Vinis, mp3 e direitos autorais: Tecnologia e música no #debatenokia

O artista como arte
SER ARTISTA É UMA ARTE!! a indústria é realmente decepcionante porque os artistas se contentam em ser medíocres!!“, disse Chris Brown em seu twitter na segunda-feira. E esse seu comentário não só faz sentido como também foi um dos grandes pontos abordados no último domingo, 7/11, no Debate Nokia sobre Tecnologia e Música. Lobão soltou já quase no fim da discussão: “é preciso restituir às boas bandas o desejo de chegar ao topo das paradas sem perder a qualidade”. Sim, porque, segundo ele, hoje todo mundo quer dinheiro e sucesso – não importa a que custo. E aí, o que chega ao mainstream se torna, em sua maioria, sinônimo de porcaria para aqueles que conhecem do assunto.


“Vi a morte total do CD e acabei crescendo dentro disso, dessa historia de se adaptar aos novos tempos, de não ficar parada reclamando” — Pitty, no #debatenokia

Com um computador e acesso a internet, qualquer um é artista. Ou acredita ser. Pitty, que saiu do que chama de “underground do underground” – a cena de rock na Bahia – comentou inclusive que, ao mesmo tempo em que maravilhosa – um espaço democrático, afinal, cheio de músicos (amadores ou não) – a tecnologia tem seu lado ruim. “As pessoas não querem ser artistas, elas querem ser famosas. Eu não quero ser mainstream, underground ou alternativa. Eu quero viver da minha música”.

Questionamentos eternos
Além dos músicos Pitty e Lobão, Carlos Affonso de Souza, advogado e representante do Creative Commons no Brasil participou do painel. Em foco, os benefícios e prejuízos das tecnologias para o mercado musical: como precificar uma obra autoral? Como divulgá-la e vendê-la depois do estouro do MP3? O que é e o que não é pirataria? Por que as rádios no Brasil são tão restritas? São perguntas às vezes até intangíveis, mas que precisam ganhar espaço entre artistas, gravadoras, rádios e até mesmo o público.

Terra do jabá?
O desabafo comum a ambos os músicos partiu da ideia de que, se na internet as músicas são ouvidas como são, é nas rádios que o grande público toma conhecimento delas. E para estar na rádio a dificuldade vai além do grande problema do jabá: é preciso se encaixar num padrão comercial nem sempre parecido com aquilo que foi inicialmente composto. “A cada novo single, o Martin, meu guitarrista, é o primeiro que sofre”, brinca Pitty, que já fez um desabafo bem lúcido em seu blog a respeito das rádios e o rock no início desse ano. O resumo, simples demais, veio de Lobão: “falta PAUDURESCÊNCIA no rock do Brasil”. E as rádios alimentam isso, exigindo que tudo seja “pop” demais o tempo todo. Enquanto isso, escondidas por aí, bandas de qualidade, mas que não se submetem às mudanças ou não têm dinheiro para pagar sua entrada na programação lutam por um lugarzinho ao sol sem nunca saber se conseguirão ou não. A verdade é que hoje não basta talento, tecnologia: é preciso dinheiro ou sorte também.


“Basicamente, a gente tem que readquirir o hábito de ouvir realmente a música.” Lobão no #debatenokia

Direitos e formatos
Direitos autorais e formatos de áudio também foram destaque do debate. Afinal, imposto em cima de imposto e quem sai no prejuízo é a arte. “O que a gente vai fazer? Como continuar atribuindo valor para a música e vivendo dela nessa hora em que ela virou um arquivo solto, que qualquer um vai lá e pega?”, desafia a baiana. Foi a deixa para Lobão comentar a necessidade de valorização do vinil, que tem retornado às lojas atualmente depois de um tempo no limbo. Aliás, a defesa não foi só o vinil: foi da experiência auditiva como um todo.

O questionamento principal é: com toda essa tecnologia, os fones de ouvido baratos, os mp3 de baixa qualidade e a banalização do videoclipe, quando foi a última vez que você ouviu um álbum do início ao fim, colocando a música em primeiro lugar, captando todo o conceito que o artista criou ali? Pois é. Isso também se banalizou demais — o que pode não ser de todo ruim, mas é triste. Afinal, quem cria o faz com a intenção de que aquilo seja ser ouvido, observado, compreendido. Não há mais — não de todo, mas em grande parte do mundo — o ritual de ouvir um disco. As crianças de hoje riem-se diante de um CD, ora essa. Quem dirá de um bolachão. Mas vinil é tecnologia também, amigos. E há fones de ouvido que oferecem experiências auditivas incríveis. Os bons artistas continuam pensando em seus álbuns de forma íntima, escolhendo a ordem das músicas, mixando os áudios fora daqui. Então é tudo uma questão de escolha — e de lutarmos ou não para que isso não acabe. Afinal, “mais do que tecnologia, é o que você faz com ela”, não? E, se podemos fazer dela ferramenta para que a música se torne algo melhor e mais proveitoso, por que deixarmos que ela faça da música o que quiser?

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A discussão, muito interessante, não parou lá no MIS.  Quem se interessa pelo assunto, pode ler:
(São pontos de vistas distintos, mas que alimentam a discussão em vários dos aspectos citados ali em cima)

- Por que precisamos de audiófilos, do Gizmodo
- Radio Days, da Pitty
- O futuro da música depois da morte do CD, de Sérgio Amadeu da Silveira e Irineu Franco
- Qual o Futuro da Música?, da BRAVO
- O futuro da música, da SUPERINTERESSANTE
- O que rolou no debate da Nokia, por Namoral Produções
- #debatenokia no Twitter.
- O que é o #debatenokia e quais as discussões aconteceram além da música?

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Pulando bem alto

A banda de indie rock Nevilton, em turnê pelo Nordeste, anima qualquer um no palco. Acabaram de lançar um EP e logo mais tem um CD por aí

Nevilton de Alencar tocava em bares e compunha sozinho. Em Umuarama, no Paraná, ele cresceu com aquela vida mais calma, de interior, onde tocava violão em qualquer banco e tinha jardim (ouça “Nas Esquinas de Umuarama”, part. Luanna Bellini). Um dia ele e seu violão tocaram antes do show da banda de Lobão, o baixista Tiago Inforzato. A identificação foi rápida e logo montaram a banda Superlego. Com o grupo, começaram a tocar o que era deles mesmos, “a gente começou a querer fazer música autoral, antes tocávamos música de todo mundo”. Isso foi em 2005, e na época a empreitada não deu certo.

Do interior para o centro do mundo de entretenimento, Nevilton e Lobão seguiram para Los Angeles em 2007. “A gente foi lá para viver mesmo e tentar tocar lá”, conta o vocalista e guitarrista com voz engripada de uma noite de viagem, na tarde antes do show de abril na Livraria da Esquina. Tocaram em tudo quanto é lugar e aprenderam como funciona a indústria musical americana. O músico de 22 anos e seu companheiro aprenderam. “A questão é que do entretenimento lá é mais organizado, pode ser uma grande escola. Trouxemos decisões de foco e meta e do que fazer com a banda, gravar, divulgar… Isso a gente teve lá vendo outras bandas que nem ouvíamos falar aqui no Brasil e lá são super estruturadas, isso fez nossa cabeça.”

De cabeça feita, voltaram para o Brasil, e para o interior, com status de artistas: “O grande estalo foi isso de viver a vida inteira no interior e ter o choque de, do nada, ir para Los Angeles, onde a cidade serve arte e entretenimento. Lá minha cabeça virou algo assim, começou a pensar em arte.”

Como um trio, tocaram com Fernando Livoni até agosto de 2009. A banda começou a tocar cada vez mais ao vivo, os shows foram se formando o que é a cara deles, e a identidade se firmando. Fernando, cheio de responsabilidades, achou melhor sair do grupo e, no lugar dele, entrou Éder Chapolla, que pegou rápido o ritmo e hoje logo se vê o quanto entrosa com o som do Nevilton. A banda ficou com este nome mesmo, o do vocalista e compositor, pois a maioria das músicas estava sob o nome dele e, caso desse errado, ele queria continuar a tocar.

Tocar, por sinal, parece que é o que eles mais fazem. Ao ouvir o MySpace e as demos surge um som mais limpo, um indie rock abrasileirado, criativo e bem feito. Ao vivo a pegada é outra, mas sem perder a qualidade. Eles vestem os instrumentos, brincam, pulam, entrosam entre si. No palco, Nevilton toma vida e vira um rock cheio de vontade e diversão, no estilo bem dançante. Eles correm atrás dos festivais, e assim foi como chegaram, por sinal, no Fora do Eixo. “A gente sempre mandava as primeiras gravações pra tocar em algum festival. Quando começaram a chamar, a gente foi de cabeça”, conta Nevilton.

Se ano passado já tocaram bastante a ponto de ficaram em segundo lugar, atrás da Móveis Coloniais de Acaju, no site Scream & Yell, este ano irão além. A rotina de shows está completa, e agora partiram para uma turnê no nordeste, para a qual “prepararam” um pout-pourri de “forró agressivo”, músicas brasileiras na versão roqueira deles.

O sucesso rápido levou a banda a aparecer na Rolling Stone em fevereiro. Perguntado se as apresentações são o que dão mais sucesso à banda, Nevilton entrega a fórmula, que vai além do palco. “O segredo na verdade é sempre ter material pra apresentar pra turma e fazer de tudo que pode pra divulgar, internet, muitas apresentações, passar pra pessoas que podem falar pra outras, no boca a boca mesmo.”

Com o sucesso e o lançamento logo mais do CD De Verdade, uma extensão do EP Pressuposto, recém-lançado, podem esperar que o Nevilton ainda voltará muitas vezes pra metrópole paulistana, a qual o vocalista não entende muito bem… “São Paulo é um negócio muito maluco, não sei como consegue pensar direito, é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo”, afirma, mas pisa na loucura dia 30 de abril na Casa Dissenso.

Vote neles na Levi’s Music e confira os próximos shows da turnê nordestina:

15/04 Campina Grande, Paraíba – Bronx Bar
16/04 João Pessoa, Paraíba – Espaço Mundo
17/04 Recife, Pernambuco – Abril pro rock
18/04 Maceió, Alagoas – Praia de Jatiuca
19/04 Aracaju, Sergipe – Rua da Cultura, Rede Música
20/04 Salvador , Bahia – Boomerangue
21/04 Feira de Santana, Bahia – Botekim Tematic bar
23/04 Vitória da Conquista, Bahia – Teatro Carlos Jehovah

Encontro dos fãs de Corrs

The Corrs é uma banda irlandesa de irmãos que fez até que bastante sucesso por aqui nos anos noventa. Hoje em dia não são tantos os fãs, mas eles continuam por aí admirando estes músicos que souberam misturar a boa música tradicional irlandesa com o pop moderno. Dia 11 de junho às 13 horas estes fãs brasileiros estarão reunidos no V Encontro de fãs de The Corrs.

corrsO encontro acontecerá no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, próximo ao Planetário. A data é em meio ao feriado de Corpus Christi para que os fãs de todo o Brasil possam se encontrar. Como de costume, as músicas da banda e outras tradicionais irlandesas não vão faltar e, para isso, interessados são recomendados a levar seus instrumentos. Além de tocar o pessoal pode se conhecer, conversar, dançar… enfim, se divertir.

Gustavo Lobão, bodhranai da banda Dundalk, que faz versões acústicas do The Corrs, foi quem me enviou o convite. “A gente se encontra pra conversar e tocar. Não tem show…. é mais na pegada de session mesmo”, disse Lobão. Session é um encontro de músicos que, sem uma certa linha, acordes, etc. começam a tocar a irish trad music. Uma espécie de rodinha de violão/samba brasileira. Ou seja, realmente será no improviso que os fãs vão se divertir. Vale a pena!

Mais informações na comunidade Fanaticorrs do Orkut.