#Lançamentos: um brinde aos tempos passados

Hoje a nossa escudeira Clara Nobre está ausente da coluna #Lançamentos, e por um motivo até bem simples. Ela – nas palavras da própria – está “dodói”. Nada mais justo então do que receitar um brinde, ou mais exatamente, O Brinde, o primeiro CD dos garotos do Hipnos. A banda é de São Carlos/ SP, o que talvez ajude a tornar familiar o som meio urbano/ meio caseiro de seu “Rock homebrew”. Hipnos é mais uma banda puxada para o Hardcore, com um som agressivo, vocal rasgado e presença de palco. Mas não se enganem, ela não é qualquer banda underground, e seu álbum nenhum simples fac-símile de outras agressivas incursões na cena. O que separa O Brinde de muitos outros CDs e trabalhos de seu gênero está no centro de sua própria motivação musical: o prazer pela vida.

Hipnos usa seu CD para passar uma música que, senão tão inovadora na técnica nua e crua, tem uma voz própria. Suas letras são pessoais e contam sobre aproveitar a vida nos bons e maus momentos, sobre superação e amizade. Os membros do grupo – Felipe Toledo no vocal, Marcos Carreri na guitarra, Rafael Neves no bateria e Mateus Mendonça no baixo – eram grandes amigos bem antes de criar sua banda. O CD em si possui 7 faixas e é a culminação de um trabalho de dois anos. Pode deixar um certo gosto de quero mais, mas vale a pena conferir o trabalho dos garotos de São Carlos. Principalmente se o que você precisa é de alguém gritando no seu ouvido que a vida é boa sim.

É possível ouvir o trabalho dos caras direto de seu Myspace – como é de praxe desse nosso admirável mundo de redes sociais. Recomendo a faixa “Em Busca do Tempo”, assim como “O Brinde”: bons exemplos de um Hardcore cozido em casa, com pitadas de Punk inglês aqui e ali. Vai te fazer se sentir um pouco melhor.

Ou menos dodói, vai saber.

Ganhe o CD do Apanhador Só

Para ganhar o álbum do Apanhador Só autografado é só twitter o trecho de qualquer música deles com o link “http://migre.me/E924” no final do tweet

Peça única

Boas metáforas e figuras divertidas aparecem nas letras do disco homônimo da banda gaúcha Apanhador Só, lançado em abril [conheça a banda]. A qualidade das composições, diferentes, bem amarradas, delicadas e com ótimas sacadas, é bem acompanhada pelo som, trazendo unidade e diversidade em todo o álbum de Alexandre Kumpinski, Felipe Zancanaro, Fernão Agra e Martin Estevez.

O quarteto toca o rock, trilha típica do cenário de Porto Alegre, e a MPB, uma mistura não inovadora, mas em um resultado único. Cada integrante leva sua história, que, juntas, são bem costuradas no produto final. Os pontos certos estão desde a guitarra em ”Peixeiro” e “Nescafé”, até o baixo em “Maria Augusta”, uma das faixas mais antigas e divertidas. A percussão feita pela amiga e ex-integrante Carina Levitan adiciona à receita diversão e variedade, destacando ainda mais. Outros detalhes também marcam o álbum, como o tango em “Balão de Vira Mundo”.

Ser clichê não é com eles. “Bem me leve” é no feminino e “Porta-Retrato” conta com Estevão Bertoni, do Bazar Pamplona. A canção “Vila do 1/2 Dia” traz um ritmo divertido e grudento (laiá, laiá, laiá…), mas nem por isso possui uma letra feliz. Já em “Prédio”, single destacado pela Rolling Stone, o ritmo acompanha, em alguns momentos, até o significado da letra, de forma criativa.

O Apanhador Só disponibiliza todas as músicas para download, e não é por isso que o CD físico vai ser menos cogitado. Pelo contrário, ganhou uma atenção especial. O projeto gráfico, de Rafael Rocha, é bem bolado e bonito. As letras das músicas estão na caligrafia de parcerias, amigos, produtor e outros que acompanharam o álbum pelos dois anos que levou para ficar pronto. Até o momento, um dos melhores discos nacionais de 2010.

Sorteio do álbum

Para ganhar o seu álbum autografado basta twittar o trecho de qualquer canção do Apanhador Só (para isso, baixe o álbum aqui ou escute o som aqui), mencionando, no final do tweet, o seguinte link: http://migre.me/E924 . [Quem não mencionar o link completo, nem entra no critério de sorteio!] Aproveite e siga @vitroleiros e @apanhador_so para que a gente possa enviar uma DM avisando do resultado do sorteio! O sorteio acontecerá dia 25 de maio, dois dias antes do próximo show deles em São Paulo (27/05, SESC Santana).

Vencedor

O grande vencedor foi @IsraelGChan, como vocês podem conferir no link http://sorteie.me/mB4. Parabéns!

Money is Money!

O que esperar de uma banda que tem a ‘destruição do rock’ no próprio nome?

“Money ? O começo e o fim de tudo”, diz Paul. Assim começou o nosso papo com a os paulistas  da Money, no último dia 25, no Centro Cultural da Juventude onde, dois anos depois do lançamento do EP “Who cares?”, a banda lança seu CD homônimo.

A platéia com poucas pessoas não desanimou o trio, que mostrou a energia de quem toca para um milhão de pessoas. Desde “Intro”, passando “Paper Scissor Rock” até “Singing in The Rain” – última música do setlist.

Em tempos de Myspace, a banda optou por lançar o CD em formato físico, embalado em digipack e com arte simples mas muito bem elaborada. Sobre o mundo da música na internet, Fran diz: “Com a internet, as bandas conseguem gravar, disponibilizar e alcançar um público maior de modo muito mais rápido que há uns 15 anos. Esse é o lado bom, mas a qualidade é prejudicada por pessoas que não levam a sério e postam qualquer coisa”. Ainda sobre as bandas que surgem na internet, Fran complementa: “Só o fato de começar com um fotolog já é errado. Uma banda começa com o som e não com foto.”.

Uma banda brasileira cantando em inglês? Paul, que morou um tempo nos Estados Unidos, responde: “Pra gente sempre foi mais natural compor em inglês. Já tentei escrever em português, mas para a sonoridade da banda as composições em inglês se encaixam melhor.”

A lista de influências do Money vai de Ramones à ACDC. Para o trio, o rock surgiu para “incomodar, gerar uma vontade destrutiva e sinceridade no limite”, contou Dom.

Fotos: Lucas Barbosa Villar

Diário de Palco: Hardcore e emocore em livro

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Existe de fato muito pouco material quando se fala em bibliografia a respeito da cena independente nacional. Aliás, além do tradicional “O que é punk”, do Antônio Bivar, não me vem a mente, assim de cor, mais nenhum livro – e, acreditem, eu já fiz longas pesquisas a respeito.

Pensando nisso, o jornalista Gustavo Pelogia escreveu o Diário de Palco. O livro agrupa 10 reportagens feitas por ele em 2008 com pessoas ligadas ao hardcore e ao emocore de São Paulo – que, querendo ou não, são hoje as principais vertentes de sucesso do rock nacional: é só observar a explosão de bandas como CPM 22, Nx Zero, Gloria e similares na mídia.

Diretamente do Bonus Track do livro

“Era tudo muito caro, e o punk aqui era muito pobre. Mas mesmo hoje, as coisas continuam assim. O emo poderia ter se organizado mais e tornado isso uma coisa mais séria.”
Felipe, da Ideal Records

“Emo pra essa galera nova é visual. Para nós era o som. Era o cara que tocava um som meio melódico e com letras de amor, mas era um cara veio, não era essa coisa style de hoje.”
Sandro, do Aditive

Francesco Coppola, Felipe Ideal, Dario Barbosa, Fausto Oi, Fabiano Nick, Sandro Luis, Sonrisal, Cuper, Capilé e Marco Badin: Esses foram os escolhidos para mostrar que esta cena nem de longe se resume ou se prende às bandas que estão no mainstream. Trechos longos de diálogos reconstroem a história de bandas, locais e personagens responsáveis por aquele que hoje é o cenário independente que tem mais visibilidade no país. Destaque para o áudio de algumas das entrevistas, disponibilizado no diariodepalco.com.br.

[Abaixo, a entrevista de Gustavo ao Acesso MTV, contando um pouquinho mais sobre o livro]

Da união MTV e Diário de Palco surgiu um blog homônimo onde Gustavo fala das novidades do Hardcore nacional. Vale conferir.

Como eu demorei consideravelmente pra terminar de ler e tomar coragem pra escrever sobre o livro, a tiragem esgotou. Mas trechos dele estão disponíveis no site oficial e o autor pretende liberá-lo para download em breve.

Pra quem curte o universo hardcore/emo, valem os cliques:
Diário de Palco
ValePunk
Hangar 110
FRecords
Idealshop
Oba! Shop