Não há dúvidas sobre o fato de que música e moda estão hoje intimamente interligadas – a ponto de nem sempre sabermos quem influenciou quem – mas as formas como isso parece acontecer, em geral, dividem opiniões.
Vou pegar exemplos próximos, da última década mesmo: quem não lembra, no auge da “febre emo”, lá por 2004, da Galeria do Rock lotada de adolescentes todos de cabelos coloridos, vestidos de preto, com maquiagem carregada, posando tristes para seus fotologs?
![Good-Charlotte10[1]](http://vitroleiros.org/wp-content/uploads/2011/07/Good-Charlotte101.jpg)
Good Charlotte, uma das centenas de bandas que, no início dos anos 2000, mostrava que meninos podiam se maquiar mais que suas namoradinhas e ainda assim ser rock'n'roll. Pelo menos em seus grupinhos....
Das comunidades gigantes no orkut que diziam “Já chorei ouvindo Fresno” com seus membros fãs de correntes, cintos de rebite, lápis preto, quadriculado e franjinhas? A banda luta até hoje contra esse rótulo e não é a única: teve até grupo se desculpando publicamente por ajudar a criar o estilo. Não que eles tenham culpa, de fato. Até porque, como sempre pode piorar, em pouco tempo esses emos se transformaram em “from UK”, migraram pro MySpace imitando os looks de suas bandas gringas de apenas 200 ouvintes e seus irmãos caçulas (com esse incrível exemplo em casa, antes mesmo de crescer) acataram ao colorido de grupos como o dos guris do Restart, reis do kitsch nas rádios.
![Restart260701[1]](http://vitroleiros.org/wp-content/uploads/2011/07/Restart2607011.jpg)
Os guris do Restart, que se intitulam "coloridos", tocam "happy rock" e fazem a maior grana não só com sua música como com uma loja virtual em que vendem looks parecidos com os deles - além de já terem sido patrocinados por marcas de roupas "alternativas". Suce$$o fashion da garotada
Bom, fico por aqui nas ilustrações. Além de pouquíssimas, são exemplos pequenos e bem centralizados diante da quantidade de artistas e estilos que vemos por aí – mas acho que deu pra sentir um pouco da ideia e podemos prosseguir.
Quando tentei iniciar uma discussão no QG, por exemplo, a Manu lembrou logo dos anos 90: “ainda que haja influência de uma sobre a outra, elas surgem simultaneamente”. Um ícone? “Acho que não dá pra datar se o que apareceu primeiro foram as camisas flaneladas ou o grunge”. Dá?
![even[1]](http://vitroleiros.org/wp-content/uploads/2011/07/even1.jpg)
Eddie Vedder e sua flanelada no clipe de "Even Flow", clássico grunge. O cara ficou anos usando a mesma camisa sem medo nem vergonha
A Tatti, que de todos por aqui é a mais inserida no mundo pop, citou imediatamente a evolução da Lady Gaga: “ela é musicalmente bem comum e seria só mais uma cantora pop não fossem as esquisitices dela. E grande parte dessas esquisitices são relacionadas a forma de se vestir, usar os cabelos, sapatos, acessórios, etc”. Bingo! Esse frisson todo não se deve apenas ao talento ou maluquice da cantora em si, há gente por trás disso tudo. “Se não fosse pelos grandes profissionais que trabalham com ela neste ponto, ela não seria o ícone que se tornou, mas apenas mais uma cantora que aparece e desaparece”.
![lady-gaga-meat-dress-1[1]](http://vitroleiros.org/wp-content/uploads/2011/07/lady-gaga-meat-dress-11.jpg)
Gaga vestida de carne para a capa da Vogue: ela tem talento, mas o que a colocou e mantém em destaque são a ousadia e a irreverência de seus looks, sempre exagerados. Sem eles, ela é apenas mais uma cantora pop
Já apresentamos aqui duas das infinitas mentes criativas por trás das invencionices de Gaga: Fred Butler - a stylist dos acessórios que fazem não só a cabeça da cantora como também o estilo de artistas como Nick Minaj, Bjork e Florence Welch – e Alex Noble, responsável por grande parte daqueles visuais malucos e fetichentos que vemos nos clipes dela.
E Noble não está no título desse post à toa. Ele foi o ponto inicial para nossa discussão: no vídeo de hoje, que inaugura uma nova fase do Swatch MTV Playground – a Scene@ – em que o foco são os estilos ligados às cenas musicais. Confira o papo exclusivo com o estilista:
Pra mim, é uma equação simples: a exposição a que as estrelas pop estão submetidas faz com que o que elas vestem seja mais comentado, criticado ou… Copiado, claro. Afinal, a música traz, além de tudo, identificação. Mas o questionamento fica: Quão importante você acha que é a influência da música na moda e vice-versa?
AH! Você pode mostrar na prática participando do Scene@ também! É só subir a foto do seu look influenciado por algum estilo musical no site da Swatch MTV Playground. Estaremos de olho por lá pra conferir tudo!