O filme “Foo Fighters – Back and Forth”, que já foi lançado nos Estados Unidos em abril, agora tem data para estrear por aqui: 17 de junho.
Com a direção de James Moll (que já ganhou um Oscar em 1998 pelo documentário “The Last Days”, que conta a história de cinco judeus húngaros durante o holocausto), o filme será lançado em 3D, e contará toda a tragetória da banda, desde a época de Dave Grohl ainda no Nirvana até a gravação de “Wasting Light”, 7º e recém lançado álbum da banda.
O filme estreará apenas em algumas capitais, pois a empresa que está organizando o lançamento por aqui, a Mobz, organiza as sessões segundo a procura do público.
Já tenho ouvido atentamente falar sobre A Rede Social há algum tempo e estava curiosa para assistir ao filme. Confesso que fiquei receosa porque, devido à paranoia geral, imaginei que ele abordasse profundamente a questão da privacidade no Facebook e, sinceramente, esse é um assunto que eu não planejo ver nos cinemas. Mas fui surpreendida positivamente: apesar de mostrar a vulnerabilidade e negligência de muitos sites, A Rede Social fala basicamente sobre como se deu a criação e o desenvolvimento do Facebook — e os impasses e transtornos que se deram ao seu inventor conforme o site ia crescendo.
E essa trilha do trailer? Cheguei a chorar da primeira vez que vi.
Sim, é a história de um nerd que tomou um pé na bunda e reagiu… Postando em seu blog. Até alivia perceber que essa mania infantil de postar tudo que acontece não é exclusividade. E fale a verdade: quem nunca tentou fazer alguma coisa para impressionar os outros após um chute? Pois é. A questão é que Zuckerberg conseguiu. De quebra, como pequeno detalhe, sua perseverança na ideia também o tornou bilionário. Coisa mínima e simples, né?
A interpretação de Jesse Eisenberg é um dos pontos altos do filme. Mostra um Zuckerberg soberbo, frio, às vezes assustadoramente individualista e centrado mas que, na verdade, só quer claramente ser aceito pelos outros. Não vou negar: também é uma delícia sentir a culpa da identificação com Zuckerberg – de quem eu gostaria de roubar pelo menos metade da genialidade, pra combinar com a astúcia de Sean Parker e sair por aí fazendo dinheirinho.
[Aliás, Sean Parker, criador do Napster, repete à exaustão que seu programa mudou a história da música. Não vou entrar em detalhes agora, mas essa "mudança na história" é uma discussão que merece espaço e ainda vai pintar por aqui, fiquem ligadinhos. Reservo minha opinião quanto à atuação de Justin Timberlake a mim mesma (hehe).]
O ponto de vista de A Rede Social parece um só, focado na ideia de criar a imagem de um babaca. Ou Mark Zuckerberg realmente é um, vai saber. Fiquei curiosa para ler o livro que deu origem ao filme e descobrir para que lado penderá minha opinião, afinal.
Outro ponto alto? A trilha sonora produzida por Trent Reznor (NIN) e Atticus Ross, que foi lançada em 28 de setembro e dá um ritmo essencial ao filme. Ela carrega boa parte da história e, junto com a atuação de Eisenberg e Garfield, conseguiu arrancar risadas sinceras de mim e aplausos entusiasmados do nerd sentado ao meu lado. Não é uma história perfeita — nem poderia –, mas é completa.
O filme chega aos cinemas aqui do Brasil no dia 3 de dezembro, sexta feira.
** Enquanto você espera o lançamento, a Sony Pictures lançou uma promoção valendo prêmios como 1 Sony Ericsson XperiaX10, capas de notebook e hubs USB customizados de A Rede Social. Basta contar para eles, em 104 caracteres, qual a fórmula para ter muitos amigos nas redes sociais. Quer participar? Corre lá! http://aredesocial.com.br/promocao/
O filme é de 2009 e, talvez por não ser entusiasta dos Beatles, talvez por ter me afastado dos sofás e cinemas, ainda não havia ouvido falar a respeito. No entanto, comprei um DVD recentemente e, nos trailers de abertura, acabei me deparando com o dele. Me interessei na hora, por vários motivos. O primeiro? É música. Para mim, isso basta. Mas não foi só: a história de como alguém se apaixona pela música sempre me é atrativa. E tem também a meninice: sou “fã” de Aaron Johnson e de Thomas Sangster e, assim que o trailer começou, já ganhou karma points comigo por conta do elenco.
O britânico Nowhere Boy retrata a história de John Lennon pré-Beatles: a infância sem a mãe e a adolescência rebelde. Não é um filme ousado, tampouco pretende-se assim. É uma história para alimentar qualquer público, com uma personagem ilustre e a dose certa de drama. Entra na onda das dicas imperdíveis especialmente pela trilha sonora. Lançada pela Sony Music, a trilha é repleta de músicas dos anos 50 — período em que se passa a história — e conta com nomes como Jerry Lee Lewis, Elvis Presley, Walda Jackson… Fica na vitrola pra sempre. Afinal, todo dia é dia pra colocar um pouco mais de rock’n'roll em nossas vidas, não?
Se eu fosse você, corria agora na locadora (ou no Paul Torrent, como preferir). Como não sou, vou só dar o play por aqui e curtir a trilha.
Nowhere Boy Original Soundtrack
01. Wild One – Jerry Lee Lewis
02. Mr Sandman – Dickie Valentine
03. Rocket 88 – Jackie Brenston & His Delta Cats
04. Shake, Rattle & Roll – Elvis Presley
05. Hard Headed Woman – Wanda Jackson
06. I Put A Spell On You – Screamin’ Jay Hawkins
07. Maggie May – The Nowhere Boys
08. That’ll Be The Day – The Nowhere Boys
09. Rockin’ Daddy – Eddie Bond & The Stompers
10. Twenty Flight Rock – Eddie Cochran
11. That’s Alright Mamma – The Nowhere Boys
12. Movin and Groovin – The Nowhere Boys
13. Raunchy – The Nowhere Boys
14. Hound Dog – Big Mama Thornton
15. Be-Bop-A-Lula – Gene Vincent and the Blue Caps
Se muitos músicos brasileiros reclamam da falta de incentivo que encontram aqui no Brasil, imagine no Irã. O longa “No one knows about persian cats” (ainda sem nome em português), de Bahman Ghobadi, foi exibido pela primeira vez nesta quinta-feira, dia 14 de maio no Festival de Cinema em Cannes e trata justamente das inúmeras dificuldades que os músicos passam em um país onde nem cães e gatos podem sair para passear nas ruas –sim, o título remete a uma lei iraniana que realmente existe!
Há tempos o filme vem sendo comentado nos burburinhos dos apaixonados por cinema, visto que Ghobadi foi impedido de filmar em seu próprio país e teve que recorrer a alternativas clandestinas para poder concluir seu trabalho. Vale ressaltar também que ele foi preso duas vezes durante as filmagens por ser acusado de separatista pelo governo.
Para romantizar ainda mais a história do make do filme, o diretor é namorado da jornalista americana-iraniana Roxana Saberi – para quem não se lembra do episódio, em janeiro de 2009 a correspondente da BBC foi presa por porte de documentos ilegais do governo e acusada de espionagem.
A trama do polêmico longa gira em torno de um casal dos personagens de Askan (Koshanejad) e Negar (Shaghaghi), jovens músicos da cidade de Teerã que tentam promover sua banda de indie rock. Mesmo terem nascido de famílias ricas e crescido com grande influência da cultura pop americana e européia, precisam de autorização do governo não só para gravar suas músicas em estúdio, mas também em qualquer tipo de evento na cidade –inclusive em “reuniões” nas residências.
Não resisti e baixei o filme pela Internet. Quem está esperando uma super produção norte-americana, mil cores e alta resolução, desencana. Contudo, o filme tem uma magia ímpar que não precisa de tais recursos. Por exemplo, não tem como não se apaixonar pela jovem Negar, que sofre as piores conseqüências em nome da paixão pelo seu trabalho. Ênfase que as mulheres no Irã são impedidas de interpretar qualquer tipo de música. Pelos atores serem todos músicos e não “atores-profissionais”, você acaba se espantando com a interpretação deles. Foi posta tanta emoção, foi projetada a história dos próprios “atores”, que o longa ficou impecável.
Um filme voltado para o público jovem também necessita de uma pontinha de humor e malandragem, que fica por conta de Nader (Behdad), um adorável empresário que promete ao casal conseguir os papéis do visto, para que consigam tocar no festival europeu. Não tem como não dar risada com a cena onde ele convence um policial a reduzir a pena por porte ilegal de bebidas alcoólicas e DVDs americanos.
Tá aí uma boa pedida para quem está saturado de enlatados americanos e pretende entrar na onda dos filmes orientais.
Musicais são musicais. Apesar de alguns afirmarem que não gostam, o fato é que este tipo de produção sempre atraiu um grande público. Sua história remonta às operas, passando ao teatro musical (alguém já ouviu falar em Broadway?), então aos filmes musicais e, principalmente, às adaptações de peças para a grande tela.
As óperas têm todo seu diálogo cantado em tons que todos nós já ouvimos algum lugar. Em cabarés, as danças começaram a surgir como apresentações. Já o teatro musical evoluiu unindo os diálogos convencionais com música e dança. As produções de maiores sucesso, quase sempre, são adaptadas – até mesmo na Índia, com Bollywood.
Mas é a Broadway, Nova Iorque, que tem lançado sempre os musicais mais elaborados. Nos palcos do Brasil (especialmente em São Paulo, no Teatro Abril, por exemplo) o público pôde conhecer destes “Os Miseráveis”, “A Bela e a Fera”, “Chicago”, “Miss Saigon”, “O Fantasma da Ópera”, “Noviça Rebelde”, “My Fair Lady”, “The West Side Story”, “Cats”, “Os Produtores”, entre outros.
Já na telona a história é diferente. Os primeiros filmes, mudos, eram acompanhados de música. Normalmente algum pianista tocava no mesmo instante da exibição. A música não era realmente parte da sétima arte. Mas foi com a tecnologia sonora que os musicais filmados tiveram espaço. E mal surgiu a possibilidade de um filme falado, logo veio um musical.
O primeiro “talking-movie” saiu em 1927, “The Jazz Singer”. Ainda em preto e branco, o primeiro filme com falas já foi um musical, como se estivesse prevendo a maior utilidade do som junto com as imagens.
Nem todas as cenas eram faladas, a primeira aparece aos dezessete minutos (e está desabilitada no You Tube…). Mas o filme marcou uma nova era para o cinema, embora os estúdios tenham demorado a entrar no ritmo.
No mesmo ano, 1927, passa a história do considerado, por Roger Ebert, o maior musical que Hollywood já produziu. Uma das adaptações mais famosas, “Cantando na Chuva” (Singin’in the Rain), demonstra um pouquinho de história também. O longa-metragem dos anos cinqüenta fala dos primeiros filmes com som, advento que fez possível a existência de musicais como ele mesmo. A metalinguagem é um dos fatores mais interessantes no clássico. Vale pela qualidade e pela aula de história.
Hoje em dia são várias as adaptações, seja da Broadway, em sua maioria, ou não. Filmes como “Sweeney Todd”, “Hairspray”, “Rent”, “Os Produtores”, “O Fantasma da Ópera”, “Chicago”, “Mamma Mia”, “My Fair Lady”, entre outros (vários) chamam a atenção do público maior. O lucro destas produções é quase sempre mais garantido, já que além dos filmes a massa vai atrás da trilha e, depois, das peças.
Ao lado das adaptações, produções musicais cinematográficas também surgem e fazem sucesso. “High School Musical”, “Across The Universe”, “The Wall”, “Grease”, “Moulin Rouge”, “Gigi”, “O Mágico de Oz “(que depois, como outros, foi adaptado para os palcos), constam entre estes.
Pode não cair no gosto de todos, mas os musicais são uma página importante na história do teatro e do cinema. A união das artes, neste sentido, faz mais do que uma bela melodia. Como diz Don em “Cantando na Chuva”: “Gotta dance”!
Abaixo as primeiras cenas de “The Jazz Singer”, ainda sem falas gravadas:
Eis que, plena aula de rádio, procurando pauta na Ilustrada, descobri o documentário Palavra Encantada, de Helena Solberg. Estreou esta sexta, mas já está chamando atenção de quem aprecia música popular brasileira faz tempo – foi vencedor do prêmio de melhor direção de longa-metragem/documentário do Festival do Rio 2008. O filme, que retrata a relação entre poesia e música, conta com imagens raras de Dorival Caymmi e Caetano Veloso, além de depoimentos de compositores e intérpretes que atingem quase todos os gostos da canção popular. Fiquei DOIDA de vontade de assistir.
Em depoimento para a página oficial do vídeo, Helena Solberg conta que “o filme construiu seus fundamentos baseado em 18 entrevistas” a músicos, poetas, compositores e pensadores que “ofereceram suas idéias e opiniões sobre a trajetória da musica popular brasileira nas últimas seis décadas”. Segundo Helena, “promover o ‘diálogo’ destas três formas de expressão (cinema, música e literatura) na narrativa do filme foi um grande desafio (…). Mais do que sobre a música e a literatura, é um olhar abrangente sobre nossa cultura”.
Em cartaz no Cine Bombril, Cinesesc e circuito, a classificação é livre.
Agora, que tal assistir ao trailer com carinho e me dizer que vai me levar pra ver? =D
Palavra (En)Cantada
Documentário. Brasil, 2008
Direção: Helena Solberg
Elenco: Arnaldo Antunes, Chico Buarque de Hollanda, Maria Bethânia, Gustavo Black Alien, Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto, Martinho da Vila, Lenine, Jorge Mautner, Paulo César Pinheiro, Luiz Tatit, José Miguel Wisnik, Tom Zé
Censura: Livre
Duração: 83 minutos