Entre cartas, pop e rock

Postado em 06 September 2009 por Jessica Grant

A banda de pop-rock do Rio de Janeiro, Bleffe, leva diversão e animação com seu trabalho independente e fala de si, influências e opiniões em entrevista para o Vitroleiros.

O Blefe, no pôquer, é aquela mentirazinha em que alguém com jogo pequeno finge ter um grande jogo na mão, para que os demais não paguem e ele não tenha de mostrar suas cartas. Já Bleffe, na música, é uma opção de pop-rock atual brasileiro para quem curte diversificar sua trilha sonora.

bleffe1Christian Garcia (voz e violão, @christianbleffe), Alex Borges (guitarra e vocais, @Alex_bleffe), Cristiano Cokada (bateria e vocais) e Dan Lucasta (baixo, @danlucasta) formam a banda do Rio de Janeiro, que lembra muito algumas dos anos 90 e começo dos 2000. A música, animada e romântica, é daquelas que serve para quase toda ocasião: uma festinha, uma conversa com os amigos, um domingo à tarde, no ônibus indo ao trabalho.

O nome do grupo vem do gosto do vocalista pelo jogo. Mas não pense logo que eles apostam tudo no pôquer… “Nunca jogamos entre nós”, afirma Christian que explica que os mais ligados são ele e o Alex, quem já demonstra certa preferência por outra área dos jogos: “Estou ainda amadurecendo no pôquer, mas me considero um bom jogador de Sueca…”. Cokada é outro que está aprendendo pôquer, mas prefere buraco “e fechado, é claro”. Já Dan Lucasta disse ter perdido um bom dinheiro, “por mais que eu goste do jogo, não sou um jogador”.

Alguns projetos que dão espaço para novos talentos levaram o Bleffe para o público nacional, como o Oi Novo Som, que lançou o single Tarde Demais, e o Garagem do Faustão. “Pra mim foi um susto”, diz Garcia sobre a participação no programa global, onde nem sabia que o vídeo participaria. De acordo com ele, a exibição rendeu até agora mais de três mil visualizações no You Tube. Alex Borges, por sua vez, reconhece que diretamente não rendeu nada, “mas só de estar lá participando, já nos deixou muito orgulhosos do nosso trabalho”. Já Lucasta destacou que “o Faustão foi o maior público do Bleffe até o momento”. Cokada ainda acrescenta, com risadas, à expressão “Se não é visto, não é lembrado”: “num programa de grande audiência, melhor ainda”!

Dentre as influências da banda está The Beatles, de quem gravaram uma versão de Revolution, citada no O Dia Online como destaque. “No nosso caso o que aconteceu foi que fomos convidados por Guto Ribeiro pra fazermos parte de um Tributo aos 40 anos do Álbum Branco dos Beatles”, conta Christian. “Foi uma grande honra pra nós”, afirma o integrante cujo álbum preferido é Let It Be. Somente Dan Lucasta conta com o White Album entre a lista dos que mais gosta, ao lado de Sargent Peppers.

Dos diversos gostos, costumam fazer versões nos shows. “Tocamos Lulu Santos, Lenine, Barão Vermelho…”, enumera Christian. “Acabamos unindo uma boa música com o nosso jeito de tocar”, explica o guitarrista, e Cokada acrescenta: “dá mais personalidade à banda”. Mas também há outras influências como Creed, Legião Urbana, Santana, Djavan, Oficina G3 (“por ser uma grande banda”), Paralamas do Sucesso, Jota Quest, e muitos outros.

Das bandas brasileiras dos anos 80, acompanhadas pela infância, ficaram alguns traços perceptíveis no som da Bleffe. “Nessa época eu já me considerava roqueiro”, afirma Alex, que tentava imitar os grupos. Dan Lucasta já teve uma vivência com os shows desde cedo: “fui ao primeiro rock in Rio acompanhado de amigos mais velhos e amigos da minha mãe”, conta.

Do cenário atual, pouca coisa agrada aos quatro. “Eu curto Jota Quest, que já não é tão nova assim”, pondera Garcia. Alex ainda acrescenta que “não tenho ouvido nada que me chame atenção”. Já Dan Lucasta vai ainda mais longe. Para ele, o rock nacional está dominado pelos “controladores da mídia e pelo jabá”. “Espero que com o advento da mídia digital e descentralizada isso venha a mudar, pois atualmente só se tem mais do mesmo”, comenta o baixista que também acredita que as produtoras e gravadoras preferem produzir seus próprios clones.

bleffe2E é da internet que eles se aproveitam para divulgar o som. Christian Garcia acha que “esse caminho do download é irreversível”, e divulga o blog da banda… Além deste, a Bleffe possui o site, Fotolog, Myspace, Twitter… enfim. Não é a toa que o próprio vocalista possui como uma fonte de renda alternativa a divulgação do trabalho de outras bandas nas redes sociais.

O grupo existe desde em 2002, cresceram depois, com seu primeiro álbum, o independente “Viagens”. Esta é a segunda formação, que caminha junto desde o final de 2007 e “deu certinho”, de acordo com Alex e Cokada. Mas as fronteiras do Rio já são pequenas para a banda. Este ano foram para São João Del Rey, Belo Horizonte e Além Paraíba, em Minas. Para Cokada, “a receptividade fora do Rio tem sido sempre muito positiva”. “Ficamos mal-acostumados”, ri Garcia enquanto Alex sonha (“quem sabe um dia até mesmo fora do Brasil”) e Dan planeja (“acho que deveríamos gravar em espanhol para podermos atingir um público maior, já que o rock ainda é muito marginalizado no Brasil”).

Desde 2007, fazem o Bleffe Convida”, projeto em que tocam com outras bandas. “É um evento que oferece o que todos nós do cenário independente precisamos: TOCAR e mostrar nosso trabalho”, simplifica Cokada. Já Dan filosofa, mais uma vez criticando a indústria, “esses eventos possibilitam manter um ritmo de trabalho (…) sem ser explorado por produtores sem escrúpulos”. Garcia, por fim, explica: “Reunindo mais duas ou três bandas, essa despesa [do aluguel dos espaços] diminui e todos podemos tocar”. De acordo com o vocalista, foi com a banda de Sandra Grego que a Bleffe sintonizou melhor.

Das músicas autorais, românticas e com uma pegada do pop, todos contribuem no processo de composição. Geralmente, Christian compõe no violão e mostra, mas “todos nos damos liberdade de levarmos o que quisermos”, como menciona Alex. “O som acaba ganhando a cara da banda”, finaliza Cokada.

Quase todos tiveram alguma instrução formal musica, e acreditam na importância deste ensino. Cokada até dá aulas hoje em dia (até porque, como mencionou Alex, “infelizmente ainda não dá para viver só da música”). “Ter conhecimento musical sempre amplia muito os horizontes” para o guitarrista. Já o baterista Cokada ainda destaca a facilidade do processo: “hoje em dia o acesso à informação está cada vez mais amplo e simples. Basta você querer pra se aprofundar no assunto”.

Ele, cujo pai era saxofonista, também teve instrução no trompete, que não toca desde 2005. “É um instrumento que você tem que viver em função dele”, explica o músico que resolveu se dedicar aos tambores e pratos. “Hoje estou muito mais realizado musicalmente e não sinto falta nenhuma da época de trompetista”, diz, mas logo brinca: “exceto quando tenho que carregar, montar e desmontar a bateria”.

Além das músicas que se pode ouvir pelo site, é possível baixar a faixa “Tá Tarde” e acompanhar pelo Oi Novo Som a última “Tarde Demais”. “A idéia é gravarmos single a single e depois juntar tudo num EP”, comenta Christian. “Além disso, o momento tem sido muito bom para a gente e isso se reflete no processo criativo e administrativo da banda. As idéias estão surgindo quase que diariamente”, anima Alex. Mais uma vez, Dan Lucasta sonha mais alto: “esperamos estender isso pra todo o Brasil, quiçá a América Latina e quem sabe o mundo”, ri.

Christian Garcia, Alex Borges, Dan Lucasta e Cokada parecem já ter um novo album caminhando, o que poderá aumentar o conhecimento e reconhecimento do trabalho por aí. Com um jeito de pop-rock brasileiro, a banda Bleffe configura no cenário musical atual como uma boa opção, que certamente poderá se tornar a trilha sonora de muitas pessoas, incluindo diversos casais.

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1 Comentários

  1. Christian Garcia Says:

    Nossa!!!

    Essa foi a melhor matéria que já li sobre nós. Super bem montada!!

    Parabéns, Jéssica!! Parabéns equipe Vitroleiros!!!

    Muito obrigado mesmo por essa força!!!

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