#essencialbuns VII: Nirvana, Nevermind

Nevermind, Nirvana

Por César Ovalle
@cesinha

Quando recebi uma das perguntas mais cruéis de todas em meu e-mail, resolvi pensar na resposta por dias. A pergunta nada mais era do que “Se você tivesse que escolher apenas um álbum – EM TODO O UNIVERSO POSSÍVEL – qual seria?

Pronto, bastou ela pra mexer com todos os pensamentos, sentimentos, cronologia, ideologia, conhecimentos e tudo mais aqui dentro da minha pessoa. Primeiro tentei resgatar os mais importantes da minha vida, talvez os que me fizeram moldar o meu gosto musical, e dentre eles fui tentando achar qual é realmente essencial. Dentre todos os separados por mim, tinha lá alguns do Metallica (…And Justice For All e Black Album), tinha o Dookie do Green Day, o Ten do Pearl Jam, o Stranger Than Fiction do Bad Religion, o Diary do Sunny Day Real Estate e até o Rádio Pirata AO VIVO do RPM e o Sobrevivendo no Inferno dos Racionais MC’s… sim, acredito que todos esses (e mais um monte que não citei) me ajudaram a formar meu gosto musical e tudo o que sei sobre música ou coisa que o valha, mas como a pergunta era sobre um e essencial, tive eu que começar a eliminar supostos competidores.

Como disse no começo, é algo muito cruel, e tenho quase certeza que daqui um tempo eu possa mudar de ideia, mas como a pergunta foi feita agora, a resposta representa o meu eu de agora também, e o escolhido pra essa coisa toda é o tão aclamado Nevermind da tão polêmica Nirvana.

Juro que não vou me estender muito nos motivos, mas preciso dizer que em meados de 1991 (ou já era 1992 e eu não lembro?), quando um grande amigo meu tocou a campainha da minha casa com esse vinil em suas mãos, eu posso admitir que já pela capa aquilo me impressionou. Na época eu só ouvia heavy/trash/death metal e aquilo não tinha cara alguma de que fosse mais uma banda dessas… e me lembro que a única coisa que ele falou foi “Ouve isso”. Naquela época a gente não existia internet e então você não tinha muitas notícias do que rolava pelo mundo afora, você sabia através de revistas especializadas em música como a ShowBizz ou a própria RockBrigade… mas eram mensais, ou seja, demorava pra chegar as novidades – e um disco desse então? Tem noção de como era difícil arrumar? Enfim, voltando ao assunto, imagina agora um muleque com seus 11 ou 12 anos colocando o Nevermind pra tocar e ouvindo os primeiros acordes de Smells Like Teen Spirit em alto e bom som na sala da sua casa com o seu melhor amigo. Deu pra imaginar? Talvez não, mas eu me lembro como se fosse ontem, aquilo entrando pelos meus ouvidos com uma reação do tipo “Que porra é essa e porque me soa tão bem?”. Digo que foi amor a primeira ouvida, tanto que não escutei a segunda faixa em seguida, eu voltei pra primeira mesmo. Momentos depois que ainda fui me deparar com outras pérolas como Come As You Are, Lithium, Polly, On a Plain e outras.
Resumo o disco como um marco na história do rock e como um dos maiores clássicos do mesmo até hoje, tanto que se não me engano, a VH1 elegeu o disco como o segundo melhor álbum de rock da história, perdendo só pro Revolver dos Beatles (que aliás, é um belo disco também – e porque não essencial? haha).

Pra mim ele é essencial pois marcou uma revolução dentro dos meus conceitos, dos meus gostos musicais e, porque não também, me ensinou muita coisa como o que é o rock de verdade, não só o disco como a banda em si. Sem dúvida alguma é ele o meu eleito e quem sabe eu nunca mude de opinião, mesmo porque ele é sem dúvida um forte candidato a ser campeão invicto e sem ameaças.

o desafiado

César Ovalle é dono de um dos olhares mais aguçados que você pode imaginar. Sabe que as imagens podem falar, e mais — sabe, como ninguém, tirar palavras delas: Formado em Rádio e TV e Fotografia, vive pela estrada registrando a vida dos meninos do Nx Zero, clicando ângulos inusitados e dividindo com os amigos a paixão — antiga — pela música.

nevermind pra ouvir

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tracklist

# “Smells Like Teen Spirit” (Cobain, Krist Novoselic, Dave Grohl) – 5:01
# “In Bloom” – 4:14
# “Come as You Are” – 3:39
# “Breed” – 3:03
# “Lithium” – 4:17
# “Polly” – 2:57
# “Territorial Pissings” – 2:22
# “Drain You” – 3:43
# “Lounge Act” – 2:36
# “Stay Away” – 3:32
# “On a Plain” – 3:16
# “Something in the Way” – 3:55

18 thoughts on “#essencialbuns VII: Nirvana, Nevermind

  1. “Pra mim ele é essencial pois marcou uma revolução dentro dos meus conceitos, dos meus gostos musicais e, porque não também, me ensinou muita coisa como o que é o rock de verdade, não só o disco como a banda em si. Sem dúvida alguma é ele o meu eleito e quem sabe eu nunca mude de opinião, mesmo porque ele é sem dúvida um forte candidato a ser campeão invicto e sem ameaças.” [2]

    Não é o meu preferido do Nirvana, mas se eu precisasse responder essa mesma pergunta com certeza absoluta que Nevermind seria minha escolha.

  2. Pingback: Vitroleiros

  3. Pingback: Ariane Freitas

  4. Na real essa história de álbum eleito e tudo mais varia muito da época em que vc nasceu, como foi criado e tudo o que ouviu ao crescer… Acho que é impossível dizer que esse ou aquele é melhor que esse ou aquele… mas são vivências diferentes, ouvidos diferentes e interpretações diferentes. E é bem aí que mora a graça toda.
    Nessa época aí eu tinha lá meus 11 ou 12 anos de idade… foi exatamente quando tudo mudou. Hoje to com 30 e ainda procuro algo melhor, porém acho que não vou conseguir achar.

    É muito legal ver as diferentes opiniões da galera… quero ver até onde isso vai chegar… uma dica é pegar uma galera com faixa etária bem distinta, seria interessante!

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  6. Pingback: Tony Aiex

  7. Pingback: Luiz Felipe Gasnier

  8. É, tem isso também. Eu nasci em 90, quando fui ouvir o Nevermind o contexto era outro, bem diferente do que o de quando ele foi lançado…

    Então, Cesinha, mandei o desafio pra bastante gente de várias idades e gostos bem diferentes… Acontece que é uma mesma faixa que acaba respondendo! hahaha

    Se tiver alguma indicação de gente pra responder, me fala por email! =D
    Ainda tô chamando o pessoal pro segundo semestre. =)

  9. Pingback: Vitroleiros

  10. Pingback: ariane freitas

  11. Sou parcial demais pra comentar, mas lá vai. Nevermind consolidou o que era o Nirvana e tudo mais. É com certeza essencial, mas fico em dúvida entre ele e o Unplugged como meu favorito do Nirvana. O primeiro marcou a banda; já o segundo provou a flexibilidade deles, contradizendo quem afirma que o Nirvana só faz barulho.

  12. Ouvi Smells like teen spirit pela primeira vez num vhs (saudoso vhs) de surf e surtei brabo. Era muito direfente do que eu costumava ouvir (metal) e me soava agradável até demais. E, sem google na época, demorei meses pra descobrir de quem era o som. Nirvana…
    O Nevermind é de suma importância pra minha formação musical, mas eu ficaria com o “And justice” do Metallica se pudesse escolher um álbum pra vida… hehe

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