Carismáticos virtuosos

Postado em 23 November 2009 por André Sollitto

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Desde que os produtores de Guitar Hero incluíram a música Trought the Fire and Flames na terceira edição do game, o Dragonforce atingiu certa notoriedade inexistente até então. A dupla de guitarristas, Herman Li e Sam Totman, passou a ser reverenciada por suas pirotecnias nas seis-cordas e milhares de estudantes do instrumento passaram a treinar com afinco suas escalas e sweeps na velocidade da luz.

O show em São Paulo, marcado para domingo, dia 8 de novembro, atraiu todos esses fãs de virtuosismos guitarrísticos e nerds viciados em Guitar Hero. As camisetas dos presentes estampavam o logo da banda ao lado de frases como “Guitar Hero – Dragonforce 100% Expert Mode” ou “Dragonforce, Trough the Fire and Flames”. O Carioca Club, local do evento, aproveitou essa popularidade para divulgar o show: “Venha ver o Dragonforce, a banda do jogo Guitar Hero!”.

Talvez um chamariz desse tipo fosse realmente necessário; afinal, um piso de madeira, propício para uma noite de forró, globos prateados e flocos de neve pendurados no teto não fazem o cenário ideal para um show de metal. Mas justiça seja feita: de qualquer lugar da casa era possível ver o palco perfeitamente. Dava até para encostar no palco e quase encostar nos músicos.

Foi exatamente isso que aconteceu. Quando o seis membros do Dragonforce subiram ao palco, com um pouco de atraso, todos correram para o palco. Abrindo com Heroes of our time, primeiro single do quarto disco de estúdio, Ultra Beatdown, a banda logo conquistou a platéia.

O vocalista sul-africano Z.P. Threat mostrou grande carisma: brincou com o público, agradeceu diversas vezes e não parou de pular de um lado para o outro no palco. O baixista, Frédéric Leclercq, apesar de não correr nem pular, fazia caretas impagáveis, sustentando sozinho as bases da músicas, criando o suporte para os outros músicos tocarem na velocidade da luz. O batera Dave MacKintosh massacrava sua bateria enquanto o tecladista Vadim Prizhanov fazia sua performance, independente da má qualidade do som de seu teclado.

Herman Li e Sam Totman formam uma grande dupla. Os dois possuem um entrosamento quase perfeito: eles dividem solos precisos com naturalidade, fazem pulos sincronizados e levavam os fanáticos pela guitarra à loucura. Alguns garotos reproduziam as proezas dos dois em suas guitarras imaginárias, enquanto outros (os mesmos que vestiam as camisetas “Guitar Hero – Dragonforce 100% Expert Mode”) simulavam esses mesmos solos em seus controles imaginários de Playstation 2. Totman, apesar de não ser capaz de realizar algumas das pirotecnias de Li, compensava com um grande carisma: entre uma série de 4 mil notas e outra, ele fazia caretas, provocava a plateia e seu companheiro de instrumento.

O mito de que o grupo usava playback também caiu por terra. Na maior parte do tempo, os solos se mantiveram fiéis às versões de estúdio. Mas na raras vezes em que Li ou Totman resolveram improvisar, dava para perceber claramente que o público assistia à apresentação de dois músicos talentosos, e não de dois robôs programados para impressionar.

O setlist incluiu músicas de seus quatro discos, passando por Operation Ground and Pound, Soldiers of the Wasteland, The Last Journey Home e Valley of the Damned. Depois de voltar para o bis, eles fecharam com My Spirit Will Go On e, obviamente, Trought the Fire and Flames.

O show terminou com um fã mirim batendo cabeça junto com Threat, Totman mostrando a bunda branca (e outras coisas) para o público e Li jogando suas palhetas semidestruídas para um mar de mãos. Muitos fora para ver uma banda extremamente veloz e técnica. OK, isso o Dragonforce é. Mas eles vão além. Carismáticos, fizeram o domingo de todos os presentes valer a pena.

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