#essencialbuns XV: Led Zeppelin, The Fourth Album

The Fourth Álbum, Led Zeppelin

por Ricardo Mendonça
@ricardounplay

O primeiro pensamento foi escolher um disco dos Beatles, mas é impossível escolher um só. A maior banda do mundo não fez o melhor álbum.

A banda que conseguiu reunir o melhor da música em um só disco foi o Led Zeppelin, no disco que não tem nem nome. Alguns chamam de Led Zeppelin IV, outros de Four Symbols ou The Fourth Álbum.

O maior clássico da história do Rock (Stairway to Heaven), além de duas músicas que mudaram o rumo da música (Rock and Roll e Black Dog) já seriam suficientes para classificar o álbum no pódio, mas a capa com o velho e seu cajado, os vocais do Robert Plant, a cozinha perfeita de John Bonham e John Paul Jones, a marca pessoal nas guitarras e a suavidade e beleza dos violões de Jimmy Page e a mistura de blues, folk e rock fazem o Led Zeppelin levar o primeiro lugar.

o desafiado

Ricardo Mendonça é corinthiano, radialista e vocalista daquela que se apresenta como “a pior banda do mundo”, The Unplay.

the fourth album pra ouvir

tracklist

Side one
1. “Black Dog”
2. “Rock and Roll”
3. “The Battle of Evermore”
4. “Stairway to Heaven”
Side two
1. “Misty Mountain Hop”
2. “Four Sticks”
3. “Going to California”
4. “When the Levee Breaks”

#essencialbuns XIV: Jeff Buckley, Grace

Grace, Jeff Buckley

por Rodrigo de Faria
@propolisbr

Faríamos uma jam acústica de despedida para um grande amigo que viajaria pra Roma, quando o baterista colocou no setlist a música Last Goodbye e eu nunca havia ouvido falar da música nem do artista. A música foi escolhida pra expressar a tamanha saudade que o amigo baterista sentia da irmã que se fora cedo demais, numa fatalidade. Só a música mesmo pra expressar o que sentimos quando não temos palavras suficientes para tanto…

Li a letra, engoli a seco o nó que apertou a garganta e me perguntei se foi um lampejo, uma jóia no meio do repertório do Jeff Buckley. É, quando li de novo o nome do cara, assim no papel, me veio à mente Tim Buckley, artista folk que ouvi pouco e que morreu jovem e que não foi tão famoso quanto Dylan ou Guthrie. Lembrei também de algum filme muito bom que eu tinha assistido e que me pegou de cheio uma versão MARAVILHOSA de Hallelujah, de Leonard Cohen, que fazia parte da trilha. O filme? The Edukators.

OK, era muita coincidência, o cara não podia ser tão bom assim e chegando em casa quis comprovar isso procurando pelo único álbum do cara: Grace. E sim, ele era filho meio que renegado de Tim Buckley. Só se encontraram uma única vez, quando Jeff tinha 8 anos e um pouco antes da morte de Tim, por overdose de heroína.

Mas, enfim, o álbum: não há como ouvir uma música sequer e não ficar com os olhos marejados, tamanho sentimento colocado ali. Lavagem cerebral feita por um caminho incomum: ouvidos, peito e cabeça, PUF! Num ano (94) em que Green Day lançava Dookie; Pink Floyd, Division Bell; Pearl Jam, Vitalogy; Soundgarden, Superunknown, um cara com uma voz impressionante, voz que passa um sentimento abrupto, profundo, lança um disco sensacional como esse.
Cada faixa, cada letra de música é de um esmero sem precedentes, atemporal.

Parece puxa-saquismo infundado não fossem alguns fatos: Bob Dylan dizer que Buckley foi um dos maiores compositores da década, Jimmy Page dizer que Grace é um dos melhores álbuns da década. Thom Yorke e o Radiohead estarem em estúdio gravando o disco The Bends e o vocalista não conseguir gravar o hit sucessor de Creep, Fake Plastic Trees, e sair do estúdio para um show de Buckley em Londres e voltar do mesmo conseguindo gravar a música em 3 passagens (aliás, a partir do álbum The Bends é que Thom Yorke começa a mostrar sua hoje característica voz melódica e falseteada, marca registrada de Jeff Buckley). A versão de Hallelujah foi considerada a melhor versão já feita do clássico de Cohen, reconhecida inclusive pelo mesmo. Ah! E David Bowie considerou Grace um dos seus 10 “essencialbuns” (na real eram 10 álbuns pra se levar pra uma ilha deserta =])…

Talvez toda essa idolatria veio porque Jeff Buckley acabou indo embora muito cedo como seu pai e tendo apenas lançado este álbum, com tamanho sentimento e genialidade. E a minha preferência foi por em todo meu tempo de amante de música nunca ter me impressionado tanto com um álbum e com um artista o tanto quanto me impressiono até hoje com Jeff Buckley. E pelas circunstâncias, pelo que significou pra mim e pros amigos, levarmos uma versão de Last Goodbye…

o desafiado

O Própolis é a primeira pessoa em que a relapsa editora dessa coluna pensa quando o assunto é música. Pelo menos online. Vocalista da DUBLADO, é da área de comunicação, vive microfonando ideias e um dia ainda vai dividir um palco de karaokê comigo pra cantar Easy, do Commodores.

grace para ouvir


se você acompanha o blog pelo feed, ouça aqui: http://vitroleiros.org/reviews/essencialbuns/grace-jeff-buckley/

tracklist

1.”Mojo Pin”
2.”Grace”
3.”Last Goodbye”
4.”Lilac Wine”
5.”So Real”
6.”Hallelujah”
7.”Lover, You Should’ve Come Over”
8.”Corpus Christi Carol”
9.”Eternal Life”
10.”Dream Brother”

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//wtf #essencialbuns?

#essencialbuns XIII: Sublime, 40oz To Freedom

40 Oz. To Freedom, Sublime

Por Vitor Zanirato

@vzanirato

Quando você pensa em um único disco da sua vida, você quer juntar um mix de bandas e artistas, com estilos de todos os lados, e fazer um cd maluco com tudo o que você ouviu a vida inteira. Mas isso não dá certo, a obrigação da escolha te remete a todas as boas lembranças, e recordações, que um álbum já te proporcionou.

Foi pensando nisso que eu me toquei sobre o meu. O 40 Oz. to Freedom (nome genial) primeiro play do Sublime, lançado em 1992, que é simplesmente brutal! O som dos caras era tão cru, simples e sincero, que até arrepia. Outra coisa que me impressiona muito é a quantidade e qualidade de covers, os caras pegam desde Toots & the Maytals até Bad Religion e fazem versões retardadas!

A exclusão dos outros foi muito dolorosa, afinal, existem milhares de CDs maravilhosos por aí. Mas meu ponto é no mínimo justo, ouvir esse play me arrepia a cada track, cada música lembra alguma coisa boa nessa vida.

Quando eu conheci a banda demorei pra me impressionar. Como qualquer cidadão, que conheceu a banda só depois que o Bradley morreu, as primeiras músicas que eu ouvi do Sublime não foram desse cd. Eram todas do Sublime (self titled), de 1996 acho, que tinha Santeria, Seed, What i Got, e todas as mais conhecidas.

Com influencias principalmente de punk / hardcore 80’s e reggae oldschool, os caras conseguiram tornar o som deles um estilo próprio, é só tocar em algum lugar que qualquer pessoa sabe que é Sublime.

o desafiado

Vitor Zanirato é Sócio da Shuffle, multimídia, adorador de Bife d`Capa e Social Media na Polvora! Comunicação. Foi o segundo mais rápido na escolha do álbum.

40 oz to freedom para ouvir


(se você acompanha o blog pelo feed/email, ouça aqui 40 oz to freedom, de sublime)

tracklist

1. “Waiting for My Ruca”
2. “40oz. to Freedom”
3. “Smoke Two Joints”
4. “We’re Only Gonna Die for Our Arrogance”
5. “Don’t Push”
6. “5446 That’s My Number/Ball and Chain”
7. “Badfish”
8. “Let’s Go Get Stoned”
9. “New Thrash”
10. “Scarlet Begonias”
11. “Live at E’s”
12. “D.J.s”
13. “Chica Me Tipo”
14. “Right Back”
15. “What Happened”
16. “New Song”
17. “Ebin”
18. “Date Rape/Rawhide”*
19. “Hope”
20. “KRS-One”
21. “Rivers of Babylon”
22. “Thanx Dub”**

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#essencialbuns XII: Cake, Prolonging The Magic

Prolonging the Magic, Cake

Por Eric Franco
@ericfranco

Primeiramente, gostaria de informar aos senhores que sim, eu sei que devem existir discos melhores do que eu escolhi, mas a proposta é falar de álbum do qual você sentiria falta pra sempre caso todo o universo se desintegrasse e tudo o que restasse fosse somente você e um Discman – não me pergunte porque a providência divina te escolheu e muito menos porque ela não te deixou com um iPod pelo menos (isso pra não citar o fato de que você precisaria de pilhas logo, logo. Não tente imaginar que tinha pilhas recarregáveis, afinal você vai acabar precisando de uma tomada em algum momento e só está deixando esse post mais longo do que o necessário).

Segundamente, como explicado anteriormente, esse é o disco que faz sentido pra mim. Se o caso fosse deixar um legado pras gerações vindouras, obviamente eu escolheria um cd do Tiririca e deixaria um bilhete: “não permitam que isso aconteça novamente”.

Deixando as gracinhas de lado, vamos aos fatos: eu nunca fui um defensor ferrenho de nenhum estilo musical. Até meus 17, 18 anos ouvi muita merda, até porque só ouvia o que tava tocando, o que os amigos ouviam e, convenhamos, não lembro de nenhum deles ouvindo nada que prestasse, mas aí a MTV, todas as rádios e até aquele seu amigo que tava na pegada do forró universitário nos idos de 1998 descobriram que o Cake era legal depois de Never There.

Depois de descobrir a banda por aí, fui escarafunchando atrás de mais coisas dos caras e entendi que o que eu mais gostava na banda é que as letras eram legais sem soarem pedantes e quase toda música tinha uma sacada marota, uma visão mordaz da porra toda em que consiste a vida, o universo e tudo mais – um prato cheio pra um pessimistazinho safado e resmunguento como eu. Você pode argumentar que eu poderia ter começado explorando os clássicos, mas basicamente eles não diziam porra nenhuma pra mim. Ou você cresce ouvindo Led Zeppelin no Opala do seu pai ou você vive a reviravolta que o Nevermind causou na cena musical depois da overdose glam dos anos 80 (até porque fora do contexto, é só uma banda ruim onde a melhor música que eles já gravaram não era deles). E eu simplesmente não queria gostar dessas coisas por obrigação.

Minha escolha é a prova de que um one hit wonder nem sempre é só um one hit wonder e pode te abrir as portas pra algo realmente legal.

Free your mind, Neo.

o desafiado

Eric Franco comanda uma legião de Cegos, Surdos e Loucos, é resmungão de primeira e adooooora ser informado via twitter quando começa e para de chover. É casado com a pessoa mais fofa das internets. E, acima de tudo, é uma grande farsa:  não consegue falar bem de alguma coisa, então fala mal das outras pra ressaltar as que ele gosta. O que não deixa de ser uma grande dica de estratégia pra vocês.

prolonging the magic pra ouvir


se você acompanha o blog pelo feed ou pelo email, ouça o álbum aqui.

tracklist

1. “Satan Is My Motor”
2. “Mexico”
3. “Never There”
4. “Guitar”
5. “You Turn the Screw”
6. “Walk on By”
7. “Sheep Go to Heaven”
8. “When You Sleep”
9. “Hem of Your Garment”
10. “Alpha Beta Parking Lot”
11. “Let Me Go”
12. “Cool Blue Reason”
13. “Where Would I Be?”
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#essencialbuns XI: Dream Theater, Metropolis Pt II

Metropolis Pt. II: Scenes From a Memory, do Dream Theater

Por Pedro Zambarda
@pedrosolidus

Música multifacetada, se nada no universo me restasse

Metropolis Pt. II: Scenes From a Memory, do Dream Theater, é o CD que provavelmente eu salvaria entre todo o material musical de casa. Aliás, é engraçado como, além de ser favorito, ele foi o primeiro álbum a me instigar a escrever sobre música, por volta de maio de 2007, em um blog de trabalho para a faculdade de jornalismo, o Cidadão do Mundo.

Scenes traduz o que eu gosto em música: uma história interpretativa como os múltiplos rostos no encarte, solos de guitarra animais e cativantes, com letras românticas e mudanças de tempo rigorosamente marcadas pela bateria, variando do estado pacífico de espírito até o mais sombrio. No final, o ápice vem com Finally Free, que resume toda a trama de Nicholas com sua vida passada, e a perda de um amor chamado Victoria, reunindo trechos de todas as demais 11 faixas.

Mesmo sendo um rock pesado, um heavy metal progressivo e com muita elaboração na composição, a música do Dream Theater é recomendável para qualquer pessoa que pretende ouvir sons inspiradores, ricos e facilmente identificáveis com seu próprio cotidiano. Scenes From a Memory tem essas características, podendo atrair por uma música específica ou pelo conjunto da obra. Aliás, é raro um CD hoje que te prenda do começo ao fim, por mais que existam boas bandas hoje, porque o apelo a uma música mais popular do que outras é grande por parte das rádios e dos próprios fãs.

Por fim, um detalhe para aqueles que não gostam de progressivo e nem de heavy: nenhuma música desse material ultrapassa 12 minutos. Para fãs de Pink Floyd, Yes e Gênesis, talvez outro material do Dream Theater atraia mais, com longas peças instrumentais. Para a grande maioria, esse é o disco definitivo, com dosagem igual de baladas, riffs pesados, letras elaboradas e um solo instrumental que permeia todas as canções. São as diversas faces da tragédia de Nicholas em uma terapia de regressão ao passado.

o desafiado

Pedro Zambarda escreve desde os 8. Pretende ser comunicador. Estuda jornalismo e filosofia, escreve poesia. Tá sempre colaborando no Bola da Foca, no Whiplash e no OxenTI. É todo multimídia e não tem medo nem vergonha de ser chamado de nerd.

scenes from a memory pra ouvir

[Se você acompanha pelo feed ou pelo email, ouça aqui o disco Metropolis Pt. II: Scenes From A Memory]

tracklist

Act I

1. “Scene One: Regression”
2. “Scene Two, Part I: Overture 1928″
3. “Scene Two, Part II: Strange Déjà Vu”
4. “Scene Three, Part I: Through My Words”
5. “Scene Three, Part II: Fatal Tragedy”
6. “Scene Four: Beyond This Life”
7. “Scene Five: Through Her Eyes”

Act II

8. “Scene Six: Home”
9. “Scene Seven, Part I: The Dance of Eternity”
10. “Scene Seven, Part II: One Last Time”
11. “Scene Eight: The Spirit Carries On”
12. “Scene Nine: Finally Free”
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#essencialbuns X: Green Day, Dookie

Dookie, Green Day

Por Tony Aiex
@mdiscosqamigos ~ @guiltshow

Começando com o clichê “jurado-de-concurso-de-beleza-style”, não foi fácil escolher um só disco.  Juro que fiz praticamente um Juxebox mental com a maioria das coisas que lembro ter ouvido desde moleque e quais delas me marcaram mais, até que fiz uma pequena seleção. O critério: ter feito parte de alguma época significante da minha vida e ter sido extremamente fundamental pra minha formação musical.

Resultado: deu trio verde na cabeça.

O Dookie não foi o primeiro disco do Green Day que eu ouvi na minha vida, mas foi através dele que eu fiquei extremamente maluco com o trio. Virei fanático, no melhor sentido da palavra. Ouvia o disco de frente pra trás e trás pra frente o dia inteiro. Como podia aquela bateria besta abrindo o disco, aquele baixo simplão de She e aquela guitarra distorcida de When I Come Around soarem TÃO bem??? E a capa? Horas e horas brincando de “Onde Está Wally?” no encartezinho do CD (o que seria facilitado anos depois, quando comprei a versão em LP e a capa “aumentou”) e rindo com cada desenho diferente que encontrava.

Com o Dookie veio o Green Day, o punk rock, a diversão, a guitarra, a minha primeira bandinha, e toda a minha formação musical. Não fosse por ele talvez hoje eu seria um metaleiro, um indie, um emo?

Fato é que eu não me importaria de gastar o resto da minha vida girando o disco de “Bosta” na vitrola.  Não mesmo!

o desafiado

Tony AiexTony Aiex é o tipo de cara tão bacana que vem lá de Cascavel dar caronas a desconhecidos na madrugada de São Paulo — e ainda fica de bom humor quando se perde. Mesmo assim, tem mais discos que amigos. Aliás, em se tratando de falar de discos, pode confiar: o blog dele é um dos melhores. Ouvi dizer que ele é a voz do The Ant Strike Trio. :)

dookie para ouvir


(clique aqui se você acompanha o blog pelo feed/email)

tracklist

1. “Burnout”
2. “Having a Blast”
3. “Chump”
4. “Longview”
5. “Welcome to Paradise”
6. “Pulling Teeth”
7. “Basket Case”
8. “She”
9. “Sassafras Roots”
10. “When I Come Around”
11. “Coming Clean”
12. “Emenius Sleepus”
13. “In the End”
14. “F.O.D.”
15. “All by Myself”

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#essencialbuns IX: Ratatat, Classics

Classics, Ratatat

Por Marçal Righi
@marcall

Quando fui convidado a escolher “um disco no universo inteiro” na hora me vieram na cabeça vários álbuns clássicos de bandas clássicas, que ganhariam o páreo facilmente em qualquer lista de melhores por aí. Mas eu queria ir mais fundo, fugir do óbvio, não para ser do contra, mas para mostrar que há álbuns extremamente bons que não são tão iluminados pelos holofotes.

O disco escolhido por mim não marcou época, não ocupou as primeiras posições das paradas e não tem lindas letras. Aliás, não tem uma única palavra.

Falo de Classics, segundo álbum da dupla novaiorquina Ratatat. Lançado em 2006, foi esquecido devido à falta de popularidade e à concorrência com lançamentos de Strokes, Killers e Arctic Monkeys. Uma imensa injustiça.

O álbum impressiona pela beleza dos arranjos instrumentais e pelo modo como são colocados elementos eletrônicos e orgânicos, criando um estilo musical impossível de classificar, que mistura breaks, guitarras e violinos, com uma harmonia indescritível.

As músicas seguem uma linearidade calculada, e tudo está exatamente onde deveria estar, no momento certo. O pesado e o leve contracenam e até fazem esquecer que são opostos, assim como os instrumentos, que estão unidos independente do estilo musical a que pertencem.

Costumo dizer que uma boa banda instrumental é aquela que consegue dizer tudo que precisa sem utilizar uma única palavra. O Ratatat faz mais que isso em Classics. O disco expressa sensações, levando a audição a um outro patamar, que corre da tranquilidade à euforia em instantes, e que ao seu final recompensa o bom ouvinte com um sentimento de que escutou e entendeu tudo que o Ratatat quis dizer: Não há limites para a música.

E pra quem achou que eu não ia falar de clássicos, está aí, ao pé da letra.

o desafiado

Marçal Righi é um dos responsáveis pelo move that jukebox, vive entre lhamas e bananas e já detonou com essa vitroleira que vos fala numa performance atípica de Celular Hero. É estudante de publicidade e redator da agência Riot.

classics para ouvir


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tracklist

1. “Montanita”
2. “Lex”
3. “Gettysburg”
4. “Wildcat”
5. “Tropicana”
6. “Loud Pipes”
7. “Kennedy”
8. “Swisha”
9. “Nostrand”
10. “Tacobel Canon”
11. “Truman”

//mais informações

#essencialbuns VIII: Nola, Down

NOLA, Down

Por Tiago Casagrande
@bereteando

O ÚLTIMO ÁLBUM

A vida não é assim. Existem muitos sabores. Muitos cheiros. Muitas pedras. Rios. Nuvens. Grama. Um único disco. Não é assim que funciona. Mesmo na prisão o pensamento jamais desacelera. Mesmo em três cachimbadas de haxixe as imagens não cessam. E que dizer do sono. A natureza não pode ser combatida e a música é a mais primeva das expressões artist- Um disco só. Um só. Um disco sozinho, eu sozinho, o armagedon antes de cortar fora as orelhas pra jamais localizar de onde vem os ruídos. La batalla del Armagedón se llevará a cabo justo antes del milenio. Já estamos perdidos.

Um único disco são tantos. De tantos, um? Os caminhos que me levam, o único que traço enquanto sigo. Um que seja infinito enquanto lado A e lado B, ou 74 minutos. Retorno longe: penso nas origens, but I’m experienced. I’ve been to a black sabbath. I was a fireball flaming the houses of the holy. My way is a silent way, with bitches brewing supremely in love. Minha mochila já tão carregada. Penso que precisaria de estímulo intelectual infindo e posso entender a ilimitude do jazz, mas ele não me compreende. Inteiro. Porque sozinho; um único, e por isso eu certamente frustrado. Se apenas um, que contenha não só a melodia, mas também a raiva. Harmonias para energizar lenhador, machadadas em coqueiros; todo homem é uma ilha. Há esquinas, mas todo caminho mostra que inevitavelmente estamos sozinhos.

I leave my woes at
stranger’s road dispose;
and let the sun back on my face.

~.~

No meu panteão, Black Sabbath reina soberano. Não apenas sentimento pessoal, também louvor histórico: sem o álbum homônimo de 1970, quarenta anos, não haveria qualquer heavy metal, quarenta anos. Tanto me acompanham que já faz parte da pele. Diz o nome de uma música e eu canto. HD informatável. Seus filhotes, hellspawns, são muitos; no meu altar, New Orleans, Louisiana vem logo depois de Birmingham, West Midlands, porque de lá veio o doom pantanoso e magnífico de Crowbar, e também a casa de máquinas com nome felino e guitarrista assassinado. 1995: New Orleans não era Seattle nem nunca será, mas a botecagem e camaradagem e as jams; tanto quanto. 1995 e as esquinas de New Orleans: “Le Bon Temps Roule” é o nome do bar que Pepper Keenan mantem lá. Um bom guitarrista, mas não exatamente grande; ou senão gigante por um disco; pelo trabalho que fez com Kirk Windstein e Jimmy Bower e Todd Strange, 3/4 de Crowbar à época, mais o imbecil-odiado-mas-irmão Phillip Anselmo — em NOLA, que outro nome poderia ter o primeiro disco do Down.

Anselmo ainda gritava pelo Pantera. Lá o clima andava tenso. Anselmo estava enfurnado no ópio e, no ano seguinte, 1996, teria uma overdose de heroína. O Corrosion of Conformity de Keenan, tanto quanto o Crowbar, eram (são) puro, e mero, underground. Elenco contextos, mas não é possível explicar: COMO foi possível que compusessem um disco TÃO brilhante. Não que não sejam dignos, mas tanto…? Do início ao fim, os riffs de Keenan são absolutamente brilhantes, memoráveis; provindos diretamente de oferendas a pai Tony Iommi. O vocal rouco e correto como jamais outra vez, seguindo o baixo como Ozzy havia ensinado. O baixo fora do caminho da bateria compassada, como que a de Bill Ward. Down não imitava Black Sabbath, mas nunca esteve tão próximo; o Sabbath nunca pôde ser tão raivoso, e raramente conseguiu aliar melodias tão simples, e honestas, e grudentas, numa obra fechada como em Nola. Audições comprovam o DNA do godfather Kirk Windstein, um gordo careca imenso de barba idem que não tem vergonha de admitir que tira suas harmonias das canções pop dos anos 60. Listo referências, mas é inútil, porque o amálgama único, e o timing correto, e as esquinas; Nola é um disco de stoner, flerta com o death, tem sludge em perfeita medida (que não se repetiria nos discos posteriores), e é colante e cantável como o groove metal desenvolvido no Pantera, e arrolo estilos e pouco importa, porque é exatamente isso que acontece quando se ousa descrever obras verdadeiramente únicas; sozinhas, últimas. Mesmo que haja uma equação, ela desaparece no ar. Os trabalhos mais perfeitos parecem perenes, como que sempre estivessem ali, aguardando apenas um avatar. É o caso. Em 19 de setembro próximo Nola faz 15 anos, e eu escuto como quando tinha 17, e posso cantar qualquer faixa, me arranca a tampa da cabeça que tenho backups nas unhas. Na minha igreja o teste do tempo é aplicado semestralmente em Nola, e os riffs não enfraquecem. E não trato de nostalgia. Tenho uma pilha de outros discos que poderiam ser mais significativos e evocar lembranças, e esse não evoca nenhuma, a não ser a sensação que tive ao escutá-lo pela primeira vez: ora incessante, ora demolidor, ora cativante e sensível e lisérgico, Nola seria uma coleção de ostras de titânio criadas a 15 mil metros de profundidade, se isso fizesse sentido. Não tenho disco que me cause prazer repetido e urgente e arraigado como esse, ou com letras que poemem tanto e em tantos períodos diferentes em mim; poderia escrutinar planilhas e encontrar similares rodando algoritmos, mas se único, se um só, é aquele que veio e não permitiu dúvida, e diante dela, riu.

No final de Swan Song, a última faixa do disco a ser gravada, Anselmo diz “Thanks”. Keenan responde, “No, thank you”. Eu tenho vontade de mandar os dois à merda, com toda gratidão que isso encerra.

~.~

Layne Stanley, um grande mestre que aceitou pagar o preço de uma vida de sangue obnubilado por substâncias tóxicas para realizar sua obra, deixou diversos bilhetes de suicida em suas músicas. Houvesse justiça poética, ou fossem estes os anos 20, e Anselmo teria morrido naquela overdose. (E Ozzy, em 1981.) O legado não é tão grande, ou comparável, aos de toda aquela conhecida casta que morreu drogada aos 27 anos; mas se ele, filho da puta, sobreviveu, também eu posso emprestar alguns, ou tantos versos. E mesmo prever grafado em lápide, a minha:

Dont regret the rules I broke
When I die bury me in smoke.

Porque se for pra escolher um só, que seja múltiplo, e pleno, e confuso e energético como eu planejei um dia ser. Como obra, estou longe. Enquanto ser vivo, aqui espelho.

o desafiado

Tiago Casagrande vive bereteando por aí. Impressiona com all your gardening needs, sua jardinagem ambient/eletronica, e cacto-liptus, um experimento de música, fotografia e poesia. Uma das cabeças do impop, tiago foi o responsável pela maior thread já vista no mailing dos vitroleiros, com o post sobre a gangue do Casca. E nem sabe disso.

nola para ouvir


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tracklist

1. “Temptation’s Wings”
2. “Lifer”
3. “Pillars of Eternity”
4. “Rehab”
5. “Hail the Leaf”
6. “Underneath Everything”
7. “Eyes of the South”
8. “Jail”
9. “Losing All”
10. “Stone the Crow”
11. “Pray for the Locust”
12. “Swan Song”
13. “Bury Me in Smoke”

//mais informações
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#essencialbuns VII: Nirvana, Nevermind

Nevermind, Nirvana

Por César Ovalle
@cesinha

Quando recebi uma das perguntas mais cruéis de todas em meu e-mail, resolvi pensar na resposta por dias. A pergunta nada mais era do que “Se você tivesse que escolher apenas um álbum – EM TODO O UNIVERSO POSSÍVEL – qual seria?

Pronto, bastou ela pra mexer com todos os pensamentos, sentimentos, cronologia, ideologia, conhecimentos e tudo mais aqui dentro da minha pessoa. Primeiro tentei resgatar os mais importantes da minha vida, talvez os que me fizeram moldar o meu gosto musical, e dentre eles fui tentando achar qual é realmente essencial. Dentre todos os separados por mim, tinha lá alguns do Metallica (…And Justice For All e Black Album), tinha o Dookie do Green Day, o Ten do Pearl Jam, o Stranger Than Fiction do Bad Religion, o Diary do Sunny Day Real Estate e até o Rádio Pirata AO VIVO do RPM e o Sobrevivendo no Inferno dos Racionais MC’s… sim, acredito que todos esses (e mais um monte que não citei) me ajudaram a formar meu gosto musical e tudo o que sei sobre música ou coisa que o valha, mas como a pergunta era sobre um e essencial, tive eu que começar a eliminar supostos competidores.

Como disse no começo, é algo muito cruel, e tenho quase certeza que daqui um tempo eu possa mudar de ideia, mas como a pergunta foi feita agora, a resposta representa o meu eu de agora também, e o escolhido pra essa coisa toda é o tão aclamado Nevermind da tão polêmica Nirvana.

Juro que não vou me estender muito nos motivos, mas preciso dizer que em meados de 1991 (ou já era 1992 e eu não lembro?), quando um grande amigo meu tocou a campainha da minha casa com esse vinil em suas mãos, eu posso admitir que já pela capa aquilo me impressionou. Na época eu só ouvia heavy/trash/death metal e aquilo não tinha cara alguma de que fosse mais uma banda dessas… e me lembro que a única coisa que ele falou foi “Ouve isso”. Naquela época a gente não existia internet e então você não tinha muitas notícias do que rolava pelo mundo afora, você sabia através de revistas especializadas em música como a ShowBizz ou a própria RockBrigade… mas eram mensais, ou seja, demorava pra chegar as novidades – e um disco desse então? Tem noção de como era difícil arrumar? Enfim, voltando ao assunto, imagina agora um muleque com seus 11 ou 12 anos colocando o Nevermind pra tocar e ouvindo os primeiros acordes de Smells Like Teen Spirit em alto e bom som na sala da sua casa com o seu melhor amigo. Deu pra imaginar? Talvez não, mas eu me lembro como se fosse ontem, aquilo entrando pelos meus ouvidos com uma reação do tipo “Que porra é essa e porque me soa tão bem?”. Digo que foi amor a primeira ouvida, tanto que não escutei a segunda faixa em seguida, eu voltei pra primeira mesmo. Momentos depois que ainda fui me deparar com outras pérolas como Come As You Are, Lithium, Polly, On a Plain e outras.
Resumo o disco como um marco na história do rock e como um dos maiores clássicos do mesmo até hoje, tanto que se não me engano, a VH1 elegeu o disco como o segundo melhor álbum de rock da história, perdendo só pro Revolver dos Beatles (que aliás, é um belo disco também – e porque não essencial? haha).

Pra mim ele é essencial pois marcou uma revolução dentro dos meus conceitos, dos meus gostos musicais e, porque não também, me ensinou muita coisa como o que é o rock de verdade, não só o disco como a banda em si. Sem dúvida alguma é ele o meu eleito e quem sabe eu nunca mude de opinião, mesmo porque ele é sem dúvida um forte candidato a ser campeão invicto e sem ameaças.

o desafiado

César Ovalle é dono de um dos olhares mais aguçados que você pode imaginar. Sabe que as imagens podem falar, e mais — sabe, como ninguém, tirar palavras delas: Formado em Rádio e TV e Fotografia, vive pela estrada registrando a vida dos meninos do Nx Zero, clicando ângulos inusitados e dividindo com os amigos a paixão — antiga — pela música.

nevermind pra ouvir

(clique aqui se você acompanha o blog pelo feed // clique aqui se você quer a playlist direto no grooveshark)

tracklist

# “Smells Like Teen Spirit” (Cobain, Krist Novoselic, Dave Grohl) – 5:01
# “In Bloom” – 4:14
# “Come as You Are” – 3:39
# “Breed” – 3:03
# “Lithium” – 4:17
# “Polly” – 2:57
# “Territorial Pissings” – 2:22
# “Drain You” – 3:43
# “Lounge Act” – 2:36
# “Stay Away” – 3:32
# “On a Plain” – 3:16
# “Something in the Way” – 3:55

#essencialbuns VI: Metallica, Load

(Load, do Metallica, comentado por @dbastos)

Load, Metallica

por Daniel Bastos
@dbastos

É o POP (U2), o Nine Lives (Aerosmith), o Chinese Democracy (GnR), o Americana (Offspring) deles.

Desviando de pedras, devo dizer que o Load foi criado em um momento delicado pro Metallica. A banda estava meio encostadona, preguiçosa, querendo perder a postura de “banda do capeta” e colocar todas as influências não-metal deles nas músicas. Depois de serem duramente criticados pelo Black Album, que é considerado pelos metal-xiitas como o último disco METALLICA do Metallica, eles mostraram que construções melódicas, trejeitos vocais e riffs também transmitem a mensagem do metal.

Até hoje considerado o pior álbum deles (pior que o Reload), eu acho indispensável pelo simples fato de que eles se propuseram a arriscar o status conquistado fazendo o que eles queriam e mudaram completamente a sonoridade da banda. É um ótimo álbum, mal visto apenas pelos já citados metal-xiitas, que não percebem que até o sensacional Death Magnetic tem resquícios dessa revolução artísitica interna, deles.

Ou algo assim.

o desafiado

Daniel Bastos, quando não é gerente do Crediário, é webdesigner. Conhecimento avançado no uso de boas palavras e ironia fina, diz por aí que não possui nenhuma meritocracia informal na internet, mas há controvérsias. Afinal, @dbastos vive lá pelas bandas de Brasília, Na Rota Do Rock, é do “qualquercoisacast” 100+ delongas e já foi até modelo de corrente das internets.

load para ouvir


(clique aqui para ouvir se você acompanha o blog pelo feed)

tracklist

1. “Ain’t My Bitch”
2. “2 × 4″
3. “The House Jack Built”
4. “Until It Sleeps”
5. “King Nothing”
6. “Hero of the Day”
7. “Bleeding Me”
8. “Cure”
9. “Poor Twisted Me”
10. “Wasting My Hate”
11. “Mama Said”
12. “Thorn Within”
13. “Ronnie”
14. “The Outlaw Torn”

//mais informações sobre o álbum
//WTF #essencialbuns?