Trilha internacional

Roney Giah pode ser um nome novo para muita gente, mas tem mais de 20 anos de estrada, muita bagagem e história para contar. Seu apuro técnico e o caminho que percorreu o levou a poder transmitir uma arte cem porcento pessoal, já que é ele mesmo que se empresaria.

O cantor e compositor brasileiro começou a estudar música formalmente aos seis anos de idade. De lá pra cá fez diversas aulas e cursos incluindo no currículo o Musicians Institute of Technology em Los Angeles e o Instituto de Áudio e Vídeo em São Paulo. Seu reconhecimento nacional veio com o primeiro CD, Semente (1997), com o qual concorreu aos prêmios Sharp e Visa e conquistou segundo lugar no Festival Berklee/Souza Lima. Alguns anos depois, em 2005, surgiu o álbum Mais Dias na Terra, que durou seis anos para ficar pronto. Pré-selecionado na edição de 2006 do Latin Grammy e do Prêmio TIM de Música, o álbum acompanhou internacionalização da carreira de Roney.

Lá fora, já recebeu Menção Honrosa no Billboard World Song Contest e no The John Lennon Songwriting Contest, com curadoria de Yoko Ono. Participou da trilha sonora do filme No Pain, No Gain e assinou contrato com a gravadora inglesa Astranova Records, pela qual lançou uma espécie de coletânea, o Yesterday’s Tomorrow. Também foi indicado, recentemente, à edição de 2010 do festival The Musicoz Award e faz parte do Jingle Punks. Voltando à terra tupiniquim, o clipe de “Few People Laughing” foi incluído no início de julho na programação da MTV.

Neste sábado 24 de julho, Roney fará o único show do ano por aqui. Lançamento do seu último CD Queimando a Moleira e gravação de DVD, a apresentação será no Grande Auditório do MASP (Av. Paulista, 1578, São Paulo), acompanhado pelos músicos da The Pop Chamber Orchestra. O show tem ingressos a preços populares (10 reais!) e também contará com a participação da Perseptom Banda Vocal.

O álbum que será apresentado traz uma faceta mais tranquila de Roney Giah. Com menos traços da música brasileira – mas sem perder a identidade com a terra natal – o cantor leva melodias mais voltadas para o pop. As dezoito (!) músicas autorais de Queimando a Moleira variam entre ritmos calmos e animados, mas sem perder a sonoridade tranquila.

Alguns instrumentos clássicos se juntam à voz e violão de Roney, como piano, baixo acústico, acordeom, violoncelo e clarinete. Curiosamente misturados, não chegam a parecer uma orquestra, mas dão às canções um toque de naturalidade. O som pode ser aproximado do chamber pop, estilo parecido com o baroque pop inglês dos anos 60 que adicionou, pela primeira vez, os instrumentos clássicos ao pop e rock. Mas vai além e dialoga com diversas influências, praticamente inumeráveis, do pop à bossa nova. O álbum também tem uma temática leve de romance e faz, algumas vezes, uma certa graça.


Você vem de um histórico de estudo musical desde cedo na vida. Como isso ajudou ou influenciou no seu trabalho enquanto artista?

Em tudo. Quanto mais se absorve, mais tem resultado no seu produto cultural. Quanto mais bebo do universo da música, mais ecoa na obra. Vejo o que eu faço e estudei como uma coisa só, como alimento e digestão, não são separados.

E na inspiração?
Depende, divido em setores. Tem o que eu vou falar, o tema, que percebo no dia-a-dia. Se estou numa padaria, o que escuto, o que passa no jornal, conversas também viram temas que fico atento para. E outra coisa é a inspiração musical, que para mim vem primeiro [antes da letra]. Sonho muito com melodias e acordes. E, depois dessas ideias, a temática depende de anotações diárias de temas que quero abordar. Faço um quebra-cabeça.

Você é reconhecido lá fora, tendo recebido inclusive menção honrosa em prêmios importantes e lançado CD com gravadora inglesa. Você sente a diferença na recepção da sua música lá fora e no Brasil?
Eu sinto. [risos] É uma coisa que eu acho importante ressaltar entre a cultura deles e a nossa. Cultura para eles é monstruosa financeiramente e deveria ser assim no Brasil, mais que borracha e laranja. Não se dá a devida importância financeira e, não é só isso, é cultural, política. E lá [fora], eles tem tudo isso. Não é só interesseiro, é muito mais sofisticado, tem o lado financeiro mas ele está sempre acoplado à importância da cultura e da manutenção da cultura. Percebo isso neles mais evidente do que em nós e isso reflete no dia-a-dia, na atenção, no carinho, na prontidão, nas ofertas e respostas, tudo feito com muito cuidado. Aqui está em desenvolvimento, tem um certo despreparo para lidar com um mercado deste tamanho.

Quais são seus objetivos daqui pra frente? Tem essa de querer ampliar seu público no Brasil?
Meu objetivo agora é cumprir os cronogramas. Por conta da velocidade com que tudo está acontecendo é tudo muito a curto prazo. Farei o show este sábado, gravando DVD, no segundo semestre vou divulgar meu CD [Queimando a Moleira] em Londres e Nova York. O próximo disco, Co’as Goela e Tudo, já está pronto. [Será lançado por aqui no começo de 2011.] Enquanto tô lá fora, vou aproveitar para gravar com a minha gravadora [inglesa] Astranova meu primeiro disco todo em inglês para o final de 2011. E será uma delícia porque vai ser um sonho de infância: a gente vai gravar na Abbey Road.

Este seu disco, Queimando a Moleira, tem mais de pop e melodias mais tranquilas do que alguns trabalhos anteriores. Dá pra dizer que é resultado de amadurecimento musical? Novas experiências? Ou há uma gama de novas influências neste? O que causou o som mais tranquilo?
Tudo isso. Tem maturidade, mas estou sempre inovando. Sou um fã assíduo desta postura a la David Bowie de nunca saberem o que você vai lançar. O próximo disco é inteiro a capella, por exemplo, eu e uma banda inteira no vocal imitando instrumentos com a boca nas minhas músicas. É também uma forma de surpreender. Mas acho que neste processo de surpreender constantemente, estar sempre trabalhando e os anos vão passando, obviamente ganha-se maturidade. Você vai se transformando no processo. Quero, inclusive, é me surpreender.

Você cuida da sua própria carreira?
Cuido, sem dúvida. Depois de 20 anos de carreira tenho grandes parceiros, essencial para a saúde da carreira, mas a organização geral são planejados por mim mesmo.

Quais são os pontos positivos e negativos?
Positivo é a liberdade, é impagável fazer um CD do jeito que eu quis, do jeito que estava na minha cabeça. O lado negativo é o tempo. É muito tempo de trabalho, consome do tempo que seria utilizado para o artístico, ter mais composições, etc. Mas hoje eu penso que tudo é um processo criativo, então, nos problemas diários e administrativos, acho que estes momentos são também um exercício de criatividade.

Vai lá: Roney Giah & The Pop Chamber Orchestra, 24/07 às 20h30 – Grande Auditório do MASP – R$ 10 – Única apresentação.

10 thoughts on “Trilha internacional

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  6. O show foi sensacional. Fui sem esperar nada demais e me surpreendi. A mistura de instrumentos de orquestra, a banda de vozes e tudo junto realmente ficou muito legal. Achei demais. Vou comprar o cd.

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  9. O show foi emocionante… impecável! A sonoridade, as gostosas músicas, as lindas letras e a interação dos músicos tornaram extremamente agradável participar da gravação desse DVD! Compramos os dois CDs e torcemos para que o DVD saia logo. Parabéns Roney, você é um show man!

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