Música não é o mote do festival LOVE2010, que contará com Shawn Mcdonald, Palavrantiga, Crombie, JudeAirplane e Hélvio Sodré no palco (veja o sorteio aqui)
Checklist LOVE2010, o festival: Música, ok. Cultura, ok. Cantor americano conhecido como destaque da festa, ok. Bandas reconhecidas e alternativas, ok. Banda nova e talentosa, ok. Um bom preletor, ok. Amor, muito amor, ok. Foi com base nesta ideia de levar não só música num evento musical, mas também amor, que a produtora Love7 e a ONG Amor é um Movimento começaram a planejar o festival de música feita por cristãos.
As letras e criatividade das bandas, conta o produtor e idealizador Rafael Amaral, é a ferramenta para levar o mote amor. “O maior objetivo é proporcionar o amor, para que as pessoas possam se interessar mais em ajudar o outro, deixando o egocentrismo de lado.”
O sentimento também se materializará. Na prática, um dos objetivos é levantar mais ou menos cinco reais por pessoa para doar em uma brinquedoteca nas aldeias Caiuás, Terenas e Guaranis no Mato Grosso, próximo ao Paraguai. “[É] para que crianças possam ter a oportunidade de brincar como um dia eu e você brincamos, mas também estaremos vinculados a ideia de que a [ONG] Visão Mundial terá um stand no local, mostrando locais onde é necessário alimentar o ser humano” Até o preletor, Fabrício Cunha, levará uma mensagem sobre… amor!
Sem show gospel
“Pensamos em pegar apenas bandas sem rótulo Gospel, mas que tinham músicas cristãs, com estilo alternativo e que pudessem transmitir verdadeiramente o amor sem a religião”, conta Rafael sobre a escolha do line-up. O cantor americano Shawn Mcdonald, que faz um estilo de música que transita entre o levemente folk e o pop alternativo, é a atração principal e o nome que fechará a noite.
Antes dele, ótimas bandas brasileiras que tem se destacado no cenário atual por conta da proposta não-gospel também subirão no palco. Crombie, Palavrantiga e JudeAirplane representam a MPB e o rock tupiniquim. Hélvio Sodré é o destaque solo do festival. Tanto ele, quanto Crombie e Palavrantiga foram destacados na revista Época desta semana como bandas do movimento reformista de cristãos contra a cultura gospel-mercantil. No palco a ordem será: Crombie, Hélvio, Jude e Palavrantiga. Este estilo de festival, de acordo com Rafael Amaral, é novo. “Acredito ser pioneiro nesta história de juntar bandas que não tem rótulos”, ele conta.
Vale a pena ir, vale a pena ver de novo
Rafael ainda não sabe a periodicidade do festival, mas pretende repeti-lo uma ou duas vezes ao ano. “Inclusive existe algumas pessoas em Brasília querendo levar o Festival para Setembro ou Novembro deste ano já”, adianta o organizador.
Para este sábado, as bandas prometem arrasar. Todos estão esperando viverem um momento especial. O cantor baiano que mora em Brasília, a capital do rock, desde a adolescência, Hélvio Sodré, vai direto ao ponto: “Coisa pra edificar a alma”. Marcos Almeida, vocalista do Palavrantiga, acreita que o show será o melhor de sua vida. “Uma noite intensa, viva e vibrante, cheia do que nos dá esperança e alegria!” Já o baterista da paulista Judeairplane, Israel Aono, lembra que estará tocando ao lado de grupos que são parte de sua influência musical. “Estamos muito animados em dividir o palco com todas as bandas. Tem muita gente boa”, diz.
Os portões abrirão às 13 horas e o festival durará até por volta das 21h45. Os ingressos custam a partir de 40 reais e, até o meio-dia desta quinta-feira, o Vitroleiros sorteará dois. Participe da promoção e, enquanto as músicas de amor não começam, conheça mais das bandas que estarão no line-up do LOVE2010.
Bate-papo
Confira parte das entrevistas que o Vitroleiros fez com os participantes do festival. E a maior temática: o que, afinal, tem a ver refletir sobre cristianismo e arte?
RAFAEL AMARAL, produtor do festival
Para você, o que é fazer arte enquanto cristão e o que é ser cristão enquanto artista?
Eu sou produtor, não sei sou a pessoa certa para responder esta pergunta, mas fazer arte sendo cristão é entoar de forma bela algo que agrade não só a Deus mas todos da sociedade, e ser cristão enquanto artista, é tentar seguir os princípios no qual acreditamos sem perder o profissionalismo e qualidade de criatividade. Cristianismo não limita musicalmente, mas dá liberdade de fazer novos sons.
HÉLVIO SODRÉ (df)
O músico começou em grupos de louvor na igreja e na adolescência já montou sua primeira banda, onde praticou composição. Depois de alguns grupos, Hélvio partiu para a carreira solo em julho de 2009 gravando o álbum Por Aí, lançado em maio. Apesar de ser novato, o cantor já chamou atenção de muita gente e é considerado um dos grandes nomes desta geração. Seu som ecoa diversas influências, dentre as quais surge o rock de Elvis Presley, Beatles, Pink Floyd, Radiohead e Aerosmith (!). Mas ele lembra que o som não é central na obra. “Meu objetivo principal é obedecer ao chamado de Deus que foi muito claro na minha vida”, conta Hélvio.
O que é ser cristão enquanto músico e músico enquanto cristão?
Acredito que as duas coisas estão muito relacionadas. Sou cristão antes de qualquer outra coisa e isso influência de forma inevitável minha musicalidade e minha maneira de lidar e pensar a música. É maravilhoso perceber que posso servir, adorar, me expressar, compartilhar, me entreter, relaxar, refletir e tantas outras coisas por meio da música de maneira a estar em consonância com o Evangelho e com a Palavra.
Você acredita na arte como uma forma de anunciar o cristianismo?
Sem dúvida. Vejo na arte uma capacidade comunicativa incrível. As expressões artísticas são capazes de romper barreiras e transmitir mensagens de maneira eficiente e com maior alcance.
banda PALAVRANTIGA (mg, es)
O caminho da banda que junta amigos mineiros e capixabas já corre três anos. O sucesso do som roqueiro inovador para o contexto cristão foi rápido: “Os quatro amigos acabaram por se ver imersos num movimento de renovação da música brasileira paradoxalmente dentro do mercado evangélico e do pop nacional”, conta o vocalista Marcos Almeida. A faixa “Vem me socorrer” já é, inclusive, uma das mais pedidas na rádio de Belo Horizonte Extra FM. Mencionados pelo Judeairplane e Hélvio Sodré como influências, Marcos vai na contramão: “Eu gosto muito do silêncio. Ele é pra mim um tipo de som”. O primeiro disco completo da banda será decidido neste segundo semestre.
Para vocês, o que é ser um músico e artista cristão?
Um artista que não coloca sua arte a serviço de segundas intenções, que tem a liberdade de compor e criar a partir daquilo que é real, que é vida palpável e complexa. O artista cristão é aquele que não se preocupa em fazer uma arte cristã, dado que sua criação é fruto de uma vida. Então, ele se ocupa em viver o Evangelho, e ser honesto com sua criatividade, ao invés de produzir uma arte-simulação.
O que os levaram a cantarem música com a temática religiosa?
Justamente porque vivemos esse religare da boa nova de forma intensa nas nossas vidas. É aquilo que falei da honestidade. Encontramos liberdade para compor e dizer a partir dessa vivência por vários motivos, inclusive por estarmos diante desta constatação: que todo artista sincero – seja ele quem for – se confessa publicamente quando faz uma canção. [A arte] vai expor aquilo que é verídico em nós. Ninguém ficaria pedindo para uma macieira dar maças, pois o fruto da macieira é maça.
banda JUDEAIRPLANE (sp)
A banda cristã de rock alternativo Judeairplane já passou pelo Vitroleiros. São garotos que cresceram juntos em São Carlos e decidiram cantar a sinceridade de suas almas. Este ano eles lançaram o EP Um, cuja releitura adicionada de músicas inéditas acaba de ser publicada no MySpace. O vocalista Alan Dias acredita que o que fazem e o que acreditam não é diferente: “Arte, pra mim, é onde tem alguma música boa, várias luzes, muitas cores ou esses três juntos. E, por final, tem uma simples mensagem em meio a tudo isso. A fé é uma arte”.
Enquanto cristão, o que é arte para você?
Alan – Acreditar no que você não vê e cantar sobre isso, fazer o possível pra construir um processo criativo e atrativo pra mostrar uma simples mensagem, pra mostrar no que temos fé, é uma arte
Será o maior show de vocês até agora. Como estão se preparando?
Israel Aono (baterista) – Estamos ensaiando quase todos os dias e ao mesmo tempo gravando o segundo EP [já lançado no MySpace].
Vão apresentar alguma música inédita?
Israel – Vamos apresentar quatro músicas inéditas que estão no MySpace.


