Alex Noble: “As estrelas pop substituíram as grandes modelos”

Não há dúvidas sobre o fato de que música e moda estão hoje intimamente interligadas – a ponto de nem sempre sabermos quem influenciou quem – mas as formas como isso parece acontecer, em geral, dividem opiniões.

Vou pegar exemplos próximos, da última década mesmo: quem não lembra, no auge da “febre emo”, lá por 2004, da Galeria do Rock lotada de adolescentes todos de cabelos coloridos, vestidos de preto, com maquiagem carregada, posando tristes para seus fotologs?

Good Charlotte, uma das centenas de bandas que, no início dos anos 2000, mostrava que meninos podiam se maquiar mais que suas namoradinhas e ainda assim ser rock'n'roll. Pelo menos em seus grupinhos....

Das comunidades gigantes no orkut que diziam “Já chorei ouvindo Fresno” com seus membros fãs de correntes, cintos de rebite, lápis preto, quadriculado e franjinhas? A banda luta até hoje contra esse rótulo e não é a única: teve até grupo se desculpando publicamente por ajudar a criar o estilo. Não que eles tenham culpa, de fato. Até porque, como sempre pode piorar, em pouco tempo esses emos se transformaram em “from UK”, migraram pro MySpace imitando os looks de suas bandas gringas de apenas 200 ouvintes e seus irmãos caçulas (com esse incrível exemplo em casa, antes mesmo de crescer) acataram ao colorido de grupos como o dos guris do Restart, reis do kitsch nas rádios.

Os guris do Restart, que se intitulam "coloridos", tocam "happy rock" e fazem a maior grana não só com sua música como com uma loja virtual em que vendem looks parecidos com os deles - além de já terem sido patrocinados por marcas de roupas "alternativas". Suce$$o fashion da garotada

Bom, fico por aqui nas ilustrações. Além de pouquíssimas, são exemplos pequenos e bem centralizados diante da quantidade de artistas e estilos que vemos por aí – mas acho que deu pra sentir um pouco da ideia e podemos prosseguir.

Quando tentei iniciar uma discussão no QG, por exemplo, a Manu lembrou logo dos anos 90: “ainda que haja influência de uma sobre a outra, elas surgem simultaneamente”. Um ícone? “Acho que não dá pra datar se o que apareceu primeiro foram as camisas flaneladas ou o grunge”. Dá?

Eddie Vedder e sua flanelada no clipe de "Even Flow", clássico grunge. O cara ficou anos usando a mesma camisa sem medo nem vergonha

A Tatti, que de todos por aqui é a mais inserida no mundo pop, citou imediatamente a evolução da Lady Gaga: “ela é musicalmente bem comum e seria só mais uma cantora pop não fossem as esquisitices dela. E grande parte dessas esquisitices são relacionadas a forma de se vestir, usar os cabelos, sapatos, acessórios, etc”. Bingo! Esse frisson todo não se deve apenas ao talento ou maluquice da cantora em si, há gente por trás disso tudo. “Se não fosse pelos grandes profissionais que trabalham com ela neste ponto, ela não seria o ícone que se tornou, mas apenas mais uma cantora que aparece e desaparece”.

Gaga vestida de carne para a capa da Vogue: ela tem talento, mas o que a colocou e mantém em destaque são a ousadia e a irreverência de seus looks, sempre exagerados. Sem eles, ela é apenas mais uma cantora pop

Já apresentamos aqui duas das infinitas mentes criativas por trás das invencionices de Gaga: Fred Butler - a stylist dos acessórios que fazem não só a cabeça da cantora como também o estilo de artistas como Nick Minaj, Bjork e Florence Welch – e Alex Noble, responsável por grande parte daqueles visuais malucos e fetichentos que vemos nos clipes dela.

E Noble não está no título desse post à toa. Ele foi o ponto inicial para nossa discussão: no vídeo de hoje, que inaugura uma nova fase do Swatch MTV Playground – a Scene@ – em que o foco são os estilos ligados às cenas musicais. Confira o papo exclusivo com o estilista:

Pra mim, é uma equação simples: a exposição a que as estrelas pop estão submetidas faz com que o que elas vestem seja mais comentado, criticado ou… Copiado, claro. Afinal, a música traz, além de tudo, identificação. Mas o questionamento fica: Quão importante você acha que é a influência da música na moda e vice-versa?

AH! Você pode mostrar na prática participando do Scene@ também! É só subir a foto do seu look influenciado por algum estilo musical no site da Swatch MTV Playground. Estaremos de olho por lá pra conferir tudo! :)

comentando clipes: Garota Radical

Já é quase sexta-feira e ADIVINHEM se o Francisco não voltou com a língua afiadíssima? Claaaaaaaaro que sim! Hoje é dia de falar de Cine. E, claro, essa não é necessariamente a nossa opiniãoooo… Mas que faz algum sentido, faz! Let’s read!

cine

Eu sempre fui adepto de algumas teorias da conspiração no que se trata de música. Inclusive criei algumas. Ninguém se assusta por não conseguir parar de pensar em “Aposto um beijo que você me quer – Wooowoow Woowoowowowowww!”. Eu fico apavorado. Direto daqui de São Paulo, a banda CINE é conhecida pelo hit Garota Radical (mais alguém descobriu agora que o nome da música NÃO É Aposto um beijo que você me quer?) e pelo sucesso foguete dos garotos.

A banda, além de fixar refrões maquiavélicos na cabeça das pessoas, é recebida por extremos: ou são muito amados ou muito odiados. Mas, o foco da discussão não são os parâmetros de ódio, ou amor, para com a banda CINE, muito menos a qualidade musical do som, não sou um crítico e nunca acreditei em regras para uma boa música. Nosso alvo será o vídeo clipe de Garota Radical.

Segue o link do vídeo. Vamos tentar o mesmo esquema da outra vez. Ler com pausas para o vídeo. Fica mais fácil ilustrar. Sincronia em 3…2…1… PLAY.

O cenário é uma festa, aparentemente, particular, pelo número de pessoas. O detalhe desta cena de segundos fica por conta de um garoto de blusa laranja, francamente feliz dançando com soquinhos ao vento – e pelo medo das pessoas, observem que ninguém está perto dele-. “Aposto um beijo que você me quer”. Fade na festa.

Cortou. Aí estão nossos meninos. Pausa. Eu imagino que ser apenas ou vocalista de uma banda, isto é, não tocar nenhum instrumento, ficando apenas com a voz, deve ser uma tarefa difícil. Não só pelo símbolo do vocalista, mas por uma das questões mais filosóficas do mundo da música: O que fazer enquanto se canta?

O que é a dancinha do garoto no começo???? Começa num movimento meio lacraia, depois marcha soldado, daí ele corta o vendo com a mão e isso tudo com o Wooowoow rolando já. PÁRA. Vamos ignorar o pulinho de outro integrante, seguido de um close assustador do homem dos teclados.

Agora é ótimo. A banda se reúne em slow-motion para uma caminhada pique N’Sync ou Armageddon-aquele filme idiota com o Bruce Willis-, fiquei confuso, quando algo muito curioso acontece. Ignorem o fato de todos estarem mexendo em suas blusas para captar a felicidade do rapaz à direita do vocalista. Ele não tira a blusa, ele bate asa. Será Bruce Wayne um integrante da banda CINE? Mistérios.

Corta. Voltamos para a festa, rola aquele beijo forçadamente repelido quando… O vocalista ataca a câmera. Não. PAUSA. Olhe de novo. O close fecha com um golpe de kung-fu e, quando as mãos se abaixam, um biquinho de Caetano Veloso na Tropicália. Eu tô falando que CINE faz parte de algo do mal.

Outra cena com a banda. O nosso lutador continua com as dancinhas que parecem contagiar o resto da banda, a exemplo do backvocal desse refrão, que faz toda uma performance MC Risole pra cantar. Mais dancinhas e voltamos pra festa. PAUSA. Ou a festa excluiu a banda CINE, ou a banda CINE excluiu a festa. Eles estão numa posição, novamente, nitidamente forçada para que eles sejam o foco, e o pior, parecendo os Power Rangers.

A garota radical passa e causa comoção nos nossos meninos, quando o vocalista nos mostra outro golpe de artes marciais, empurrando o coitado de camiseta (o único com calor) ao seu lado, tudo para admirar a beleza do ser feminino que passava. Close na sósia da Anne Hatteway e voltamos para a banda. Por que o garoto morde o lábio desse jeito? E por que ele puxou a camiseta assim? O que será esse símbolo? Mais mistérios.

Corte. Mais cenas da festa e descobrimos que a garota radical não sabe dançar. Mais dancinhas quando nosso menino do kung fu ataca novamente! O rapaz de camiseta tenta uma aproximação com a garota, quando seu amigo loiro rapidamente age, o tirando de perto da garota radical. Agora vêm cenas da banda, que acredito que sirvam para terminar de enfiar Wooowoows na cabeça do ouvinte.

De volta à festa, vemos que um dos integrantes da banda cine não tem muito tato com as mulheres, o que justifica a indignação da garota radical. Depois de mais uma sequência de dancinhas estranhas, ALGO ACONTECE. Fecha a cena para a festa e abre com um garoto jogado ao chão. Teria o vocalista da banda cine atacado de novo? Será um PT? Esse clipe já é um caso pra turma do Scooby Doo. Ele se levanta e descobrimos que foi a garota radical que aplicou o golpe, e o melhor, que a festa inteira está apontando e rindo. Isso é muito cruel.

Preciso dizer. Cansei. Pra quem quer saber, o clipe termina com a cena mais nojenta do mundo. Enfim. Vamos parar de alfinetar nossos meninos. Um porque eu estou sendo xingado pelo público feminino e homossexual do meu MSN, dois porque um dos integrantes treinou artes marciais com o Chuck Norris, três porque tá ficando muito grande! Esse clipe é cheio de pormenores, quase um Tarja Turunen!

Beijos pra quem lê.

3E com um a menos

O guitarrista Vitor Cahu saiu da banda pernambucana Terceira Edição, mas vale a pena conhecer o rock dos rapazes.

(com contribuição de Clara Camargo e Tory Oliveira, imagens de Ariane Freitas)

thumbterceiraNo dia em que fomos cobrir o show da banda carioca Leela no Centro Cultural São Paulo acabamos conhecendo outra, o Terceira Edição. Para quem gosta do rock atual baseado em composições próprias, vale a dica.

A banda recifense empolgada abriu a noite em preto e branco – o figurino parecia uniforme combinado, mas formava uma imagem legal. De acordo com a vitroleira Clara Camargo, a banda veio com personalidade na música e nas letras. Para ela, “eles estão no limite entre a qualidade dos Detonautas e CPM 22”. Naquela noite quem tocava eram todos os integrantes: Vinicius Frota, no vocal, Vitor Cahu, guitarra, Thiago Régis, guitarra, Thiago Guerra, bateria, Tiago Tejo, baixo.

Terceira Edição (3E), no cenário desde 2003, já lançou dois álbuns: “O show da vida ideal” e “Sobre todos e sobre ninguém”. Pelo que contam, têm publico cativo em sua cidade-natal, Recife, onde já abriram shows de grandes bandas. Já em São Paulo, para onde vieram há algum tempo, ainda estão na batalha.

Dentre outras informações legais, vale lembrar que participaram do “Garagem do Faustão”. O guitarrista Vitor Cahu conversou com a vitroleira Tory Oliveira sobre o assunto e afirmou que “o programa do Faustão tem uma proposta interessante para as bandas novas, mas o resultado final é desvalorizado pelo pouco tempo que a banda tem para apresentar o seu trabalho”. Sobre a repercussão da aparição Global, Vitor adicionou: “mesmo assim, o programa gerou uma visibilidade incrível”.

Simpáticos, apesar da cara do vocalista de “sou super famoso” quando alguém cantava o refrão ou soltava um berro, o grupo realmente sabe estabelecer um elo. Clara também concorda: “o Thiago Régis enfeitava os solos de guitarra e olhava para o Vitor, que sentia o que ele estava transmitindo e o acompanhava. Isso é sintonia de banda”. Infelizmente, o guitarrista Vitor, que tocava demonstrando alegria, está saindo da banda. Ele parte para Portugal, mas vai continuar compondo para os amigos. Ainda assim, sentimos uma espécie de vácuo, visto que ele parece liderar um pouco o grupo e fazer uma parte muito importante para eles. Daqui pra frente, é ver como as coisas seguem.

A música está melhor no myspace do que ao vivo, quando em alguns momentos parecem barulho. E é na internet, acredita o 3E, que o trabalho chega ao público. Mas fãs, afirmam os músicos, ainda compram e preferem o disco físico, completo.

Termina o último show do Vitor Cahu no 3E e o vocalista Vinicius Frota pede aplausos de pé. “O Vitor abriu portas para a banda”, afirma e vibra. Depois de tudo, um fã da banda ainda pediu: “a palheta!”. E seguem a vida, tocando por aí no cenário brasileiro de rock.

Mais imagens do último show do Vitor no 3E aqui.

Dance Day: É hora de… Postar!

Iniciativa do Dance of Days aproxima (ainda mais) a banda aos fãs

dance-day

Não é de hoje que a banda Dance Of Days tem ligação forte com os fãs, principalmente pela internet.  É orkut, comunidade, fotolog – sempre estão dispostos a responder, conversar, tirar foto… E sempre tem alguma campanha rolando online pra ajudar a banda a crescer. Tá certo, esse é o espírito da cena independente, né não?

Pois então! Com o intuito de aumentar a divulgação,  DOD criou recentemente o DANCE DAY. Segundo o fotolog oficial, uma data será escolhida mensalmente para que os interessados postem em seu respectivo fotolog uma foto da banda, um caption criativo a respeito dela, e a agenda de shows, com um link pro trama virtual. Nesse dia, após postar o combinado, o participante entra no fotolog do DOD e comenta “PARTICIPEI DO DANCE DAY”.

A banda analisará a criatividade do caption e escolherá o melhor. Quem ganhar escolhe entre um CD autografado da banda ou (essa é só pra quem mora em São Paulo!) assistir a um ensaio com direito a acompanhante, fotos, vídeos, escolher música… Bem legal!

Já saíram as datas dos primeiros Dance Days, anotem aí e divulguem pra quem curte! =)

DANCE DAY – Novembro: DOMINGO, 30/11
DANCE DAY – Dezembro: QUARTA, 17/12

Se você ainda não conhece DOD, está em tempo! Entre agora no TramaVirtual da banda e enjoy it!