Bon Iver na SPIN de julho!

Com matéria intitulada “Bon Iver: o artesão”, a SPIN de julho deu capa para Bon Iver (de nome Justin Vernon, pra quem não sabe), mostrando a intimidade do músico na sua casa-de-campo-estúdio-bunker-fazenda, situada num condado de Wisconsin. Na entrevista ele fala sobre a conclusão do seu mais recente trabalho, o homônimo “Bon Iver” (2011) e também sobre detalhes de como foi concebido seu primeiro trabalho (For Emma, 2008). Conta também como Kanye West, o rei do auto-tune, curtiu o efeito de vocoder que Vernon usou na faixa Woods, do EP Blood Bank e o interesse de Kanye em ter colaboração de Vernon no seu álbum “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”… E muito mais!

Leia a matéria completa (em inglês) aqui e ouça o álbum já!

#musicmonday: Sad boys with guitars

A história vai parecer um tanto ridícula, mas no auge do Orkut, quando era legal participar de comunidades legais, eu seguia uma que tinha o título “sad boys with guitars”. Lá rolavam discussões sobre os clássicos garotos tristes que não largavam o violão: Elliott Smith, Jeff Buckley, Nick Drake e por aí vai. Eu confesso que nem sei o verdadeiro rumo que essa expressão tomou, mas não consegui deixar de usá-la (pra mim mesma) toda vez que viciava em algum disco do gênero.

Ao pensar no tema de uma playlist, resolvi colocar pra fora e mostrar pra vocês o que eu costumo ouvir quando penso em um sad boy with his guitar. Não sei se foi pelo título em inglês, mas só consigo associar a carinhas gringos. Então, me perdoem pela falta de brasileiros – que eu amo de paixão – nessa listinha. Em outra ocasião, vou dar espaço pra eles! E é isso, morram de chorar e se apaixonem por esses homens sentimentais.

tracklist

Bon Iver – Skinny Love
Bonnie Prince Billy – Love Comes to Me
José González – Killing for Love
Elliott Smith – Between the Bars
Vincent Gallo – So Sad
Daniel Johnston – True Love Will Find You in the End
John Frusciante – Hope
Conor Oberst – Cape Canaveral
M. Ward – Rollercoaster
Will Stratton – Who Will
Nick Drake – Place to Be
Tim Buckley – Sing A Song For You
Devendra Banhart – Now That I Know
Bob Dylan – If you See Her Say Hello

aperta o play!

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#musicmonday: The Heligoats

Quando você vive de música – ou praticamente a faz parte de seu ganha-pão – começar a adotar hábitos estranhos faz parte mais do que natural da equação. Veja o meu caso, por exemplo: passo um bocado de tempo conhecendo uma nova banda (e por conhecer, entenda ouvir uma mesma faixa incessantemente), paro para ouvir coisas mais Grammy como Adele ou Estelle (normalmente na época do Grammy) e, quando me vejo por si, estou de novo riscando o fundo da estranheza indie.

Na última destas, saí com uma verdadeira paixão debaixo dos braços: o álbum “Goodness Grace” (2010), do The Heligoats. Não deixe o plural enganar vocês aqui: Heligoats é o projeto solo de Chris Otepka, vocalista da genial e afiada banda indie rock Troubled Hubble, de Illinois. Otepka traz suas fantásticas letras nonsense, mistura com um violão que faz as vezes de Ukulele e organiza uma bagunça sensorial que, como sua própria pessoal, é estranha demais para não ser incrível.

Separei algumas poucas faixas que vem me inspirando recentemente. Quem sabe, por uma mítica coincidência do destino, algum de vocês também não encontre uma ou outra coisa para amar neste inusitado trabalho.

Sabe como é, a gente meio que escreve para isso.

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Boa música, garotas nuas e… Aviões?

Eu não tenho frescuras. Ouço de (quase) tudo que me sugerem, ou que encontro pela frente. Em uma grande (enorme!) parcela das vezes, me arrependo. Apesar de conhecer tudo, por mais que não pareça, tenho senso crítico. E tem mais: a alegria quando encontro uma boa novidade supera todo e qualquer trauma.

É uma dessas alegrias que vou compartilhar agora.


Aviões. Só pra ornar com o título e tudo o mais.

Então eu já aviso: não sei se você já ouviu falar sobre o Naked Girls & Aeroplanes, mas me sinto na obrigação de apresentá-lo. O som é um folk gostoso daqueles que a gente não cansa de ouvir. Foi logo na primeira vez que apertei o play que me apaixonei.

Let your light (shine on) by nakedgirlsandaeroplanes


Uma voz que acaricia e desconcerta ao mesmo tempo, letras em inglês, instrumentos suaves na medida certa. Quando não uma viagem no tempo, uma alegria presente. O link para as duas faixas, “Extra Pillow” e “Let Your Light (Shine On)” vinha de um tweet do Gui Machado (que nunca erra nas recomendações), espalhando o “novo projeto solo do Artur Roman“, vocalista da nossa já conhecida e apreciada Sabonetes. Como não achei nada a respeito nas internets — a não ser alguns tweets que diziam o mesmo, o myspace e o soundcloud do projeto, pouco claros quanto aos autores — achei por bem falar diretamente com quem nos interessava.

Artur Roman, esse moço bonito da foto ao lado, vem pensando no projeto há alguns anos e só agora conseguiu colocar em prática. Contou que o núcleo do Naked Girls & Aeroplanes é formado atualmente por ele, Wonder Bettin (Sabonetes) e Rodrigo Lemos (ex-Poléxia e atual Lemoskine – outro projeto que merece um post só para si, aguardem).

Extra Pillow by nakedgirlsandaeroplanes

Aos fãs de Sabonetes, um “não se preocupem”. Os guris encaram o Naked como um projeto paralelo: “a ideia é não ser uma banda, mas um coletivo. Não existe formação fixa, cada música é composta, arranjada e gravada em lugar diferente, e por pessoas diferentes”. Bom pra nós.

Não importa se falando de saudades e de um travesseiro sobrando na cama ou sobre desistir e crescer… Aos poucos, os meninos vão liberando novas faixas — e eu, encontrando palavras para defini-las. Quando falei com Artur, estavam gravando a terceira música do projeto, All About, que agora já está no ar (e tomou o posto de minha favorita de Extra Pillow para sempre):

All About by nakedgirlsandaeroplanes

Curtiu? Então só resta ficar de olho nas redes pra nunca perder as novidades!

Soundcloud: http://soundcloud.com/nakedgirlsandaeroplanes
Myspace: http://myspace.com/nakedgirlsandaeroplanes

(A imagem que ilustra esse post é um nu artístico do incrível David Winge)

Update

Os meninos liberaram mais duas músicas: Aileen e K.A.C.C. (Rough Love). Ouça agora:

Aproveita e segue os guris no twitter: @nkdgrls :)

NeverShoutNever! – O som viciante de Christofer Drew Ingle

“hello. my name is christofer drew. love is my religion. i am sick of the bullshit”.

Essa é a mensagem que o garoto de agora 19 anos deixa em seu myspace. Mas o que parece uma página simplória e mesmo ativista (o bonitinho é todo caído pro lado vegan) abriga um músico talentoso que chama a atenção por aí. Na estrada com o Vans Warped Tour, o compositor do Missouri aposta nas canções que intitula folk-rock, mas estão ali na linha tênue entre o emo e o acústico: violão, piano, ukulele e ele consegue conquistar meninos e meninas pelo mundo todo. Animado, doce, tem horas em que ele lembra bastante o indie pop do início da carreira dos meninos do The Scene Aesthetic.

Christofer começou como muitos de nós que brincamos com instrumentos: ganhou um violão e um mac, decidiu fuçar softwares de edição de som e… Jogou tudo no Myspace. Quando completou 17 anos, já era número um. O primeiro EP, “NeverShoutNever!“, ele gravou sozinho. E fez tanto sucesso que tinha 50 mil plays por dia no Myspace e ainda teve o nome adotado por Chris para si quando ele largou o colégio e conseguiu contrato com uma major. O álbum  “What Is Love?“,  do início de 2010, despontou no Top 40 logo após seu lançamento.

Como se espera de fãs de indie, a maioria ostensiva de adoradores de NeverShoutNever! reclama o tempo todo o fato do sucesso de Chris (o que não faz sentido nenhum, não é mesmo?). “Agora todo mundo vai ouvir”, “agora vai virar modinha”. Alô, galera, deixa o menino. Pra deixar a indiaiada com ainda mais raiva, compartilho com vocês cinco canções dele. Tem até um cover de Bohemian Rhapsody.

Daí, se quiserem mais, é só correr no NeverShoutNever!.com ou procurar os cds nas lojas por aí. Mas eu já aviso: é difííícil achar.

nevershoutnever! pra ouvir

Playlist Folk para o outono: Rosie and Me

Sabe aquela sensação gostosinha do outono? Aquele friozinho que só assusta, mas na verdade refresca, aquele sol amarelinho, aqueles pores-do-sol cor-de-rosa e azul clarinho, aquele aroma de madeira, aquela alegria que dá de ver quem você mais gosta chegando, aquele abraço quentinho. Sabe?

É isso que você vai sentir quando ouvir essa playlist que escolhi ouvindo Rosie and Me. Banda curitibana deliciosa que nasceu em 2006 e lançou seu primeiro EP, o Bird and Whale em março de 2010.

Os guris merecem um post bem maior que esse. Essa playlist é só uma palhinha pra ficar com gostinho de quero mais, como tudo fica no outono. Enquanto isso visite o site oficial do Rosie and Me.

Desculpem o excesso de diminutivos no texto. É que é tudo tão fofinho que você acaba ficando assim ( :

Curtiu? Deixe um comentário pra gente contando o que achou!

#playlist: partying everyday

Olha eu aqui de novo!

Meu #musicmonday é uma salada que muitos de vocês chamariam herege. Mas não me incomoda o fato de praticar constantemente isso que classificam como heresia — em especial quando no campo da música. Porque pra mim é essa a função dela, desvirtuar. No mais, são escolhas até bem clichês, mas como não quis aqui criar conceito nenhum (a ideia foi só unir o que me fazia bem), não liguei.

Misturei aí um pouquinho de tudo que ouço todos os dias. Muita coisa eu só não coloquei porque a brincadeira toda já estava ficando extensa, mas aguardem pra um futuro próximo.

Aos conservadores, não pedirei perdão. Não, peço mais é que vão procurar o que fazer (por exemplo, encher o saco em outras freguesias). #hatemaltine

Por aqui está tudo lindo — e tende a ficar melhor, porque apertei o play ali embaixo. façam isso também!

tracklist

all I can do is write about it, lynyrd skynyrd
baby it’s cold outside, ella fitzgerald
cocksucker blues, the rolling stones
easy, faith no more
either way, wilco
empty baseball park, whiskeytown
i ain’t got nobody, john lee hooker
i heard it through the grapewine, marvin gaye
i just wanna make love to you, etta james
it ain’t me, baby, johnny cash
love buzz, shocking blue
magic carpet ride, steppenwolf
no particular place to go, chuck berry
patience, guns’n'roses
proud mary, creedence clearwater revival
purple haze, jimi hendrix
respect
, aretha franklin
she wants to play hearts, ryan adams
the whores hustle & the hustlers whore, pj harvey
true love tends to forget, bob dylan
unhappy girl, the doors

player

(se o player não funcionar, arrisca direto no grooveshark. ele tá de doce hoje)

se você acompanha o blog pelo feed, clique aqui para ouvir a playlist.

Lulilândia no SESC

Nesta última quinta-feira (21/01), o SESC Vila Mariana teve uma noite de puro Folk nacional com o show da cantora recifense Lulina. Nova nas paradas de sucesso – e bem familiar para qualquer um que acompanhe o cenário Indie paulistano a fundo – a simpática vocal comemorou sua primeira apresentação em um SESC, assim como seu primeiro show do ano. Como não poderia deixar de ser, convocamos das trincheiras vitroleiras Leonardo Ávila e Clara Camargo para contar em mais detalhes a experiência do show. Confira!

Clara Camargo

Ontem de manhã vi no jornal o anúncio do show “Lulina no SESC Vila Mariana”. Nem pisquei e já decidi: “Eu vou”. Afinal sou fã incondicional e há uns bons meses não apreciava o som lulínico.

No corre-corre, sob um céu negro e tempestuoso, Leonardo e eu chegamos lá para comprar os ingressos 20 minutos antes de o show começar. Hello! Lulina é pura fama e obviamente os ingressos já haviam esgotado. O que fazer? Usar o poder do magnetismo jornalístico, é claro! Conversamos com o porteiro, com o moço da bilheteria, com a organizadora do evento no SESC, com a produção do evento, telefonamos até para a própria Luciana Lins (o nome mesmo da Lulina) e nada. Quando de repente, ilustremente sai do elevador o Leo Monstro, braço direito da nossa cantora recifense – Monstro espreme sons distorcidos dos teclados e faz o backing vocal, além de ajudar Lulina a compor muitas de suas canções. Mais do que logo, corremos e cumprimentamos o músico, conhecido nosso de uma tarde de ensaios da Lulina que tivemos a oportunidade de acompanhar, antes do lançamento do disco “Cristalina”. E ele nos salvou com dois ingressos que guardava como reserva, caso alguém aparecesse de última hora, justinhos para a nossa entrada. Eram nossos. Agarramos os bilhetes e asseadamente sentamos na terceira fileira do auditório, que aguardava ansioso.

Com uma espécie de jardineira-shorts preto (meu [não]conhecimento em moda me limita a uma descrição mais precisa), entrou nossa querida Lulina, tímida, porem sorridente, cantando “Nós”, segunda faixa do “Cristalina”. Seguiu com mais meia dúzia de canções, até chegar na “Balada do Paulista”, momento de maior empolgação dos amigos e fãs. Esta música ficou entre as 50 melhores do ano de 2009, segundo a Rolling Stone, como o CD Cristalina, que conseguiu um lugar merecido no ranking dos 50 melhores discos do ano.

Quem não sabia, descobriu que o Sangue de ET tem poder, que criar minhocas é um negócio lucrativo, além de vislumbrar uma fração cristalina e límpida da Lulilândia, que ainda tem muito a ser explorada. Para mim só faltou tocar Blebs e Birigui, as duas canções-poesia que mais me divertem no mundo da nossa amiga Lulina.

Consegui o último exemplar da noite do “Cristalina”, e ainda recebemos um convite para tomar um café com Lulina. Até coloquei aqui a mensagem que revela o que todos já imaginavam: somos garotas abduzidas.

Leonardo Ávila

Minha colega já fez questão de relatar nossa pequena aventura pessoal – acredite, a tensão de se chegar numa noite de evento enquanto uma chuva cai pesada lá fora só para descobrir que não temos vagas tem uma carga melodramática digna de qualquer literatura russa que se preze. O que vou dissecar aqui é algo um pouco mais voltado para minha impressão técnica do show. Conheço a voz da Lulina boa parte devido à uma ou outra tarde com a Clara trocando casuais playlists, há coisa de, digamos, dois anos atrás. O que me atraiu nessa irreverente nordestina estava justamente no teor de suas letras: um humor salpicado por gordas doses de nonsense e ingenuidade. Um fundo instrumental tímido, mas afiado, completava o pacote, e imprimia no trabalho de Lulina algo de extremamente pessoal. Personalidade é também o que acaba me atraindo para qualquer música Folk. Pude vê-la em pessoa poucas vezes, mas foi em sua apresentação na Vila Mariana que mais me identifiquei com seu som.

Veja bem, pode soar bizarro para alguns, mas a comparação entre Lulina e Mallu Magalhães é bem comum por aí, e nada deixa a cantora mais inquieta. E ela tem toda razão, afinal Lulina está para Mallu assim como que, digamos, Janis Joplin está para Joan Jett. A recifense usa e abusa de tons menores, polarizados por uma cadência levemente mais acelerada e de maior ataque. O som é complementado com o que mais se assemelha ao blip-blop 8-Bit que sai dos teclados loucos de seu companheiro de viagens, Leo Monstro. A seleção musical foi bem variada, incluindo variantes de Folk Rock e até um samba no final, com o qual Lulina fez questão de agitar o público paulistano que, acostumado a tardes de ócio, cigarros e à porcaria do James Joyce, não arriscou sequer uma rebolada (juro que vi a Clara mexendo levemente os quadris em cima da cadeira em certo ponto, mas talvez tenha sido impressão minha. Não podíamos entregar o garbo jornalístico assim de bandeira,não é?) . Enquanto ajustava a lapela da minha camisa, as metâforas de sua canções não deixavam de esquentar um pouco meu coração. Juro, é o tipo de coisa que te arranca um sorrisso sem querer.

No final fomos dar um alô do tipo “velha amizade” para a Lulina, conhecidos que somos depois de uma sessão de perguntas, café e pão de queijo. A timidez e surpresa com o qual ela nos recebeu, antes de uma conversa de alguns minutos, parecia ser o fac-símile exato de sua linguagem musical, a Lulilândia feita sólida nos gestos inconfundíveis de sua ditadora alegre.

(Fiquem ligados, quem comparecer em futuros show da cantora não deve se esqueçer de levar imprimido o Passaporte de Lulilândia – disponível no site oficial – que, preenchido, pode servir para concorrer à prêmios exclusivos da banda.)

Saiba mais sobre Lulina em:

http://lulilandia.wordpress.com (blog da cantora)

http://www.lulilandia.com.br (site oficial)

Na fossa com os Cowboys Junkies

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Por Rosana Villar

Nos últimos anos o ritmo folk invadiu com o pé na porta a cultura rock. O Kings of Leon se tornou uma das bandas mais importantes do mundo, vimos surgir Mallu Magalhães e todo um séqüito de jovens seguidores, fãs de Bob Dylan desde o nascimento. Mas não é de hoje que a banda indie Cowboy Junkies bebe dessa fonte e abusa da mistura folk-rock de uma maneira única e brutal.

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O grupo nasceu em 1985, com o propósito de fazer blues canadense (?) da melhor qualidade. Margo, irmã caçula de Michael e Peter Timmins, foi a escolha óbvia para os vocais e os Cowboys Junkies se tornaram uma banda quase familar – quase, por conta do intruso, Alan Anton, o baixista. Margo tinha uma voz suave e cantava de uma forma melancólica que soou extremamente interessante. Para aproveitar o trunfo, a banda toda resolveu se adaptar. Baixaram ainda mais as rotações e inseriram elementos daqueles velhos e chorosos blues do interior dos Estados Unidos.
Gaitas, slides de guitarra e aquela maldita voz! O primeiro disco, Whites Off Earth Now!!, lançado pelo selo que a própria banda havia fundado, vinha recheado de clássicos do blues revisitados pela voz emblemática de Margo e o ritmo cadente do grupo. Era impressionante, para o público, como uma coisa tão triste podia soar tão bem. Pois, se você acha Belle and Sebastian triste, meu amigo, tenha medo de Cowboy Junkies!

Altamente recomendável para fossas homéricas e desaconselhado em caso de intenção de suicídio. São, seguramente, uma das maiores “bandas tristes” de todos os tempos.

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Mas os Cowboys Junkies nasceram de verdade para o mundo, e talvez para si mesmos, no segundo álbum. Em The Trinity Session a influência folk estava por toda a parte. O disco é imperdível, do início ao fim. O mais interessante é que o álbum foi gravado inteiro ao vivo, no dia 27 de novembro de 1987, num “estúdio” de acústica muito peculiar, a igreja The Holy Trinity (santa trindade), em Toronto.

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A Session começa com Mining for Gold, uma canção tradicional canadense interpretada em capela por Margo, e é seguida por baladas de tirar o fôlego. 200 More Miles, uma das mais lindas canções da história, e a versão icônica de I’m So Lonesome I Could Cry, do monstro da música folk norte-americana, Hank Williams, já valem a audição.

Mas o grande sucesso de The Trinity Session ficou por conta da contundente versão de Sweet Jane, de Lou Reed, considerada pelo próprio autor como a melhor versão já gravada de sua música. A versão alcançou a 5° colocação na parada da Billboard e foi trilha sonora do filme Assassinos por Natureza, do diretor Oliver Stone, de 1994.

De lá para cá, já foram 24 anos de banda, firme e forte, cerca de 20 álbuns lançados (entre coletâneas e inéditos) e muitas canções boas de ouvir chorando no banheiro.

*Falando em Cowboy Junkies…Vocês lembram daquela promoção da Virgin, que tinha um cartaz com 75 nomes de bandas escondidos em uma imagem? Pois eles estão lá. Dá uma olhada. Aproveita e tenta encontrar as outras 74…

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