Suck it and See – Macacos Loucos?

 

As datas oficiais de lançamento de álbuns parecem não fazer mais diferença nos tempos da internet e o caso do aguardado novo disco do Arctic Monkeys, “Suck it and see”, não fugiu à regra. Previsto para dia 06 de junho, “Suck it and see” surgiu na internet na última terça-feira e rapidamente links para que o seu download fosse feito se propagaram nas redes sociais.

A banda já havia liberado duas faixas para audição, “Brick by Brick” e “Don’t Sit Down Causa I’ve Moved Your Chair”, além de ter tocado outras faixas em seus mais recentes shows na Suécia e Noruega e no conhecido programa britânico, Later With Jools Holland. Isso só fez com que a ansiedade pelo lançamento se tornasse cada vez mais latente.

Muita gente tinha esperança de que os ingleses voltassem a soar cruamente como no seu disco de estréia “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not”, enquanto outros torciam para que eles seguissem a mesma linha do terceiro e, até então último, álbum da banda “Humbug”. Após uma audição do disco inteiro, fica claro que a segunda corrente de fãs tem mais motivos para ficar feliz.  Mesmo voltando à produção de James Ford (produtor de “Favourite Worst Nightmare”), é visível a influência de Josh Homme (Queen of Stone Age e produtor do “Humbug”) na sonoridade da banda. Melodias mais bem trabalhadas e batidas mais lentas na maioria das músicas formam esse novo trabalho dos Monkeys, que gerou divergência de opinião entre fãs. Enquanto alguns afirmaram ser o melhor lançamento do ano de 2011 até agora, outros se mostraram bastante desapontados.

Como uma das líderes da cena do rock’n'roll mundial nos últimos anos, todo trabalho da banda merece atenção. Porém, fica fácil perceber que eles, captaneados por Alex Turner, desejam dar novos rumos ao seu som. A outra banda de Turner, Last Shadow Puppets, com Miles Kane (ex-Rascals) e o próprio trabalho solo do vocalista ao compor a trilha sonora do filme “Submarine”(inclusive uma das trilhas do EP, “Piledriver Waltz, está no lançamento) também parecem ser influências fortes no caminho que a banda está tomando. A adolescência e os riffs cortantes de guitarra não parecem estar mais no centro das atenções e deram lugar a músicas mais maduras.

Com isso, estariam os Arctic Monkeys se arriscando demais ao tentar mudar de som ou todo artista tem direito a evoluir? Seria mesmo uma evolução no som ou a banda estaria perdendo o Rock’n'roll? Para que você possa formar sua própria opinião e responder a essas perguntas, apenas dando uma ouvida com atenção a esse novo trabalho. Vale a pena.

 

Tracklist:

1. She’s Thunderstorms
2. Black Treacle
3. Brick by Brick
4. The Hellcat Spangled Shalalala
5. Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair
6. Library Pictures
7. All My Own Stunts
8. Reckless Serenade
9. Piledriver Waltz
10. Love is a Laserquest
11. Suck It and See
12. That’s Where You’re Wrong

#musicmonday: Sad boys with guitars

A história vai parecer um tanto ridícula, mas no auge do Orkut, quando era legal participar de comunidades legais, eu seguia uma que tinha o título “sad boys with guitars”. Lá rolavam discussões sobre os clássicos garotos tristes que não largavam o violão: Elliott Smith, Jeff Buckley, Nick Drake e por aí vai. Eu confesso que nem sei o verdadeiro rumo que essa expressão tomou, mas não consegui deixar de usá-la (pra mim mesma) toda vez que viciava em algum disco do gênero.

Ao pensar no tema de uma playlist, resolvi colocar pra fora e mostrar pra vocês o que eu costumo ouvir quando penso em um sad boy with his guitar. Não sei se foi pelo título em inglês, mas só consigo associar a carinhas gringos. Então, me perdoem pela falta de brasileiros – que eu amo de paixão – nessa listinha. Em outra ocasião, vou dar espaço pra eles! E é isso, morram de chorar e se apaixonem por esses homens sentimentais.

tracklist

Bon Iver – Skinny Love
Bonnie Prince Billy – Love Comes to Me
José González – Killing for Love
Elliott Smith – Between the Bars
Vincent Gallo – So Sad
Daniel Johnston – True Love Will Find You in the End
John Frusciante – Hope
Conor Oberst – Cape Canaveral
M. Ward – Rollercoaster
Will Stratton – Who Will
Nick Drake – Place to Be
Tim Buckley – Sing A Song For You
Devendra Banhart – Now That I Know
Bob Dylan – If you See Her Say Hello

aperta o play!

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#musicmonday: The Heligoats

Quando você vive de música – ou praticamente a faz parte de seu ganha-pão – começar a adotar hábitos estranhos faz parte mais do que natural da equação. Veja o meu caso, por exemplo: passo um bocado de tempo conhecendo uma nova banda (e por conhecer, entenda ouvir uma mesma faixa incessantemente), paro para ouvir coisas mais Grammy como Adele ou Estelle (normalmente na época do Grammy) e, quando me vejo por si, estou de novo riscando o fundo da estranheza indie.

Na última destas, saí com uma verdadeira paixão debaixo dos braços: o álbum “Goodness Grace” (2010), do The Heligoats. Não deixe o plural enganar vocês aqui: Heligoats é o projeto solo de Chris Otepka, vocalista da genial e afiada banda indie rock Troubled Hubble, de Illinois. Otepka traz suas fantásticas letras nonsense, mistura com um violão que faz as vezes de Ukulele e organiza uma bagunça sensorial que, como sua própria pessoal, é estranha demais para não ser incrível.

Separei algumas poucas faixas que vem me inspirando recentemente. Quem sabe, por uma mítica coincidência do destino, algum de vocês também não encontre uma ou outra coisa para amar neste inusitado trabalho.

Sabe como é, a gente meio que escreve para isso.

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Notas sinceras

A banda JudeAirplane, de São Carlos, leva um estilo alternativo com letras que falam sobre fé, provando que é possível, sim, fazer música cristã de qualidade e diferente

As músicas trazem um ritmo gostoso, que lembra o alternativo, indie e até o ska. São boas para acompanharam tanto uma manhã tranquila, quanto um dia corrido. Ao prestar atenção na letra, parece que sai da alma do músico, o som parece ser a nota que transmite a vida dele.

E ele fala muito de “fé”, mas de uma forma humana. É como compartilhar o que acredita, de forma sincera e íntima. Mesmo com seu tom espiritual, não é música tradicional do louvor cristão, nem aqueles clichês gospel que, por mais que possam ser feitos com o coração, são repetitivos. JudeAirplane é a fé cantada com sinceridade e inovação. Eles cobrem uma lacuna da música contemporânea tanto no estilo musical, quanto nas palavras, que refletem um olhar humano e humilde sobre o cristianismo.

Alan Dias (vocal, guitarra e o responsável pelas composições), Davi Aono (baixo e vocal) e Israel Aono (bateria e backvocal) se conhecem há mais ou menos 15 anos. Na adolescência, Alan e Davi tinham uma banda que Israel sempre acompanhava e apoiava. “Após o término [desta banda] eu, que era somente guitarra solo, e o Davi, o primeiro vocal e violão, continuamos ainda pra matar o tempo e a vontade de tocar, pois crescemos com isso”, conta Alan. Logo Israel passou a acompanhar a dupla na bateria e, com o tempo, formaram um novo grupo. “Decidimos que o Davi seria o novo baixista e, sinceramente, foi a melhor decisão”, lembra o vocalista, que assumiu este posto de surpresa. “Devagar tentava encaixar essa minha voz – estranha – nas nossas músicas.”

Há pouco mais de um ano na estrada, JudeAirplane já lançou seu EP Um no MySpace. As tiragens físicas são vendidas por dez reais depois dos shows. A gravação, corrida e conciliada entre o estudo e o trabalho dos meninos, juntou as primeiras músicas do trio. “Elas trazem lembranças boas, lembranças de como era difícil fazer algo diferente, lembrança de como foi bom passar por certas coisas”, conta o compositor, Alan.

Ainda sozinho nas letras, o vocalista espera poder contar um dia com seus amigos. “Escrevo desde os 11 anos, já fui ajudado em algumas músicas pelo Israel e Davi. Mas espero um dia letras inteiras, seria interessante, conheço a capacidade deles.” O agregado da banda, Gabriel, já estava presente no teclado e trompete, mas o álbum leva também outros instrumentos, que trazem diversidade e variedade às músicas. E eles não param: “logo logo vai chegar o EP 2, acho que essa experiência amadureceu um pouco a gente e vamos fazer melhor”.

Nas influências, os músicos contam com muita qualidade e quantidade, incluindo Elvis para todos. A variedade de gostos talvez explique a dificuldade que até eles tem para definir seu som. “Hoje em dia tudo que é diferente é influência, tudo que renova e evolui a música”, tenta explicar Alan. Falando em estilos musicais, o trio vai além do que se usa atualmente para denominar as músicas ligadas ao cristianismo. “Com certeza não estamos muito encaixados no padrão atual de artistas gospel”, afirma Israel. “Não gosto de todas as bandas gospel, assim como não gosto de muitas não-gospel. [Mas] tem muita banda cristã aí me surpreendendo, com letras e mensagens que realmente me inspiram”, diz Alan que, como Davi lembra, fala do grupo Crombie. Davi ainda menciona da banda Palavrantiga, que Israel também destaca.

Fé e arte é uma dupla natural para JudeAirplane. Alan, o “cara das ideias”, como define o baixista, explica: “Arte, pra mim, é onde tem alguma música boa, várias luzes, muitas cores ou esses três juntos. E, por final, tem uma simples mensagem em meio a tudo isso. A fé é uma arte, ou se torna uma arte talvez. Acreditar no que você não vê e cantar sobre isso, fazer o possível pra construir um processo criativo e atrativo pra mostrar uma simples mensagem, pra mostrar no que temos fé, é uma arte.”

Esta arte da banda leva a bandeira da fé deles. “Devemos utilizar tudo o que temos e sabemos fazer para expressar a nossa fé, e a arte é isso mesmo!”, se empolga o baterista Israel. “Pra mim viver é uma grande oportunidade que Deus me deu, e mostrar que essa oportunidade não foi em vão é o meu propósito”, explica Davi. “E pra levar isso pra música só com inspiração.”

Nos planos futuros dos rapazes, está viver da música. E, conta Davi, “continuar com o projeto, sempre inovando, sempre descobrindo coisas novas”. Virão para shows? “São Paulo? Claro.” Israel já lembra a próxima data: “Temos um evento agendado para o dia 14/08, o LOVE2010 no Carioca Club”. O evento, um festival de música que tem por objetivo “promover o Amor através da arte”, é do LOVE7, um projeto idealizado por Rafael Amaral, que também cuida da carreira do JudeAirplane. Ao lado do trio, também tocará o americano Shawn MacDonald, a banda Palavrantiga e o Crombie. “Esperamos que seja o primeiro [festival] de vários”, se anima Israel, que, junto com seus amigos, ainda tem muito caminho pela frente.

Ganhe o CD do Apanhador Só

Para ganhar o álbum do Apanhador Só autografado é só twitter o trecho de qualquer música deles com o link “http://migre.me/E924” no final do tweet

Peça única

Boas metáforas e figuras divertidas aparecem nas letras do disco homônimo da banda gaúcha Apanhador Só, lançado em abril [conheça a banda]. A qualidade das composições, diferentes, bem amarradas, delicadas e com ótimas sacadas, é bem acompanhada pelo som, trazendo unidade e diversidade em todo o álbum de Alexandre Kumpinski, Felipe Zancanaro, Fernão Agra e Martin Estevez.

O quarteto toca o rock, trilha típica do cenário de Porto Alegre, e a MPB, uma mistura não inovadora, mas em um resultado único. Cada integrante leva sua história, que, juntas, são bem costuradas no produto final. Os pontos certos estão desde a guitarra em ”Peixeiro” e “Nescafé”, até o baixo em “Maria Augusta”, uma das faixas mais antigas e divertidas. A percussão feita pela amiga e ex-integrante Carina Levitan adiciona à receita diversão e variedade, destacando ainda mais. Outros detalhes também marcam o álbum, como o tango em “Balão de Vira Mundo”.

Ser clichê não é com eles. “Bem me leve” é no feminino e “Porta-Retrato” conta com Estevão Bertoni, do Bazar Pamplona. A canção “Vila do 1/2 Dia” traz um ritmo divertido e grudento (laiá, laiá, laiá…), mas nem por isso possui uma letra feliz. Já em “Prédio”, single destacado pela Rolling Stone, o ritmo acompanha, em alguns momentos, até o significado da letra, de forma criativa.

O Apanhador Só disponibiliza todas as músicas para download, e não é por isso que o CD físico vai ser menos cogitado. Pelo contrário, ganhou uma atenção especial. O projeto gráfico, de Rafael Rocha, é bem bolado e bonito. As letras das músicas estão na caligrafia de parcerias, amigos, produtor e outros que acompanharam o álbum pelos dois anos que levou para ficar pronto. Até o momento, um dos melhores discos nacionais de 2010.

Sorteio do álbum

Para ganhar o seu álbum autografado basta twittar o trecho de qualquer canção do Apanhador Só (para isso, baixe o álbum aqui ou escute o som aqui), mencionando, no final do tweet, o seguinte link: http://migre.me/E924 . [Quem não mencionar o link completo, nem entra no critério de sorteio!] Aproveite e siga @vitroleiros e @apanhador_so para que a gente possa enviar uma DM avisando do resultado do sorteio! O sorteio acontecerá dia 25 de maio, dois dias antes do próximo show deles em São Paulo (27/05, SESC Santana).

Vencedor

O grande vencedor foi @IsraelGChan, como vocês podem conferir no link http://sorteie.me/mB4. Parabéns!

Pulando bem alto

A banda de indie rock Nevilton, em turnê pelo Nordeste, anima qualquer um no palco. Acabaram de lançar um EP e logo mais tem um CD por aí

Nevilton de Alencar tocava em bares e compunha sozinho. Em Umuarama, no Paraná, ele cresceu com aquela vida mais calma, de interior, onde tocava violão em qualquer banco e tinha jardim (ouça “Nas Esquinas de Umuarama”, part. Luanna Bellini). Um dia ele e seu violão tocaram antes do show da banda de Lobão, o baixista Tiago Inforzato. A identificação foi rápida e logo montaram a banda Superlego. Com o grupo, começaram a tocar o que era deles mesmos, “a gente começou a querer fazer música autoral, antes tocávamos música de todo mundo”. Isso foi em 2005, e na época a empreitada não deu certo.

Do interior para o centro do mundo de entretenimento, Nevilton e Lobão seguiram para Los Angeles em 2007. “A gente foi lá para viver mesmo e tentar tocar lá”, conta o vocalista e guitarrista com voz engripada de uma noite de viagem, na tarde antes do show de abril na Livraria da Esquina. Tocaram em tudo quanto é lugar e aprenderam como funciona a indústria musical americana. O músico de 22 anos e seu companheiro aprenderam. “A questão é que do entretenimento lá é mais organizado, pode ser uma grande escola. Trouxemos decisões de foco e meta e do que fazer com a banda, gravar, divulgar… Isso a gente teve lá vendo outras bandas que nem ouvíamos falar aqui no Brasil e lá são super estruturadas, isso fez nossa cabeça.”

De cabeça feita, voltaram para o Brasil, e para o interior, com status de artistas: “O grande estalo foi isso de viver a vida inteira no interior e ter o choque de, do nada, ir para Los Angeles, onde a cidade serve arte e entretenimento. Lá minha cabeça virou algo assim, começou a pensar em arte.”

Como um trio, tocaram com Fernando Livoni até agosto de 2009. A banda começou a tocar cada vez mais ao vivo, os shows foram se formando o que é a cara deles, e a identidade se firmando. Fernando, cheio de responsabilidades, achou melhor sair do grupo e, no lugar dele, entrou Éder Chapolla, que pegou rápido o ritmo e hoje logo se vê o quanto entrosa com o som do Nevilton. A banda ficou com este nome mesmo, o do vocalista e compositor, pois a maioria das músicas estava sob o nome dele e, caso desse errado, ele queria continuar a tocar.

Tocar, por sinal, parece que é o que eles mais fazem. Ao ouvir o MySpace e as demos surge um som mais limpo, um indie rock abrasileirado, criativo e bem feito. Ao vivo a pegada é outra, mas sem perder a qualidade. Eles vestem os instrumentos, brincam, pulam, entrosam entre si. No palco, Nevilton toma vida e vira um rock cheio de vontade e diversão, no estilo bem dançante. Eles correm atrás dos festivais, e assim foi como chegaram, por sinal, no Fora do Eixo. “A gente sempre mandava as primeiras gravações pra tocar em algum festival. Quando começaram a chamar, a gente foi de cabeça”, conta Nevilton.

Se ano passado já tocaram bastante a ponto de ficaram em segundo lugar, atrás da Móveis Coloniais de Acaju, no site Scream & Yell, este ano irão além. A rotina de shows está completa, e agora partiram para uma turnê no nordeste, para a qual “prepararam” um pout-pourri de “forró agressivo”, músicas brasileiras na versão roqueira deles.

O sucesso rápido levou a banda a aparecer na Rolling Stone em fevereiro. Perguntado se as apresentações são o que dão mais sucesso à banda, Nevilton entrega a fórmula, que vai além do palco. “O segredo na verdade é sempre ter material pra apresentar pra turma e fazer de tudo que pode pra divulgar, internet, muitas apresentações, passar pra pessoas que podem falar pra outras, no boca a boca mesmo.”

Com o sucesso e o lançamento logo mais do CD De Verdade, uma extensão do EP Pressuposto, recém-lançado, podem esperar que o Nevilton ainda voltará muitas vezes pra metrópole paulistana, a qual o vocalista não entende muito bem… “São Paulo é um negócio muito maluco, não sei como consegue pensar direito, é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo”, afirma, mas pisa na loucura dia 30 de abril na Casa Dissenso.

Vote neles na Levi’s Music e confira os próximos shows da turnê nordestina:

15/04 Campina Grande, Paraíba – Bronx Bar
16/04 João Pessoa, Paraíba – Espaço Mundo
17/04 Recife, Pernambuco – Abril pro rock
18/04 Maceió, Alagoas – Praia de Jatiuca
19/04 Aracaju, Sergipe – Rua da Cultura, Rede Música
20/04 Salvador , Bahia – Boomerangue
21/04 Feira de Santana, Bahia – Botekim Tematic bar
23/04 Vitória da Conquista, Bahia – Teatro Carlos Jehovah

Lulilândia no SESC

Nesta última quinta-feira (21/01), o SESC Vila Mariana teve uma noite de puro Folk nacional com o show da cantora recifense Lulina. Nova nas paradas de sucesso – e bem familiar para qualquer um que acompanhe o cenário Indie paulistano a fundo – a simpática vocal comemorou sua primeira apresentação em um SESC, assim como seu primeiro show do ano. Como não poderia deixar de ser, convocamos das trincheiras vitroleiras Leonardo Ávila e Clara Camargo para contar em mais detalhes a experiência do show. Confira!

Clara Camargo

Ontem de manhã vi no jornal o anúncio do show “Lulina no SESC Vila Mariana”. Nem pisquei e já decidi: “Eu vou”. Afinal sou fã incondicional e há uns bons meses não apreciava o som lulínico.

No corre-corre, sob um céu negro e tempestuoso, Leonardo e eu chegamos lá para comprar os ingressos 20 minutos antes de o show começar. Hello! Lulina é pura fama e obviamente os ingressos já haviam esgotado. O que fazer? Usar o poder do magnetismo jornalístico, é claro! Conversamos com o porteiro, com o moço da bilheteria, com a organizadora do evento no SESC, com a produção do evento, telefonamos até para a própria Luciana Lins (o nome mesmo da Lulina) e nada. Quando de repente, ilustremente sai do elevador o Leo Monstro, braço direito da nossa cantora recifense – Monstro espreme sons distorcidos dos teclados e faz o backing vocal, além de ajudar Lulina a compor muitas de suas canções. Mais do que logo, corremos e cumprimentamos o músico, conhecido nosso de uma tarde de ensaios da Lulina que tivemos a oportunidade de acompanhar, antes do lançamento do disco “Cristalina”. E ele nos salvou com dois ingressos que guardava como reserva, caso alguém aparecesse de última hora, justinhos para a nossa entrada. Eram nossos. Agarramos os bilhetes e asseadamente sentamos na terceira fileira do auditório, que aguardava ansioso.

Com uma espécie de jardineira-shorts preto (meu [não]conhecimento em moda me limita a uma descrição mais precisa), entrou nossa querida Lulina, tímida, porem sorridente, cantando “Nós”, segunda faixa do “Cristalina”. Seguiu com mais meia dúzia de canções, até chegar na “Balada do Paulista”, momento de maior empolgação dos amigos e fãs. Esta música ficou entre as 50 melhores do ano de 2009, segundo a Rolling Stone, como o CD Cristalina, que conseguiu um lugar merecido no ranking dos 50 melhores discos do ano.

Quem não sabia, descobriu que o Sangue de ET tem poder, que criar minhocas é um negócio lucrativo, além de vislumbrar uma fração cristalina e límpida da Lulilândia, que ainda tem muito a ser explorada. Para mim só faltou tocar Blebs e Birigui, as duas canções-poesia que mais me divertem no mundo da nossa amiga Lulina.

Consegui o último exemplar da noite do “Cristalina”, e ainda recebemos um convite para tomar um café com Lulina. Até coloquei aqui a mensagem que revela o que todos já imaginavam: somos garotas abduzidas.

Leonardo Ávila

Minha colega já fez questão de relatar nossa pequena aventura pessoal – acredite, a tensão de se chegar numa noite de evento enquanto uma chuva cai pesada lá fora só para descobrir que não temos vagas tem uma carga melodramática digna de qualquer literatura russa que se preze. O que vou dissecar aqui é algo um pouco mais voltado para minha impressão técnica do show. Conheço a voz da Lulina boa parte devido à uma ou outra tarde com a Clara trocando casuais playlists, há coisa de, digamos, dois anos atrás. O que me atraiu nessa irreverente nordestina estava justamente no teor de suas letras: um humor salpicado por gordas doses de nonsense e ingenuidade. Um fundo instrumental tímido, mas afiado, completava o pacote, e imprimia no trabalho de Lulina algo de extremamente pessoal. Personalidade é também o que acaba me atraindo para qualquer música Folk. Pude vê-la em pessoa poucas vezes, mas foi em sua apresentação na Vila Mariana que mais me identifiquei com seu som.

Veja bem, pode soar bizarro para alguns, mas a comparação entre Lulina e Mallu Magalhães é bem comum por aí, e nada deixa a cantora mais inquieta. E ela tem toda razão, afinal Lulina está para Mallu assim como que, digamos, Janis Joplin está para Joan Jett. A recifense usa e abusa de tons menores, polarizados por uma cadência levemente mais acelerada e de maior ataque. O som é complementado com o que mais se assemelha ao blip-blop 8-Bit que sai dos teclados loucos de seu companheiro de viagens, Leo Monstro. A seleção musical foi bem variada, incluindo variantes de Folk Rock e até um samba no final, com o qual Lulina fez questão de agitar o público paulistano que, acostumado a tardes de ócio, cigarros e à porcaria do James Joyce, não arriscou sequer uma rebolada (juro que vi a Clara mexendo levemente os quadris em cima da cadeira em certo ponto, mas talvez tenha sido impressão minha. Não podíamos entregar o garbo jornalístico assim de bandeira,não é?) . Enquanto ajustava a lapela da minha camisa, as metâforas de sua canções não deixavam de esquentar um pouco meu coração. Juro, é o tipo de coisa que te arranca um sorrisso sem querer.

No final fomos dar um alô do tipo “velha amizade” para a Lulina, conhecidos que somos depois de uma sessão de perguntas, café e pão de queijo. A timidez e surpresa com o qual ela nos recebeu, antes de uma conversa de alguns minutos, parecia ser o fac-símile exato de sua linguagem musical, a Lulilândia feita sólida nos gestos inconfundíveis de sua ditadora alegre.

(Fiquem ligados, quem comparecer em futuros show da cantora não deve se esqueçer de levar imprimido o Passaporte de Lulilândia – disponível no site oficial – que, preenchido, pode servir para concorrer à prêmios exclusivos da banda.)

Saiba mais sobre Lulina em:

http://lulilandia.wordpress.com (blog da cantora)

http://www.lulilandia.com.br (site oficial)

O rock de Wry

Eu sei, eu geralmente falo sobre novidades – mas dessa vez eu vou falhar com vocês. Nem tanto: a banda não é novidade (está no cenário independente desde 1994), mas a volta deles pro Brasil é recente. Tô falando do Wry (é, o título “azedinhos” é um trocadilho infeliz), um grupo sorocabano de rock alternativo da melhor qualidade que, dos 14 anos na estrada, passou sete em Londres – mas diz que agora voltou pra ficar.

wry2

Formada por Mario Bross, Luciano Marcello, Renato Bizar e W27, Wry é toda “ciências, sonhos e memórias” – pelo menos é isso que diz o Myspace da banda. Seu último LP, “Flames in the Head”, foi produzido por Tim Wheeler (vocalista da banda irlandesa Ash) e Gordon Raphael (produtor dos dois primeiros álbuns dos Strokes) e fechou a turnê de 2006, no Brasil, com a apresentação no desfile da grife Ellus (SPFW) tocando ao vivo sob a direção de Bia Lessa.


Na passarela.

Na bagagem, três álbuns: “She Science”, cuja turnê de divulgação estreou no Studio SP e vai percorrer boa parte dos estados brasileiros, “The long-term memory of an experience” e “National Indie Hits”. Os três lançamentos acontecerão esse ano  - o que garante uma agenda bem movimentada. No começo de julho, saiu o novo clipe “Dois Corações e O Sol”.


Eu só quero saber quando você vem me ver

Wry é viciante. Em português, em inglês… Viciante. Tente colocar pra tocar enquanto cumpre as obrigações: faz a vida parecer ainda mais um filme/seriado, com direito a momentos em que você simplesmente parece estar olhando pra ela de cima. “Different From Me”, como definiu a Rolling Stone, é digna de se ouvir em loop.

Dá pra acompanhar a banda pelo blog WryNow – e quase todas as músicas estão disponíveis para download no TramaVirtual. A agenda deles tá aqui embaixo, que é pra vocês poderem correr quando estiverem por perto. (Essa sexta, inclusive, tem Studio SP! Vamos?)

AGENDA -WRY
17 jul 2009 22:00
StudioSP Sao Paulo, São Paulo
8 ago 2009 22:00
Groselha Fuzz @ Bronze Ribeirão Preto, São Paulo
13 ago 2009 21:00
A Obra Belo Horizonte, Minas Gerais
15 ago 2009 22:00
BDZ Campinas, São Paulo
29 ago 2009 20:00
Sorocaba Clube Sorocaba, São Paulo
4 set 2009 22:00
Proibido Divulgar Proibido Divulgar, São Paulo
5 set 2009 22:00
Studio Eleven Franca, São Paulo
26 set 2009 22:00
Tribo’s Maringá, Paraná

Jennifer Lo-Fi

jenniferlofi

Sabine Holler, Filipe “Miu”, Caio Freitas e Luccas Vilella se conheceram no Myspace, cada um trilhando um caminho solo na música. Daí, em 2008, decidiram unir-se num projeto só. Em sua bagagem musical, influências como Cat Power, The Mars Volta, Belle & Sebastian, Sigur Ros e Sonic Youth. "I’m illogical but lovable", diz a voz doce de Sabine em "Michael Caine" – música que, com o apoio da Levi’s Music e direção de Thais Denardi, acaba de receber videoclipe oficial.

A primeira vez em que ouvi falar de Jennifer Lo-Fi, estava na Campus Party, conversando com o Mário (sem piadinhas, ok?), enquanto ele transmitia a premiação do Best Blogs Brasil no streaming oficial do evento. Foi lance rápido, eu estava querendo ver o blogueiro panaca da novela das nove focada na gravação, nem rolou muita curiosidade. Uns dois dias depois, só Deus sabe como (a internet é um ovinho de codorna, sabiamente me disse o Inagaki um dia desses), conheci a Munique Lima no Flickr e lá estava a tal de Jennifer Lo-Fi em seu álbum, de novo. Poxa, como assim, comofas? Duas citações numa semana foram o suficiente pra me atiçar loucamente a lombriga da curiosidade – e eu corri pro Myspace da banda. Aliás, coisa que eu acho que você também deveria fazer agoooora.

Por quê? Porque seu som é uma delícia. Assim, "uma delícia", na maior. E olha que eu não sou de usar esse tipo de adjetivo na hora de falar de música. Indiezinho gostoso pra ouvir fazendo algo que goste – especialmente numa tarde de feriado como a de hoje :D . E o melhor? Toda quinta-feira, às 20h, tem Web show! É, é só entrar no USTREAM da banda e curtir. Aliás, se você participar do chat na hora do show, pode ajudar a escolher o repertório.

Vamos combinar? Ouve e depois me conta o que achou! ;)

You. Who? Her!

uh-huh-her

Desculpem o trocadilho. Eu estou falando da banda nova yorkina Uh Huh Her, formada por Camila Grey (baixo, guitarra e vocal) e Leisha Hailey (teclado e vocal) no início de 2007. O electropop indie tocado pela banda soa muito familiar no primeiro álbum, denominado Common Reaction, lançado em agosto de 2008 pela Nettwerk Records. As influências do som do Uh Huh her passam por David Bowie e The Cure,  com a melancolia do Radiohead acompanhando alguns momentos das composições e refrões a la The Smiths. O nome “Uh Huh Her” foi inspirado pelo álbum de mesmo nome, da cantora PJ Harvey, lançado em 2004.

Leisha Hailey foi integrante do grupo The Murmurs, mais tarde chamado Gush e abandonou a música por um tempo para estrelar na série The L Word, do Showtime, como a personagem Alice Pieszecki, uma jornalista bissexual. Camila Grey foi baixista e tecladista da cantora Kelly Ousbourne, Melissa Auf der Maur e outros músicos, além de ser ex-integrante da banda de rock Mellowdrone. Inicialmente o Uh Huh Her tinha três integrantes, sendo Alicia Warrington a baterista, que  deixou a banda antes do lançamento do clipe Not a Love Song.

Sons parecidos: Tegan and Sara, Kinnie Starr, The Organ, An Horse, Télépopmusik, Metric.

Destaques do Álbum Commom Reaction: Say So, Wait Another Day, Not a Love Song e Common Reaction.

Confira no youtube e ouça no myspace.

Listen to Uh Huh Her.