Hoje Bob Dylan completa 68 anos. Geminiano e músico – não precisa de mais nada. Parabéns e vida longa, Mr. Dylan.

Dylan com a sortuda Suze Rotolo. Nova York, 1962.
O assassinato de Kennedy por Lee Oswald é considerado por muitos como o maior acontecimento da História Contemporânea dos Estados Unidos , “o fim do sonho”. Também foi a morte do Dylan travestido de Woody Guthrie, segurando a mão de Joan Baez e cantando exclusivamente hinos políticos. A morte de JFK5 e o crescente fanatismo em torno de sua obra fizeram com que Dylan se afastasse do ativismo e desse uma guinada rumo ao rock n’ roll.

Ao abandonar o violão acústico, a gaita e a pretensão de mudar o mundo, Dylan sofreu uma enorme rejeição de seu outrora fiel público. Era religiosamente vaiado em todos os shows e recebia uma descompostura de todos os fãs que encontrava pelo caminho. No famoso festival folk de Newport, sua performance eletrificada causou furor: o próprio Peter Seeger tentou cortar os cabos durante o show com um machado, enquanto a platéia vaiava ostensivamente seu ídolo, chamando-o de “traidor”.
O ressentimento dos fãs-órfãos, no entanto, não conseguiu diminuir a influência revolucionária causada por Dylan nas mentes dos jovens que logo se revoltaram contra a Guerra do Vietnã (1959-1975), praticaram o amor livre e abraçaram a contra-cultura. “Quando você não tem nada/Você não tem nada a perder”, canta Bob Dylan em “Like a Rolling Stone”. As cenas de protestos contra a presença americana no Vietnã até hoje são mostradas tendo como música de fundo “Knocking on Heaven’s Door” ou “With God on Our Side”.
“Dylan, através de seus arranjos e canções, foi o fator de revolução para centenas de pessoas. Ele pode não ser responsável pela ideologia por trás dos movimentos, mas foi ele quem forneceu a emoção que fundamentou-os.” (SCADUTO,Anthony. Bob Dylan. New York: Grosset & Dunlap, 1971)
Sua habilidade de dizer aquilo que todos pensam, mas não conseguem exprimir, é o que torna sua música tão especial ainda hoje, quase 50 anos depois que o jovem Robert Zimermann encontrou, por acaso, uma vitrola com antigos discos de música folclórica americana e morreu, dando origem a Bob Dylan, A lenda. Por mais que ele odeie esse rótulo.
Para ir além:
Blanton, Amy. Bob Dylan: An Impact on American Society in the 1960’. 2001.
Hobsbawn, Eric. Tempos Interessantes: uma Vida no Século XX. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
SCADUTO,Anthony. Bob Dylan. New York: Grosset & Dunlap,
Documentário “No Direction Home”, Martin Scorsese. 2005.
Documentário “Bob Dylan: Don’t Look Back”, D.A. Pennebaker, 1965.
Artigo “À procura de Bob Dylan”, Eurípedes Alcântara, Revista CULT, Março de 2008.
Ainda sobre o assunto:
Parte 1: Ele estava lá
Parte 2: Hey , Woody Guthie
Parte 3: Na calçada, pensando sobre o Governo
Parte 4: Não sou eu, Baby