Dia 17 de março, que acabou de passar, foi St. Patrick’s Day (Dia de São Patrício), considerado o Dia Nacional da Irlanda. Saint Patrick é o santo padroeiro da ilha Esmeralda, de quem a história é muito importante no contexto de identidade irlandesa. Para comemorar este dia irlandeses, descendentes e apreciadores da cultura espalhados por todo o mundo vão aos pubs, bebem cerveja Guinness e se divertem. Mas não é só isso. Além das programações da Igreja Católica na Irlanda e em comunidades mais fortes há também todo um lado cultural, com danças, músicas, etc.
No Brasil a comunidade irlandesa é pequenininha, apesar de ter um grande número de apreciadores da cultura celta. Dentre os interessados, brasileiros ou não (ou meia-a-meia, tipo eu), muitos se dedicavam a elementos separados e viviam divulgando-os cada um em seu canto. Desde o ano passado surgiu um fator unificador desses resquícios e desses interesses pela Irlanda no Brasil. É o Irish Institute (Instituto Brasil-Irlanda) que está, ao longo desta semana, promovendo o evento de divulgação destes variados elementos ao longo desta semana, o Cara Irlanda.
Em questões musicais já se foi uma palestra, mas para os interessados ainda há mais (detalhes abaixo). No terceiro dia do festival, segundo de palestras, Claudio Crow e Gustavo Lobão se juntaram para dar ao público (em uma hora!) um panorama da Música Irlandesa. Com muito jeito (e pressa) eles conseguiram passar “a taste” (um gostinho) do que se toca na pequena ilha européia.
Ambos explicaram um pouco das raízes da música irlandesa, passando pelos gigantes do pop e da forma como a trad music persiste até hoje. Mencionaram grandes nomes e citaram os instrumentos principais. Gustavo até mesmo deu uma “palhinha” de Bodrhán e das colheres de sopa (sim, isso mesmo) usadas como percussão.
Além de tudo isso, Crow e Lobão também explicaram alguns aspectos da trad music (não se chama folk por conta da forma de transmissão da música…). A música irlandesa é viva e ainda varia muito. Não está firmada, mas ainda modificam-se as notas, crescem os instrumentos (alguns foram “importados” de países como a Grécia), variam-se as formas. Curioso, lembrou Lobão ao longo da palestra, é que quando há a junção de vários instrumentos (antigamente eram tocados separados) eles tocam juntos mas de forma polifônica. Aliás, uma das outras características é que cada músico atribui seu toque pessoal. A música é passada de geração a geração não através das aulas como conhecemos, mas através do acompanhamento e observação de um exemplo, levando o aprendiz a imitá-lo (digo, sem, por exemplo, exercícios para aprender, mas prática e acompanhamento). É uma música antiga (mas não majoritariamente) e doméstica.
A dupla também explicou que das diversas formas de performances no Brasil só há algumas, como as apresentações organizadas e os shows. Lá na Irlanda (e em outros países com a forte tradição irlandesa viva) há também as Seisiun (Session, seção), nas quais os artistas se juntam aleatoriamente e começam a tocar. Há os festivais e as gravações de discos, por fim. Crow comentou, também, que em estilos musicais como o heavy metal (citou a banda Iron Maiden) a guitarra faz mais ou menos como a flauta e o violino fazem na trad music.
Interessou? Pois bem, ainda haverá mais. Claudio Crow, depois da palestra, me informou que eles estão planejando algum tipo de curso junto ao Instituto para quem estiver interessado, então é só manter os olhos abertos. Mas ainda durante esta semana vai rolar algumas coisas.
Para começar hoje, sexta-feira (já passou da meia-noite, aí?), haverá um Workshop de Bodrhán com o mesmo Gustavo Lobão, que além de dar aulas também estuda Música na UNESP, e com Marcos Reis (20/03, 16h30, Livraria Cultura do Conjunto Nacional, Av. Paulista, 2073; Lounge da Loja Artes).
Já no sábado, 21, haverá, depois da apresentação de Dança Irlandesa pelo Banana Broadway (de Campinas, às 13h), um show juntando três importantes bandas brasileiras que tocam música irlandesa formando o “The Drunken Merrows From Dundalk”. Será às 14h30 no Memorial do Imigrante (Av. Visconde de Parnaíba, 1316, Metro Bresser). No domingo, 22, ainda haverá mais shows no mesmo local (U2 Tribute, Merrow, Dundalk e Claudio Crow com seu “The Drunken Bards Project”) a partir das 12 horas.
Não percam esta oportunidade de conhecer a magia da música irlandesa e, para entrar no clima, se alucinar com ela.