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Abram alas para o novo espetáculo

Posted on 11 September 2009 by Emanuelle Herrera

ludov

O sábado frio não impediu que cerca de 200 pessoas fossem ao Clash Club prestigiar o lançamento de “Caligrafia”, o novo trabalho da banda paulistana Ludov. O show, que começou com o clipe de “Reprise”, fez a galera se aglomerar perto do palco para ouvir “Luta Livre”, “Terrorismo Suicida” e “Sob A Neblina Da Manhã”. Valeu a pena: a noite foi recheada de surpresas. Na música “O Seu Show é Só pra Mim”, por exemplo, a banda contou com a participação da Talita, da banda Motores e em “Não me poupe”, foi a vez Bruno Serroni, baixista do Pullovers, entrar com seu cello.

Os ludovicos (como são chamados os fãs da banda) cantaram todas as músicas, do início ao fim – engasgando no francês de “Notre Voyage”, fazendo passinhos para “Reprise” e vibrando ao som de “Kriptonita”, “Rubi” e “Urbana”. Sem contar o ‘bis’, praticamente um presente: “Dois a Rodar” e “Princesa”.

Algumas semanas após o show, trocamos algumas palavrinhas com Mauro Motoki. Confira abaixo um pouquinho do nosso diálogo!

Como foi o processo de criação do novo disco?

Motoki: Fomos para o sítio do Fabio Pinczwoski (o produtor da banda) com quase nenhum material composto. Levamos todo o equipamento pra lá, e à medida que as canções iam surgindo, íamos gravando.

A proposta do disco era apresentar um pouco da identidade coletiva do Ludov, mas também um pouco de cada um dos integrantes. Quais músicas representam essa proposta?

MM: A proposta do disco foi deixar cada um livre para exercer sua individualidade. Todas as músicas representam essa proposta. Não houve a obrigação de tudo parecer coletivamente a cara do Ludov.

Qual a principal diferença entre “Disco Paralelo” e “Caligrafia” ?

MM: Acho que a principal diferença foi essa da coletividade versus individualidade. No Disco Paralelo, vínhamos sentindo uma necessidade de nos provarmos como entidade coletiva, como auto-suficientes em nós mesmos. Os arranjos foram quase todos resolvidos entre nós 4, sem overdubs. Já no Caligrafia, admitimos que tudo que viesse de cada membro já seria automaticamente do grupo. Demos mais espaço para cada um dar sua visão pessoal do todo.

capa_alta

Alguém me explica a capa do disco? (rs)

MM: A capa é uma fotografia linda tirada pela Tainá Azeredo, de um espetáculo do artista japonês Toshi Tanaka, em que ele faz uma performance de dança e ao mesmo tempo escreve um ou mais ideogramas no papel de arroz. Remete a música e a caligrafia.

Como foi pra vocês já ver a galera cantando junto músicas como “Luta Livre” e “Terrorismo Suicida” ?

MM: Temos muita sorte de ter fãs como os nossos, que se interessam, que acompanhan, que também adoram essa troca que são os shows. É sempre emocionante ver alguém cantando nossas letras, ainda mais tão perto do lançamento.

O videoclipe de “Reprise” tem uma dancinha estilo anos 80.  De quem foi a idéia e porque vocês escolheram essa música como a primeira a ser trabalhada ?

MM: A idéia veio de conversas com o diretor Ricardo Sêco, que levou todo o processo com muita tranquilidade, eficiência e dignidade. Essa música tem uma cara de primeiro single, né? Ela sintetiza um pouco um discurso, por mais variado que seja.

Cd lançado, videoclipe pronto. Quais são os planos agora?

MM: Muitos shows!

Quando são os próximos shows? Quais cidades vocês pretendem tocar?

MM: O próximo show é no Sesc Pompéia, dia 18/09. Mas temos shows confirmados em Campinas, São José dos Campos, Osasco… Em breve todos estarão no nosso site. Queremos rodar o Brasil, como fizemos nas turnês dos outros dois álbuns. E quem sabe estrear ao vivo fora do país…

É difícil fazer bom rock’roll no Brasil?

MM: Deve ser. Às vezes é difícil fazer qualquer coisa boa no Brasil. O negócio é não desanimar.

Fotos: Inker Agência Cultural

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Candy Rock

Posted on 02 July 2009 by Tory Oliveira

LEELA (RJ) no CCSP, 28.06.09

A equipe do Vitroleiros foi conferir o show da banda Leela no CCSP – e bateu um papo com o quarteto. A pauta? Influências musicais, o papel da Internet  e o agora onipresente Michael Jackson.

Com os olhos pintados de azul, Bianca Jhordão empunha sua guitarra, balança a cintura ao som da música e depois se joga no chão para solar de pernas quase entrelaçadas com o guitarrista Rodrigo Brandão. Difícil acreditar que aquela femme fatale do rock é a mesma que manipula com delicadeza o theremin e canta com uma voz doce letras sobre encontros e desencontros do amor.

A vocalista Bianca Jhordão é o centro de uma banda formada atualmente pelo guitarrista Rodrigo Brandão, o baixista Tchago Kochenborger e o baterista PHD Ronzoni – o Leela, uma banda nascida no underground do Rio de Janeiro em 2000 e cujo nome soa familiar para grande parte da geração que cresceu assistindo MTV.

Como acontece com quase toda banda com vocal feminino, a sonoridade do Leela  – marcada por guitarras altas e distorcidas – acaba diluída no apelo pop da voz de Bianca.  Talvez por isso, a banda conseguiu sair do limbo do anonimato e atingir um público maior. Em 2004, lançou um álbum homônimo pela EMI e, no ano seguinte, ganhou o prêmio de Revelação no VMB. “Te Procuro” foi parar na trilha sonora da novelinha “Malhação” e a banda já fez shows em quase todos os cantos do Brasil, inclusive abrindo para a Avril Lavigne. Com tudo isso, ainda não dá pra viver só de música?

Leela Is On fire!

“Ter uma banda de rock é uma filosofia de vida. Então não dá pra entrar nessa pensando em ganhar dinheiro – é lógico que você espera que gere, mas nem sempre isso acontece.” Responde Bianca, que também acumula a função de apresentadora do programa Fala + Joga, na PlayTv.

Em tempos de crise na indústria fonográfica, o Leela apostou na divulgação online do cd “Pequenas Caixas”, lançado em 2007 pela Universal/Arsenal. No site oficial da banda, é possível ouvir todas as faixas do disco e conferir suas respectivas letras e cifras. Sobre as mudanças no modo de se relacionar com a música hoje em dia, Bianca filosofa: “Acho que a Internet possibilitou a gente ouvir outras músicas e mais músicas do que a gente costumava”. “É uma coisa impressionante a facilidade de se baixar um disco e a dificuldade de se comprar um disco.”, espanta-se o guitarrista Rodrigo Brandão.

E o assunto que não quer calar: Michael Jackson. Será que o Leela ficou de luto por ele?

Bianca Jhordão confessa que tinha medo do Michael Jackson quando era criança – principalmente do clipe de Thriller. Traumas infantis a parte, ela lamenta a morte do astro pop: “Acho triste sim, ele era um gênio, dançava e cantava muito bem. Mas depois de um tempo sua vida pessoal acabou deixando ele paranóico e maluco com o mundo. Ele ficou meio perdido e não fez mais nada de legal no campo musical.”

Rodrigo acredita que Michael Jackson – e a indústria do entretenimento por trás dele – teve uma influência bastante negativa para o mundo da música: “Esse mundo pop descartável é todo derivado do Michael Jackson.  Além disso, o golpe que ele deu no Paul McCartney eu achei muito maldoso. Desde que eu soube dessa história, eu parei de gostar tanto do Michael Jackson. Apesar dele ser genial, cantar e dançar muito e eu lamentar a morte dele – não dá pra ficar de luto não.

PHD e Tchago: "Peraí, eu gosto de Michael Jackson!"

PHD e Tchago: Peraí, eu gosto de Michael Jackson!

Lá do seu canto, o baixista Tchago Kochenborger protestou “Vocês estão falando muito mal do Michael Jackson! Ele foi o grande responsável por mostrar as linhas de baixo para o mundo.”

Então tá, né? O Tchago gosta tanto do Michael Jackson que resolveu incluir o cantor na lista de influências do Leela. O resto da banda completou: Radiohead, PJ Harvey, Nirvana, Pixies, Beatles, Queens of The Stone Age, The Hives, Franz Ferdinand, Led Zeppelin. Entre as bandas nacionais, Legião Urbana, Titãs, Barão Vermelho (“das antigas”) e Hanoi-Hanoi.

O show do Leela rolou no Centro Cultural São Paulo, no dia 28 de junho. O ponto alto foi a Bianca com o seu theremin – e o fato da Jessica ter levado uma Melissa na promoção que rolou por lá. =)


Abaixo, uma galeria com algumas fotos que separamos pra vocês. Pra conferir todas as fotos do show, é só clicar aqui.

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