
Se muitos músicos brasileiros reclamam da falta de incentivo que encontram aqui no Brasil, imagine no Irã. O longa “No one knows about persian cats” (ainda sem nome em português), de Bahman Ghobadi, foi exibido pela primeira vez nesta quinta-feira, dia 14 de maio no Festival de Cinema em Cannes e trata justamente das inúmeras dificuldades que os músicos passam em um país onde nem cães e gatos podem sair para passear nas ruas –sim, o título remete a uma lei iraniana que realmente existe!
Há tempos o filme vem sendo comentado nos burburinhos dos apaixonados por cinema, visto que Ghobadi foi impedido de filmar em seu próprio país e teve que recorrer a alternativas clandestinas para poder concluir seu trabalho. Vale ressaltar também que ele foi preso duas vezes durante as filmagens por ser acusado de separatista pelo governo.
Para romantizar ainda mais a história do make do filme, o diretor é namorado da jornalista americana-iraniana Roxana Saberi – para quem não se lembra do episódio, em janeiro de 2009 a correspondente da BBC foi presa por porte de documentos ilegais do governo e acusada de espionagem.
A trama do polêmico longa gira em torno de um casal dos personagens de Askan (Koshanejad) e Negar (Shaghaghi), jovens músicos da cidade de Teerã que tentam promover sua banda de indie rock. Mesmo terem nascido de famílias ricas e crescido com grande influência da cultura pop americana e européia, precisam de autorização do governo não só para gravar suas músicas em estúdio, mas também em qualquer tipo de evento na cidade –inclusive em “reuniões” nas residências.
Não resisti e baixei o filme pela Internet. Quem está esperando uma super produção norte-americana, mil cores e alta resolução, desencana. Contudo, o filme tem uma magia ímpar que não precisa de tais recursos. Por exemplo, não tem como não se apaixonar pela jovem Negar, que sofre as piores conseqüências em nome da paixão pelo seu trabalho. Ênfase que as mulheres no Irã são impedidas de interpretar qualquer tipo de música. Pelos atores serem todos músicos e não “atores-profissionais”, você acaba se espantando com a interpretação deles. Foi posta tanta emoção, foi projetada a história dos próprios “atores”, que o longa ficou impecável.
Um filme voltado para o público jovem também necessita de uma pontinha de humor e malandragem, que fica por conta de Nader (Behdad), um adorável empresário que promete ao casal conseguir os papéis do visto, para que consigam tocar no festival europeu. Não tem como não dar risada com a cena onde ele convence um policial a reduzir a pena por porte ilegal de bebidas alcoólicas e DVDs americanos.
Tá aí uma boa pedida para quem está saturado de enlatados americanos e pretende entrar na onda dos filmes orientais.
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E encontrastes onde pra baixar? Já procurei tanto!
Muito grato e parabéns pelo post.
gostei do estilo,essa garota parece minha amiga
tem o link do download? vi na Mostra e achei muito legal…
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