Eixo Carioca

O festival Fora do Eixo, que em abril apresentou para São Paulo as bandas independentes do circuito, está em sua edição carioca. O evento do Rio de Janeiro começou ontem, com Lespops (RJ), Brown-Há (DF) e Os Outros (RJ) tocando na Cinemathèque. Hoje e amanhã ainda terão apresentações dos grupos do circuito e outros destaques locais para os amantes da música da Cidade Maravilhosa.

Hoje à noite, no Teatro Odisseia, a atração ficará a cargo da banda Tereza (RJ) e da Nevilton (PR). Além deles, tocará também os performáticos da Brasov (RJ), Porcas Borboletas (MG) e a banda estrelada Do Amor (RJ), que fechará a noite apresentando seu novo CD. O último dia do festival, 14 de maio, será no Circo Voador. O som será variado, com Stereologica (RJ), Camarones Orquestra Guitarrística (RN), Mini Box Lunar (AP), Canastra (RJ) e os já consolidados Macaco Bong (MT) e Black Drawing Chalks (GO). Paralelamente, as apresentações também contarão com discotecagem, exibição de vídeos e feiras culturais

Dia 15 de maio o festival segue para Nova Friburgo, seguindo com a proposta de apresentar estas bandas para todo o Brasil.

Pulando bem alto

A banda de indie rock Nevilton, em turnê pelo Nordeste, anima qualquer um no palco. Acabaram de lançar um EP e logo mais tem um CD por aí

Nevilton de Alencar tocava em bares e compunha sozinho. Em Umuarama, no Paraná, ele cresceu com aquela vida mais calma, de interior, onde tocava violão em qualquer banco e tinha jardim (ouça “Nas Esquinas de Umuarama”, part. Luanna Bellini). Um dia ele e seu violão tocaram antes do show da banda de Lobão, o baixista Tiago Inforzato. A identificação foi rápida e logo montaram a banda Superlego. Com o grupo, começaram a tocar o que era deles mesmos, “a gente começou a querer fazer música autoral, antes tocávamos música de todo mundo”. Isso foi em 2005, e na época a empreitada não deu certo.

Do interior para o centro do mundo de entretenimento, Nevilton e Lobão seguiram para Los Angeles em 2007. “A gente foi lá para viver mesmo e tentar tocar lá”, conta o vocalista e guitarrista com voz engripada de uma noite de viagem, na tarde antes do show de abril na Livraria da Esquina. Tocaram em tudo quanto é lugar e aprenderam como funciona a indústria musical americana. O músico de 22 anos e seu companheiro aprenderam. “A questão é que do entretenimento lá é mais organizado, pode ser uma grande escola. Trouxemos decisões de foco e meta e do que fazer com a banda, gravar, divulgar… Isso a gente teve lá vendo outras bandas que nem ouvíamos falar aqui no Brasil e lá são super estruturadas, isso fez nossa cabeça.”

De cabeça feita, voltaram para o Brasil, e para o interior, com status de artistas: “O grande estalo foi isso de viver a vida inteira no interior e ter o choque de, do nada, ir para Los Angeles, onde a cidade serve arte e entretenimento. Lá minha cabeça virou algo assim, começou a pensar em arte.”

Como um trio, tocaram com Fernando Livoni até agosto de 2009. A banda começou a tocar cada vez mais ao vivo, os shows foram se formando o que é a cara deles, e a identidade se firmando. Fernando, cheio de responsabilidades, achou melhor sair do grupo e, no lugar dele, entrou Éder Chapolla, que pegou rápido o ritmo e hoje logo se vê o quanto entrosa com o som do Nevilton. A banda ficou com este nome mesmo, o do vocalista e compositor, pois a maioria das músicas estava sob o nome dele e, caso desse errado, ele queria continuar a tocar.

Tocar, por sinal, parece que é o que eles mais fazem. Ao ouvir o MySpace e as demos surge um som mais limpo, um indie rock abrasileirado, criativo e bem feito. Ao vivo a pegada é outra, mas sem perder a qualidade. Eles vestem os instrumentos, brincam, pulam, entrosam entre si. No palco, Nevilton toma vida e vira um rock cheio de vontade e diversão, no estilo bem dançante. Eles correm atrás dos festivais, e assim foi como chegaram, por sinal, no Fora do Eixo. “A gente sempre mandava as primeiras gravações pra tocar em algum festival. Quando começaram a chamar, a gente foi de cabeça”, conta Nevilton.

Se ano passado já tocaram bastante a ponto de ficaram em segundo lugar, atrás da Móveis Coloniais de Acaju, no site Scream & Yell, este ano irão além. A rotina de shows está completa, e agora partiram para uma turnê no nordeste, para a qual “prepararam” um pout-pourri de “forró agressivo”, músicas brasileiras na versão roqueira deles.

O sucesso rápido levou a banda a aparecer na Rolling Stone em fevereiro. Perguntado se as apresentações são o que dão mais sucesso à banda, Nevilton entrega a fórmula, que vai além do palco. “O segredo na verdade é sempre ter material pra apresentar pra turma e fazer de tudo que pode pra divulgar, internet, muitas apresentações, passar pra pessoas que podem falar pra outras, no boca a boca mesmo.”

Com o sucesso e o lançamento logo mais do CD De Verdade, uma extensão do EP Pressuposto, recém-lançado, podem esperar que o Nevilton ainda voltará muitas vezes pra metrópole paulistana, a qual o vocalista não entende muito bem… “São Paulo é um negócio muito maluco, não sei como consegue pensar direito, é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo”, afirma, mas pisa na loucura dia 30 de abril na Casa Dissenso.

Vote neles na Levi’s Music e confira os próximos shows da turnê nordestina:

15/04 Campina Grande, Paraíba – Bronx Bar
16/04 João Pessoa, Paraíba – Espaço Mundo
17/04 Recife, Pernambuco – Abril pro rock
18/04 Maceió, Alagoas – Praia de Jatiuca
19/04 Aracaju, Sergipe – Rua da Cultura, Rede Música
20/04 Salvador , Bahia – Boomerangue
21/04 Feira de Santana, Bahia – Botekim Tematic bar
23/04 Vitória da Conquista, Bahia – Teatro Carlos Jehovah

Potências Fora do Eixo

Semana passada aconteceu o Festival Fora do Eixo, trazendo para São Paulo a cena independente do Brasil afora. Nós, do Vitroleiros, nos dividimos para conferir dois dias da programação, sexta-feira fomos à Livraria da Esquina acompanhar Circo Vivant e Nevilton. E sábado no CB Bar, Facas Voadoras e Canastra.

O frio de sábado não desanimou o público que foi prestigiar o penúltimo dia do Festival Fora do Eixo. As bandas que se apresentaram no CB Bar, trouxeram fãs e alguns curiosos pela proposta sonora da noite que ia do rock garageiro ao rockabilly.

Já eram 21h quando Facas Voadoras subiu ao palco convidando, com uma abertura instrumental, as pessoas a se aproximarem. Com sintonia entre os integrantes e uma presença de palco adquirida em muitas participações em grandes festivais, a banda sul mato-grossense em uma hora demonstrou desenvoltura apresentando músicas como “You’re No Longer Dressed in Black”, “1:54”,  “Surf Music”, “And We Had Sex All Night Long” e ainda o novo single “Cut Your Heels Off”.

A banda surgiu no fim de 2007, com a proposta de misturar diversas referências musicais e inclusive lingüísticas compondo tanto em inglês quanto em português, além das canções instrumentais, sem perder a característica abrangente que tornou o trio queridinho do Cerrado. Leonardo Schmidt (voz e guitarra), Jean Ripa (bateria e voz) e Diego Boeno (baixo) anunciaram o lançamento do CD com 14 faixas para Maio deste ano.

Depois de Facas Voadoras aquecer o público com seu western spaghetti garage rock foi a vez da banda carioca, Canastra, fazer todo mundo sair do chão. Ao subir no palco rolou uma versão dançante do Hino Nacional Brasileiro, seguido por “Chega de Falsas Promessas”, “Quando Sim Quer Dizer Não” e “Chevette Vermelho”, destaque especial para as músicas que não deixaram ninguém parado como “Motivo de Chacota”, “Dois Dedos de Conhaque” e “Miss Simpatia”.

Myspace Facas Voadoras | Myspace Canastra

Paulistanos no eixo

Com Macaco Bong entre as bandas, festival traz para São Paulo grupos independentes de todo o Brasil, intervenções artísticas e teatro

A partir de hoje e até o dia 11 de abril São Paulo sediará o festival Fora do Eixo, que traz um panorama do cenário cultural independente brasileiro. O Circuito, criado no final de 2005 e abrangendo, hoje em dia, 59 festivais e 46 veículos de comunicação independentes, chega em São Paulo também com a agência de mesmo nome, que cuidará de agora em diante das carreiras de 15 bandas.

Grupos já conhecidos como Macaco Bong e Porcas Borboletas, se apresentaram no mesmo cenário que outros ainda novos para os paulistanos, como Mini Box Lunar (foto) e Calistoga. O melhor do festival é abrir os olhos de São Paulo para a música que vem sendo feita no resto do Brasil, trazendo bandas do Mato Grosso, Paraíba, Minas Gerais, Paraná, Amapá, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e até o existe-não-existe Acre.

Além de shows, o festival trará workshops, teatro e intervenções artísticas. Uma edição do festival também será realizada, mais pra frente, no Rio de Janeiro.

Confira a programação:

6/4

Itaú Cultural (Av. Paulista, 149)

7/4

Studio SP (R. Augusta, 591)

8/4

Em frente ao Itaú Cultural (Av. Paulista, 149)

  • 21h – Cardápio Cênico: “Vendem-se Cenas” (Núcleo de Pesquisa Teatral Santa Víscera)

Da Av. Paulista até o Tapas Club

  • Cortejo Ditirambos (malabares, pernas de pau, pirofagia, literatura e ações por atores, performers e malabaristas)

Tapas Club (R.Augusta, 1246)

9/4

Palco Fora do Eixo, Oficina Cultural Oswald Andrade (R. Três Rios, 363)

Livraria da Esquina “A” (R. do Bosque, 1254)  – R$ 10

10/4

Palco Fora do Eixo, Oficina Cultural Oswald Andrade (R. Três Rios, 363)

  • 9h às 13h – Workshop de “Performance” (Enxame e Núcleo UHUU de Pesquisa em Performance)
  • 16h – Teatro “Coquitail Espoleta” – Cia. Teatro de Bolso e Macondo Coletivo
  • 17:30h – “Estado de Guerra ” – Núcleo UHUU

CB (R. Brigadeiro Galvão, 871)

Do CB até a Livraria da Esquina

  • Cortejos Ditirambos (grupo percorre as ruas da Barra Funda cantando e dançando em homenagem aos deuses das artes e conduzindo o público)

Livraria da Esquina “B” (R. do Bosque, 1236)

11/4

Palco Fora do Eixo, Oficina Cultural Oswald Andrade (R. Três Rios, 363)

Centro Cultural Rio Verde (R. Belmiro Braga, 119) – R$ 10

  • 14h – Teatro: “Marias de Deus” (Colméia Cultural e GUTE)
  • 16h: “Intervenções de Malabares”. Artur Faleiros e Marcus Vinicius Marques
  • 16h – Porcas Borboletas (foto)