Ela, mais uma vez

 Noite fria e luzes quentes. Casa cheia, mas nem tanto. Os ouvintes, atentos e interessados, sentados no chão ou à mesa. A voz suave era a mesma de sempre, o sorriso cativante surpreendente. Tentava sempre ver o público, chateada por esconder-se atrás do piano em algumas músicas. Cantava com a alma, do lado do produtor. A blusa, bonita e cheia de estrelinhas, fez uma espécie de percussão sem querer no início do show. Vez ou outra revelava alguma espécie de nervosismo (raro em essas experientes de palco) tremendo, especialmente ao tocar “A Bailarina e o Astronauta”.
Tiê canta "Bailarina" com a alma

Tiê canta "Bailarina" com a alma

Em mais uma edição do Prata da Casa no SESC Pompéia, ontem (19/05) às 21 horas, podemos finalmente ver a Tiê tocando. Já falamos dela aqui e aqui, eu já decorei algumas músicas, mas nunca tínhamos (eu, Jessica Grant, e o Bruno Zerbini) visto esse passarinho a tocar e cantar ao vivo. Valeu a pena.

Recém-chegada da “gringa”, Tiê trouxe alguns comentários da viagem. Lá fora, disse, teve vergonha de cantar “Stanger but mine” com seu inglês. Mas achou interessante as faces dos ouvintes de lá tentando adivinhar o que ela cantava em português. “Eu falava que era sobre amor, e acho que eles ficavam pensando sobre amor ou dor…”, ria. Prefere tocar em casa.

O público, atento as letras, cantou somente suavemente “Chá Verde”, a pedidos da cantora. Mas na platéia muita gente de outras bandas (alternativas ou não) foi prestigiá-la. Pelo jeito (ou melhor: pelos aplausos) gostaram do que ouviram. Alternando instrumentos com seu produtor, Plínio Profeta, eles garantiram a simplicidade e lírica que a musa reflete em todo seu trabalho também no palco. Plínio, silencioso e com óculos de sol, foi apresentado duas vezes com alegria e brincadeiras de Tiê.

Tiê e Plínio Profeta

Tiê e Plínio Profeta

Depois do show que terminou com flores presenteadas pela mãe, Tiê foi rodeada por diversas pessoas. Simpática, linda e humilde. Não falamos com ela, mas valeu vê-la somente. O mais curioso é que o Bruno é amigo de um cara (tmb músico) que morou no mesmo prédio que ela e eu namoro um cara (oi Fê!) que era amigo do irmão dela (Gianni Dias, também músico). Parece que o mundo conspirou para que virássemos fãs da Tiê. Recomendo, mais uma vez, que escutem este passarinho, promessa de diva, “too sexy for her shirt”.

Tiê no piano e Plinio

Tiê no piano e Plinio

No one knows about Iran indie rock band!

 

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Se muitos músicos brasileiros reclamam da falta de incentivo que encontram aqui no Brasil, imagine no Irã. O longa “No one knows about persian cats” (ainda sem nome em português), de Bahman Ghobadi, foi exibido pela primeira vez nesta quinta-feira, dia 14 de maio no Festival de Cinema em Cannes e trata justamente das inúmeras dificuldades que os músicos passam em um país onde nem cães e gatos podem sair para passear nas ruas –sim, o título remete a uma lei iraniana que realmente existe!

Há tempos o filme vem sendo comentado nos burburinhos dos apaixonados por cinema, visto que Ghobadi foi impedido de filmar em seu próprio país e teve que recorrer a alternativas clandestinas para poder concluir seu trabalho. Vale ressaltar também que ele foi preso duas vezes durante as filmagens por ser acusado de separatista pelo governo.

Para romantizar ainda mais a história do make do filme, o diretor é namorado da jornalista americana-iraniana Roxana Saberi – para quem não se lembra do episódio, em janeiro de 2009 a correspondente da BBC foi presa por porte de documentos ilegais do governo e acusada de espionagem.

A trama do polêmico longa gira em torno de um casal dos personagens de Askan (Koshanejad) e Negar (Shaghaghi), jovens músicos da cidade de Teerã que tentam promover sua banda de indie rock. Mesmo terem nascido de famílias ricas e crescido com grande influência da cultura pop americana e européia, precisam de autorização do governo não só para gravar suas músicas em estúdio, mas também em qualquer tipo de evento na cidade –inclusive em “reuniões” nas residências.

Não resisti e baixei o filme pela Internet. Quem está esperando uma super produção norte-americana, mil cores e alta resolução, desencana. Contudo, o filme tem uma magia ímpar que não precisa de tais recursos. Por exemplo, não tem como não se apaixonar pela jovem Negar, que sofre as piores conseqüências em nome da paixão pelo seu trabalho. Ênfase que as mulheres no Irã são impedidas de interpretar qualquer tipo de música. Pelos atores serem todos músicos e não “atores-profissionais”, você acaba se espantando com a interpretação deles. Foi posta tanta emoção, foi projetada a história dos próprios “atores”, que o longa ficou impecável.

Um filme voltado para o público jovem também necessita de uma pontinha de humor e malandragem, que fica por conta de Nader (Behdad), um adorável empresário que promete ao casal conseguir os papéis do visto, para que consigam tocar no festival europeu. Não tem como não dar risada com a cena onde ele convence um policial a reduzir a pena por porte ilegal de bebidas alcoólicas e DVDs americanos.

Tá aí uma boa pedida para quem está saturado de enlatados americanos e pretende entrar na onda dos filmes orientais.

Genérico

 

aupeoAinda na onda dos sites que podem te salvar na falta da Last.FM, eu trombei esses dias com o AUPEO!. Como a Last, ele toca com base no artista que você busca. Mas, se você não tem muita certeza do que quer ouvir, pode selecionar humor, década e gênero (como no MusicOvery), e ver o que eles têm pra você! Além disso, ainda dá pra banir músicas da estação ou favoritá-las. =)

Dá pra ouvir logado ou não, e você ainda pode dar nota às faixas que tocam, ao mesmo tempo em que, se quiser, ele sintoniza com seu player de música (Winamp, iTunes, Windows Media) e customiza suas recomendações pessoais, deixando a rádio cada vez mais com a sua cara.

É muito, muito parecido com o sistema da Last. Com uma pitadinha a mais, até.
Funciona bem em conexõesnão muito rápidas (a de casa que o diga) e tem integração com o Facebook. Eu curti e acho que vale a pena conferir. =)

Pra não querer mais do que precisamos

 intothewild

É aquela vontade de sair correndo sem direção nem motivo. De querer algo novo e diferente. De tentar mudar alguma coisa, sabendo que no final das contas quem muda mesmo é a gente. É isso o que se sente quando se ouve pela primeira vez a trilha sonora original de Into the Wild (Na Natureza Selvagem, em português). A trilha  é feita por Eddie Vedder, conhecido por sua longa história no Pearl Jam e que, pela primeira vez, aparece com um projeto solo.

Pé na estrada

O protagonista – baseado na figura real de Christopher McCandless – viaja pelos EUA com o propósito de chegar no Alasca, para viver um tempo sozinho sobrevivendo de caça e buscando algum sentido para a felicidade. Ao longo do caminho, conhece pessoas e lugares que qualquer um de nós poderia conhecer – e que nos faz questionar os motivos pelos quais não jogamos tudo pro alto e procuramos algo assim para nossas vidas.

A música cria a atmosfera perfeita para a relação da história do viajante com os locais, as pessoas e situações. Abusando da voz, Vedder nos induz a pensar em conceitos sociais e morais, o que acompanha a jornada do então chamado Alexander Supertramp, o nome adotado por McCandless para atingir um grau mais elevado de liberdade.

É muito difícil tratar da música sem relacioná-la com o filme (e o mesmo vale para o contrário). A idéia é de que um é essencial para o outro. Ao conhecer os dois, no entanto, pode-se aproveitar ao máximo tudo que ambas as obras podem oferecer. Por isso paro por aqui, por enquanto. Caso não encontrem mais nada meu por aqui, que já fique avisado. Fui pra não voltar tão cedo. Pra não querer mais do que preciso. Não é difícil perceber que precisamos de poucas coisas no final das contas; mas, definitivamente, música não dá pra ficar sem.

CD Eddie Vedder – Trilha Sonora do filme "Into the Wild"

 

1. Setting Forth
2. No Ceiling
3. Far Behind
4. Rise
5. Long Nights
6. Tuolumme
7. Hard Sun
8. Society
9. The Wolf
10. End Of The Road
11. Guaranteed

Gravadora: SONYBMG
Ano de lançamento: 2008

 

Trailer do filme:

 

A enciclopédia dos três

Os últimos sucessos lançados pela Disney têm alcançado um público enorme com suas mais variadas formas de atuação. Os três irmãos (roqueiros, com pinta de galã e certinhos) são mais um sucesso deste meio. E, como frutos de seu meio, se tornaram, mais uma vez, assunto para um livro, agora de autora brasileira… e vitroleira!

Jonas Brothers in parkNa onda de High School Musical e (literalmente) de Hannah Montana (ou seria Miley Cyrus?), os Jonas Brothers surgiram como uma boa aposta da Disney. CDs, turnês, filmes e um futuro seriado englobam essa indústria que os atinge como mais um de seus frutos. O público que busca esta corrente é variado, mas predominantemente feminino e adolescente. A imagem de roqueiros bonzinhos e charmosos logo conquista a todos (ou seria todas?) e surgiu, então, mais um fenômeno da Disney.

Aproveitando o sucesso do trio, a editora brasileira Panda Books lançou, nesta última semana, “Jonas Brothers de A a Z”. O livro foi escrito por Tory Oliveira, nome nada desconhecido por estas redondezas (veja em equipe ;D ), mas novo no mercado editorial. Tory fala de forma adequadíssima ao público, com toques de humor e descontração que trazem à leitura leveza. Contando detalhes (íntimos e/ou não) da vida e gostos dos irmãos, o livro separa de A a Z os mais diversos assuntos que os rondam. É um dicionário da vida dos Jonas Brothers!

Jonas Brothers de A a ZTory Oliveira, em entrevista, destacou o papel dos Jonas Brothers para o cenário atual: “O papel que os Jonas Brothers cumprem dentro da indústria musical é semelhante ao dos Beatles no inicio da carreira: uma banda feita para ser consumida por um público adolescente”.

Para os fãs é uma ótima pedida. O livro realmente traz aquele gostinho de “mais próximo” dos três: detalhes que somente se descobriria no dia-a-dia, ainda se reparados, são descritos e reunidos. Depois de ler, não é difícil imaginar que já se conhece os irmãos por inteiro…

Para aqueles que não gostam, “Jonas Brothers de A a Z” ainda é interessante, mas pode aparentar cansativo. Os únicos fatos que levam a isto são as próprias características dos Jonas. João Costa Jorge, nada fã dos três, escandalizou-se, por exemplo, com a curiosidade que contava a opinião de um dos irmãos sobre “sorvete”. “Para quem gosta deles, o livro é interessante, mas é muita coisa”, diz o estudante.

Se você curte, quer entender melhor ou simplesmente é curioso, “Jonas Brothers de A a Z” é um bom livro para se comprar. A qualidade e o fator interesse ainda se aliaram a um preço razoável, R$19,90. Compre no site ou, a partir desta semana, nas livrarias.

“Jonas Brothers de A a Z” é a prova de que os novos sucessos da Disney invadem, em todos os aspectos, a mídia, viciando-a assim como fazem com os fãs.

Jonas Brothers de A a Z (guia não autorizado), Tory Oliveira. Panda Books.

Aos órfãos de Last.fm

0-logoQuando o last.fm anunciou o fim do acesso gratuito às suas radios online, causou rebuliço total nos usuários. Tanto que a decisão foi adiada por um tempo. Só que agora é pra valer, e quem quiser ouvir as rádios tem de pagar. E para aqueles que não querem/não têm como? Bom, estes – me incluo – ficaram órfãos da Last, mas têm outros serviços (ainda não tão bons, confesso!) disponíveis por aí. Andamos pesquisando-os pra colocar aqui. Quem tiver uma dica, bora dividir com a gente! :)

Accuradio

accuradio

Quem me apresentou à Accuradio, uma rádio online que disponibiliza vários canais separados por estilo musical, foi a Tory. Ao escolher uma estação, você pode banir até três artistas da lista de reprodução. A rádio faz uma seleção randômica e possui vinhetas entre determinada quantidade de músicas. Não tem muita possibilidade de  personalização, é pra colocar e curtir mesmo. Pra quem gosta de Jazz, Blues e Folk, mão na roda. Mas, de fato, tem tudo quanto é estilo. Uma delicia pra ouvir à tarde, no trabalho ou estudando.

Jango

jango

No Jango o sistema é muuuuuito parecido com o do Last.FM. Você digita o nome do artista e ele cria uma estação de artistas similares pra tocar pra você. Dá pra criar várias estações, editar preferências, conhecer seus “vizinhos” (no site, “like-minds”) e criar uma ‘jukebox’ com as suas músicas favoritas pra embedar no blog/myspace ou whatever you want. :)

Deezer

deeezer

No Deezer você pode inserir suas músicas favoritas, assim como ouvir as músicas oferecidas por outros usuários, criando suas próprias playlists. É rápido porque pode executar todas as funções direto da página inicial. Alguns de seus elementos, inclusive, lembram muito a interface do iTunes. Além disso, o Deezer possui a função SMARTPlaylist, uma lista de reprodução inteligente que reconhece músicas relacionadas às que você está ouvindo, formando uma playlist nova.  É bem pique last.fm, mesmo.

Blip.FM

blip

O Blip é uma mistura de música e microblogging que já é bem popular pela blogosfera. Você escolhe a música, escreve um micropost e publica, então ela toca. Além de fazer sua própria playlist, você pode seguir a dos outros e ouvir a partir de sua home, o que cria um mix infinito. O Blip tem integração com o Twitter também. No começo do ano, parou de aceitar uploads diretamente par ao site, mas se você tiver músicas num servidor e quiser tocá-las lá,  é possível. :)

We Are Hunted

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O We Are Hunted eu descobri no MusicPills. Ele rankeia as músicas mais ouvidas pelos usuários em redes sociais, fóruns, blogs, torrents, Twitter e outros serviços e permite que você veja a lista por tracks ou por artistas mais ouvidos e por períodos diferentes.  O legal é que você acaba não perdendo as novidades. Funciona no braço, no entanto, o que significa que você tem que apertar “next” toda vez que uma música acabar. Desconfortável…

Mixpod

mixpod

O Mixpod é conhecido de quem lê o vitrola – nós usamos o tempo todo por aqui. Antes só uma ferramenta de criação de playlists em flash, o que era MyFlashFetish evoluiu pra uma rede social e virou o Mixpod de hoje, com a opção de compartilhar listas com os amigos e tudo mais. As músicas podem ser buscadas diretamente pelo site e também colocadas via url (se você tiver hospedada em algum servidor ou mesmo quiser algo que achou no youtube, use it!). Dá pra personalizar o player e embedar no blog depois. A parte chata é que, não tendo o domínio do server, como no blip.fm, algumas músicas podem parar de funcionar da noite para o dia. Mas aí você pode editar a playlist e trocar por um track que funcione sem nem ter muita dor de cabeça…

Por enquanto…
é só. Eu ia falar sobre MusicOvery aqui, mas encontrei no site da INFO um post com 5 alternativas gratuitas ao Last.Fm e preferi não repetir (ok, o Blip já estava escrito quando fucei por lá, então eu deixei. De qualquer maneira, vale checar o post, que tem detalhes sobre MusicOvery, Cotonete, SoundPedia e Dizzler.)

Eu testei bem pouquinho cada site, então, qualquer comentário/opinião é bem-vindo, sugestões pra adicionar/retirar daqui também!

UPDATEE!!!!

aupeoAinda na onda dos sites que podem te salvar na falta da Last.FM, eu trombei esses dias com o AUPEO!. Como a Last, ele toca com base no artista que você busca. Mas, se você não tem muita certeza do que quer ouvir, pode selecionar humor, década e gênero (como no MusicOvery), e ver o que eles têm pra você! Além disso, ainda dá pra banir músicas da estação ou favoritá-las. =)

Dá pra ouvir logado ou não, e você ainda pode dar nota às faixas que tocam, ao mesmo tempo em que, se quiser, ele sintoniza com seu player de música (Winamp, iTunes, Windows Media) e customiza suas recomendações pessoais, deixando a rádio cada vez mais com a sua cara.

É muito, muito parecido com o sistema da Last. Com uma pitadinha a mais, até.
Funciona bem em conexõesnão muito rápidas (a de casa que o diga) e tem integração com o Facebook. Eu curti e acho que vale a pena conferir. =)

Alô! Alô?! Planeta Terra chamando!

Das 17 horas do último dia 8 até algo por volta de 3:40 da madrugada do dia 9, o Main Stage do festival Planeta Terra 2008 dominou o público. Os ingressos vendidos por R$65,00 valeram a pena. Nas próximas linhas, tentarei descrever minhas impressões desse grande evento. Mais do que uma matéria ou resenha, esse texto será apenas minha visão dos acontecimentos desse dia, elegido por mim como um dos melhores do ano.

Localizado na Avenida Nações Unidas, número 20003, a Villa dos Galpões comportou cerca de 15 mil pessoas que foram ao festival que mais prometia desse ano (pelo menos para mim). O local era bem grande e dividido em três grandes palcos: Main, Indie e DJ stages. Placas ajudavam na sinalização de lugares de uma forma, digamos, suficiente para bêbados encontrarem o que queriam. Os balcões dos bares eram extensos, então não havia tanto problema para comprar uma cerveja por R$4,00. A comida era cara como tudo lá dentro, mas mesmo assim, depois de mais de 10 horas lá dentro aquela fome bateu e tive que apelar para um hot-dog, R$6,00. Os banheiros pareciam uma árvore de natal, lotados de galhos de pinheiros no chão para deixar o cheiro um pouco melhor, o que, pelo visto, funcionou até o fim do evento.

Ao entrar no evento, praticamente todos ganhavam um guia, com um mapa do lugar e as atrações com seus respectivos horários e um “porta-bitucas”, para não sujar o chão com os cigarros já fumados. Alguns já fizeram um uso diferente para o tubinho: lança-perfume. Alguns baseados também rolavam soltos em alguns grupinhos. Durante os shows, telões anunciavam os nomes das músicas tocadas pelos artistas, conseguindo, quase sempre, errar. Esse foi o maior erro que consegui perceber no Planeta Terra 2008: enquanto tudo estava perfeito, apenas escolheram as pessoas erradas para nomear as músicas do telão. Mesmo assim, foi um problema apenas para quem não conhecia as diferentes bandas. Nos intervalos dos shows, reprisavam imagens do último e passavam entrevistas (que para nós do palco principal eram transmitidas sem som).

Mas vamos ao que realmente o festival se propunha: a música!

Mallu Magalhães - Foto: Reinaldo Marques

Dos quatro shows que assisti, o primeiro foi de Mallu Magalhães. Antes dela, o Vanguart havia se apresentado. O show da Mallu correspondeu ao esperado. Tocou alguns de seus sucessos, como Tchubaruba, Vanguart e J1. Pelo que parece, Mallu está evoluindo bem rápido no campo musical. Em alguns outros shows que vi e ouvi, desafinava algumas vezes, mas, nesse, foi impecável. Trocando várias vezes seu figurino e tirando e colocando a cartola com a qual se apresentou e agindo com aquele seu jeito meigo e um pouco ingênuo de ser, ela conseguiu atingir o público com Town of Rock’n Roll, que foi a que mais animou o público. Tocou também covers dos Beatles e de Cash. Entretanto, a música que mais me chamou atenção (e que eu mais gostei) foi Noil, com Mallu tocando sua escaleta no começo e usando bastante a voz, com altos e baixos, para criar um clima melancólico para a música.

The Jesus and Mary Chain - Foto: Reinaldo Marques

Meu segundo show, logo após o da adolescente prodígio, foi o dos veteranos do The Jesus and Mary Chain. Esse foi um show que, me arrisco dizer, foi um dos melhores do festival. Mesmo sem conhecer muito da banda dos anos 80, as músicas tocadas eram boas e, apesar de não muito animadas, conseguiram prender o público. Mesmo assim, grande parte das pessoas que dominavam a grade eram jovens com a camiseta do Offspring, que seria o próximo show. Para mim, o ponto alto do show foi algo que me pegou de surpresa: a interpretação de Just Like Honey, a música final da trilha sonora de Lost in Translation (Encontros e Desencontros), de Sophia Coppola (um de meus filmes preferidos e, com certeza, um dos melhores finais de filme que já vi, favorecidos pela música). Antes mesmo da melodia começar, apenas com as batidas da bateria, o público já gritava e aplaudia.

Dexter Holland, vocalista - Foto: Reinaldo Marques

O Offspring foi, para muitos, o show do festival. Eu mesmo estava indo principalmente para vê-los, mas não me surpreendi. Tocaram alguns dos seus maiores sucessos como All I Want, Gone Away e The Kids Aren’t Allright, que animaram muito a platéia. Mesmo assim, pelo que percebi (e senti) enquanto estava em uma roda punk, Bad Habit causou grande furor nos quase violentos jovens que pulavam loucamente. Ao que me parece, a música mais cantada pelo público foi Hit That, mas não posso nunca afirmar, já que mudei de lugar várias vezes. Provavelmente mais perto da grade, a maioria conhecia quase todas as músicas da banda e acompanhava as canções. Greg K teve seu momento de glória em Have You Ever, na qual luzes de seu baixo acenderam como uma espécie de neon azul. Dexter ainda fazia piadinhas como sempre, e Noodles apareceu com a camisa 9 da seleção brasileira e brincou mostrando a barriga. Ao acabar o show, a banda se retirou e esperou o encore (bis). Mesmo não sendo tão clamada pelos fãs, percebe-se que em poucos minutos a banda seguiu o script e voltou aos palcos (como anteriormente combinado, provavelmente). Parece que foi aí que o público se tocou que não veria o Offspring por mais um bom tempo e resolveu aproveitar pra valer as três últimas músicas: Can’t Get My Head Around You, Want You Bad e, finalmente, Self Esteem, que fechou com chave de ouro para os antigos fãs.

Após o Offspring, foi a vez de Bloc Party, show que não tinha a mínima vontade de conferir, já que estava cansado, com sede e com fome, depois de três shows seguidos próximos à grade. Mesmo assim, depois do fracasso no VMB, parece que a banda conseguiu restituir sua reputação com o festival, tocando suas músicas ao vivo.

Wilson com boina de fã - Foto: Reinaldo Marques

O último palco da noite foi do Kaiser Chiefs, que conseguiu reunir grande platéia por ser o último palco a apresentar alguma atração. Todos pareciam acabados, mas foram revitalizados pela presença de palco do vocalista Ricky Wilson em um show com uma interatividade marcante com a platéia. A agitação da banda transpirava aquela vontade de estar ali, como nenhum outro teve no festival todo. Tentando falar em português várias vezes e arremessando as coisas no palco e até no público, como as baquetas que havia usado, o vocalista pulava do palco para conseguir proximidade com seus fãs. Chegou a colocar uma boina cedida por um deles e a subir em um amplificador fora do palco. Wilson pediu para cantarem Na Na Na Na Naa e todos atenderam, levantando folhas de papel com Na, Na e Naa. Uma das mais conhecidas da banda, Ruby, agitou bastante o público cansado e fez todo mundo esquecer que já estava em pé e pulando por algumas horas. Mas foi The Angry Mob que fez o povo ir mais alto: como último grande acontecimento da noite, a platéia inteira esgotou suas últimas energias restantes. A banda finalizou o show com Oh My God.

Depois disso, as pessoas só procuravam pensar em como ir para a casa depois de um dia cansativo, mas que tinha valido a pena. O festival todo foi – arrisco dizer mesmo só tendo estado no Main Stage o tempo todo – ótimo. Tenho certeza que algumas das bandas que se apresentaram para um público desconhecido ganharam novos fãs. Além disso, renovaram o espírito de que ainda hoje temos qualidade musical. Isso é tudo uma questão de gosto, claro, mas gosto não se discute.

Hairspray – You can’t stop the beat

Hairspray

Você não pode parar a batida! Alguém já ouviu falar em "Hairspray" ? Ok, vou supor que alguém não ouviu. É uma peça musical famosa, que, recentemente, ganhou uma versão cinematográfica, muito boa, por sinal. O filme se passa nos anos 60, e conta a história de uma garota que sonha em se tornar uma estrela, mas sofre preconceito por ter idéias diferentes e uma aparência pouco apreciada, pelo menos no contexto do filme. Além disso, a história aborda a integração racial e, principalmente, o ambiente musical da época.

Eu queria abrir um espaço para elogiar um pouco a atuação de peso, literalmente, de veteranos como Michelle Pfeiffer, Chris Walken, Queen Latifah e um destaque para o John Travolta, que está sensacional com um papel feminino. Nikki Blonsky, Amanda Bynes e Zac Efron são as estrelas do time dos novatos.

Bom, tratar de música é a minha proposta, e a do blog, e o filme faz isso muito bem. Eu só queria grifar uma das músicas da seqüência, "You can’t stop the beat", que diz claramente o que eu penso de gêneros musicais e particularidades em geral. Outro dia meu irmão perguntou porque eu gosto de "música de corno", eu respondi "Porque você não pode parar a batida!". Tudo bem, eu não respondi isso, mas eu queria.

Eu fingi que não escutei a pergunta, mas fiquei pensando. Porra, e pagode é o que? Música de rico bem sucedido sentimentalmente com  mulher bonita se esfregando numa ferrari? E metal? E farofão? O mundo musical é corno, Jesus? Pra mim são as mesmas situações desagradáveis com acordes diferentes. Até muitas músicas de rap, que realmente têm a mulher bonita se esfregando na ferrari, são um desabafo deste tipo. É AÍ QUE ENTRA A MÚSICA QUE EU CITEI ACIMA! Te chamaram de corno porque te pegaram ouvindo Fresno? Levanta, gira, bate pézinho e CANTA:

"You can’t stop my happiness, cause I like the way I am
And you can’t stop my knife and fork, when I see a Christmas Ham!
And If you don’t like the way I look, well, I just don’t give a damn!

Cause the world keeps spinnin round and round
and my hearts keepin time to the speed of sound
I was lost ’til I heard the drums, then I found my way
Cause you can’t stop the beat"

Por favor, cultivem seus cornos musicais e respeitem os alheios! Um bjomeliga.

Vou deixar um vídeo de "You can’t stop the beat", se você, caríssimo leitor, ainda não assistiu o filme, CUIDADO com o SPOILER!

 

Fran recomenda:  "How do you love me now?", música MUITO linda do Hey Monday, pesquisem, se puderem!