Prolonging the Magic, Cake
Por Eric Franco
@ericfranco
Primeiramente, gostaria de informar aos senhores que sim, eu sei que devem existir discos melhores do que eu escolhi, mas a proposta é falar de álbum do qual você sentiria falta pra sempre caso todo o universo se desintegrasse e tudo o que restasse fosse somente você e um Discman – não me pergunte porque a providência divina te escolheu e muito menos porque ela não te deixou com um iPod pelo menos (isso pra não citar o fato de que você precisaria de pilhas logo, logo. Não tente imaginar que tinha pilhas recarregáveis, afinal você vai acabar precisando de uma tomada em algum momento e só está deixando esse post mais longo do que o necessário).
Segundamente, como explicado anteriormente, esse é o disco que faz sentido pra mim. Se o caso fosse deixar um legado pras gerações vindouras, obviamente eu escolheria um cd do Tiririca e deixaria um bilhete: “não permitam que isso aconteça novamente”.
Deixando as gracinhas de lado, vamos aos fatos: eu nunca fui um defensor ferrenho de nenhum estilo musical. Até meus 17, 18 anos ouvi muita merda, até porque só ouvia o que tava tocando, o que os amigos ouviam e, convenhamos, não lembro de nenhum deles ouvindo nada que prestasse, mas aí a MTV, todas as rádios e até aquele seu amigo que tava na pegada do forró universitário nos idos de 1998 descobriram que o Cake era legal depois de Never There.
Depois de descobrir a banda por aí, fui escarafunchando atrás de mais coisas dos caras e entendi que o que eu mais gostava na banda é que as letras eram legais sem soarem pedantes e quase toda música tinha uma sacada marota, uma visão mordaz da porra toda em que consiste a vida, o universo e tudo mais – um prato cheio pra um pessimistazinho safado e resmunguento como eu. Você pode argumentar que eu poderia ter começado explorando os clássicos, mas basicamente eles não diziam porra nenhuma pra mim. Ou você cresce ouvindo Led Zeppelin no Opala do seu pai ou você vive a reviravolta que o Nevermind causou na cena musical depois da overdose glam dos anos 80 (até porque fora do contexto, é só uma banda ruim onde a melhor música que eles já gravaram não era deles). E eu simplesmente não queria gostar dessas coisas por obrigação.
Minha escolha é a prova de que um one hit wonder nem sempre é só um one hit wonder e pode te abrir as portas pra algo realmente legal.
Free your mind, Neo.
o desafiado
Eric Franco comanda uma legião de Cegos, Surdos e Loucos, é resmungão de primeira e adooooora ser informado via twitter quando começa e para de chover. É casado com a pessoa mais fofa das internets. E, acima de tudo, é uma grande farsa: não consegue falar bem de alguma coisa, então fala mal das outras pra ressaltar as que ele gosta. O que não deixa de ser uma grande dica de estratégia pra vocês.
prolonging the magic pra ouvir
se você acompanha o blog pelo feed ou pelo email, ouça o álbum aqui.
tracklist
1. “Satan Is My Motor”
2. “Mexico”
3. “Never There”
4. “Guitar”
5. “You Turn the Screw”
6. “Walk on By”
7. “Sheep Go to Heaven”
8. “When You Sleep”
9. “Hem of Your Garment”
10. “Alpha Beta Parking Lot”
11. “Let Me Go”
12. “Cool Blue Reason”
13. “Where Would I Be?”
//mais informações sobre o álbum
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