Categoria | Folk, Opinião

Na fossa com os Cowboys Junkies

Postado em 17 July 2009 por Tory Oliveira

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Por Rosana Villar

Nos últimos anos o ritmo folk invadiu com o pé na porta a cultura rock. O Kings of Leon se tornou uma das bandas mais importantes do mundo, vimos surgir Mallu Magalhães e todo um séqüito de jovens seguidores, fãs de Bob Dylan desde o nascimento. Mas não é de hoje que a banda indie Cowboy Junkies bebe dessa fonte e abusa da mistura folk-rock de uma maneira única e brutal.

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O grupo nasceu em 1985, com o propósito de fazer blues canadense (?) da melhor qualidade. Margo, irmã caçula de Michael e Peter Timmins, foi a escolha óbvia para os vocais e os Cowboys Junkies se tornaram uma banda quase familar – quase, por conta do intruso, Alan Anton, o baixista. Margo tinha uma voz suave e cantava de uma forma melancólica que soou extremamente interessante. Para aproveitar o trunfo, a banda toda resolveu se adaptar. Baixaram ainda mais as rotações e inseriram elementos daqueles velhos e chorosos blues do interior dos Estados Unidos.
Gaitas, slides de guitarra e aquela maldita voz! O primeiro disco, Whites Off Earth Now!!, lançado pelo selo que a própria banda havia fundado, vinha recheado de clássicos do blues revisitados pela voz emblemática de Margo e o ritmo cadente do grupo. Era impressionante, para o público, como uma coisa tão triste podia soar tão bem. Pois, se você acha Belle and Sebastian triste, meu amigo, tenha medo de Cowboy Junkies!

Altamente recomendável para fossas homéricas e desaconselhado em caso de intenção de suicídio. São, seguramente, uma das maiores “bandas tristes” de todos os tempos.

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Mas os Cowboys Junkies nasceram de verdade para o mundo, e talvez para si mesmos, no segundo álbum. Em The Trinity Session a influência folk estava por toda a parte. O disco é imperdível, do início ao fim. O mais interessante é que o álbum foi gravado inteiro ao vivo, no dia 27 de novembro de 1987, num “estúdio” de acústica muito peculiar, a igreja The Holy Trinity (santa trindade), em Toronto.

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A Session começa com Mining for Gold, uma canção tradicional canadense interpretada em capela por Margo, e é seguida por baladas de tirar o fôlego. 200 More Miles, uma das mais lindas canções da história, e a versão icônica de I’m So Lonesome I Could Cry, do monstro da música folk norte-americana, Hank Williams, já valem a audição.

Mas o grande sucesso de The Trinity Session ficou por conta da contundente versão de Sweet Jane, de Lou Reed, considerada pelo próprio autor como a melhor versão já gravada de sua música. A versão alcançou a 5° colocação na parada da Billboard e foi trilha sonora do filme Assassinos por Natureza, do diretor Oliver Stone, de 1994.

De lá para cá, já foram 24 anos de banda, firme e forte, cerca de 20 álbuns lançados (entre coletâneas e inéditos) e muitas canções boas de ouvir chorando no banheiro.

*Falando em Cowboy Junkies…Vocês lembram daquela promoção da Virgin, que tinha um cartaz com 75 nomes de bandas escondidos em uma imagem? Pois eles estão lá. Dá uma olhada. Aproveita e tenta encontrar as outras 74…

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4 Comentários

  1. Tory Oliveira Says:

    Há mais coisas no folk rock do que pode supor nossa vã Mallu Magalhães ;)

  2. Ariane Freitas Says:

    Aliás, Mallu Magalhães WHO?

  3. João Domingos Says:

    Os Cowboy Junkies não são só bons em música como em letras e poesias. Aqui uma de suas músicas que traduzir e belo clip. A letra Seria uma versão “Pais e filhos” do Renato Russo, que por sinal era fã dos Cowboy Junkies.

    Musical Key ( tradução/ João Domingos)
    Cowboy Junkies ( Letra de Michael Timmins e Margo Timmins)

    Escala Musical

    Minha mãe cantava doces melodias,
    embora nunca cantasse em escala musical.
    Eu a ouvia, através da casa, gritado meu nome bem alto.
    Minha mãe cantava doces melodias.

    Suas mãos eram sempre frescas e suaves.
    E com seus olhos afagava todos que tocava.
    Ela ouvia todo meu tagalarelar como se todas
    as palavras que eu dizia fosse importantes.

    Ela me segurava próxima de si e sussurava em meu
    ouvido
    “Garota você é parte de mim e eu te fiz forte, quando
    você crescer e tornar-se você própria lembre-se que
    alcançou isso com sua própria canção”

    Meu pai cantava em harmonia perfeita,
    se bem que ele nunca cantava em escala musical.
    Eu o ouvia quando entrava em casa e beijava minha
    mãe.
    Meu pai cantava em harmonia perfeita.

    Meu pai tinha sempre palavras certas e claras.
    E com a presenças delas livrava-me
    de todos os meus medos.

    Quando eu engatinhava por sobre seus joelhos,
    eu me tornava forte
    o quanto poderia ser.

    Ele me segurava bem forte e sussurava em meu ouvido
    “Garota você é parte de mim e eu ti fiz forte, quando
    você crescer e tornar-se você própria lembre-se que
    alcançou isso com sua própria canção”

    Minha mãe cantava em harmonia perfeita
    embora ela nunca cantasse
    em escala musical.

    http://www.youtube.com/watch?v=-LmOdKXrM0Y

  4. mauricio loiacono Says:

    Um pequeno detalhe: a bela Margot não é conforme outras fontes, irmã de Michael Timmins e sim espôsa do guitarrista. Isso inclusive pode ser visto em uma alusão que ela faz num dos takes de Holly Trinity Revisited, por sinal cd e dvd imperdíveis. Se eu estiver errado por favor me corrijam. No mais eles são magníficos em sua proposta de trabalho – folk e blues enfim, tudo no que se propoem a fazer.

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