#playlist: Gran Turismo

A temporada 2011 da Fórmula 1 estreia neste domingo, com o GP da Australia, às 3h00 da manhã, horário de Brasília. Depois de ter o GP de Bahrein cancelado devido à instabilidade política na região, os pilotos ganharam ainda mais tempo para treinar para o tão aguardado primeiro Grande Prêmio deste ano.

Assim como outras equipes, a atual campeã do Campeonato de Construtores, a Red Bull Racing, conta com diversos simuladores para os treinos. No ano passado, a equipe apresentou o protótipo X2010, um carro de F1 sem limites de performance e investimento, que, é claro, só existe no mundo virtual. Os pilotos da equipe puderam testar o carro no Gran Turismo 5, lançado em novembro do ano passado, mas infelizmente não poderão contar com tal desempenho nas pistas do mundo real.

E é por isso que a franquia Gran Turismo foi minha eleita para a #playist desta semana. O primeiro jogo da série foi lançado em 1997, após cinco anos do início de sua produção pela Polyphony Digital. Os games são exclusividade da Sony e um dos principais motivos para as vendas do PS3, único console da geração atual para o qual foi lançado o esperadíssimo Gran Turismo 5.

Desde o primeiro Gran Turismo, as trilhas dos jogos americanos sempre foram diferentes dos jogos japoneses. Isso porque enquanto a versão dos EUA utiliza músicas licenciadas para a série, a versão japonesa conta apenas com faixas originais. Mas o game é tão querido, que algumas músicas foram compostas para ou inspiradas em Gran Turismo, como é o caso de My Favorite Game, do The Cardigans, que inclusive dedicou o nome de seu quarto álbum ao jogo.

Tracklist:

1. Gran Turismo – Everything Must Go (Chemical Brothers Remix) – Manic Street Preachers

2. Gran Turismo – As Heaven is Wide – Garbage

3. Gran Turismo 2 – My Favourite Game – The Cardigans

4. Gran Turismo 2 – My Hero – Foo Fighters

5. Gran Turismo 3 – 99 Red Balloons – Goldfinger

6. Gran Turismo 3 – Stone Free – Jimi Hendrix

7. Gran Turismo 4 – Rollover DJ – Jet

8. Gran Turismo 4 – Panama – Van Halen

9. Gran Turismo 5 – Scumbag Blues – Them Crooked Vultures

10. Gran Turismo 5 – Undercover Martyn – Two Door Cinema Club

#musicmonday: Bob Dylan, por outros

Textos sobre o Bob Dylan sempre chamam minha atenção. Foi assim que no fim de semana passado li o artigo “Bob Dylan e o grande segredo da indústria da música”, de Pedro Alexandre Sanches, no Opera Mundi. O texto fala de como o biógrafo do cantor e compositor, Colin Escott, expôs no encarte da coletânea The Witmark Demos: 1962-1964 um detalhe importante da indústria fonográfica: o trabalho – e lucro – das editoras. Quando Bob Dylan começou, antes de virar o que virou, suas canções foram levadas pela editora para outros interpretarem-nas. Com o maior número de versões, mais ela lucraria, mais ou menos assim.

Hoje em dia, com a internet, esta indústria está mudando. Seja lá qual for o seu futuro, o texto do Sanches me lembrou das inúmeras versões de Dylan que existem por aí… Por hoje, fica a dica: confira o texto, ao som da nossa playlist de Dylan [por outros].

Fender, 1959

Fender, sem dúvida, é sinônimo de guitarra e lendas do rock. A fábrica de amplificadores e instrumentos musicais foi fundada em 1946 pelo técnico eletrônico Leo Fender na Califórnia. Bem a tempo das revoluções culturais e musicais que levaram sua marca como grande protagonista nas mãos de Jimi Hendrix, Keith Richards, George Harrison e até Kurt Cobain.

Navegando pelo The Etsy Blog encontrei uma notinha interessante sobre um vídeo da fábrica da Fender, achado de uma das editoras do Etsy, Chappell Ellison. O vídeo é uma edição de gravações que documentaram a produção da Fender Stratocaster, guitarra que marcou o surf rock e foi tocada por nomes como Buddy Guy. Filmadas em 1959 por Forrest White, executivo de indústrias de instrumentos, as imagens lembram que, sem grandes máquinas, as guitarras ainda eram produzidas a mão. A nota de explicação do vídeo no YouTube ainda lembra: hoje elas valem uma pequena fortuna. Confira:

The Jigga Hendrix Experience

Se eu vivo dizendo que adoro mashups e covers bem feitos, imagine quando aparecem DUAS LENDAS juntas?Arrepio só de pensar. Mas não é de prazer, não. É de medo. As chances de soar péssimo são enormes. Felizmente, o DJ Fatty Hezlop conseguiu contornar todas elas e, com 10 faixas, montou a deliciosa mixtape Jigga Hendrix. Isso mesmo: Jimi Hendrix e Jay-Z juntos.

Eu sei, eu também estranhei essa arte horrível quando o Trecker me indicou a brincadeira. Mas não julgue o trabalho pela (péssima) capa, porque seu conteúdo é realmente fino. Dos álbuns de Jay-Z e de Hendrix saem novas visões. A inspiração? Mixtapes famosos como The Album Grey e Viva LaHova.

Imperdível em todos os aspectos, divertido também. Vale a pena. Para ouvir e fazer o download das faixas, é só usar o player aí embaixo. Boa viagem!

Jay-Z & Jimi Hendrix – Jigga Hendrix (Mixtape) by Hypetrak


Para mais dicas imperdíveis como essa, acesse o Blog Vivo On.

Rock ‘n girls a la Siete Armas

Por Clara Camargo e Emanuelle Herrera

Uma banda feminista diferente. Elas não querem um público exclusivamente de meninas e mulheres. Tocam porque gostam e para todo mundo ouvir. Conversamos com as meninas da banda Siete Armas sobre a produção musical das gurias, a cena alternativa no Brasil, mulheres, feminismo e muita coisa que infelizmente não dá para sentir lendo um texto, mas oferecemos a opção de entrar agora no Myspace da banda, colocar play em “Those Flowers“, aumentar o som e chamar os amigos para dançar e beber umas boas cervejas. Mas antes, leia a entrevista para se inspirar ;)

As principais influências femininas da banda não poderiam deixar de ser Bikini Kill, Team Dresch, The Butchies, Sleater Kinney,  Breatmobile e  Joan Jett, percussoras do movimento riot girrrl! e punk rock feminista.  O primeiro EP (Extended Play) da banda saiu no dia 8 de março deste ano (2010), inclusive soltamos o review do show de lançamento aqui no Vitroleiros e sorteamos dois EPs.  A baterista Helena Krausz conta que a banda conseguiu unir o blues, o rock mais dançante e um pouco de folk nas cinco músicas que compõem o mini-álbum.

Quem toca: Débora Lopes (Dé) no vocal, Lu Carvalho e Nessa Salvado nas guitarras, Sarah C. Si. no baixo e Helena Krausz na percussão.

EP:

1. A dreamer’s photographic mind

2. So blues

3. All my sisters

4. Purple

5. Those flowers

@Sietearmas

Fotolog

Orkut

Formspring (perguntas bizarras e respostas estupendas)

Trama Virtual

Música, garotas, feminismo, cerveja e Siete Armas é o que você vai ler agora:

-Vitroleiros: Como foi a criação do EP “Siete Armas”?

Siete Armas (Dé): O EP aconteceu. Não como um filho inesperado, mas como fruto de algo que estávamos plantando há algum tempo. “So blues” e “Purple”, foram nossas primeiras canções, ambas faziam parte das raízes da banda, da época que nosso estilo musical ainda não era tão definido quanto hoje. Com as músicas já engatilhadas, decidimos gravar um disco compacto. Parte por conta do orçamento curto, parte por falta de tempo. Daí surgiu a ideia do EP. Fizemos um intensivo de ensaio e gravamos em dois ou três dias, já não me recordo bem. Foi simples e natural. Gravado no Estudio El Rocha, por Fernando Sanches, que foi super bacana e mixado por Artur Joly e Lu Carvalho, nossa guitarrista.

Lu Carvalho comenta: “Os amigos, namoradas e namorado foram muito importantes nesse processo. A arte foi feita por amigos, as fotos, tiradas por amigas… sem eles, o que seria de nós? Além disso, houve muita força de vontade de nós mesmas. Nossos horários não batem muito, estamos sempre ralando na vida, mas conseguimos realizar esse sonho.

-Vitroleiros: Vocês pretendem gravar um CD? De forma independente ou por gravadora?

Siete Armas (Dé): Pretendemos gravar um outro disco, com certeza. Se alguma gravadora se interessar pelo nosso som, respeitar nossa essência e arcar com os custos todos, por que não? (Será muita exigência?) Seria uma bela parceria. Somos musicalmente esforçadas, conciliamos nossas vidas pessoais, empregos e etc com a música. O que não é tarefa fácil.

-Vitroleiros: Como funciona o processo de criação das músicas? A letra e a melodia são compostas separadamente?

Siete Armas (Helena): Normalmente, a Lu chega com uma base nova, a gente se reúne na minha casa e fazemos todas juntas. Sempre uma acabada opinando no instrumento da outra, a música sempre acaba sendo feita por todas.

Nessa Salvado complementa: A Débora se senta numa posição “Chico Xavier”, se inspira e escreve na hora uma letra enquanto vamos criando, compondo e estruturando a música.

E Lu Carvalho finaliza: todas se envolvem e colocam a própria pegada na música, sejam escalas de baixo da Sarinhah, batidas e ritmos da Helena, riffs e acordes da Nessinha, mas, principalmente, todas nós montamos a estrutura. Cada uma se põe nas músicas.

-Vitroleiros: O que inspira vocês a comporem?

Siete Armas: A vida, o samba, o rock, a poesia, a cerveja, as cagadas, as conquistas, a rotina, a falta de dinheiro, o amor, o cinema, as eleições, o Brasil.

-Vitroleiros: Compor em inglês é mais fácil? Existe somente uma música de vocês em português, que é a “Mi casa, su casa”.

Siete Armas (Nessa Salvado): Apesar de “Mi casa, su casa” ser uma música bacana, divertida e que todos gostam, é uma piada interna que não representa o atual trabalho da banda.

(Dé): Não sei se é mais fácil. Escrevo em português também, minha língua nativa, mas não para o Siete Armas. No começo, escolhemos cantar em inglês sem motivo aparente. E levamos isso adiante. Tanto o inglês quanto o português são idiomas lindos. Mas para a sonoridade do Siete, que tem uma pegada setentista, crua, preferimos o inglês. Pode ser que um dia façamos algo em português. É um desejo meu não muito comentado. Quem sabe.

-Vitroleiros: Depois de quatro anos de estrada, vocês acham que a cena musical mudou muito?

Siete Armas (Helena): Cada vez as casas de shows apoiam menos as bandas independentes, e o público está cada vez menos afim de ir num show, de conhecer coisas novas. É muito mais fácil acessar o Youtube e ver um show completo de uma banda que a pessoa gosta, do que ir no show ao vivo. Pelo que vejo, a galera nova que quer tocar, começa a se inspirar nas bandas novas, coloridas e emotivas que aparecem na TV. O lado bom disso é que pelo menos a galera não é pagodeira. (risos)

Lu Carvalho, é mais romântica: Acho que a música não pode ter fronteiras e devemos sempre fazer o que gostamos. Acredito que sempre haverá alguém pra apoiar o que você faz.

Nessa diverge de Helena em alguns pontos dessa questão: Eu acredito que mudou sim! Hoje vemos demanda muito maior de shows, seja nas novas casas e baladas ou nas festas com bandas tocando. Além disso, acho que ficou mais fácil conseguir montar uma banda hoje em dia, mesmo que por hobby apenas. A cena vai se expadindo, há mais gente aceitando e se incorporando. Mas mesmo assim, em termos de colaboração e incentivo, ainda falta muito. As bandas ralam muito pra fazer o que mais gostam e na maioria das vezes têm pouco reconhecimento. Há muito mais vontade do que espaço.

Dé: O mundo muda sempre. Toda cena muda. Hoje em dia, não sabemos mais à qual cena pertencemos. Ficamos entre os amigos da cena punk e do rock alternativo. Não existe um cenário estabelecido pro Siete Armas, como o grunge ou a Tropicália. Tocamos rock em lugares nos quais pessoas que gostam de rock frequentam, basicamente.

-Vitroleiros: Qual a importância da cena independente para a música brasileira hoje?

Siete Armas: A cena independente pode ser uma forma de escape pra galera que não aguenta consumir o que tá passando por aí. É nela que você encontra a livre expressão e a criatividade pura. Porque não há uma gravadora ou um produtor manipulador querendo ganhar dinheiro em cima do artista/banda. Sem a tal cena independente, ou o “faça você mesmo” dos artistas, a música tende a ser mais comercializada do que ja é, vendida. A cena independente, na maioria das vezes, faz arte e não dinheiro.

-Vitroleiros: Que artistas da cena underground que vocês recomendam?

Siete Armas: The Dealers, Some Community, Comma, Letuce, Renato Godá, Casuarina, Otis Trio, Liquidus Ambiento, Lanny Gordin, Marcella Bellas, Renato Godá, Tulipa Ruiz, Cérebro Eletrônico, Tiê, Tiago Petit, Cumadre Fulozinha, OBMJ, Circo Motel, Tipo Uísque e por aí vai.

-Vitroleiros: Contem um pouquinho da história da banda.

Siete Armas (Lu): Tudo começou entre eu e Didi, a ex-guitarrista. Conhecemos Helena, nos juntamos, convidamos a Débora Lopes pra cantar e sabíamos que tinha uma puta voz. Primeiro ensaio, muita ansiedade, muita ceveja, e o resultado: “So Blues”. Nossa primeira linda música. Depois de alguns desentendimentos e saída da Didi convidamos a Nessa para completar com a segunda guitarra e eu havia acabado de conhecer a Sarinhah, que entrou tocando baixo. Daí pra frente, só alegria.

Vitroleiros: De onde surgiu a ideia do nome?

Siete Armas: O nome surgiu num boteco. Estávamos pensando em alguma coisa com “sete” e com “armas”. Pensamos em um nome em inglês, mas ficou muito grande e normal. A Didi falou ” E se for em espanhol? Siete Armas?” Sim! gostamos e somos até hoje o Siete Armas.

-Vitroleiros: Quais são as suas referências musicais?

Apesar de gostos em comum, cada integrante, é claro, tem um gosto pessoal. Misturamos tudo:

Siete Armas: começamos a tocar ouvindo Bikini Kill, Team Dresch, The Butchies, Sleater Kinney,  Breatmobile e Joan Jett. E mais: The Doors, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Stones, Beatles, Led Zeppelin,Johnny Cash, Elis, Bethânia, Adoniran Barbosa, Cartola, Demônios da Garoa, Caetano Veloso, Jorge Ben, Tom Jobim, João Gilberto, Astrud Gilberto, ex-mulher de João Gilberto. Jazz: Coltrane, Glenn Miller, Miles Davis.

-Vitroleiros: Qual o posicionamento de vocês em relação ao feminismo?

Siete Armas:

Helena foi breve no comentário: Todas da banda somos feministas desde os 13 anos. Não carregamos isso com a banda por não carregarmos nenhum rótulo com ela. Somos uma banda de rock.

Nessa Salvado: Todas nós somos feministíssimas assumidas (!). É por causa dessa luta que hoje temos uma banda de mulheres, conseguimos subir no palco e mostrar nosso som pra todos que quiserem apreciar. Essa é a nossa atuação como mulheres e como feministas. É sincero, cru, pacífico e convidativo.

Lu Carvalho: Acho que cada uma fala por si nessa questão, mas eu me considero feminista por conquistar a cada dia o meu espaço. Acho que as outras quatro também pensam assim. Tenho meu trampo, ganho minha grana, não dependo de ninguém. Além de tudo, ainda tenho uma banda de rock and roll só de mulheres e sou lésbica. Meio contraventora, né? Não é fácil, mas é aí que entra a questão: assumir as responsabilidades. Para mim isso é além do feminismo.

Débora Lopes: O movimento feminista mudou de forma. Acreditamos que o feminismo efetivo de hoje é o discernimento de que a mulher e o homem podem habitar os mesmos lugares e postos, com total respeito e paz. E a nossa versão de feminismo é essa, respeito e paz.

Capisco? ;)

#Playlist: Nostalgia desajustada


Quem nasceu no fim dos anos 80 é uma vítima inegável da nostalgia desajustada. Sentimos saudades de fatos que não vivemos, de festivais e shows memoráveis aos quais não fomos, somos apaixonados pelas músicas de uma época que não era nossa – se é que música pode ser considerada temporal.

Os anos 60 e 70 são os queridinhos dos “nostálgicos desajustados”. Quem nunca sonhou em estar em Woodstock e participar do movimento hippie, ou ainda dos movimentos anti-belicistas? Levantar a bandeira do poder jovem, do amor livre?

Querer assumir as características de tempos anteriores ao nosso se tornou uma forma que muitos encontraram de fugir do nosso próprio tempo, de buscar originalidade nas artes, na política e na própria vida cotidiana.

Em meio a era da música digital, ressurge o LP. Em meio aos fãs de bandas como Cine e Nx Zero, surgem os novos apreciadores de Janis Joplin, Jimi Hendrix, The Beatles, Rolling Stones.

Acompanhe-me nessa viagem psicodélica em 10 músicas!


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