#SWU, o festival: “Você não sabe, mas tem cultura para isso”

“Você não sabe, mas tem cultura para isso”. Foram estas as palavras de Milkon Chriesler (a.k.a. Mac), diretor de eventos da The Groove Concept e o homem por trás do bem sucedido Maquinária de 2009, quando perguntei sobre como sua equipe quer passar o conceito do Festival SWU, e como é lidar com o emaranhado 2.0 das redes sociais. Você tem cultura para isso, e é justamente o que o grupo encoraja: uma espécie de publicidade onde o material bruto não são apenas adjetivos e hipérboles, mas plena discussão aberta. Tanto é que, no percurso de um diálogo com bloggers que rolou em um restaurante da Zona Sul paulistana na semana passada, a maioria das perguntas dirigidas vinham de internautas e tuiteiros anônimos. “Falem bem, falem mal, mas falem de mim”, brincou Mac, já visivelmente prevendo uma torrente de perguntas com relação á preços de ingressos, áreas Premium e setlists. A estratégia pode até parecer impregnada de casualidade e levianismo, mas é fato que, entre todo o burburinho típico de trending topics, a The Groove Concept tem um poderoso argumento a passar com o Festival SWU.

De certa maneira, o SWU é uma continuação e ampliação natural dos princípios da Groove Concept: conceito e conteúdo, arte e sustentabilidade. Não é de se estranhar que, nos primeiros meses, a SWU foi vista como uma espécie de Woodstock com sua temática natureba e a localização do evento distante de centros urbanos. Não é um paralelo assim tão errôneo, mas é um pouco superficial: assim como mega festivais europeus como Glastonbury e Loolapalooza, o evento não é apenas sua banda favorita no palco, mas sim uma experiência ampla, onde diversos estilos musicais dividem espaço com atividades menos óbvias, como camping, artes plásticas e até uma pitadinha básica de gastronomia – o espaço na Fazenda Maeda, em Itu, contará com praças de alimentação para quem quiser beliscar algo entre e durante os shows, nada muito complexo aqui. É o tipo de coisa que já virou prática pela Europa, mas que ainda tem muito o que provar para o público nacional. Pense bem nos últimos shows que você foi: se a maioria lotou um estádio ou ao menos trouxe uma manada de 20 mil pessoas e se você pagou o olho da cara pelos ingressos pra esquecer a banda que abriu e ouvir uma dúzia de músicas do seu ídolo, parabéns, você é o típico entusiasta musical brasileiro. A agenda aqui é predominada por shows grandes, custosos e de uma única atração. O que é compreensivo: qualquer bar norte-americano de certo expoente pode contratar um ZZ Top da vida com muito maior facilidade do que um organizador teria em coloca-los num avião para o Rio de Janeiro por exemplo. O problema é que essa mentalidade acabou sangrando também para artistas nacionais – que evitam Pocket Shows e apostam em shows grandes e exclusivos com tanta veêmencia quanto qualquer outro hit de fora.

O Maquinária, de 2009, já havia sido de certa maneira um indício de uma nova mentalidade, coletando ideias de eventos como o Planeta Terra e apostando ainda mais na diversidade cultural. Querendo ou não, o SWU agora terá que competir não só com seu antecessor, mas com o Natura Nós – festival que também tem entre suas atrações bandas de sabores variados e responsabilidade ambiental – e, de forma mais direta, com os eventos e os grandes shows deste semestre, que prometem desviar bastante a atenção dos fãs da música. Isso sem contar que a nova iniciativa da The Groove Concept não está livre de suas incongruências: para um festival que cultua tanto a variedade e a inserção, a solução encontrada para as áreas VIPs (ocupando toda a frente dos palcos) e o preço acordado (no mínimo R$535,00 incluindo camping básico e meia entrada para os três dias) soam um pouco elitistas. O que ainda é mais estranho se você levar em conta que a esmagadora maioria das bandas internacionais confirmadas para o SWU não são exatamente do tipo de mover multidões. Longe de querer tirar o mérito de gente como o Pixies (uma banda fora de série em minha opinião pessoal), mas quando se paga mais de 500 reais, é de se esperar atrações grandiosas além de Rage Against the Machine e Linkin Park (okay, não tão grandiosa nesse caso). O que se tem são várias bandas de apelo cult, e para o público brasileiro padrão isso talvez não vá justificar o preço do ingresso.

O que é uma pena. O SWU Music & Arts Festival é o tipo de coisa que pode muito bem abalar o que se entende por show nacional, oferecendo uma experiência que vai muito além da música. Segundo o diretor do evento, Mac, não tem sido um caminho fácil: entre ter que se adequar à agenda de seus convidados, encorajar um energético marketing boca a boca e lidar com as dificuldade financeiras de se começar um evento de grande porte no país, um desafio e tanto teve que ser superado, por bem ou por mal. Bem lembrou Mac: “o (festival norte-americano) Coachella, mesmo com foco em conceitos, se deu mal quando surgiu em 1999, tanto que nem fizeram uma edição no ano seguinte. Mas eles aprenderam com seus erros e hoje são maiores que o Loolapalooza”. No caso do SWU, eles tem um forte aliado em mãos: a expectativa. “Quando vocês estiverem lá, vocês vão saber!” brincou Mac enquanto todos – bloggers e afins – alcançavam suas cervejas.

#drops Três dias de muita música

Tanto se falou do Woodstock no Brasil e agora saíram as informações sobre o festival que vai parar o Brasil por três dias. O SWU Music and Arts Festival irá acontecer na cidade paulista de Itu, conhecida por ser a cidade do exagero, durante os dias 9, 10 e 11 de outubro deste ano.

As bandas ainda não estão todas confirmadas, mas Pixies, Incubus (foto), Dave Mathews Band e Linkin Park são os nomes já fechados das 60 – isso mesmo, sessenta – atrações que irão se revezar por três dias nos três palcos e na tenda eletrônica que serão montados. O tão esperado Pearl Jam infelizmente não comparecerá – Eddie Vedder, o vocalista, estará casando!

A SWU Brasil garante que a infraestrutura irá surpreender a todos, com um espaço de 140 mil metros quadrados na fazenda Maeda, seguranças, praça de alimentação, camping e médicos presentes durante todo o festival. Ainda contarão com oito mil barracas e estrutura hoteleira mapeada para a espectativa de 250 mil pessoas!

Além disto, o evento trará a bandeira da sustentabilidade, com direito a fóruns diários debatendo o assunto. Os organizadores do Maquinaria, The Groove Concept, também são parceiros da SWU para o festival.

Vamos atualizar este post assim que tivermos mais informações!

Danko Jones

Palco Myspace, 8 de novembro de 2009. Danko Jones, John Calabrese e Dan Cornelius: o trio hard rock canadense DERRETEU o público do Maquinaria Festival.

danko jones por TATU

If you wanna do it, do it right, ele cantava com propriedade de lá de cima – pra logo em seguida mostrar a língua, absolutamente TRANSTORNADO. Como a maioria das pessoas ali, eu só concordava, tão transtornada quanto, depois de horas pulando embaixo da chuva. Valeu cada segundo. Eu não sei como conheci Danko Jones. Não me lembro de ter sido apresentada à banda e nem de tê-la descoberto numa das minhas viagens pelo myspace. Ele simplesmente estava lá, nas minhas playlists, já faz algum tempo.A verdade é: nada disso me importa. A única coisa a saber é que o trio esteve aqui, e eu vi grudada na grade, berrando, pulando e trocando olhares O TEMPO TODO.

Danko tem presença de palco. Conversa com o público, fala sobre amor e sexo sem nem de longe ser ogro ou piegas – e não é raso em suas afirmações. Desafia todos a continuarem ali, dialoga, faz a gente querer mais. Entre pedidos tímidos de “Lovercall!”, ele responde com um carinhoso ‘i’m gonna put a fist of rock right up your assess!‘ – promessa que cumpre bem, aliás. O cara transpira rock’n'roll (e você podia esperar outra coisa do apresentador do The Magical World Of Rock?).


fritando. [o melhor vídeo que encontrei]

Algumas bandas simplesmente não funcionam com muito público. Foi o caso de Panic! At The Disco. Apesar do show recheado de sucessos (total 2005 feelings!), não me cativou tanto assim. Não deixou a desejar, é fato, mas também não marcou. Evanescence, ao contrário, é uma banda que parece feita para o público enorme: não importas quão baixo astral seja a letra, a doce Amy Lee consegue arrancar sorrisos com suas saias fluorescentes e sua invejável afinação.

Público: aí residiu parte da mágica de Danko Jones. Não estar no palco principal, em festivais que misturam estilos assim, é um benefício, ora vejam. Enquanto lá fãs de Evanescence esmagavam o público de P!ATD fazendo careta e atrapalhando a curtição, no palco Myspace o público todo delirava. Aliás, que me desculpem os fãs de Panic e Evanescence, mas quem chutou bundas na noite do último domingo foi nosso amigo Danko. E, embora tenha feito comentários ácidos a respeito da galera no palco principal, prometeu: ano que vem, volta NELE. Não gosto, mais aprovo. Quero mais é que ele volte MESMO. Várias vezes. Palco principal, Myspace ou até na putaquepariu. O rock de Danko vale a pena.

[Só um adendo que eu não podia deixar passar: Alguém que não entendeu o mundo criou os reality shows e com eles surgiram as pseudocelebridades que inundam as pistas vips de eventos por aí. Vergonha alheia: trabalhamos.]

Foto: TATU, o fotógrafo mais pirado que eu já vi durante um show.

Batalha no MySpace

Batalha de Bandas dá chance de novos apresentarem seu trabalho ao lado de Evanescence, Faith No More, Jane’s Addiction, Panic! e outros no Maquinária Festival em novembro

Nos dias 7 e 8 de novembro bandas como Faith No More, Jane’s Addiction, Deftones, Sepultura, Nação Zumbi (dia 7) e Evanescence, Panic! At The Disco, Duff McKagan’s Loaded, Dir En Grey (dia 8) se reunirão no Maquinária Festival. Serão dois dias de muita música e, para ficar ainda melhor, muita oportunidade. O Palco MySpace, com atrações ainda a definir ao lado da Danko Jones, será um local onde bandas iniciantes também poderão mostrar seu trabalho.

Realizado na Chácara do Jockey (Av. Pirajussara, s/n) em São Paulo, o Maquinária é um festival que traz um conceito inovador de aliar a música e os shows à sustentabilidade ambiental, artes urbanas e novidades democraticamente. Estas terão espaço no “Batalha das Bandas”, que busca um grupo que aposte na renovação de ideias.

Que quiser tocar no Palco MySpace pode tentar sua sorte. Para inscrever-se basta ter um perfil de sua banda no MySpace, acessar a conta do Maquinária na rede social e mandar uma mensagem com a URL do seu MySpace e um telefone para contato. A seleção das 10 primeiras bandas será feita por uma comissão de profissionais do MySpace e do festival. Dentre estas, seis bandas serão escolhidas pelo público para fechar o casting do Maquinária Festival. A votação do público será na página da conta do Maquinária. Durante o festival, a banda que tiver o melhor desempenho ainda será escolhida como destaque.

As bandas podem se inscrever apartir de segunda-feira, 5 de outubro, até o dia 11. A votação – do público – será de 12 à 21 de outubro e o resultado será divulgado dia 23. Os ingressos do festival custarão, a inteira, cerca de R$ 200 na pista e R$ 450 na área VIP.

Agora corre arrumar seu MySpace e se preparar para a disputa! Boa sorte a todos…