Tag Archive | "Leonardo Ávila"

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#Lançamentos: um brinde aos tempos passados

Posted on 13 May 2010 by leonardoatorama

Hoje a nossa escudeira Clara Nobre está ausente da coluna #Lançamentos, e por um motivo até bem simples. Ela – nas palavras da própria – está “dodói”. Nada mais justo então do que receitar um brinde, ou mais exatamente, O Brinde, o primeiro CD dos garotos do Hipnos. A banda é de São Carlos/ SP, o que talvez ajude a tornar familiar o som meio urbano/ meio caseiro de seu “Rock homebrew”. Hipnos é mais uma banda puxada para o Hardcore, com um som agressivo, vocal rasgado e presença de palco. Mas não se enganem, ela não é qualquer banda underground, e seu álbum nenhum simples fac-símile de outras agressivas incursões na cena. O que separa O Brinde de muitos outros CDs e trabalhos de seu gênero está no centro de sua própria motivação musical: o prazer pela vida.

Hipnos usa seu CD para passar uma música que, senão tão inovadora na técnica nua e crua, tem uma voz própria. Suas letras são pessoais e contam sobre aproveitar a vida nos bons e maus momentos, sobre superação e amizade. Os membros do grupo – Felipe Toledo no vocal, Marcos Carreri na guitarra, Rafael Neves no bateria e Mateus Mendonça no baixo – eram grandes amigos bem antes de criar sua banda. O CD em si possui 7 faixas e é a culminação de um trabalho de dois anos. Pode deixar um certo gosto de quero mais, mas vale a pena conferir o trabalho dos garotos de São Carlos. Principalmente se o que você precisa é de alguém gritando no seu ouvido que a vida é boa sim.

É possível ouvir o trabalho dos caras direto de seu Myspace – como é de praxe desse nosso admirável mundo de redes sociais. Recomendo a faixa “Em Busca do Tempo”, assim como “O Brinde”: bons exemplos de um Hardcore cozido em casa, com pitadas de Punk inglês aqui e ali. Vai te fazer se sentir um pouco melhor.

Ou menos dodói, vai saber.

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#Playlist: Pirotechnia

Posted on 01 March 2010 by leonardoatorama

Essa é minha estréia na sessão pessoal de Playlists, então que tal um insight breve? Pois quem diria: essas últimas semanas foram bem interessantes para mim. Novas oportunidades profissionais, alguns bons momentos entre amigos e um ou outro livro interessante. Afinal, quando o maior de seus problemas é uma entrega atrasada da Saraiva e o fato dos Estados Unidos estarem na frente nas Olimpíadas de Inverno (estava realmente torcendo pro Egito esse ano), algo de bom está acontecendo. Por isso mesmo, minha playlist da semana está tão experimental. Vamos aos selecionados: começamos com Beautiful, do Smashing Pumpkins. Depois, a prova de que os garotos do Trans-Siberian Orchestra andam tomando gemada demais nos fins de ano: resultado nada estranho, For The Sake of Our Brothers é uma releitura de uma famosa canção natalina e hino da Harpa Cristã americana, tudo na voz poderosa e irônica de Peter Shaw. Hey! Não é natal se não estamos nos divertindo, certo?

Logo em seguida, uma homenagem ao genial trabalho de Akira Yamaoka (e um brinde ao seu novo emprego) com a sentimental Love Psalm, seguida por Cage and the Elephant, sem qualquer motivo aparente. Herbie Hancock segue com duas fantásticas composições instrumentais, exemplos de como se cozinhar um bom Jazz contemporâneo (ao menos dos mais modernos que consigo ouvir). E por que somos todos tradicionais, Ella Fitzgerald com The Best is Yet to Come, e, claro, os americanos loucos do Beirut, fechando uma playlist curiosamente vazia de qualquer metal melód… opa! Não tão rápido: Symphony X fecha a Playlist dessa semana com uma dessas canções que te fazem querer sair correndo por aí com um machado nas mãos (tipicamente, a fase final dos meus surtos de bom humor).

Espero que gostem.

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(se você acompanha o blog pelo feed, clique aqui para ouvir a playlist)

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75 anos de Elvis: Rock n’ Roll Meme

Posted on 28 January 2010 by leonardoatorama

Em uma tarde de Dia das Crianças, o pequeno Elvis Presley, saído de seus dez anos, pisou pela primeira vez ao palco. Presley foi convidado por sua professora, Oleta Grimes, para se apresentar na feira de Laticínios de Alabama-Mississipi, em 1945. Nesse exato momento,  para além dos alagadiços sulistas, o mundo já havia conhecido os horrores de duas grandes guerras que dizimaram um contingente sem paralelos e levaria ainda o conhecimento dos horrores da bomba de fissão nuclear. Altivo em seu traje de cowboy, o menino não tinha tempo para pensar na reação de Neutrons, Urânio e Plutônio, ocupado que estava com o prêmio que recebera com sua colocação em segundo lugar na feira: singelos 5 dólares e passe livre para todos os brinquedos do parque improvisado. A homenagem é ainda mais singela se comparada ao que Elvis conquistou no fim de sua carreira: mais de um bilhão de discos vendidos mundialmente e a chave mestra de todo um gênero musical, que ele ajudou a moldar e sobre o qual, com personalidade ímpar até então, construiu sua linguagem e reinado. Não a toa, Elvis foi um estouro!<br><br>

Depois de mais de cinco décadas de carreira (que realmente decolou em 1955 com o contrato entre Elvis e a gravadora RCA Victor) é mais fácil perceber o que atraia tanta gente no que Elvis Presley fazia. A mistura de sua sonoridade – do Gospel (de sua infância em Tupelo, Mississipi) ao R&B e Jazz (das calçadas da lendária Beale St. em Memphis, Tennessee, onde residiu a partir de 48) – não era lá uma grande novidade, mas com músicas de ritmo agitado e melodias bem construídas e viciantes, sem exagerar nos ataques, a fórmula bem balanceada levava o Rock ao patamar do mainstream. Com Elvis, o Rock era uma música de todos os homens, para todos os homens. Uma mensagem musical um bocado forte, principalmente considerando que, enquanto o rei fazia sucesso durante a década de 50, o apartheid sul-africano estava à todo o vapor e movimentos segregacionistas agitavam até mesmo os quintais norte-americano, com o retorno de protestos da famosa Ku Klux Klan.

Por outro lado, é seguro dizer que muito do que tornava Elvis Presley especial estava no visual. Sua carreira é um dos primeiros exemplos de um músico que percebe que fazer Rock é mais do que pegar uma guitarra elétrica e soltar alguns acordes agressivos. Mais do que isso, Rock é atitude, algo que Elvis despejava não apenas em sua música, mas em toda sua imagem pública, que simplesmente brilhava nos televisores norte-americanos em shows de sucesso como os de Ed Sullivan, onde gente como os Beatles também deram suas caras. Se o Rock de hoje tem seu que intrínseco de glamour, roupas arrojadas e penteados fora de série, há muito a que se agradecer ao casaco de couro, regata, jeans e topete arrassa-quarteirão do bom e velho Elvis Presley. A mensagem visual era tão potente que deu inspiração para uma centena de sósias e “wannabes” que andam por aí até hoje. Elvis, em seus plenos 75 anos, de fato não morreu, e sua existência hoje pode ser comparada a um “Meme”: um fenômeno cultural que segue até hoje nas entranhas de seu gênero, altivo com sua roupa de cowboy e seus 5 dólares no bolso.


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