Pequenas melodias

Jessica Grant maio 19, 2009 2

A revista Veja de 20 de maio publicou uma matéria sobre músicas infantis de qualidade, focando no lançamento do CD Pequeno Cidadão. Embalada pela leitura e lembrando da compra da baixa qualidade de metade das músicas da minha infância ( e lá se vai uma crítica à Xuxa, Angélica, Sandy&Junior), decidi fazer um apurado para o Vitroleiros. No final dos meus anos alegres, lembro de comprar, com todos meus primos, o primeiro CD do Palavra Cantada. Até decorei algumas músicas, incentivada junto com todos os outros pelas primas mais novas de então quatro ou cinco anos. Fazendo juz ao que conheço, vou começar com estes:

palavracantadaPalavra Cantada

O grupo de letras interessantes, envolventes e ritmos variados (com quem já trabalhou Arnaldo Antunes, Ruth Rocha e outros) é composto por Paulo Tatit e Sandra Peres. Surgiram em 1994. A ideia inicial do selo era produzir música infantil moderna, lúdica e poética, fato que, na minha opinião, conseguiram realizar e se firmaram sobre esta ótica. Onze albuns (mais de um milhão vendidos) e quatro DVDs depois, a dupla virou marco do bom som para crianças. Até adultos (como eu) adoram o trabalho deles e às vezes abrem o myspace, só para ouvir. Dentro da proposta inovadora, o show também se enquadra, misturado com um teatro colorido e agradável à ótica infantil.

Discografia e DVDs: Canções de Ninar (94, prêmio SHARP); Canções de Brincar (96, prêmio SHARP); Cantigas de Roda (96); Canções Curiosas (98, prêmio SHARP); MilPássaros(99); Noite Feliz (99); Canções do Brasil (01, prêmio CARAS); Meu Neném (03); CD e DVD Palavra Cantada 10 anos (04); DVD Clipes da TV Cultura; Pé com Pé (05, prêmio TIM); DVD Canções do Brasil (06); DVD Pé com Pé (07); Carnaval Palavra Cantada (08); Palavra Cantada Tocada (08); Canciones Curiosas – palabra cantada en español (08).

É deles: “Irmãozinho”, usado na propaganda de tintas (“Mamãe vai me dar um irmãozinho/ estou contente, que bom”) e, junto com Arnaldo Antunes, “Criança não trabalha”.

adrianaAdriana Partimpim

A cantora de MPB que sempre busca inovar também entrou no ramo infantil, talvez incentivada pela maternidade de seu filho, o questionador Gabriel (alguém já ouviu a faixa “Oito Anos”?). Mas seu nome não é Adriana Calcanhoto, como explica o site do album, ela adota o nome que se denominava na infância: Partimpim. O site do CD infantil, por sinal, é um dos mais interativos e interessantes que eu já vi, montado como uma história em quadrinhos em que, clicando em diferentes locais acontecem coisas diferentes. As músicas infantis da Adriana não são tão inteligentes como as do Tatit e da Sandra, mas são mais dançantes e divertidas. E, como o grupo anterior, os adultos também se apaixonam (opa, me revelei?). O album, único, trata de assuntos como perguntas, chineses, bailarinas, formigas e tartarugas.

É dela: …ou ao menos uma das versões do “Fico assim sem você”, também gravado por Claudinho e Buchecha (“Futebol sem bola/ Piu-piu sem Frajola/ Sou eu, assim, sem você…”), também fez outra versão da letra de Arnaldo Antunes “Saiba”, que fala até de morte.

pequenocidadaoPequeno Cidadão

O grupo que reuniu os pais Arnaldo Antunes (sim, ele de novo), Taciana Barros, Edgard Scandurra e Antonio Pinto é o mais novo de todos. Com uma proposta um pouco mais psicodélica, suas letras ainda tratam de assuntos como largar a chupeta de forma pedagógica, mas nem tanto. Falam de tudo sem assustar as crianças – e nem os pais. Com os shows rolando no Teatro Anhembi Morumbi, São Paulo, o grupo promete uma inovação no ramo. Nas gravações do album os filhos participaram, aproximando as vozes do público ouvinte e inspirador. Essa aproximação, inclusive, é observada pelas características músicais mais como a música jovem atual e nem tanto MPB como os outros. Até o momento o cd parece que vai ser único, mas bem que poderia ser o início de uma discografia.

É deles: “Tchau Chupeta” e “Larga a Largatixa”, que será remixada.

aarcadenoeA Arca de Noé

Vinicius de Moraes também se aventurou no ramo para as crianças. Foi nos anos 80 que artistas como Tom Jobim, Chico Buarque, Elis Regina, Milton Nascimento e Toquinho aliaram-se à lírica do “poetinha” para produzir música infantil com qualidade em meio a todo aquele trash. Primeiro veio o livro de Vinicius, que em seus 32 poemas tratavam – adivinhem – de animais. Depois do album teve um especial na TV Globo para o dia das crianças, com as letras musicadas e já fazendo sucesso. Assim como todas as músicas infantis de qualidade aqui mencionadas, os adultos também ouvem e curtem a produção: marca de que música para crianças não significa música ruim. Mas este, já com mais de vinte anos, é o mais famoso de todos os albuns infantis brasileiros (o primeiro e o segundo), na minha opinião.

É dele: “A Pulga”, “Galinha D’angola”, “O Pato”, “A Casa” e metade das músicas que embalaram a infância de qualquer um abaixo dos 30 anos.


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2 Comentários »

  1. cris-japa outubro 7, 2009 às 11:31 pm - Reply

    procurem no google o site canto encantos. Só tem música infantil. Uma jóia-rara!

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