O Rock vindo de cima

Postado em 22 January 2010 por Ariane Freitas

Por Rosana Villar de Souza

No final do ano passado um amigo fotógrafo me convidou para assistir a um show no Sesc Pompéia. Esse amigo havia trabalhado no festival Porão do Rock, que rolou em setembro em Brasília, e era só elogios para uma banda que tinha visto por lá, uns goianos chamados Black Drawing Chalks.
Os caras iriam se apresentar ao lado da também goiana MQN, de Fabrício Nobre (dono do maior selo independente do Brasil, a Monstro Discos), e da pernambucana AMP, no festival 666, que rolaria na choperia do Sesc, um dos lugares mais bacanas para se ver um show em sampa.
Pode ter sido o clima, o público (super seleto), a noite agradável, a acústica do lugar ou só o puta talento de todas as bandas mesmo. Mas sei que a noite foi sensacional, todos os shows, e saí de lá um bocado embasbacada com aquilo tudo, afinal, fazia tempo que não ouvia um rock com tanta “paudurisse” como o daquela noite.

Fiquei um tanto obcecada, em especial, pelos Black Drawings. Os sujeitos tinham uma energia no palco que seria capaz de abastecer Itaipu! Nunca vou esquecer a performance daquele baixista, uma mistura de Cheech, de Cheech e Chong, com Slash e uma pitada de pica-pau de meias, alucinado em cima do palco, ou em baixo dele, vestindo indefectíveis botas vermelhas. Genial!

E não é só a performance, o som é de arrepiar os cabelos. Pesado e sacana. Lembra de leve Queens of the stone age, mas sem a parte dos efeitos disso e daquilo. Só rock, puro e muito bem tocado.

O grupo canta e inglês e lançou sem primeiro CD, Big Deal, em 2007, pela Monstro. No final do ano passado lançaram Life is a Big Holiday for us, que tem o single/clipe mais bacana do rock nacional atual. Não tem como ouvir My Favorite Way e não se apaixonar imediatamente por ela.
O clipe é um show alucinógeno de animação e tem ilustrações de dois componentes da banda, que também são designers, Douglas Castro (sr baterista) e Victor Rocha (sr vocalista e guitarra). A produção foi uma parceria entre o coletivo Bicicleta sem freio, do qual os músicos fazem parte, e o Nitrocorpz Design Studio.

Na premiação piada VMB 09, da Music (not!) Television, o Black Dawing Chalks chegaram a concorrer nas categorias Aposta do ano e Rock alternativo, mas, numa piada de muito mal gosto, não levaram nada.

Na terça (19/01) tive a chance de assistir a outro show do grupo, no Tapas, e foi só para ter certeza. Agora eu entendia a empolgação do Sr baixista e pulei e me sacudi como ele, a ponto de acabar com um olho roxo!

Black Drawing Chalks vai ser MINHA aposta para este ano, que corrobora mais ou menos com uma outra aposta que faço: o fim da supremacia sudeste na música.
O rock anda cada vez mais bunda mole, principalmente em São Paulo, que deveria ser a Meca do gênero, e quando surgem bandas como esta, de lugares geralmente negligenciados quando o assunto é rock’n roll, a gente se toca que esse Brasil é um mundão velho sem porteira e que nossa cultura vai muito além do que possa pensar nossa consciênciazinha medíocre.

A banda é:
Denis de Castro – Baixo
Douglas de Castro – Bateria
Renato Cunha – Guitarra
Victor Rocha – Guitarra e vocal
Visite e ouça: http://www.myspace.com/blackdrawingchalks

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