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No mais: vida de artistas

Posted on 03 September 2010 by Jessica Grant

Talento vezes cinco, esta é a composição do projeto musical 5 a seco que leva ao palco do Auditório Ibirapuera, esta sexta, e ao Teatro Rival, dia 28, grandes compositores paulistas com 20 e poucos anos

“Acho que só o Pedro Altério que não faz direito… eu, o Pedro Viáfora e o Tó [Brandileone] nos viramos. O Dani [Black] é melhor tecnicamente”, comenta Vinicius Calderoni, um dos cantores, violonistas e compositores do projeto 5 a seco sobre seus parceiros. “Pode por isso aí, vou adorar”, completa Dani Black. Na brincadeira os dois não falam sobre o motivo que os une a trabalho numa quarta a noite, mas sobre os passes de futebol que gravaram para o vídeo-convite do show que vão apresentar esta sexta-feira no Auditório Ibirapuera, com ingressos já esgotados. Risadas a parte, quando o assunto é música, eles se levam a sério e a admiração tem um pelo outro é o principal motor do projeto que eles formam.

São brincalhões, até porque ainda são novos. Na faixa dos vinte e poucos anos, eles levam uma leveza surpreendente ao palco. Apesar da pouca idade, apresentam talento já maduro, criatividade, apuro técnico e levam com seriedade a carreira. Tocam com sintonia no olhar e nas risadas. Ao mesmo tempo, são quase perfeccionistas e coordenam tudo com cuidado. Meio moleques, meio gente grande sabendo o que faz.

Vinicius e se conheceram no colégio. Tó conheceu Dani depois, que já conhecia Pedro Altério e Pedro Viáfora. De uma apresentação a outra, tornaram-se amigos e parceiros. “Todo mundo se admirava e gostava, muitos já eram parceiros quando, no final de 2008, aconteceu um convite para todos menos eu se apresentarem num bar na [rua] Melo Alves.” Vinicius conta rindo que sentiu dor de cotovelo e encontrou na sugestão do projeto uma forma de “vingar-se”.

A primeira ideia já veio sem protagonismo, tendo os cinco cantores, violonistas e compositores o mesmo papel. “São amigos que fazem a mesma coisa e tem um trabalho anterior”, resume Vinicius. Eles também tocam outros instrumentos nas apresentações, para criar uma “sonoridade autossuficiente, que possa se bastar”. “Autossuficiência, economia, daí vem essa ideia do 5 a seco, que também tem a brincadeira com a lavanderia”, conta.

O que começou com caráter esporádico para somente alguns shows ganhou público e demanda. “A gente cortou alguns caminhos e usou o que já estava solidificado no trabalho de cada um”, explica Vinicius. “A medida que deu certo e fomos chamados para mais shows, começamos a criar uma sonoridade própria.” Esta sonoridade específica do conjunto tornou-se marca, ao lado da presença de palco. O palco, por sinal, não é só uma plataforma para apresentação, mas onde tornam-se quase atores e praticamente dançam ao tocar. “Desde o começo tem uma ideia cênica do show. Nós mesmos trocamos os instrumentos e fazemos um pouco de contrarregragem, e tem uma questão de criar pequenas cenas, criar movimento”, conta. Para ele, esta organização teatral serve para que não seja um “simples amontoado de canções”.

Para o palco do Auditório Ibirapuera, espaço para 800 espectadores, o 5 a seco cresceu. “A primeira coisa que a gente fez foi ter uma voz de comando, sempre as coisas foram decididas conjuntamente”, explica Vinicius. “Já tínhamos nossa estrutura que era a Isabel [Sachs], nossa produtora, junto com as assistentes [de produção] Renata Cavalcanti e Marcela Katzin, o engenheiro de som Adonias Souza Jr. e o iluminador Pedro Altman. Agora trouxemos o Rafael [Gomes] para dirigir, junto dele veio a Monica Palazzo, diretora de arte que sempre trabalhou com cinema, e a Mari Leone, figurinista.” A equipe cuida de detalhes preciosos, como lembra Dani Black: “Pelo fato do show ser cru, os poucos elementos ganham grande valor”.

Com o tempo o som também cresceu e ganhou mais instrumentos. Um integrante soma à canção do outro e surgem detalhes novos. “A gente começa a ter ideias de arranjo e não é muito instrumentista, então a gente vai achando soluções para achar texturas”, conta Dani Black. Vinicius exemplifica: “O Tó toca acordeão? Não é acordeonista. Toca clarinete, mas não é clarinetista. A gente sabe se virar, criar alguma coisa para aquela canção. Tocar com a competência necessária para somar”. Da percussão à panelinha de água, Vinicius conta que “isso ajuda a nos desenvolver musicalmente, engrossar nossa sensibilidade.”.

A identidade de grupo que criaram deve-se muito ao respeito profissional que um tem com o outro. Eles se tratam com seriedade e reconhecem que trocam figurinhas. “Da minha parte, sempre vi o 5 a seco agregando mais quatro caras que individualmente me interessavam, eu gostava, me entendiam e me alimentavam”, afirma Dani. O Tó concorda: “É a hora em que eu me alimento da influência desses quatro caras maravilhosos tanto como compositores, quanto como amigos”.

E nenhum deles quer deixar a empreitada pessoal. Dani Black acaba de terminar seu disco, Vinicius está pré-produzindo o segundo, Tó Brandileone já está terminando também seu segundo e o Pedro Altério e o Pedro Viáfora estão começando seus trabalhos. Juntar a agenda de cinco músicos ocupados com seus projetos pessoais, que vão além da música, é a complicada tarefa da produtora. Se eles sabem como lidar com tanta coisa? “A gente ainda tá descobrindo”, Vinicius tenta explicar. “Não dá para se seguir caminhos já estabelecidos. Todo artista é um pouco bandeirante do bem, capinando sua própria estrada.” Já Tó Brandileone vê as coisas também do lado prático e com simplicidade. “É só combinarmos tudo com antecedência. A gente é muito amigo, se respeita muito. Não tem nenhum galho”, conta.

Mas agora é temporada de 5 a seco. Depois do show esta sexta-feira no Auditório Ibirapuera, os meninos vão tocar dia 15 de setembro num show da Luiza Possi (Teatro Bradesco, São Paulo). Dia 28 eles viajam para o Rio de Janeiro e se apresentarem no Teatro Rival. “Depois de um ano de shows, sinto que é hora de correr com o 5 a seco com força total; tanto do ponto de vista artístico quanto comercial”, instiga Tó. Mas os cinco ainda não estão acostumados com a resposta positiva do público. Pergunto como é desde que estouraram: “Não sinto que estourou ainda….”, medita Vinicius. Porque, claro, vídeo com mais de 13 mil visualizações e lotar o Auditório Ibirapuera com uma semana de antecedência é comum. Além de talentosos, são humildes e pé no chão. Pensando bem, eles já chegaram lá.

+Mais: É uma banda? Não tem CD? Já viu eles no YouTube? Se inspirou com alguma letra? Pra vocês, um pouco mais do 5 a seco.

Começou como um projeto, hoje em dia vocês arriscam me dizer que são uma banda?
Vinicius: Eu digo projeto porque como cada um de nós tem uma carreira solo e vai continuar tendo. Na verdade essa é a força do projeto: a força do trabalho pessoal e a força específica desta junção. A questão de chamar de projeto ou banda muda um pouco a medida que o 5 a seco ganhou muito espaço nas nossas vidas. O tempo de dedicação e espaço que está ocupando nas nossas vidas é comparável a uma banda, não é um absurdo chamar por este prisma, mas eu prefiro projeto pelo caráter de ser um caminho paralelo da identidade de cada um.

Pretendem gravar um álbum como 5 a seco?
Vinicius:
Com certeza, [mas] tem duas questões que impedem que seja tão imediatamente. Uma é as carreiras pessoais de cada um e também acho que o disco deveria ter muitas canções inéditas compostas especialmente. Deveria haver uma ideia, um trabalho focado. No ano que vem começa a ser uma coisa mais certa.

E, tendo toda essa característica de palco, pensam em gravar DVD?
Vinicius:
Sim, estamos pensando, algo talvez próximo ao disco, conjugado. O disco é diferente, e o show nasceu no palco, é feito para ser visto.

E como é esta exposição do projeto pelos vídeos no YouTube? Foi a grande janela para vocês, né?
Vinicius:
Uma coisa que tem desde o começo são os vídeo-convites. Criou-se uma demanda e a gente fez para todas as temporadas. A gente adora. O primeiro vídeo da primeira temporada a gente fez na casa do Tó. É um super despretensioso da gente tocando em casa.
Dani: Já deu uma volta legal do público, acho que aproxima as pessoas. Quanto mais próximo você tá de quem se interessa por você passa a existir uma conversa. E ninguém tá aqui para tá no palco e olhar de cima a plateia, mas olhar da mesma altura, é uma conversa mesmo.
Vinicius: E todos os vídeos convites tem uma de colocar a gente numas situações cotidianas, corriqueiras, que no final das contas tira um pouco essa ideia que, não sei se ainda paira, do artista como um cara inatingível.
Dani: Nós somos vocês, nós somos mais um da nossa geração, só que fazendo música, fazendo a nossa arte. Pelo menos era o que eu pensava em passar [risos]. Você concorda com isso? [Risos]
Vinicius: Acho que nem é tão pensado racionalmente, mas claramente tem esse peso…
Dani: Claramente tem essa leveza.

Ao Tó Brandileone: queria perguntar um pouco das composições. Algumas delas falam de relacionamentos, mas de uma forma muito próxima. O que te inspira? Do que você tira inspiração da vida real para compor uma canção?
Tó: O que me inspira é tudo o que respira. A cidade, pessoas e seus questionamentos, minha vida, a sua e a de todo mundo que passa por perto. Algumas das minhas músicas são desabafos, outras conclusões, conselhos, outras só literatura – ficção. Compor é uma loucura; um exercício solitário para vencer a solidão. É se sentir menos só. É ver que tem gente que sente as mesmas coisas que a gente. É se descobrir – e se mostrar. Sempre me perguntam o que é compor na minha visão cada vez eu respondo uma coisa, talvez eu não saiba mesmo a resposta.

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Jardinagem sonora

Posted on 02 September 2010 by Ariane Freitas

Também acha que Ambient é música de elevador? Sai dessa!

Ambient. Taí um gênero musical que é subestimado pra caramba. Eu mesma, na minha fase roqueira xiita (me forço a acreditar que todo mundo tem a sua algum dia na vida), ignorava maciçamente qualquer tentativa de persuasão quanto à qualidade de um gênero que incorpora elementos de tantos outros. Mas isso mudou.

Ok,  o som é extremamente abstrato: talvez por isso tão bom. Cria uma atmosfera nova. Sabe aquele dia em que você não está conseguindo trabalhar? Basta ligar os fones de ouvido nas alturas e esquecer o que existe ao redor. Serve para qualquer ocasião. Se funcionar para vocês como funcionou comigo, em breve seu grupo favorito vira até trilha de sonhos nonsense. E aí, meu amigo, carregue sempre no seu aparelho de mp3 portátil, porque se torna importante feito remédio. Brian Eno, Sigur Rós, Imogen Heap… Não importa.

No meu caso, aconteceu com All Your Gardening Needs, de Tiago Casagrande. Fuçadora incansável de blogrolls, um dia caí no site e resolvi experimentar. Tem material para horas e horas de viagens que ninguém pode prever: tudo resultado direto da peregrinação de Tiago atrás dos barulhos ideais, sempre com computadores amadores e software gratuito. Cada audição é única. Tanto que, para mim, às vezes é abstração demais: ainda não absorvi seu último trabalho, Pogréssio – um conjunto de releituras eletrônicas de Adoniran para celebrar o ano de seu centenário.

Se existe um projeto que todo mundo deveria conhecer, é este. Não porque é o melhor de todos e nem porque sou eu quem está indicando – apenas porque, de alguma forma, é preciso dar espaço a boas novidades na vida. E eu — não entendida, mas já iniciada — não tenho sugestão mais cativante no gênero para indicar agora.

Boa sorte.
(Depois me contem o que acharam!)

All Your Gardening Needs
streaming / downloads
Quer experimentar mas prefere não começar com AYGN? Dá pra explorar a tag por sua conta e risco lá na last.fm.


Selo -- Mil Coisas e Causas Imperdíveis

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O que você quer: clipe novo da Evora

Posted on 30 August 2010 by Clara Camargo

No dia 29 de abril de 2010…

Vitroleiros: Vai rolar o lançamento de um videoclipe?

Evora: Sim, iremos gravar muito em breve o clipe de “Permita-se”. O projeto está bem encaminhado (…)

Prometeram e aí está! O Clipe novo da Evora, do hit “Permita-se” (álbum “Ignore a Inércia”).

Para quem não lembra, a Evora é aquela banda mutio bem apessoada, de meninos lindos e talentosos que deixam seu ouvido assim, querendo escutar mais desse misto de rock e MPB que é o resultado do que costumamos chamar de personalidade.

Paulinho no vocal, Guima e Adriano nas guitarras, Dan na batera e voz e Rufles no baixo.

Dê o play e veja um clipe de trás para frente que vai deixar seus anseios rock ‘mpb de cabeça para baixo.

Site oficial da Evora

Comunidade no Orkut com novidades da banda

@evorarock

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