“Gotta sing!” – Um pouco sobre musicais

Musicais são musicais. Apesar de alguns afirmarem que não gostam, o fato é que este tipo de produção sempre atraiu um grande público. Sua história remonta às operas, passando ao teatro musical (alguém já ouviu falar em Broadway?), então aos filmes musicais e, principalmente, às adaptações de peças para a grande tela.

broadway

As óperas têm todo seu diálogo cantado em tons que todos nós já ouvimos algum lugar. Em cabarés, as danças começaram a surgir como apresentações. Já o teatro musical evoluiu unindo os diálogos convencionais com música e dança. As produções de maiores sucesso, quase sempre, são adaptadas – até mesmo na Índia, com Bollywood.

Mas é a Broadway, Nova Iorque, que tem lançado sempre os musicais mais elaborados. Nos palcos do Brasil (especialmente em São Paulo, no Teatro Abril, por exemplo) o público pôde conhecer destes “Os Miseráveis”, “A Bela e a Fera”, “Chicago”, “Miss Saigon”, “O Fantasma da Ópera”, “Noviça Rebelde”, “My Fair Lady”, “The West Side Story”, “Cats”, “Os Produtores”, entre outros.

thejazzsinger

Já na telona a história é diferente. Os primeiros filmes, mudos, eram acompanhados de música. Normalmente algum pianista tocava no mesmo instante da exibição. A música não era realmente parte da sétima arte. Mas foi com a tecnologia sonora que os musicais filmados tiveram espaço. E mal surgiu a possibilidade de um filme falado, logo veio um musical.

O primeiro “talking-movie” saiu em 1927, “The Jazz Singer”. Ainda em preto e branco, o primeiro filme com falas já foi um musical, como se estivesse prevendo a maior utilidade do som junto com as imagens.

Nem todas as cenas eram faladas, a primeira aparece aos dezessete minutos (e está desabilitada no You Tube…). Mas o filme marcou uma nova era para o cinema, embora os estúdios tenham demorado a entrar no ritmo.

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No mesmo ano, 1927, passa a história do considerado, por Roger Ebert, o maior musical que Hollywood já produziu. Uma das adaptações mais famosas, “Cantando na Chuva” (Singin’in the Rain), demonstra um pouquinho de história também. O longa-metragem dos anos cinqüenta fala dos primeiros filmes com som, advento que fez possível a existência de musicais como ele mesmo. A metalinguagem é um dos fatores mais interessantes no clássico. Vale pela qualidade e pela aula de história.

Hoje em dia são várias as adaptações, seja da Broadway, em sua maioria, ou não. Filmes como “Sweeney Todd”, “Hairspray”, “Rent”, “Os Produtores”, “O Fantasma da Ópera”, “Chicago”, “Mamma Mia”, “My Fair Lady”, entre outros (vários) chamam a atenção do público maior. O lucro destas produções é quase sempre mais garantido, já que além dos filmes a massa vai atrás da trilha e, depois, das peças.

Ao lado das adaptações, produções musicais cinematográficas também surgem e fazem sucesso. “High School Musical”, “Across The Universe”, “The Wall”, “Grease”, “Moulin Rouge”, “Gigi”, “O Mágico de Oz “(que depois, como outros, foi adaptado para os palcos), constam entre estes.

Pode não cair no gosto de todos, mas os musicais são uma página importante na história do teatro e do cinema. A união das artes, neste sentido, faz mais do que uma bela melodia. Como diz Don em “Cantando na Chuva”: “Gotta dance”!

Abaixo as primeiras cenas de “The Jazz Singer”, ainda sem falas gravadas:

Hairspray – You can’t stop the beat

Hairspray

Você não pode parar a batida! Alguém já ouviu falar em "Hairspray" ? Ok, vou supor que alguém não ouviu. É uma peça musical famosa, que, recentemente, ganhou uma versão cinematográfica, muito boa, por sinal. O filme se passa nos anos 60, e conta a história de uma garota que sonha em se tornar uma estrela, mas sofre preconceito por ter idéias diferentes e uma aparência pouco apreciada, pelo menos no contexto do filme. Além disso, a história aborda a integração racial e, principalmente, o ambiente musical da época.

Eu queria abrir um espaço para elogiar um pouco a atuação de peso, literalmente, de veteranos como Michelle Pfeiffer, Chris Walken, Queen Latifah e um destaque para o John Travolta, que está sensacional com um papel feminino. Nikki Blonsky, Amanda Bynes e Zac Efron são as estrelas do time dos novatos.

Bom, tratar de música é a minha proposta, e a do blog, e o filme faz isso muito bem. Eu só queria grifar uma das músicas da seqüência, "You can’t stop the beat", que diz claramente o que eu penso de gêneros musicais e particularidades em geral. Outro dia meu irmão perguntou porque eu gosto de "música de corno", eu respondi "Porque você não pode parar a batida!". Tudo bem, eu não respondi isso, mas eu queria.

Eu fingi que não escutei a pergunta, mas fiquei pensando. Porra, e pagode é o que? Música de rico bem sucedido sentimentalmente com  mulher bonita se esfregando numa ferrari? E metal? E farofão? O mundo musical é corno, Jesus? Pra mim são as mesmas situações desagradáveis com acordes diferentes. Até muitas músicas de rap, que realmente têm a mulher bonita se esfregando na ferrari, são um desabafo deste tipo. É AÍ QUE ENTRA A MÚSICA QUE EU CITEI ACIMA! Te chamaram de corno porque te pegaram ouvindo Fresno? Levanta, gira, bate pézinho e CANTA:

"You can’t stop my happiness, cause I like the way I am
And you can’t stop my knife and fork, when I see a Christmas Ham!
And If you don’t like the way I look, well, I just don’t give a damn!

Cause the world keeps spinnin round and round
and my hearts keepin time to the speed of sound
I was lost ’til I heard the drums, then I found my way
Cause you can’t stop the beat"

Por favor, cultivem seus cornos musicais e respeitem os alheios! Um bjomeliga.

Vou deixar um vídeo de "You can’t stop the beat", se você, caríssimo leitor, ainda não assistiu o filme, CUIDADO com o SPOILER!

 

Fran recomenda:  "How do you love me now?", música MUITO linda do Hey Monday, pesquisem, se puderem!