamentos do Vitroleiros, selecionamos o novo EP (Extended Play) da banda Evora! O download do “Ignore a Inércia” está disponível no Myspace dos meninos desde a quinta-feira, dia 22 de abril. O mini-álbum é fruto de três meses de composição musical, e soa bem mais MPB que o “Inconstante”, primeiro CD dos caras. Segundo a banda, essa pegada um pouco bossa nova+pop rockque chega a lembrar Cérebro Eletrônico/Jumbo Eletro. É o tipo de som que eles queriam ter feito desde o começo.

Os talentos são: Paulinho no vocal, Guima e Adriano nas guitarras, Dan na batera e voz e Rufles no baixo.

Confira na íntegra a entrevista com Evora: 

Vitroleiros: Esse é o primeiro EP da banda?

Evora: Sim, em 2007 lançamos uma demo com 2 músicas. Em 2008 lançamos o álbum “Inconstante” e agora em 2010 nós achamos que o melhor formato seria um EP.

V: Qual a identidade musical e as influências do “Ignore a Inércia” em comparação com o “Inconstante”?

E: O “Inconstante” foi um trabalho mais baseado em rock e as músicas refletiam influências antigas da banda. Já no “Ignore a Inércia” nós nos permitimos experimentar, deixando mais evidente nossas influências musicais. As inspirações foram muitas, música brasileira em geral, além de Rock, MPB, Jazz, Funk, Soul, R&B. O disco “Inconstante” tinha influências de bandas como Foo Fighters, Incubus, Coldplay, Rufio e Anberlin, entre outras menos evidentes. Já no EP algumas dessas influências foram descartadas e outras acrescentadas; Incubus, Foo Fighters e Coldpay permanecem agora acompanhados de Los Hermanos, Chico Buarque, João Gilberto, Teatro Mágico, Arctic Monkeys e Queens Of The Stone Age, entre as principais.

V: Como está a recepção do público diante das músicas novas?

E: Estamos super felizes e satisfeitos porque as pessoas estão entendendo bem a proposta. Nos dias de hoje nós percebemos que algumas pessoas estão carentes de rock e abertas a novas propostas musicais.

V: Há previsão para lançar novo álbum com mais músicas? Projetos futuros?

E: Sim, nosso planejamento é lançar já no primeiro semestre de 2011 o novo disco do Evora. O álbum deverá seguir a mesma linha do EP “Ignore a Inércia”.

V: Como está a agenda da banda?

E: Estamos preparando o show de lançamento do EP, no entanto, já temos outras propostas que devem ser confirmadas em breve. É só ficarem ligados em nossa agenda!

V: Vai rolar o lançamento de um videoclipe?

E: Sim, iremos gravar muito em breve o clipe de “Permita-se”. O projeto está bem encaminhado e a previsão é de ser rodado já no mês de maio.

No Ipod do Paulinho toca…

Paulinho: As bandas que mais tenho ouvido são Arctic Monkeys e Incubus. É muito difícil sair dessas duas. (risos). Mas gosto muito da Maria Gadú. Tenho visto muitos vídeos e curtido alguns sons dela também.

Acesse, conheça e ouça:

Site oficial da Evora  - Comunidade no Orkut com novidades da banda  - @evorarock - Fotolog  - Trama Virtual - Myspace

Sobre a coluna

Esta é a digníssima estreia da coluna de #lançamentos do Vitroleiros!

A ideia surgiu de uma tarde desesperada em encontrar algo recém-colocado da agulha da vitrola. Sabe aquela sede por algo novo que toma conta da gente a cada momento em que colocamos pela décima vez o mesmo CD no repeat?

Eu sempre me pergunto: onde estão as produções musicais novas? Todo mundo só fica sabendo dos lançamentos comerciais e “obrigatórios”, mas e quanto aos trabalhos independentes ou com selos de gravadoras alternativas?

Bandas como Facas voadoras, Siete Armas, Lulina, agora Evora e todas as outras ótimas produções que passaram pelo nosso site são exemplos disso. Mas na maioria das vezes, só depois de muitos Googles que conseguimos encontrar o que precisávamos.

A coluna veio para dar uns pitacos em tudo que for novo! Comercial, não comercial, dependente, independente, selado, enfim. Basta ter aquele cheirinho de novidade boa que a gente coloca no ar!

Trazemos isso para todos nós que somos Vitroleiros de equipe e de coração. Sempre com música por e para quem não vive sem!

Não deixem de mandar sugestões para o contato@vitroleiros.org e/ou cadastre sua banda aqui.

Aguardem por mais entrevistas e novidades sobre esta banda e outros lançamentos!

Se Caetano Veloso aparecer com café com suita, você toma?

O verso (“Traz meu café com suíta/Eu tomo/Bota a sobremesa/Eu tomo/Eu como/Eu como/Você”) da música “Você não entende nada” tem um gostinho dietético retrô.

Suita foi uma das primeiras marcas de adoçante a surgir no Brasil. As propagandas decretavam: “Agora a senhora pode fazer em casa doces que não engordam!”. Era o início da geração saúde, da encanação com o corpo e do fim do reino do açúcar.

Hoje em dia, os novos baianos, paulistas e mineiros cantam a música sem saber o que significa “café com suita”. Eu mesma, precisei tirar o antigo doce bárbaro do fundo do baú.

Para ler sobre os bons tempos que não voltam mais: tire a poeira do livro “O mundo acabou”, do jornalista Alberto Villas.
Para ouvir: “Juntos e ao Vivo”, de Caetano Veloso e Chico Buarque.