
Já é a segunda vez no ano que acontece: estou trabalhando sossegada e, de repente, um nome do qual não se fala com tanta frequência aparece na timeline do Twitter. Um burburinho, infarte, uma possível morte. Primeiro foi com o Clodovil: eu estava cobrindo o lançamento de um livro, e, embora precisasse ficar focada na cobertura, não resisti e acabei acompanhando também as notícias sobre sua morte. Viva o Twitter Search, amigos.
Ontem foi ainda mais incrível, porque (não subestimando meu amado Clodovil – sem ironias!), a vítima foi uma estrela maior. De repente, foi um tal de Michael Jackson infartou? Michael Jackson morreu? Michael Jackson não morreu! Michael Jackson! Michael… Twitter e Google caindo, notícias duvidosas, piadinhas limpas, humor negro, transmissões ao vivo, galera discutindo sobre pegar pesado ou não.
Tinha acabado de receber da faculdade um email cancelando as aulas desse semestre devido a confirmação, pela vigilância sanitária, de dois casos de gripe suína no prédio. Sequer me recuperara das notícias sobre a morte de Farrah Fawcett e o contrato de Gugu com a Record. Pra ajudar, provas e deadlines me impediram de ver o Andersson, que tinha vindo de Curitiba e passou dia aqui em São Paulo. Não podia encanar com nada disso, corria o risco de surtar. Daí, a próxima vítima seria eu. Então dividi a atenção entre um ensaio sobre o tema “A morte na obra de Manuel Bandeira” (é, eu sei, deveria ter me concentrado mais) e a tal da história do controverso rei do pop, metamorfose ambulante, que vivia um eterno (e polêmico) finding Neverland. Em resumo: ontem senti que estávamos vivendo o apocalipse.
Depois, uma puta insônia (não por conta do Michael, mas do trabalho) me fez passar a madrugada em claro lendo meus feeds – e a cada minuto tinha uma coisa nova, incrível. Eu li, sem brincadeira, no mínimo trinta artistas diferentes dizerem que “só são músicos graças à MJ”. Fui tentar fechar os olhos lá pelas cinco da manhã, soltando apenas um “Ok, então”. Sabe o que é? Prefiro acreditar que foi o calor do momento, a chance de aparecer um pouquinho. Também não posso falar muito: eu não era fã.
Thriller pra vocês
Claro, me lembro de umas duas vezes ter faltado na escola pra assistir Moonwalker na Sessão da Tarde, lá no comecinho da década de noventa – mas isso foi o máximo de contato que tive com o ídolo. (Até porque, nasci em 1990… convenhamos.) Lembro também de ter twittado no começo da semana que estava louca pra aprender a dancinha do Thriller. É, eu sempre quis saber inteira, shame on me. Não deu tempo. Achei até engraçada essa coisa dele morrer bem na semana em que falei isso, porque, convenhamos, a gente sempre acha alguma coisa pra classificar como anormal nessas horas. Enfim, eu não tenho muito o que dizer sobre Michael aqui. (Aliás, O Inagaki, lá no Pop Cabeça, já disse tudo!)
Fica somente o “Adeus” sincero da equipe do Vitrola.
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