Categoria | Metal

Chama perpétua

Postado em 24 November 2008 por Andersson

Estava logo me vangloriando sobre meus quatro anos de estudo musical (tsc tsc) e do fato de repudiar a mesmice do cenário do Heavy Metal e de suas tendências, justo porque eu sou um cara chato. Entretanto não significa, meus caros amigos, que não lhes apresentarei motivos para mergulhar de cabeça nesse peculiar mundo, bruto, mas rico em capacidades criativas.

A carreira de um certo grande guitarrista pode servir como um bom trampolim: me refiro ao californiano Jason Becker. Considerado do movimento neo-clássico (do qual sou um adepto considerável, embora cauteloso), sua música apresenta algo que talvez apenas Bach e Debussy antes dele, no contexto classicista, tiveram em suas obras: uma boa e saudável dose de culhões! Há inovações aqui meu caro: há aquelas dissonâncias tão próprias ao espiríto humano, a composição de um obra de arte que te fala em seu interior, sem assim perder a exuberância da violência e da energia rebelde.

No fim das contas, acho que quem é tão virtuoso quanto quem vos fala (e eu imagino que sou o único dentre meus colegas que acha que, se sua música está ainda molhada detrás das orelhas, é porque ela precisa de mais notas) tem esse norte-americano no pantheon dos grandes músicos. E é sério: aos que ouvirem, imagino que ficarão com a sensação que teriam aqueles rednecks dos anos 50, com o surgimento do Rock depois daquele famoso encontro na encruzilhada, ao ouvir "Rocket 88".

Mas sem demasiados exageros, há sim algo que possa desestimular em seu estilo: às vezes o experimentalismo toma as rédeas da guitarra de Becker e torna o esforço musical um pouco enfadonho em certos casos, ainda mais para quem não está acostumado. Justamente para estes, indico a obra do "Cacophony", grupo em que Jason tocava na década de 80 e do qual pouco tenho ouvido e, acima de tudo, o "Perpetual Burn", um energético ensaio instrumental (ouçam com especial carinho a música "Air").

Jason Becker contraiu esclerose lateral amiotrófica (ou ALS) em 1990. A doença, com que convive até hoje, fez com que ele perdesse lentamente toda a movimentação corporal, excluindo as funções mentais e o movimento dos globos oculares.

E se um cara consegue compor uma obra como "Perspective" em tais condições, sem dúvida ele é merecedor de um espaço em seus gigabytes, garotos e garotas.

Hasta la vista

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4 Comentários

  1. Ariane Says:

    Leo, eu adoro seus textos! Além de aprender sempre alguma coisa e rir em alguns trechos, eu sempre abaixo a bola e me sinto a mais burralda do mundo! É, meus anos de estudo musicais são tantos quanto os seus, entretanto, ‘caro amigo’, eu não sei nem um milésimo do que você sabe. O que é legal, porque assim compartilhamos momentos de aprendizgem mútua ! E nada melhor que “Chão de Giz” numa noite chuvosa entre amigos.

    =)

    Não sou a maior fã do metal, mas curti o som de Becker. =)
    Valeu o post ;)

  2. Alexandre Aragão Says:

    O Cacophony é infinitamente foda. Pra mim, os duetos de Friedman e Becker só são comparáveis ao Racer X — e, mesmo assim, com ressalvas.

  3. Clara Camargo Says:

    Só ouço se me mandarem por msn… preguiça de baixar.
    A propósito, texto enriquecedor, senhor Leonardo!

  4. PedroZ Says:

    Sem dúvida alguma, um gênio que merece ser revisitado mais vezes.

    Parabéns pela proposta do blog e a organização. Trouxe um puta músico pra metaleiros como eu e agrada outras vertentes musicais :]

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