Apanhador Só: plugado e desplugado

Sexta-feira, 3 de junho, 20h. Encarando um frio caprichado da noite paulistana, encontrei-me em um hostel muito simpático na Vila Madalena com os meninos do Apanhador Só, banda porto-alegrense que se apresentou no dia 4 de junho no Centro Cultural São Paulo e em uma intervenção especial no Parque do Ibirapuera, no dia 5.

Os meninos me receberam muito bem (aliás, no local foi gravada a vinheta para a indicação de Aposta MTV do VMB do ano passado) e logo começamos a conversar sobre a banda, os projetos antigos, atuais e futuros, além dos shows e dos times de futebol de cada um. Após uma maratona de shows no Rio de Janeiro, eles tiraram a sexta para descansar e conceder uma entrevista para o Vitroleiros.

“Já tocamos bastante em São Paulo. É quase como a nossa segunda casa, o lugar onde a gente tem mais público, tirando Porto Alegre. É legal vir pra cá e ver alguns rostos conhecidos nos shows, o pessoal cantando as músicas… muito massa”, conta Alexandre, vocalista. Sobre o Acústico Sucateiro, álbum recém disponibilizado no site da banda, eles contaram que a gravação faz parte de um processo longo.

“Em 2005, a Carina Levitan estava com a gente na banda, e acompanhava o som da guitarra, baixo e bateria com a percussão sucata. Mas daí ela foi pra Londres e deixamos a versão desplugada de lado. Às vezes, éramos chamados pra tocar em lugares que não comportavam o formato plugado da banda, então resolvemos adaptar os arranjos das músicas para uma versão desplugada, e não só tocá-las no violão”, completa.

O resultado agradou tanto a banda que eles resolveram gravar o álbum e disponibilizá-lo no site da banda (para quem não baixou, você o encontra aqui). Agora, eles estudam uma forma de unir as duas versões, plugada e desplugada, em um único show. Na apresentação da semana passada, para exercitar as duas formas da banda, o show foi dividido em duas apresentações.

A ideia de ir para o Parque Ibirapuera foi a influência de versões já testadas nos parques de Porto Alegre. ”O Acústico Sucateiro tem outras propostas, precisa de lugares mais tranquilos e intimistas pra rolar, até pra combinar com o clima e a estética que a gente propõe. As pessoas precisam ver o que a gente tá fazendo, aí por isso tem que ser menos gente, um show mais leve”, contou Felipe, guitarrista da banda. Martin, baterista, comentou que “é muito legal testar os sons que saem ao tocar na sucata. É aquela experiência de batucar nas coisas e testar os sons, de cantil, ralador… pra ver que sons saem”.

Felipe ainda contou que eles desejam tocar em outros lugares inusitados, para mostrar se trabalho e se relacionar com espaços urbanos de formas diferentes. “No show que fizemos no Rio, decidimos levar uma parte da apresentação para a praça em frente ao local onde tocamos. É uma forma de interagir de um jeito diferente com quem conhece a banda e com quem não conhece. A gente já chegou a tocar até na escadaria do metrô Sé e foi muito bacana”.

Curtiu? Ficou com vontade de ver a banda? Pois eles estarão de volta fazendo show em São Paulo no Jukebox Festival. No twitter deles, dá pra acompanhar por onde eles fazem shows, pelo Brasil todo. Super recomendado!

(Agradecimentos especiais à Roberta Lopes, pela concessão das fotos dos shows!)

Jukebox Festival – Let’s party!

Tá afim de um Festival com bandas brasileiras e música eletrônica no Estúdio Emme, em São Paulo? Pois no primeiro final de semana de julho, o Move That Jukebox fará um festival com os nomes mais legais da música alternativa nacional.

O Jukebox Festival acontece em dois dias: no dia 1º de julho, é o dia do rock: as bandas Apanhador Só, Bidê ou Balde, Holger e Garotas Suecas se apresentam, além da vencedora do concurso feito no blog, foi escolhida por júri popular. No dia 2, a música eletrônica embala a noite com Twelves, Boss in Drama, Zemaria e Killer on the Dancefloor, além do DJ Ricardo Lemke, da Fun House, que abre o Festival nos dois dias e toca nos intervalos das apresentações. O line-up é o seguinte:

Sexta, dia 01 de julho:

22h – Abertura com o DJ Ricardo Lemke
23h – Banda vencedora do concurso
23h45 – Apanhador Só
0h50 – Garotas Suecas
1h55 – Holger
3h05 – Bidê ou Balde

Sábado, dia 02 de julho:

22h – Abertura com o DJ Ricardo Lemke
23h – André Paste
0h00 – Zemaria
1h00 – Boss In Drama
2h00 – Killer On The Dancefloor
3h15 – The Twelves

Curtiu? então marque presença no Facebook e garanta seu ingresso já nas bilheterias do Estúdio Emme e no compreingressos.com.

Os discos que fizeram nossa cabeça em 2010

24 de dezembro. Véspera de Natal. A uma semana do fim de 2010, já sentindo o cheiro de peru e champanhe, nós, daqui da equipe, resolvemos que faríamos sim uma daquelas listas de fim de ano. Mas nosso critério é diferente: nada de falar sobre os melhores álbuns do ano da perspectiva da indústria. Aqui vocês conhecerão os que fizeram as nossas cabeças nos últimos doze meses, cheios de shows marcantes, lançamentos e lembranças. Assim, além de conhecer os discos, vocês conhecem um pouquinho de cada um. Vem com a gente!

Amigo do Tempo, Mombojó (2010)

Papapa…
O “Amigo do Tempo”, dos queridos pernambucanos do Mombojó, sem dúvida é um dos discos que eu usaria para atribuir um título para o ano de 2010. Genial, a banda que começou em 2001, formada por Chiquinho, Vicente, Samuel, Felipe e Marcelo, apesar de ser classificada como “manguebeat” e “rock”, é, antes de qualquer coisa, uma inovação na música popular brasileira. Digo, na nova MPB. Como os modernistas da Semana de 22, o trabalho do grupo reuniu um pouco de clássico, original e novo. Resultou em uma composição nostálgica e pós-moderna. “Você diz gostar do carnaval sem separatismo e sonha em dormir na geladeira. Papapaparara…”

Clara Camargo, @Clanis

Apanhador Só, Apanhador Só

Direto de Porto Alegre (RS) para o Brasil, o Apanhador Só não é mais uma das bandas que se compara com este ou aquele grupo. A variedade é essência do CD homônimo que eles lançaram no primeiro semestre e a mesmice se esconde de um jeito que ninguém encontra. Dá pra viajar em um tom de brincadeira ou em um acorde à la MPB, mais sério. Todas as vezes que escuto o disco consigo perceber mais uma nuance, mais um pedacinho da poesia que ficou pra trás. Pra quem não conhece, ainda tem muito que vale a pena descobrir.

Bruno Guerrero, @brunoguerrero

Lançado em abril, o primeiro álbum da banda gaúcha Apanhador Só surpreendeu muita gente. Na turnê que fizeram em São Paulo uma garota me disse que os conheceu num dos shows para depois comparecer a todos os outros. Simpáticos, Alexandre Kumpinski, Felipe Zancanaro, Fernão Agra e Martin Estevez apresentam 13 faixas de rock bem abrasileirado com composições criativas. Junto a eles uma antiga integrante da banda acompanha na divertidíssima percussão: Carina Levitan. Vale a pena ouvir a gostosinha “Maria Augusta” e viajar em “Nescafé”. E quando for tocar “Vila do 1/2 dia” chame os amigos para acompanharem o coro.

Jessica Grant, @jessicagrantc

Teenage Dream, Katy Perry (2010)

Sinto decepcionar quem esperava uma revelação do rock de garagem, um novo som experimental ou uma cantora de pós-MPB em ascensão. Aqui, no meu disco marcante de 2010, vocês não vão encontrar nenhuma crítica profunda ou explicações complexas sobre as influências do “novo Los Hermanos”. Meu álbum marcante deste ano foi Teenage Dream.

Esse mesmo da Katy Perry (agora, Katy Brand).

É verdade que eu curto sons pesados e letras profundas, mas tenho boas razões pra esta escolha. Foi um ano cheio de ups and downs, de muita mudança e de muita informação. Pelo menos num nível pessoal. Daí o porquê de eu ressaltar o disco da neo pin up. Sabe, tem momento em que tudo que eu precisava era ver uma guria com peruca azul e chantilly voando do sutiã e cantando sobre como ela faz picolés derreterem. Ela não teve a pretensão de inovar o pop, como a Lady Gaga, ou de se levar a sério. Repito: chantilly voando do sutiã. E depois, ainda ficou pedindo pra ver os pavões dos caras (metáfora bizarra, mas ok) em Peacock. Quando lançou Firework, a ex-cantora gospel soltou outra coisa do busto: fogos de artifício. E, claro, coroou o ano de excentricidades casando-se com Russel Brand.

Então, que posso dizer, meu 2010 foi marcado pelos vestidos de látex e pelas perucas coloridas de Katy Perry. E quer saber? Não tenho vergonha disso.

Anita Porfírio, @nitafp

dezenove vezes amor, Martin & Eduardo (2010)

“Se é pra seguir, aponte ao menos em que direção”. O início arrebatador do meu álbum do ano. Porque era o que eu queria, uma direção, que dezenove vezes amor foi paixão à primeira ouvida. Com uma sonoridade que me fazia falta há anos, Martin & Eduardo, apesar do nome ligeiramente sertanejo, fazem um rock escasso no cenário atual. A voz de Martin chegou num momento crítico da minha vida, cheio de decisões importantes e difíceis, e foi um dos meus guias até o segundo em que eu pude sentar e dizer “Está tudo bem”. Desde então, seja embalada por “Strange Days”, seja sonhando ao som de “Lírio”, meus fones de ouvido parecem não querer tocar outra coisa.

Ariane Freitas, @ArianeFreitas

Efêmera, Tulipa Ruiz

Na seleção musical que tocou antes do show do Paul McCartney em São Paulo: “Efêmera”, a faixa-título do primeiro álbum da paulistana Tulipa Ruiz. A cantora aparece em tudo quanto é canto e realmente roubou a cena. A voz fina canta com simpatia transbordante o pop florestal que mistura as influências da selva de pedra com a criação em Minas da cantora. Mais uma vez alguém que conquista no palco: após seu show no SWU um amigo meu estava apaixonado. Mas que musa da MPB que nada! Tulipa mostra mais: uma mulher de força e com a manga cheia de boas composições, criativas e inspiradoras como em “A Ordem das Árvores”.

Jessica Grant, @jessicagrantc

Half the Perfect World, Madeleine Peyroux (2006)

É, este CD tem um pouco de quilometragem – afinal a americana o lançou em 2006. Mas foi ele quem, fácil, foi a trilha sonora do meu ano de 2010. A voz macia de Peyroux e os metais confortantes guardam letras com mensagens pesadas, profundas e mesmo levemente eróticas. É algo como “uma música de elevador que te pega pelo pescoço”. Ou mesmo “uma DR com uma versão feminina de Barry White”.
Vocês vão entender quando ouvirem, acredite!

Leonardo Teixeira, @leonardoatorama

Journal de BAD, Bárbara Eugênia (2010)

A voz é um pouquinho rouca. Mas não é porque ela grita em um rock pesado ou num punk bem rápido. O motivo? É que ela canta sua história de vida, se confessa perante os ouvintes do saboroso Journal de Bad e nos faz pensar que somos todos parecidos. O álbum de estreia de Bárbara Eugênia transborda experiência e conta com diversas participações especiais, de Otto a Fernando Catatau, de Karina Buhr a Tom Zé. E a moça carioca ainda concorda comigo: o cenário musical de hoje é digno de se entrar pra história, no Brasil. Taí, um dos melhores de 2010 não só pela qualidade do disco em si, mas também pelo que a artista promete pro futuro.

Bruno Guerrero, @brunoguerrero

Kanimambo, Emiliano Castro

O paulistano e independente Emiliano Castro é a mente por trás do melhor trabalho acústico nacional deste ano. E como não dispenso um bom violão, naturalmente dedico à sua obra, “Kanimambo”, lugar de destaque. Como primeiro álbum do músico – resultado de um bom tempo na estrada – é de se esperar um grau de experimentalismo. Castro faz um blend pouco usual, misturando Samba, Jazz e um pouco de Baião em um ritmo próprio.
É bem original, e se você acha que trabalhos na linha de “Otto” ou “Seu Jorge” são viajados demais, creio que vai encontrar muito o que amar em “Kanimambo”. É diferente, quase que sem querer ser.

Leonardo Teixeira, @leonardoatorama

Las Venus Resort Palace Hotel, Cibelle (2010)

Cibelle desperta tropical, preguiçosa, com raios de sol, flores e influências do fundo do baú em um hotel fictício de um mundo pós-apocaliptico. Do meu mundo pré-apocalipse, eu ouvia o disco por acaso, que acabou transmutado na trilha sonora da nova casa e vida, enquanto eu me adaptava ao misterioso mundo das contas a pagar, da louça empilhada, de acordar e dormir junto, de pendurar coisas pela parede, esperar o próximo ano e me definir como muito feliz, para variar.

Tory Oliveira, @toryy

Em 2010, a paulistana da Vila Mariana radicada em Londres lançou seu terceiro disco. Os dois primeiros álbuns – Cibelle (2003) e The Shine of Dried Electric Leaves (2006) – deixam claro a voz estonteante, os estilo único e as influências pós-tropicalistas da musa. Mas é em Las Venus Resort Palace Hotel que se entende o que diferencia Cibelle de todas as outras cantoras brasileiras: um conceito. O disco tem sons de animais, não tem pausa entre as faixas e é comandado pelo alterego exótico da cantora, Sonja Khalecallon. Cada faixa é puro encanto. Vale ouvir as notas agudas da voz da cantora em “Brad My Hair”, o clima tropicalista de “Melting de Ice”, o piano-e-voz de “Sad Piano”, o violão de nylon e os efeitos da guitarra de “The Gun and The Knife” e o idioma tupiniquim de “Escute Bem” e “Sapato Azul”.

Érika Kokay, @ekokay

MTV Unplugged, Aerosmith (1990)

Two times, baby
Se em 1990 este disco não foi um dos mais aclamados do ano, uma década depois ele ainda merece ser. “Aerosmith MTV Unplugged” é uma coletânea de 13 faixas gravadas ao violão, percussão, sax, flauta e voz, que faz o rock ‘n’ blues do Aerosmith penetrar bem mais delicadamente nos ouvidos do que de costume. O CD, gravado no Teatro Ed Sullivan, em Nova Iorque, não dispensa os gritos rasgados de Steven Tyler, mas reduz de maneira considerável os solos guitarrísticos de Joe Perry. As duas músicas mais bem sucedidas desta experiência, acredito terem sido “Seasons Of Wither”, do segundo álbum de estúdio da banda, o Get Your Wings (1974); e a empolgante versão cover de “Love Me Two Times”, do The Doors.

Clara Camargo, @Clanis

My Beautiful Dark Twisted Fantasy, Kanye West (2010)

Distorcido e fantástico
Com meio milhão de cópias vendidas na semana do lançamento, Kanye West também deu as caras em novembro de 2010, mostrando que o exílio no Havaí após os excessos de 2009 foi muito bem vindo.
Quinto álbum de Kanye, Dark Twisted Fantasy renova a condição de criador do hits do norte-americano, capaz de uma mescla única entre o flow do hip hop e as batidas eletrônicas, mas traz também um autor mais livre e mais propício à experimentação – o que pode ser apreciado nos quase 8 minutos de Blame Game e nos mais de 9 minutos de Runaway. Sem, dúvida, o homem está de volta.

Bruno G. Santos, @brunellas

Recovery, Eminem (2010)

Começou com a notícia de que Eminem estava tirando a indústria musical do buraco com as vendas de seu novo álbum que, ironicamente, chamava-se Recovery. Recebi-a como uma criança com saudades – havia desistido dele há alguns anos e agarrei a chance de reencontro com todas as minhas forças. Quando já conhecia o disco de cor e de trás para frente, o show. Espero desde 2002. Tentei escolher outro disco, que não destoasse tanto do dos meus colegas de equipe, mas não pude evitar. Não posso ignorar quanto do meu ano foi do Eminem, especialmente do Recovery, porque quase todas as minhas manhãs raivosas de 2010 e minhas viagens noturnas de Pinheiros para os Jardins e então para a Zona Leste foram na companhia das rimas dele, que diziam tanto e tão pouco de mim ao mesmo tempo. De todos ao mesmo tempo.

Ariane Freitas, @ArianeFreitas

Screamworks: Love in Theory and Practice, HIM (2010)

‘Screamworks: Love in Theory and Practice’ foi a promessa do HIM para 2010, três anos após ‘Venus Doom’. Apesar dos usuais tons melancólicos e sombrios, bem contornados pelo vocal do vocalista Ville Valo, o álbum traz um som mais enérgico, comparado ao de álbuns anteriores. Não perdem a maestria, com destaque para ‘Scared to Death’, que assina bem a mensagem das músicas da banda.
As letras continuam cumprindo o papel de casar temas como morte e melancolia com romance e outras situações, o que torna o trabalho da banda finlandesa ainda mais interessante. Ainda sobre eles, recomendo ‘Vampire Heart’, do álbum Dark Light, de 2005. Bom, acho que é isso. Feliz 2011, sei lá.

Francisco Junqueira

The Lady Killer, Cee-Lo Green (2010)

Matador
Cee Lo Green retornou com força aos nossos ouvidos com The Lady Killer, lançado no início de novembro. Assim como os álbuns lançados ao lado do produtor Danger Mouse no projeto Gnarls Barkley, Lady Killer é uma festa para ser apreciada no volume máximo.
Variando entre o ritmo dançante de Bright Lights, Bigger City e a levada suave de No One’s Gonna Love You, cada faixa apresenta uma fusão de elementos já conhecidos do soul e do rhythm & blues dos anos 60 e 70, como linhas de baixo elaboradas e backing vocals afinados, com uma voz poderosa e carregada de ritmo. É classe do início ao fim.

Bruno G. Santos, @brunellas

Welcome to the Breakdown, I Fight Dragons (2010)

Quando você recomenda um álbum, você compartilha um pouco do que você. Não é só uma música, é um conjunto inteiro e algo que diz um pouco sobre quem indicou. Eu deixo ‘Welcome to the Breakdown’, o álbum que a I Fight Dragons, direto de Chicago, lançou em 2010. Quem ouvir pela primeira vez vai notar que muitos sons de vídeo-game e RPG são incorporados nas músicas, o que só atenua o espírito jovem das músicas. Enfim, é bem bacana. Não acho que supera ‘Overcool’, meu favorito deles, mas, ganha em criatividade. Além das letras, que não deixam o som animado interferir no tom emotivo das músicas, os caras adaptaram os vocais do tema clássico de The Legend of Zelda. Vale a pena conferir.

Francisco Junqueira

Where the Wild Things Are, Karen O. & Band (2009)

Cheio de sussurros, batidas e barulhinhos da infância, a trilha sonora de “Where the Wild Things Are” (Onde Vivem os Monstros) é daquelas que funciona independente do filme para o qual foi criada (por sinal, incrível, dirigido por Spike Jonze). As músicas chegaram até mim de maneira independente também, uma a uma, anexadas por e-mail por uma amiga querida. Os arquivos ficaram perdidos para sempre no limbo do meu ipod, até o dia em que foram puxados pela espiral do shuffle. Daí, dentro do metrô, a vontade era sair pulando ou ficar bem quietinha, eufórica e melancólica, como costuma ser o finalzinho dos dias de criança.

Tory Oliveira, @toryy

Ganhe o CD do Apanhador Só

Para ganhar o álbum do Apanhador Só autografado é só twitter o trecho de qualquer música deles com o link “http://migre.me/E924” no final do tweet

Peça única

Boas metáforas e figuras divertidas aparecem nas letras do disco homônimo da banda gaúcha Apanhador Só, lançado em abril [conheça a banda]. A qualidade das composições, diferentes, bem amarradas, delicadas e com ótimas sacadas, é bem acompanhada pelo som, trazendo unidade e diversidade em todo o álbum de Alexandre Kumpinski, Felipe Zancanaro, Fernão Agra e Martin Estevez.

O quarteto toca o rock, trilha típica do cenário de Porto Alegre, e a MPB, uma mistura não inovadora, mas em um resultado único. Cada integrante leva sua história, que, juntas, são bem costuradas no produto final. Os pontos certos estão desde a guitarra em ”Peixeiro” e “Nescafé”, até o baixo em “Maria Augusta”, uma das faixas mais antigas e divertidas. A percussão feita pela amiga e ex-integrante Carina Levitan adiciona à receita diversão e variedade, destacando ainda mais. Outros detalhes também marcam o álbum, como o tango em “Balão de Vira Mundo”.

Ser clichê não é com eles. “Bem me leve” é no feminino e “Porta-Retrato” conta com Estevão Bertoni, do Bazar Pamplona. A canção “Vila do 1/2 Dia” traz um ritmo divertido e grudento (laiá, laiá, laiá…), mas nem por isso possui uma letra feliz. Já em “Prédio”, single destacado pela Rolling Stone, o ritmo acompanha, em alguns momentos, até o significado da letra, de forma criativa.

O Apanhador Só disponibiliza todas as músicas para download, e não é por isso que o CD físico vai ser menos cogitado. Pelo contrário, ganhou uma atenção especial. O projeto gráfico, de Rafael Rocha, é bem bolado e bonito. As letras das músicas estão na caligrafia de parcerias, amigos, produtor e outros que acompanharam o álbum pelos dois anos que levou para ficar pronto. Até o momento, um dos melhores discos nacionais de 2010.

Sorteio do álbum

Para ganhar o seu álbum autografado basta twittar o trecho de qualquer canção do Apanhador Só (para isso, baixe o álbum aqui ou escute o som aqui), mencionando, no final do tweet, o seguinte link: http://migre.me/E924 . [Quem não mencionar o link completo, nem entra no critério de sorteio!] Aproveite e siga @vitroleiros e @apanhador_so para que a gente possa enviar uma DM avisando do resultado do sorteio! O sorteio acontecerá dia 25 de maio, dois dias antes do próximo show deles em São Paulo (27/05, SESC Santana).

Vencedor

O grande vencedor foi @IsraelGChan, como vocês podem conferir no link http://sorteie.me/mB4. Parabéns!

“Bah”, talento do sul

Em turnê de lançamento do primeiro disco, Apanhador Só é uma banda que traz inovação e variedade sem deixar a sintonia de lado. Conheça o quarteto de Porto Alegre, que conversou com o Vitroleiros nas mesinhas do CCSP.

Felipe, Alexandre, Fernão e Martin se completam

Noite fria, casa cheia. O pequeno espaço da Funhouse estava lotado de pessoas, todas atentas e apertadas quando os primeiros acordes começaram a soar. Na segunda música, uma garota que não conhecia a banda virou e falou: “foda”. Outros garotos concordaram. Vindo de Porto Alegre (RS), o Apanhador Só logo conquistou o público da primeira noite da fatia paulistana da turnê de lançamento de seu primeiro disco, homônimo. Alexandre Kumpinski (vocal, guitarra), Felipe Zancanaro (guitarra), Fernão Agra (baixo) e Martin Estevez (bateria) formam o quarteto que vai ficar mais quinze dias por São Paulo, passando pelo CCSP, pela Livraria da Esquina e pelo SESC Santana.

A banda começou há alguns anos, quando Alexandre, Fernão e o então baterista Drusko começaram a tocar juntos. Depois entrou Felipe na guitarra, Carina Levitan participou por um período na percussão e Martin, na bateria, foi o último a entrar. Em 2005, como prêmio do festival do Centro dos Estudantes Universitários de Engenharia, eles gravaram duas músicas que, junto com outras três, formaram o EP Embrulho Pra Levar, lançado no início de 2006. A arte do EP era carimbada por eles mesmos, e Felipe lembra bem do trabalho manual. “Era contraditório, a gente depende da mão para tocar mas tinha de passar um tempão carimbando”, ri.

“Na época estava começando o Trama Virtual e um amigo nosso mostrou o site”. Com o EP online, a banda foi ganhando público e espaço no cenário de Porto Alegre (“é uma mini-São Paulo”, compara Martin; “tu tem de cuidar do que faz nas festinhas”, alerta Alexandre). Em 2006 ganharam o Festival Trama Universitário e, desde 2007, começaram a pensar em montar o álbum, buscando financiamento. “Não queríamos fazer de qualquer jeito”, o vocalista explica a dedicação. Quatro anos depois do EP (e com um de três músicas lançado no meio sem muito alarde), em abril deste ano surgiu o primeiro CD do Apanhador Só, com treze faixas de canções antigas, como Maria Augusta, até faixas mais novas, como Nescafé.

Com produção de Marcelo Fruet, o álbum apresenta um grupo completo, que, ao longo das faixas, mostra variedade com traços que vão desde MPB até o rock mais pesado. O quarteto reconhece a importância do produtor no processo. “Ele trouxe essa visão de fora”, destaca Martin. Já Alexandre explica que o trabalho do produtor foi focado na formação antes do estúdio.“O Marcelo foca mais na pré-produção, tanto que em algumas gravações ele nem foi.”

O disco traz ainda a presença da ex-integrante da banda que foi para Londres, Carina Levitan, com sua percussão divertidíssima, que engloba de balão de festa à já clássica roda de bicicleta. Veio passar um mês no Brasil gravando sua parte, sem quase nada a mais feito. Mesmo fora da banda (“quando ela saiu, paramos para repensar”), Carina levou novidade e variedade ao CD. “Cada vez que a pessoa ouve o álbum encontra algo novo”, explica Alexandre. “Acho que traz textura para o disco”, acrescenta Felipe. Alexandre logo argumentou que, em algumas canções, a presença dos instrumentos de Carina foram mais pontuais.

Dos objetos-intrumentos da percussão, que eram difíceis de captar nos shows, a roda de bicicleta acabou ficando. “O som era legal, ficava bonito no palco, acabou ficando e virou uma espécie de símbolo”, explica sucintamente Fernão.

O baixista, por sinal, fala poucas vezes, mas, quando fala, sempre tem algo a dizer, sem gastar a lábia. Como quando estavam divagando sobre a diferença do som de seu baixo:

Alexandre: “O Fernão, por exemplo, não tocava baixo, né?”
Fernão: “É?”
Alexandre: “É, você veio do violão, da guitarra, não? Então trouxe coisa deles.”
Fernão: “Não sei, é? Se você está falando…”

Já Martin, tagarela, se perde nas histórias e os companheiros brincam com seu devaneio, como sobre a vez que ouviu a banda ao vivo pela primeira vez e, tendo tocado antes deles, queria desmontar logo a bateria enquanto os outros continuavam numa espécie de jam session.

Os meninos são bem diferentes uns dos outros, várias vezes mostram opiniões diferentes sobre os mesmos assuntos e possuem influências musicais bem variadas. “No MP3 meu e do Alexandre você não vai encontrar nada em comum”, destaca Martin. Ele, por sua vez, participa de outras bandas e traz um histórico de gosto mais ligado ao instrumental. “Foi difícil no começo aprender a conter a bateria um pouco, a fazer os arranjos certos para o Apanhador.” O quebra-cabeça de vários estilos e a sintonia do quarteto é o que forma a música típica da banda, o que faz dela tão diversa e, ao mesmo tempo, completa.

O formato final do Apanhador Só é reflexo de todo processo de criação. Com o nome em quase todas as canções, Alexandre costuma escrever e apresentar para o grupo num formato quase voz e violão. “Então cada um vai tocando naturalmente, é bem natural”, pensa Felipe. Às vezes, Alexandre pára uma letra no meio e pede ajuda. Em algumas destas vezes e em histórias com amigos surgiram diversas parcerias no disco, desde poetas gaúchos até o Estevão do paulistano Bazar Pamplona. “Eu acho ele um dos grandes compositores desta geração”, diz o vocalista e compositor. Mais uma influência brota quando se ouve o sujeito feminino de “Bem Me Leve”. Chico Buarque? “É, eu ouvia e tocava muito Chico, tocava aqueles songbooks, era natural. E acho que veio também pela rima.”

Das canções antigas algumas não entraram pela evolução do grupo. “Não tocávamos mais”, explica Alexandre, “as outras eram melhores”, contrapõe Martin, “talvez algum dia até volte”, completa Felipe sobre a faixa do primeiro EP, “Damas”. “Balão-de-Vira-Mundo”, por sua vez, ganhou um tango sugerido pelo produtor e logo aceito pelo animado Felipe. “Sempre quis fazer algo do tipo”, diz o guitarrista enquanto Fernão e Alexandre brincam, “sempre foi nossa influência”, riem. De influência, eles trazem muita coisa da música do Rio Grande do Sul, e acabam sendo mesmo uma banda gaúcha de Porto Alegre, que reflete até o ambiente roqueiro da cidade. “Se não tivesse isso em Porto Alegre, não teríamos comprado nossas guitarras aos 15 anos”, conta Alexandre.

Para quem quiser baixar, o álbum está disponível na internet. Mas vale adquirir o disco físico pela qualidade. Para fazê-lo, chamaram o designer Rafael Rocha que, baseado em algumas indicações do que eles queriam, fez o álbum. “Inclusive foi dele a ideia de pessoas ligadas ao disco, como os compositores, escreverem as letras no encarte”, explica Alexandre. O álbum é mesmo bonito e criativo, ainda demonstra algumas características da banda, vale para colecionar.

Bem sulistas, os meninos do Apanhador Só trazem este clima de Porto Alegre em suas canções. Além disso, são uma das bandas que transpiram sintonia. As influências e as manias de cada um deles aparece no resultado final em harmonia, mesmo as de Fernão, que não gravou o CD. Daí que se monta o som do Apanhador, variado e completo, do tipo que te conquista na segunda canção.

Próximos Shows

4/maio – Tapas Club (sp)
6 e 7/maio – CCSP (sp)
7/maio – Livraria da Esquina / com Bazar Pamplona (sp)
8/maio – Sesc Presidente Prudente (pres. prudente)
8/maio – Trip Music Bar (maringá)
16/maio – James Bar / com Banda Gentileza (curitiba)
27/maio – Sesc Santana (sp)

Para baixar: www.apanhadorso.com

Para ver:


Fora do Post – nosso Backstage – O Vitroleiros coleciona algumas falhas na nossa história. Uma entrevista de duas horas com a maravilhosa Lulina arquivada, um repórter que esqueceu e perdeu uma conversa com uma banda nova e, agora, a tecnologia dando de 10 a 0 na Jessica. Graças à ótima memória, pude lembrar até de aspas dos rapazes, mas, infelizmente, as falas não estão exatamente iguais. O áudio do gravador emprestado de nossa também vitroleira Tory foi deletado depois que ele travou. Então, peço desculpas por qualquer frase diferente no texto, mas desta vez a tecnologia ganhou de mim…