Infantil pero no mucho

Sexta-feira é dia de Francisco aqui no Vitrola! Hoje não tem “Comentando Clipes” – embora o último tenha feito um ‘sucesso’ assustador – mas tem animação Disney comentada no jeitinho Fran de ser.  ( #meujeitinho =P )

Eu sempre fui fã de desenhos. Além dos preconceitos, o desenho (os bons, pelo menos)  é um universo de histórias, personagens e, principalmente, músicas. A trilha sonora é um fator indispensável para a sua boa repercussão, sendo, em alguns casos, mais importante do que o próprio enredo. No Japão, para um animê ser lançado, uma equipe de avaliação musical seleciona profissionais de música e artistas respeitados para a composição musical. Em um caso mais próximo, nem se discute qual a base de todos os desenhos produzidos pela Disney.

Parando pela Disney, eu sei que quem está lendo agora deve ter lembrado a época em que se assistia O Rei Leão, ou outro desenho do tipo, em VHS. Eu sempre digo que só tem uma coisa melhor do que ter assistido clássicos da Disney quando criança: Assisti-los novamente, agora adulto. Hoje, com 19 anos, eu tenho uma noção muito diferente dos mesmos desenhos que eu assistia quando criança, principalmente no que se trata das músicas.

Nosso título de exemplo será O Corcunda de Notre Dame (1996). O filme, que rendeu mais de 300 milhões de dólares pelo mundo, ganhou, em 1997, um Oscar e um Globo de Ouro, ambos por sua trilha sonora. A história se passa na França de 1482, onde a cidade enfrenta a repressão moral do Juiz Claude Frollo, tutor de Quasimodo, um sineiro corcunda que tem a vida mudada depois que uma trupe de ciganos passa por Paris.

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Quando eu assisti O Corcunda de Notre Dame pela primeira vez, eu só conseguia prestar atenção na dinâmica das imagens, que são bem fortes, aliás. A musicalidade também me atraía muito, mas, vale lembrar que eu tinha seis anos apenas e mal prestava atenção nas letras. Hoje em dia dá pra ser um pouco diferente, e a primeira coisa que eu notei, assistindo novamente, é que é um filme bem mais sério do que parece, assim como quase todos os clássicos da Disney.

“Qual fogo do inferno

Tal fogo arde em mim

Desejo tão terno

Do mal é o estopim”

Na voz de Rodrigo Esteves, a dublagem brasileira do Juiz Frollo foi considerada uma das melhores do mundo, e com muito mérito. Alguém adivinharia que a música aí em cima é de um filme infantil? Não só é, como é, também, uma das canções mais polêmicas da história da Disney. Não dá pra não se arrepiar com a loucura do vilão, expressada na música e na animação, que não fica atrás em qualidade.

O trecho é da canção “Fogo do Inferno”, que vocês podem conferir no vídeo lá embaixo. É a minha música predileta no filme inteiro, mais que “O Pátio dos Milagres”, que também é excelente. Só uma curiosidade: “Fogo do Inferno” é cantada por Frollo, logo depois da cena em que Quasimodo, o corcunda, canta “Luz do Paraíso”. Forte.

“Me Salve Maria

Não deixe que ela lance mão

Do mal que me consome em seu ardor.

Destrua Esmeralda, que ela queime aflição

Ou seja meu, só meu, o seu amor…”

O filme é uma lição sobre julgamentos preconceituosos e, como diria o cigano Clopin, nos faz perguntar “Quem é o homem e quem é o monstro?”. E isso é só uma das respostas que eu poderia dar a quem insiste que existe idade para se assistir desenhos.

Então, parem de assistir o programa da Mari Moon e corram para resgatar seus vídeos da Disney, antes que eles sejam doados para um primo destruidor. E, pra fechar embarcando na idéia do filme, vamos parar com preconceitos sobre filmes infantis, né? Eles já eram muito bons, antes de Shrek, não vamos deixar que sejam esquecidos.

PS: Valeu todo mundo que comentou nos meus últimos posts (Comentando Clipes – Garota Radical e Comentando Clipes- Die Alive). Fiquei até assustado com o número de comentários. Se você ainda não leu, clica aqui.

PPS: Só pra esclarecer o que alguns leitores têm me questionado. A Ariane posta pra mim porque eu vivo esquecendo meu nome de usuário, senha, ou qualquer coisa assim. Daí mando pra ela por e-mail e ela coloca aqui por mim *-*.

comentando clipes: Garota Radical

Já é quase sexta-feira e ADIVINHEM se o Francisco não voltou com a língua afiadíssima? Claaaaaaaaro que sim! Hoje é dia de falar de Cine. E, claro, essa não é necessariamente a nossa opiniãoooo… Mas que faz algum sentido, faz! Let’s read!

cine

Eu sempre fui adepto de algumas teorias da conspiração no que se trata de música. Inclusive criei algumas. Ninguém se assusta por não conseguir parar de pensar em “Aposto um beijo que você me quer – Wooowoow Woowoowowowowww!”. Eu fico apavorado. Direto daqui de São Paulo, a banda CINE é conhecida pelo hit Garota Radical (mais alguém descobriu agora que o nome da música NÃO É Aposto um beijo que você me quer?) e pelo sucesso foguete dos garotos.

A banda, além de fixar refrões maquiavélicos na cabeça das pessoas, é recebida por extremos: ou são muito amados ou muito odiados. Mas, o foco da discussão não são os parâmetros de ódio, ou amor, para com a banda CINE, muito menos a qualidade musical do som, não sou um crítico e nunca acreditei em regras para uma boa música. Nosso alvo será o vídeo clipe de Garota Radical.

Segue o link do vídeo. Vamos tentar o mesmo esquema da outra vez. Ler com pausas para o vídeo. Fica mais fácil ilustrar. Sincronia em 3…2…1… PLAY.

O cenário é uma festa, aparentemente, particular, pelo número de pessoas. O detalhe desta cena de segundos fica por conta de um garoto de blusa laranja, francamente feliz dançando com soquinhos ao vento – e pelo medo das pessoas, observem que ninguém está perto dele-. “Aposto um beijo que você me quer”. Fade na festa.

Cortou. Aí estão nossos meninos. Pausa. Eu imagino que ser apenas ou vocalista de uma banda, isto é, não tocar nenhum instrumento, ficando apenas com a voz, deve ser uma tarefa difícil. Não só pelo símbolo do vocalista, mas por uma das questões mais filosóficas do mundo da música: O que fazer enquanto se canta?

O que é a dancinha do garoto no começo???? Começa num movimento meio lacraia, depois marcha soldado, daí ele corta o vendo com a mão e isso tudo com o Wooowoow rolando já. PÁRA. Vamos ignorar o pulinho de outro integrante, seguido de um close assustador do homem dos teclados.

Agora é ótimo. A banda se reúne em slow-motion para uma caminhada pique N’Sync ou Armageddon-aquele filme idiota com o Bruce Willis-, fiquei confuso, quando algo muito curioso acontece. Ignorem o fato de todos estarem mexendo em suas blusas para captar a felicidade do rapaz à direita do vocalista. Ele não tira a blusa, ele bate asa. Será Bruce Wayne um integrante da banda CINE? Mistérios.

Corta. Voltamos para a festa, rola aquele beijo forçadamente repelido quando… O vocalista ataca a câmera. Não. PAUSA. Olhe de novo. O close fecha com um golpe de kung-fu e, quando as mãos se abaixam, um biquinho de Caetano Veloso na Tropicália. Eu tô falando que CINE faz parte de algo do mal.

Outra cena com a banda. O nosso lutador continua com as dancinhas que parecem contagiar o resto da banda, a exemplo do backvocal desse refrão, que faz toda uma performance MC Risole pra cantar. Mais dancinhas e voltamos pra festa. PAUSA. Ou a festa excluiu a banda CINE, ou a banda CINE excluiu a festa. Eles estão numa posição, novamente, nitidamente forçada para que eles sejam o foco, e o pior, parecendo os Power Rangers.

A garota radical passa e causa comoção nos nossos meninos, quando o vocalista nos mostra outro golpe de artes marciais, empurrando o coitado de camiseta (o único com calor) ao seu lado, tudo para admirar a beleza do ser feminino que passava. Close na sósia da Anne Hatteway e voltamos para a banda. Por que o garoto morde o lábio desse jeito? E por que ele puxou a camiseta assim? O que será esse símbolo? Mais mistérios.

Corte. Mais cenas da festa e descobrimos que a garota radical não sabe dançar. Mais dancinhas quando nosso menino do kung fu ataca novamente! O rapaz de camiseta tenta uma aproximação com a garota, quando seu amigo loiro rapidamente age, o tirando de perto da garota radical. Agora vêm cenas da banda, que acredito que sirvam para terminar de enfiar Wooowoows na cabeça do ouvinte.

De volta à festa, vemos que um dos integrantes da banda cine não tem muito tato com as mulheres, o que justifica a indignação da garota radical. Depois de mais uma sequência de dancinhas estranhas, ALGO ACONTECE. Fecha a cena para a festa e abre com um garoto jogado ao chão. Teria o vocalista da banda cine atacado de novo? Será um PT? Esse clipe já é um caso pra turma do Scooby Doo. Ele se levanta e descobrimos que foi a garota radical que aplicou o golpe, e o melhor, que a festa inteira está apontando e rindo. Isso é muito cruel.

Preciso dizer. Cansei. Pra quem quer saber, o clipe termina com a cena mais nojenta do mundo. Enfim. Vamos parar de alfinetar nossos meninos. Um porque eu estou sendo xingado pelo público feminino e homossexual do meu MSN, dois porque um dos integrantes treinou artes marciais com o Chuck Norris, três porque tá ficando muito grande! Esse clipe é cheio de pormenores, quase um Tarja Turunen!

Beijos pra quem lê.