
A escada da sala da minha casa tem uns canos que vão do teto até os degraus. Eles vão diminuindo conforme a altura entre teto e degrau. O espaço entre eles é sempre igual. Eu gostava, quando pequeno, de sentar na escada, colocar os pés entre os canos e ficar observando meu pai lendo jornal. Os degraus são feitos de pedra e eu lembro como meu corpo ficava gelado enquanto eu fazia isso.
Um dia ele levantou os olhos de trás do jornalão e disse: “O Tom Jobim morreu”.
Essa foi a minha primeira morte. Tinha uns cinco anos.
E como entender a morte de Jobim? Como entender a morte do homem que dizia que iria para Maracangalha de chapéu de palha? Como entender a morte de alguém que tinha uma filha tão doce e que dizia “de novo” com tanta ternura?
Boa noite Jobim, você me ensinou o que é amor, morte, vida e álcool. Me despeço de você.
Ah, Jobim… E Vinícius! *.*
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Muito legal a foto, ari!
valeu! =]
Eu não me lembro de nenhuma morte de artista.
Lembro que quando começou a guerra do iraque, em 2003, meu pai ouviu “knocking on heaven’s door” o dia todo. Na versão do Dylan. (: