Alguém que chama Afrika Bambaataa vem da África, certo? Errado, claro. Isso é puro senso comum. Então é um baiano, ou até de alguma ilha do Caribe, certo? Adicione a estas ideias aquela sensação de que ele é um artista de circo… Pois bem, errou e feio. Só acertou quem lembrou do orgulho afro-americano e das influências poderosíssimas que este pessoal trouxe à música mundial.
Kevin Donavan, hoje com 53 anos, cresceu no Bronx, em Nova York, sempre organizando festas na rua, daquelas que tinham um sistema de som grande e ambulante, que me lembrou a kombi da primeira DJ brasileira, a Sonia Abreu. Na adolescência – final dos anos 70 e começo dos 80 – ele adotou o nome de Afrika Bambaataa.
Afrika foi um dos primeiros DJs e tocava as primeiras batidas e mixagens do Breakbeat, ao lado de Grandmaster Flash e Kool Herc. Dominando o som do bairro, também foram alguns dos primeiros a encaixarem uma música na outra sem que a transição fosse perceptível. Ao lado deles, surgiam os primeiros MCs, sigla que significa master of cerimonies e nomeava aqueles que comendavam os microfones das festas. O povo começou a se mexer e surgiu o break dance, começaram a desenhar e surgiu o grafite, logo formando toda uma cultura que viria a ser o Hip Hop. Não somente precursor do Hip Hop, mas Africa também é considerado um dos pioneiros do Electro-Funk. Sua influência chega à mixagem da música eletrônica e aos funks cariocas.
O orgulho afroamericano estava no auge e Afrika optou por levar a sua luta para um lado cultural, entrando no grupo Zulu Nation. A Black Music, antes marcada pelo R&B, passou a ser gravada de uma nova forma, expressando a nova geração do rap. Bambaataa entrou na indústria ao ajudar gravadoras, como a Tommy Boy Records, e novos grupos, virando um grande produtor. Sempre preocupado com suas origens, o DJ tornou-se um porta-voz pelos direitos dos afroamericanos e diz que o Hip Hop leva traços das raízes da cultura africana.
Incluindo DJs e dançarinos, o Zulu Nation cresceu e virou um movimento internacional, tendo inclusive seu grupo no Brasil atualmente. Por volta do começo dos anos 80, Bambaataa criou, dentro do Zulu Nation, o SoulSonic Force, um grupo de 20 pessoas com as quais gravou diversos discos e se apresenta ao vivo. Com eles, o DJ levou o Hip Hop para o mundo, seguindo em turnês a partir da Europa em 1982. Neste mesmo ano ele também começou alguns projetos solos, mas nunca abandonou a cultura e os grupos.
Já se passaram 35 anos de Hip Hop e, para comemorar a data, Afrika Bambaataa fará uma turnê por aqui. No dia primeiro ele tocou no Rio de Janeiro, no Circo Voador. Esta quinta-feira, 8 de abril, ele se apresentará à 1h no Studio SP (R. Augusta, 591). Confira as demais datas do DJ no Brasil:
- Porto Alegre, Bar Opinião - 13 de abril, às 22h
- Curitiba, John Bull Music Hall - 15 de abril, às 23h
- Recife, Pavilhão do Centro de Convenções, no Abril Pro Rock – 17 de abril
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