Confira os shows da Expomusic em São Paulo

A Expomusic chega a São Paulo recheada de shows e estandes com equipamentos absurdamente incríveis. O evento promove bandas e artistas recém saídos do forno e outros já mais divulgados na mídia. Os destaques são para as bandas Jamirulus, Fractius, Dejavu e Shaman.

O Jamirulus, que inclusive já deu uma entrevista contando a história do grupo aqui no Vitroleiros, estará à partir das 16h no estande da empresa Leson, nesta sexta-feira (24) e no sábado (25). Se você quiser ouvir um rock nacional novo em folha e de destaque, apareça por lá!

Já os Fractius fará um tributo aos dinossauros do clássico rock ‘n roll do Deep Purple no espaço Music Hall, às 13h do sábado.

O Dejavu de que estou falando não é esse que você pensou, o sucesso das paradas tecnobrega/forró. É um outro estilo bem diferente, mais próximo de um pop rock à la Paralamas e Legião Urbana. Ouça aqui para saber e apareça na Expomusic para apreciar  :)

 Além das atrações citadas, muita gente boa vai marcar presença em pocket shows em estandes do evento. No sábado (25), o guitarrista do Sepultura Andreas Kisser, a banda Lipstick, Kiko Loureiro & Cuca Teixeira, Crazy Legs e muito mais. No domingo (26), tocam O Teatro Mágico, a banda Detonautas, Vanguart e outros artistas excelentes que valem muito a pena ver ao vivo.

Os shows começam às 11h da manhã e o evento abre os portões às 10h. Não esqueça de levar R$ 15 para pagar a entrada. Os únicos dias que o evento é aberto ao público são neste sábado (25) e no domingo (26). Portanto, se você quiser comprar microfones, amplificadores, guitarras, baterias, baixos, violões, violas, violinos, rabecas, teclados, cabos, fios, mesas de som, enfim qualquer aparato musical, ou simplesmente quiser conhecer  mais sobre este maravilhoso mundo da música, da qual ninguém vive sem, a Expomusic é uma ótima oportunidade.

Veja o resto da programação:


DIA 25 DE SETEMBRO
HORÁRIO BANDA / MÚSICO GÊNERO MUSICAL CIDADE
13H00 BANDA SHAMAN ROCK SÃO PAULO
14H00 RENATO LELLIS & BANDA POP ROCK ALTERNATIVO SÃO PAULO
15H00 BANDA W.U.T.(EX-INTEGRANTES DER WAHNSINN) METAL INDUSTRIAL SÃO PAULO
16H00 DANIEL GRANADO E BANDA BLUES CURITIBA
17H00 BRENDA DOS SANTOS POP SÃO PAULO
18H00 BANDA SAVIOR POWER METAL FRANCA
19H00 BANDA SuperOverDrive ROCK PROGRESSIVO CAMPINAS
20H00 BANDA IT’S ROCK / HARD CORE ATIBAIA

DIA 26 DE SETEMBRO

HORÁRIO BANDA / MÚSICO GÊNERO MUSICAL CIDADE
12H00 ELIZABETH WOOLLEY – INFINDAVEL POP SÃO PAULO
13H00 FRACTIUS – DEEP PURPLE TRIBUTE ROCK / CLASSIC ROCK / HARD ROCK SÃO PAULO
14H00 BANDA HE SAIKE ROCK SÃO PAULO
15H00 COMITIVA DO ROCK METAL SERTANEJO SÃO PAULO
16H00 BANDA DEJAVÚ (PRIDE MUSIC) POP ROCK SÃO PAULO
17H00 ORQUESTRA SINFÔNICA DE FRANCA ERUDITO INSTRUMENTAL FRANCA
18H00 BANDA DARLING ROCK

Mais informações no site da Expomusic 2010.

Horários:

25/09 das 10 às 21h
26/09 das 10 às 19h

Endereço:

Expo Center Norte
R. José Bernardo Pinto, 333 – São Paulo

#playlist: um adeus a Dio

Ronnie James Dio morreu no último domingo (16/05) depois de um intenso combate contra um câncer estomacal. Já não deve ser muita novidade para muitos de vocês. Lendo o comunicado da agora viúva Wendy Dio – encontrado no site oficial do músico – dá para notar que o fim do vocalista, prostado em uma cama sob a manhã californiana e o peso de seus 67 anos, não foi a coisa mais Heavy Metal possível. Mas o essencial é que o bom e velho James Dio se foi, amado como um bom esposo, filho e um estrondoso vocalista por todo mundo que fez a mínima parte de sua vida. Muitas coisas das quais muita gente nem sequer pode se orgulhar de ter alcançado em seu leito final.

O que fica como lembrança pessoal em minha mente não é tanto a genial colaboração entre James Dio e o lendário guitarrista e ex-Deep Purple Ritchie Blackmore (que deu cria ao Rainbow), tampouco sua fase no comando do Black Sabbath, responsável por criar uma banda com uma cara muito diferente da época de Ozzy Osbourne – muita gente jura de pé junto que o ex-Rainbow fez muito melhor do que o príncipe das trevas jamais teria alcançado. E não serei eu quem dirá não. Mas o que fica em minha mente é de fato algo um pouco bobo. Enfim. As capas da banda Dio, que o vocal criou em 1983, – e mais exatamente o álbum Holy Diver – foram as primeiras a levarem meus pais a acreditarem que o que eu ouvia era “música do capeta”. Lembrem-se que há coisa de 7 anos atrás, baixar música via Kazzaa ou emule ainda era algo complicado, e o Napster ainda era um vermezinho nos piores pesadelos do Metallica, o que nos obrigava a buscar cópias em pequenas espeluncas piratas e lojinhas questionáveis – uma baita aventura alternativa para minha turma do fundamental. As capas destes “piratones” eram de fato tão odiáveis em qualidade quanto o pior dos anéis infernais.

Fazer passar a mensagem que seu passatempo vai te levar à danação eterna é um rito de passagem comum a qualquer headbanger que se preste, e um fenômeno ao qual devo, em grande parte, ao bom e velho James Dio. Com respeito ao vocalista, nada mais justo do que deixar a playlist contar o resto da história.

Esculpindo em gelo negro

Sabe como é às vezes a vida: você acorda, faz um café/chá, lê algum livro/jornal/resenha, vai trabalhar/estudar, sai com alguns amigos/namorada(o/as/os) e deita a cabeça na cama à noite surpreso de estar satisfeito de poder repetir a exata mesma rotina no dia seguinte, uma felicidade molenga de estar em um ponto ótimo e seguro, de onde nenhum imprevisto ou sentimento repentino possa te abalar. É assim que me sinto musicalmente com a banda de Hard Rock AC/DC. Na cena rocker desde os idos de 1973 o grupo australiano lança álbuns com um pouco mais do que um miasma criativo e alguns riffs parecidos funcionando como fio condutor da obra. Desde Black in Black e para além dos discos de menor intensidade que povoaram a década de 80, ouvir AC/DC agora é admiravelmente similar a ouvir AC/DC de coisa de 20 anos atrás. No cenário atual, em que o Rock e suas vertentes vêm se diferenciando e reinventando entre e para além de seus paradigmas, isso pode soar um bocado negativo. E, convenhamos, AC/DC está num patamar estranho mesmo se comparado a bandas de igual calibre e tempo de estrada (qualquer um vai concordar comigo depois de ver a repaginada estilística que Judas Priest organizou sob o single Nostradamus). Claro, constatar essa estagnação não deixa de ser “lugar comum” – além de um desserviço para a capacidade criativa musical de Angus, Johnson e cia. Portanto, eis o caso em questão: O CD Black Ice, lançado em outubro de 2008 e a mais nova aventura da banda. Seria este um novo experimento, um disco conceitual pronto para romper suas barreiras de estilo? Um Nostradamus? Ou suas previsões falharam? Confiram a seguir, enquanto disseco o mais atual fruto dos autralianos do AC/DC.

Ok, ok, vamos falar sério! Se vocês conhecem bem AC/DC sabem que a resposta para essas perguntas é um sonoro NÃO. Os autralianos são desse tipo de caras que encontram sua voz na multidão, um formato de sucesso e uma boa sonoridade e seguem firmes e fortes. Sem experimentalismos, sem viagens à lá Jethro Tull. E quer saber, não é nada mal. Se Black Ice consegue fazer algo bem, é superar a sombra do Back in Black e se firmar em suas próprias pernas. As canções são boas, vibrantes e energéticas, além de extremamente viciantes. O disco começa (sim, eles começam sim, geração “Shuffle”! Começam sim!) em uma alta nota com “Rock n’ Roll Train”, uma entusiásmatica coleção de riffs contagiantes, trocados com precisão e velocidade entre o Guitar Hero Angus e Malcolm Young. O ritmo Staccatto um pouco violento e grosseiro faz seu retorno, auxiliado pelo baterista Phil Rudd e o baixista Cliff Williams. A música, entretanto, soa mais organizada e afiada.

De “Rock n’ Roll Train” em diante, o roqueiro padrão está em casa, com uma coleção de músicas com elementos bem semelhantes com os do passado da banda: “War Machine”, por exemplo, parece algo saído de “Back in Black”, enquanto “Anything Goes” tem uma levada similar à de “For Those About to Rock (We Salute You)”. Entre esses sons mais familiares e um ou outro que pode soar vazio de inspiração – “Spoilin’ for a Fight” vem à mente – minha favorita de todo o disco é, sem dúvida, “Rocking All The Way”. Nela, um ritmo funky puxado para Jazz rouba a cena, e o baixo de Cliff Williams ganha voz. Também não dá para deixar de se lembrar dos tempos em que Bon Scott estava nos vocais do AC/DC, e em que o ritmo Soul tinha presença mais marcante no trabalho dos autralianos. É uma faixa genial, e a mais surpreendente de todas as presentes, soprando um pouco de vida nova e personalidade ao álbum.

Já que a base instrumental se manteve a mesma, é o papel do vocal criar a sensação de novo. Diferente de Scott, Brian Johnson é um barítono natural, mas em Black Ice, o vocal explora tons mais altos e, como resultado, sua voz soa um pouco menos impactante.  Longe de estragar a experiência, claro. As letras ainda mantém uma saudável dose de irreverência com pitadas de Tom Sawyer,  relegando tudo o que não for Rock n’ Roll pra um mero segundo plano. Sem emoções profundas e investigações sobre o melodrama humano, é interessante notar como o AC/DC ainda consegue criar um material tão divertido com palavras e temas que já são clichés há décadas. Fato é que depois de um tempo ouvindo Black Ice é possível que você comece a cantarolar coisas que te fariam soar no mínimo cafona. E que você não dê a mínima pra isso.

ACDC – Black Ice (Sony/BMG)

Produzido por Brendan O’Brian

Lead Guitar: Angus Young

Rythym Guitar: Malcolm Young

Vocais: Brian Johnson

Baixo: Cliff Williams

Bateria: Phil Rudd

Canções compostas por A. Young e M. Young

Chama perpétua

Estava logo me vangloriando sobre meus quatro anos de estudo musical (tsc tsc) e do fato de repudiar a mesmice do cenário do Heavy Metal e de suas tendências, justo porque eu sou um cara chato. Entretanto não significa, meus caros amigos, que não lhes apresentarei motivos para mergulhar de cabeça nesse peculiar mundo, bruto, mas rico em capacidades criativas.

A carreira de um certo grande guitarrista pode servir como um bom trampolim: me refiro ao californiano Jason Becker. Considerado do movimento neo-clássico (do qual sou um adepto considerável, embora cauteloso), sua música apresenta algo que talvez apenas Bach e Debussy antes dele, no contexto classicista, tiveram em suas obras: uma boa e saudável dose de culhões! Há inovações aqui meu caro: há aquelas dissonâncias tão próprias ao espiríto humano, a composição de um obra de arte que te fala em seu interior, sem assim perder a exuberância da violência e da energia rebelde.

No fim das contas, acho que quem é tão virtuoso quanto quem vos fala (e eu imagino que sou o único dentre meus colegas que acha que, se sua música está ainda molhada detrás das orelhas, é porque ela precisa de mais notas) tem esse norte-americano no pantheon dos grandes músicos. E é sério: aos que ouvirem, imagino que ficarão com a sensação que teriam aqueles rednecks dos anos 50, com o surgimento do Rock depois daquele famoso encontro na encruzilhada, ao ouvir "Rocket 88".

Mas sem demasiados exageros, há sim algo que possa desestimular em seu estilo: às vezes o experimentalismo toma as rédeas da guitarra de Becker e torna o esforço musical um pouco enfadonho em certos casos, ainda mais para quem não está acostumado. Justamente para estes, indico a obra do "Cacophony", grupo em que Jason tocava na década de 80 e do qual pouco tenho ouvido e, acima de tudo, o "Perpetual Burn", um energético ensaio instrumental (ouçam com especial carinho a música "Air").

Jason Becker contraiu esclerose lateral amiotrófica (ou ALS) em 1990. A doença, com que convive até hoje, fez com que ele perdesse lentamente toda a movimentação corporal, excluindo as funções mentais e o movimento dos globos oculares.

E se um cara consegue compor uma obra como "Perspective" em tais condições, sem dúvida ele é merecedor de um espaço em seus gigabytes, garotos e garotas.

Hasta la vista