#musicmonday: Bob Dylan, por outros

Textos sobre o Bob Dylan sempre chamam minha atenção. Foi assim que no fim de semana passado li o artigo “Bob Dylan e o grande segredo da indústria da música”, de Pedro Alexandre Sanches, no Opera Mundi. O texto fala de como o biógrafo do cantor e compositor, Colin Escott, expôs no encarte da coletânea The Witmark Demos: 1962-1964 um detalhe importante da indústria fonográfica: o trabalho – e lucro – das editoras. Quando Bob Dylan começou, antes de virar o que virou, suas canções foram levadas pela editora para outros interpretarem-nas. Com o maior número de versões, mais ela lucraria, mais ou menos assim.

Hoje em dia, com a internet, esta indústria está mudando. Seja lá qual for o seu futuro, o texto do Sanches me lembrou das inúmeras versões de Dylan que existem por aí… Por hoje, fica a dica: confira o texto, ao som da nossa playlist de Dylan [por outros].

Para dançar all nite long!

Homens indo convidar a moça pra dançar a dois, vestidos rodados, topetes, Rockabilly e diversão. Ao invés da descrição um ambiente dos anos 1950-1960, esta é a descrição de um local em plena São Paulo atual. E não é preciso ser um fascinado por este período para aproveitar, aliás, o difícil é conseguir o oposto! The Clock Rock Bar, um barzinho estilo “fifties, sixties” em Perdizes, tem a capacidade de transportar-nos para essa época. Com um ar retrô, o ambiente costuma encher de bons dançarinos do Rock’n'Roll antigo.
Casais na pista do The Clock Rock Bar e Alex Valenzi&The Hideaway Cats.

Casais na pista do The Clock ao som de Alex Valenzi&The Hideaway Cats.

O nome da casa foi inspirado, possivelmente, na música “Rock Around The Clock”. Aliás, quem não lembra da época ao ouvir este som de Billy Haley? É um dos muito clássicos que embalam o Rockabilly. Este é um dos inúmeros tipos de Rock’n'Roll que, quando surgiu, misturou com aspectos da música country e da música negra. O sucesso de “Rock Around The Clock”, em 1954, impulsionou todo o estilo e criou seguidores que ainda persistem até hoje. Artistas como Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Johnny Cash fizeram nome tocando Rockabilly.

A música também foi importante para época. Alguns historiadores até mesmo comentam que, apesar de seus músicos não serem tão jovens, foi um dos primeiros estilos que visavam um público jovem e quebraram barreiras musicais em regras que nunca tinham sido transviadas. De certa forma, o Rockabilly foi um dos precursores dos movimentos musicais (depois político e comportamentais) que criaram a consciência de uma juventude e questionaram os limites até então impostos.

Sendo uma música para jovens, mas de tempos antigos, o público atual é bem diversificado. Desde jovens até pessoas mais velhas, The Clock abriga a todos. Eles convivem (leia-se: dançam) muito bem, não há aquele clima de “balada de tiozinho”, são simplesmente pessoas de idade diferente que curtem o mesmo tipo de música e o mesmo local, não há uma separação entre eles, característica muito boa.

O ambiente, como um todo, é muito bom. A decoração segue o clima: os bancos vermelhos, acolchoados, são clássicos! Os atendentes, também, vestem roupas parecidas com as da época: um charme! A pista de dança poderia ser um pouco maior, visto que os casais rodopiando ocupam um belo espaço, mas isso não diminui a qualidade do local. Ao fundo uma simpática loja vende artigos, roupas e até sapatos para quem quer mergulhar de fato na proposta do The Clock. Atrás de lá os banheiros, muito bem “conservados” mesmo no final da madrugada. Todo o local é bem cuidado, limpo, organizado e digno de uma máquina do tempo!

As bandas e os DJs embalam a noite no som queridinho para as danças. São algumas que variam os dias de apresentações e são, em geral, muito boas. Há “Alex Valenxi & the Hide a Way Cats”, “Seedão HD e os Destruidores de Arquivo”, “Henry Paul trio”, “RollimanS”, entre outros. Com destaque para a primeira banda, todas tocam o melhor do Rock’n'Roll. Gustavo Hitzschky, um dos freqüentadores assíduos, confirma a qualidade da banda mas comenta “Alex Valenzi faz mais cover do que tem composições próprias”. Embora não expresse decepção, ele lembra um dos aspectos da casa. Todas as bandas que passam por lá tem de “ter pelo menos 3 horas de repertório rockabilly conhecido e beeeeem pop da época”, conforme exigências dos próprios mantenedores. É algo que, por um lado, pode ser negativo, visto que se torna repetitivo e o público acaba não tendo acesso a outras músicas Rockabilly tanto da época quanto mais atuais. Embora alguns não gostem disso, há de se considerar que o The Clock se propõe como um bar temático, estando isso dentro das características deste tipo de estabelecimento.

Mas para quem se irrita com a continuidade do mesmo estilo de música por toda a noite, all nite long, o The Clock busca evitar ao máximo o tédio. Há até mesmo curtos shows dos barmen com fogo num momento no meio da noite, entre outras coisas a mais.

Gostou da idéia mas não sabe dançar? Não é um problema, antes dos shows toda sexta e sábado há uma aulinha básica de Rockabilly para os iniciantes pegarem o gosto da coisa e não se darem totalmente mal. Mas quem vê alguns arrasando na pista com mil e uns passos (realmente há dançarinos que humilham!), pode fazer as aulas. A próxima turma começa em março e só restam vagas para os moços. Mas logo logo podem surgir mais turmas este ano, fiquem de olhos abertos!
Pra quem gosta de voltar pra casa lá pras seis da manhã, o The Clock não é lá muito bom. O bar fecha as quatro da matina, mas levando em consideração que a maioria dança a noite inteira e os novatos podem chegar mais cedo pra aulinha básica, o horário é até razoável.

Muitos rodopios e certo cansaço muscular depois, só me resta recomendar de coração o The Clock Rock Bar! Localiza-se na Rua Turiassú, 806. Mais informações no site (aulas, shows, como chegar) ou pelo telefone 3672-0845. Pra que viver nesta década se por uma noite podemos nos transportar a outra? Uma última sugestão: pode ir a caráter!

The Clock Rock Bar
www.theclock.com.br
Rua Turiassú, 806

Elvis Presley partindo corações

Hoje, há exatos 53 anos, Elvis Presley fazia sua estréia na televisão cantando “Heartbreak Hotel”.

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Adolescentes gritando durante apresentação do Elvis no Florida Theatre, em Jacksonville, Flórida. Agosto de 1956.

O topete, o rebolado o jeito ousado de cantar deixaram o conservadorismo norte-americano de cabelo em pé. E o rock n’ roll nunca mais foi o mesmo.

Elvis Aaron Presley nasceu no dia 8 de janeiro de 1935 na cidade de Tupelo, no estado norte-americano do Mississippi. Ele nasceu para a música em 1946, quando ganhou um violão de aniversário. A loja onde o instrumento foi comprado existe até hoje.