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Notas sinceras

Posted on 06 July 2010 by Jessica Grant

A banda JudeAirplane, de São Carlos, leva um estilo alternativo com letras que falam sobre fé, provando que é possível, sim, fazer música cristã de qualidade e diferente

As músicas trazem um ritmo gostoso, que lembra o alternativo, indie e até o ska. São boas para acompanharam tanto uma manhã tranquila, quanto um dia corrido. Ao prestar atenção na letra, parece que sai da alma do músico, o som parece ser a nota que transmite a vida dele.

E ele fala muito de “fé”, mas de uma forma humana. É como compartilhar o que acredita, de forma sincera e íntima. Mesmo com seu tom espiritual, não é música tradicional do louvor cristão, nem aqueles clichês gospel que, por mais que possam ser feitos com o coração, são repetitivos. JudeAirplane é a fé cantada com sinceridade e inovação. Eles cobrem uma lacuna da música contemporânea tanto no estilo musical, quanto nas palavras, que refletem um olhar humano e humilde sobre o cristianismo.

Alan Dias (vocal, guitarra e o responsável pelas composições), Davi Aono (baixo e vocal) e Israel Aono (bateria e backvocal) se conhecem há mais ou menos 15 anos. Na adolescência, Alan e Davi tinham uma banda que Israel sempre acompanhava e apoiava. “Após o término [desta banda] eu, que era somente guitarra solo, e o Davi, o primeiro vocal e violão, continuamos ainda pra matar o tempo e a vontade de tocar, pois crescemos com isso”, conta Alan. Logo Israel passou a acompanhar a dupla na bateria e, com o tempo, formaram um novo grupo. “Decidimos que o Davi seria o novo baixista e, sinceramente, foi a melhor decisão”, lembra o vocalista, que assumiu este posto de surpresa. “Devagar tentava encaixar essa minha voz – estranha – nas nossas músicas.”

Há pouco mais de um ano na estrada, JudeAirplane já lançou seu EP Um no MySpace. As tiragens físicas são vendidas por dez reais depois dos shows. A gravação, corrida e conciliada entre o estudo e o trabalho dos meninos, juntou as primeiras músicas do trio. “Elas trazem lembranças boas, lembranças de como era difícil fazer algo diferente, lembrança de como foi bom passar por certas coisas”, conta o compositor, Alan.

Ainda sozinho nas letras, o vocalista espera poder contar um dia com seus amigos. “Escrevo desde os 11 anos, já fui ajudado em algumas músicas pelo Israel e Davi. Mas espero um dia letras inteiras, seria interessante, conheço a capacidade deles.” O agregado da banda, Gabriel, já estava presente no teclado e trompete, mas o álbum leva também outros instrumentos, que trazem diversidade e variedade às músicas. E eles não param: “logo logo vai chegar o EP 2, acho que essa experiência amadureceu um pouco a gente e vamos fazer melhor”.

Nas influências, os músicos contam com muita qualidade e quantidade, incluindo Elvis para todos. A variedade de gostos talvez explique a dificuldade que até eles tem para definir seu som. “Hoje em dia tudo que é diferente é influência, tudo que renova e evolui a música”, tenta explicar Alan. Falando em estilos musicais, o trio vai além do que se usa atualmente para denominar as músicas ligadas ao cristianismo. “Com certeza não estamos muito encaixados no padrão atual de artistas gospel”, afirma Israel. “Não gosto de todas as bandas gospel, assim como não gosto de muitas não-gospel. [Mas] tem muita banda cristã aí me surpreendendo, com letras e mensagens que realmente me inspiram”, diz Alan que, como Davi lembra, fala do grupo Crombie. Davi ainda menciona da banda Palavrantiga, que Israel também destaca.

Fé e arte é uma dupla natural para JudeAirplane. Alan, o “cara das ideias”, como define o baixista, explica: “Arte, pra mim, é onde tem alguma música boa, várias luzes, muitas cores ou esses três juntos. E, por final, tem uma simples mensagem em meio a tudo isso. A fé é uma arte, ou se torna uma arte talvez. Acreditar no que você não vê e cantar sobre isso, fazer o possível pra construir um processo criativo e atrativo pra mostrar uma simples mensagem, pra mostrar no que temos fé, é uma arte.”

Esta arte da banda leva a bandeira da fé deles. “Devemos utilizar tudo o que temos e sabemos fazer para expressar a nossa fé, e a arte é isso mesmo!”, se empolga o baterista Israel. “Pra mim viver é uma grande oportunidade que Deus me deu, e mostrar que essa oportunidade não foi em vão é o meu propósito”, explica Davi. “E pra levar isso pra música só com inspiração.”

Nos planos futuros dos rapazes, está viver da música. E, conta Davi, “continuar com o projeto, sempre inovando, sempre descobrindo coisas novas”. Virão para shows? “São Paulo? Claro.” Israel já lembra a próxima data: “Temos um evento agendado para o dia 14/08, o LOVE2010 no Carioca Club”. O evento, um festival de música que tem por objetivo “promover o Amor através da arte”, é do LOVE7, um projeto idealizado por Rafael Amaral, que também cuida da carreira do JudeAirplane. Ao lado do trio, também tocará o americano Shawn MacDonald, a banda Palavrantiga e o Crombie. “Esperamos que seja o primeiro [festival] de vários”, se anima Israel, que, junto com seus amigos, ainda tem muito caminho pela frente.

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Ganhe o CD do Apanhador Só

Posted on 12 May 2010 by Jessica Grant

Para ganhar o álbum do Apanhador Só autografado é só twitter o trecho de qualquer música deles com o link “http://migre.me/E924” no final do tweet

Peça única

Boas metáforas e figuras divertidas aparecem nas letras do disco homônimo da banda gaúcha Apanhador Só, lançado em abril [conheça a banda]. A qualidade das composições, diferentes, bem amarradas, delicadas e com ótimas sacadas, é bem acompanhada pelo som, trazendo unidade e diversidade em todo o álbum de Alexandre Kumpinski, Felipe Zancanaro, Fernão Agra e Martin Estevez.

O quarteto toca o rock, trilha típica do cenário de Porto Alegre, e a MPB, uma mistura não inovadora, mas em um resultado único. Cada integrante leva sua história, que, juntas, são bem costuradas no produto final. Os pontos certos estão desde a guitarra em ”Peixeiro” e “Nescafé”, até o baixo em “Maria Augusta”, uma das faixas mais antigas e divertidas. A percussão feita pela amiga e ex-integrante Carina Levitan adiciona à receita diversão e variedade, destacando ainda mais. Outros detalhes também marcam o álbum, como o tango em “Balão de Vira Mundo”.

Ser clichê não é com eles. “Bem me leve” é no feminino e “Porta-Retrato” conta com Estevão Bertoni, do Bazar Pamplona. A canção “Vila do 1/2 Dia” traz um ritmo divertido e grudento (laiá, laiá, laiá…), mas nem por isso possui uma letra feliz. Já em “Prédio”, single destacado pela Rolling Stone, o ritmo acompanha, em alguns momentos, até o significado da letra, de forma criativa.

O Apanhador Só disponibiliza todas as músicas para download, e não é por isso que o CD físico vai ser menos cogitado. Pelo contrário, ganhou uma atenção especial. O projeto gráfico, de Rafael Rocha, é bem bolado e bonito. As letras das músicas estão na caligrafia de parcerias, amigos, produtor e outros que acompanharam o álbum pelos dois anos que levou para ficar pronto. Até o momento, um dos melhores discos nacionais de 2010.

Sorteio do álbum

Para ganhar o seu álbum autografado basta twittar o trecho de qualquer canção do Apanhador Só (para isso, baixe o álbum aqui ou escute o som aqui), mencionando, no final do tweet, o seguinte link: http://migre.me/E924 . [Quem não mencionar o link completo, nem entra no critério de sorteio!] Aproveite e siga @vitroleiros e @apanhador_so para que a gente possa enviar uma DM avisando do resultado do sorteio! O sorteio acontecerá dia 25 de maio, dois dias antes do próximo show deles em São Paulo (27/05, SESC Santana).

Vencedor

O grande vencedor foi @IsraelGChan, como vocês podem conferir no link http://sorteie.me/mB4. Parabéns!

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Pulando bem alto

Posted on 15 April 2010 by Jessica Grant

A banda de indie rock Nevilton, em turnê pelo Nordeste, anima qualquer um no palco. Acabaram de lançar um EP e logo mais tem um CD por aí

Nevilton de Alencar tocava em bares e compunha sozinho. Em Umuarama, no Paraná, ele cresceu com aquela vida mais calma, de interior, onde tocava violão em qualquer banco e tinha jardim (ouça “Nas Esquinas de Umuarama”, part. Luanna Bellini). Um dia ele e seu violão tocaram antes do show da banda de Lobão, o baixista Tiago Inforzato. A identificação foi rápida e logo montaram a banda Superlego. Com o grupo, começaram a tocar o que era deles mesmos, “a gente começou a querer fazer música autoral, antes tocávamos música de todo mundo”. Isso foi em 2005, e na época a empreitada não deu certo.

Do interior para o centro do mundo de entretenimento, Nevilton e Lobão seguiram para Los Angeles em 2007. “A gente foi lá para viver mesmo e tentar tocar lá”, conta o vocalista e guitarrista com voz engripada de uma noite de viagem, na tarde antes do show de abril na Livraria da Esquina. Tocaram em tudo quanto é lugar e aprenderam como funciona a indústria musical americana. O músico de 22 anos e seu companheiro aprenderam. “A questão é que do entretenimento lá é mais organizado, pode ser uma grande escola. Trouxemos decisões de foco e meta e do que fazer com a banda, gravar, divulgar… Isso a gente teve lá vendo outras bandas que nem ouvíamos falar aqui no Brasil e lá são super estruturadas, isso fez nossa cabeça.”

De cabeça feita, voltaram para o Brasil, e para o interior, com status de artistas: “O grande estalo foi isso de viver a vida inteira no interior e ter o choque de, do nada, ir para Los Angeles, onde a cidade serve arte e entretenimento. Lá minha cabeça virou algo assim, começou a pensar em arte.”

Como um trio, tocaram com Fernando Livoni até agosto de 2009. A banda começou a tocar cada vez mais ao vivo, os shows foram se formando o que é a cara deles, e a identidade se firmando. Fernando, cheio de responsabilidades, achou melhor sair do grupo e, no lugar dele, entrou Éder Chapolla, que pegou rápido o ritmo e hoje logo se vê o quanto entrosa com o som do Nevilton. A banda ficou com este nome mesmo, o do vocalista e compositor, pois a maioria das músicas estava sob o nome dele e, caso desse errado, ele queria continuar a tocar.

Tocar, por sinal, parece que é o que eles mais fazem. Ao ouvir o MySpace e as demos surge um som mais limpo, um indie rock abrasileirado, criativo e bem feito. Ao vivo a pegada é outra, mas sem perder a qualidade. Eles vestem os instrumentos, brincam, pulam, entrosam entre si. No palco, Nevilton toma vida e vira um rock cheio de vontade e diversão, no estilo bem dançante. Eles correm atrás dos festivais, e assim foi como chegaram, por sinal, no Fora do Eixo. “A gente sempre mandava as primeiras gravações pra tocar em algum festival. Quando começaram a chamar, a gente foi de cabeça”, conta Nevilton.

Se ano passado já tocaram bastante a ponto de ficaram em segundo lugar, atrás da Móveis Coloniais de Acaju, no site Scream & Yell, este ano irão além. A rotina de shows está completa, e agora partiram para uma turnê no nordeste, para a qual “prepararam” um pout-pourri de “forró agressivo”, músicas brasileiras na versão roqueira deles.

O sucesso rápido levou a banda a aparecer na Rolling Stone em fevereiro. Perguntado se as apresentações são o que dão mais sucesso à banda, Nevilton entrega a fórmula, que vai além do palco. “O segredo na verdade é sempre ter material pra apresentar pra turma e fazer de tudo que pode pra divulgar, internet, muitas apresentações, passar pra pessoas que podem falar pra outras, no boca a boca mesmo.”

Com o sucesso e o lançamento logo mais do CD De Verdade, uma extensão do EP Pressuposto, recém-lançado, podem esperar que o Nevilton ainda voltará muitas vezes pra metrópole paulistana, a qual o vocalista não entende muito bem… “São Paulo é um negócio muito maluco, não sei como consegue pensar direito, é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo”, afirma, mas pisa na loucura dia 30 de abril na Casa Dissenso.

Vote neles na Levi’s Music e confira os próximos shows da turnê nordestina:

15/04 Campina Grande, Paraíba – Bronx Bar
16/04 João Pessoa, Paraíba – Espaço Mundo
17/04 Recife, Pernambuco – Abril pro rock
18/04 Maceió, Alagoas – Praia de Jatiuca
19/04 Aracaju, Sergipe – Rua da Cultura, Rede Música
20/04 Salvador , Bahia – Boomerangue
21/04 Feira de Santana, Bahia – Botekim Tematic bar
23/04 Vitória da Conquista, Bahia – Teatro Carlos Jehovah

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