#essencialbuns XIX: Fugazi, 13 songs

13 songs, Fugazi

por Philippe Fargnoli
@phildeadfish

Conheci esse álbum em 93 e ele realmente foi um divisor cultural, ideal e musical na minha vida.

A banda representou como ninguém a questão do Do It Yourself, com letras políticas e questionadoras e uma forma groovada catártica de se tocar punk rock.

Foi o álbum que eu mais escutei na vida.

o desafiado


Músico, produtor e engenheiro de áudio, Philippe Fargnoli é figura conhecida de quem acompanha o hardcore nacional: Reffer, Dead Fish, Zander, essas são só algumas bandas que você não pode deixar de ouvir e têm o nome dele em sua história.

13 songs para ouvir

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caso o widget não esteja funcionando, ouça o álbum 13 songs, do Fugazi, direto no grooveshark.

tracklist


1. “Waiting Room”
2. “Bulldog Front”
3. “Bad Mouth”
4. “Burning”
5. “Give Me the Cure”
6. “Suggestion”
7. “Glue Man”
8. “Margin Walker”
9. “And the Same”
10. “Burning Too”
11. “Provisional”
12. “Lockdown”
13. “Promises”

O álbum é uma compilação dos dois primeiros EPs da banda. Faixas 1 a 7 são de Fugazi (1988) e faixas 8 a 13 são de Margin Walker(1989).

//mais informações sobre o álbum >>

Sem chorar pelo leite derramado do Capitão Beefheart

Por Raphael Fernandes
http://www.contraversao.com

Tudo começou quando decidi fazer resenhas de discos de vinil no blog Contraversão, inspirado pelo lendário crítico musical Lester Bangs. O primeiro texto sobre o álbum “Reino do Parassempre contra o Império do Nunca Mais” teve um resultado tão bacana que acabou parando aqui no Vitroleiros. Como gostei muito da parceria, decidi transformar essa viagem fonográfica numa coluna quinzenal!

Para já chegar chutando a porta sem dó, escolhi resenhar o álbum de estreia de Captain Beefheart & his Magic Band, o mitológico “Safe as Milk”. Um verdadeiro alicerce do experimentalismo musical dos anos 1960.

Engraçado pensar que descobri esse álbum quando vi Rob Gordon (numa interpretação inspirada de John Cusack) torturando um comprador no mais que clássico filme “Alta Fidelidade”. Numa das cenas mais nerds (de música) do longa, Rob se nega a vender uma edição alemã do álbum pra um cara que vai toda semana atrás do mesmo disco. Questionado por um amigo sobre o motivo de não vender o disco, o elitista dono da loja diz que aquele cara ainda não tá preparado pra este play. O amigo aproveita a deixa pra levar o álbum pra casa e Rob o vende na mesma hora.

Em 1967, o rock n’ roll havia deixado um pouco da selvageria dos primeiros anos de lado e começava a seguir por um caminho mais experimental. Era o auge do psicodelismo e muitas bandas decidiram romper com o status quo e procurar novas formas de fazer sua música. Quem poderia imaginar que quatro garotos de Liverpool, usando uma franja (muito antes do Justin Bieber), poderiam provocar toda uma revolução musical?

O mesmo não pode ser dito de Captain Beefheart & his Magic band! Afinal, em seu disco de estreia um dos pontos mais fortes é a violência de suas composições e a agressividade de suas guitarras. Porém, em cada faixa o Capitão orquestra seus marujos por delirantes caminhos psicodélicos e experimentais!

Chega de papo furado! Vambora ouvir esse play…

Capa

Antes mesmo de botar o disco pra rodar, gosto bastante de observar as capas dos discos e não pude deixar de notar que, até nisso, “Safe as Milk” estava a frente de seu tempo. Na capa, vemos uma foto da banda tirada com o efeito “olho de peixe”, um verdadeiro sucesso das fotos de skatistas nos anos 1980 e 1990. A moldura da foto traz o nome do álbum e da banda intercalados por ilustrações de vacas.

O verso rompe diretamente com a serenidade branca e leitosa da capa e mostra um alucinado quadriculado preto e amarelo. A foto do verso segue a mesma técnica, mas apresenta a banda mais distraída ao invés de olhar diretamente para o expectador.

A edição de relançamento que comprei apresenta um belíssimo vinil “colorido” em branco com um selo vermelho, que gera um lindo contraste de cores.

Lado A

A brincadeira já começa com uma pedrada bluseira chamada “Sure ‘Nuff ‘N Yes I Do”, que tem uma guitarra brincando de banjo (delta guitar). O timbre de voz rasgado de Don Van Vliet (também conhecido como Captain Beefheart) hoje pode ser definido como um Tom Waits virado no Jiraya, mas relaxa que a violência no vocal de Capitão Bife-Coração pega mesmo em outra faixa desse lado.

“Ziz Zag Wanderer” é uma incrível canção psicodélica que tem uma letra que não diz nada. Felizmente, a música tem uma força única que anima qualquer festa e seria uma excelente trilha sonora pra um filme sobre chapados de ácido numa festa nos anos 1960. Outra que poderia estar em um Road movie de época é a dançante “Call on Me”, dá vontade de ligar o carango e pegar a estrada.

Se você tava pensando que o disco era moleza, pode tirar seu cavalinho da chuva! O lado A reserva uma surpresa pro final. Estou falando do hit máximo da violência e bagaceira musical sessentista: “Dropout Boggie”. A música intercala um poderoso riff de guitarra, aos vocais quase guturais do Capitão e gera uma faixa que parece ter vindo lá do punk de 1977. Fora que tem uns tecladinhos esquizofrênicos surgindo do nada, o que torna tudo ainda mais insano. Existe uma versão doThe Kills pra essa música, mas serve mais como curiosidade perto da potencia da gravação original! Um verdadeiro hino da juventude contra uma sociedade careta e hostil.

Claro que pra você não perder a noção e sair matando alguém, o Capitão colocou a balada “I’m Glad” que deve tocar até hoje nos bailes da terceira idade (no bom sentido é claro). Som perfeito pra dançar agarradinho com a pessoa amada.

Antes de virar a peteca, o capeta toma conta de tudo novamente e a psicodélica come solta na profética “Eletricity”, que ganhou uma cover fiel do Sonic Youth. Interessante notar que a textura musical desenvolvida pelo Capitão e sua turma influenciou indiretamente o grunge.

Vou escutar “Dropout Boggie” umas oito vezes antes de ir pro lado B!

Lado B

Aqui o troço fica bizarro de vez com o aviso: “o tom a seguir é apenas para referência, ajuste o som de seu aparelho”. Relaxa, deve ser apenas uma citação ao Mágico de Oz que não captei, já que a próxima música é “Follow Yellow Brick Road” (traduzindo: seguindo a estrada de tijolos amarelos). Se fosse definir essa canção em um rótulo idiota seria “country de garagem da Louisiana”, mas não faria uma babaquice dessas nem a pau.

“Abba Zaba” começa com uma percussão que hipnotiza e acaba fazendo os músicos incorporarem uma verdadeira banda de blues com influências africanas. Van Vliet trabalha com o imaginário infantil e suas fantasias nessa música e coloca suas memórias em jogo. Coisa doida de primeira qualidade, cara!

Cortando o barato de quem já  estava entrando em transe, somos atingidos pela estranha gaita distorcida de “Plastic Factory”. Musicão de primeira com viradas de bateria que farão seus ouvidos implorarem pra ouvir essa faixa mil vezes sem parar.

As três últimas músicas (“Where There’s Woman”, “Grown So Ugly”“Autumn’s Child”) são as mais tradicionais do disco. Mesmo assim, as duas primeiras soam como versões possuídas de grandes bluseiros negros do passado e a última é o resultado do que aconteceria de Joe Cocker fizesse uma trilha para um filme B de ficção científica dos anos 1950.

Conclusão

Nem preciso dizer que o disco é  quase uma obrigação para qualquer um que curta boa música e quer olhar fora da caixa da mesmice musical. Esse álbum influenciou toda uma geração que nos anos seguintes seriam os alicerces do punk.

“Safe as Milk” é de longe um dos álbuns mais psicologicamente acessíveis do Capitão e é um preview dos experimentalismo quase dadaísta dos discos seguintes. Não é a toa que o Captain Beefheart colaborou em diversos trabalhos de Frank Zappa, outro adorável doido varrido do rock. (Por sinal, recomendo o disco ao vivo da dupla “Bongo Fury”.)

Por hoje é só, vitroleiros! Lembrando que essa coluna pretende fazer resenhas de discos de diversos períodos. Afinal, música boa é atemporal e universal!

#essencialbuns XVIII: Sex Pistols, Never Mind The Bollocks

Sex Pistols – Never Mind The Bollocks

Por Wladimyr Cruz
@zonapunk

Alguém ai ainda lembra de um programa chamado Realce? E de um chamado Som Pop? Pois bem, foi em um destes dois programas de clipes que passavam na tv aberta nos anos 80 em que vi pela primeira vez a banda, a música e o disco que seria meu #essencialbum. Sex Pistols, clipe de “Pretty Vacant”. Enlouqueci, guardei a imagem, a música, o lixo e a fúria.

“Pai, quero um disco dos Sex Pistols”. Eu já tinha, em partes, e nem sabia. Meu padrinho de batismo (que coisa antiga!), o mestre Kid Vinil, trouxe pro meu pai – e de herança pra mim – algumas reliquias punk diretamente de Londres em 77, entre elas, o compacto de “God Save The Queen”. Não era o bastante. Não me lembro mais como, mas surgiu um “Never Mind The Bollocks” em minhas mãos. A partir dai, vinil, cd, vinil de novo, capa rosa, capa amarela, e aquelas músicas rudimentares, cheias de ódio, sarcasmo e energia dominaram minha vida.

De “Holidays In The Sun” a “E.M.I.”, passando pela capa e pelas letras, o álbum é perfeito. Moldou – e molda até hoje – muito do que foi feito na cultura pop, na música punk e na moda e comportamento como um todo. Essencial, pra mim, e para o mundo. God Save The Sex Pistols!

o desafiado


Wladimyr Cruz é jornalista, editor do site ZonaPunk.com.br e odeia essas descrições babacas que colocam coisas aleatórias como traços de personalidade.

never mind the bollocks para ouvir

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tracklist

“Holidays In The Sun”
“Bodies”
“No Feelings”
“Liar”
“God Save the Queen”
“Problems”
“Seventeen”
“Anarchy in the U.K.”
“Submission”
“Pretty Vacant”
“New York”
“E.M.I.”

//mais informações sobre o álbum >>

#essencialbuns XVII: Jorge Ben, A Tábua de Esmeralda

A tábua de esmeralda, de Jorge Ben

por Kennedy Lui
@bandazebrazebra

É quase cruel pedir para um amante de música que escolha um disco favorito. A impressão que dá é que todos os outros discos não escolhidos vão te olhar diferente, vão tocar com uma dose extra de melancolia, sentidos e desmerecidos. E agora? Vou pra linha “o primeiro a gente nunca esquece”, “esse disco me lembra tal fase…”? Assim que recebi o convite do Vitroleiros eu tentei (só tentei) ficar 10 minutos pensando em outra coisa, para não decidir no calor da decisão. Mas obviamente isso foi impossível. Bom…cá estou e o meu disco favorito é o “A tábua de esmeralda” de Jorge Ben.

O trabalho do Jorge Ben me fascina completamente. O Brasil é riquíssimo de compositores incríveis, mas eu não tenho medo de dizer que pra mim o Jorge Ben é o maior de todos. Sou fã, praticamente fanático, dos seus trabalhos mais antigos, quando ele tocava violão. Ritmo indescritível e letras simples, positivas e sinceras.

No “A tábua de esmeralda” ele começa discretamente uma fase experimental, um detalhezinho de guitarra aqui, outro ali. Essa quase timidez é o que faz com que esse disco seja na medida certa pra mim. É uma briga escolher uma música favorita dentro do disco. Das 12 músicas do disco 6 já foram a minha música favorita(!!!). Atualmente minha música favorita é “O homem da gravata florida”, mas num disco que tem Os alquimistas estão chegando, Menina mulher da pele preta, Eu vou torcer, Magnólia, Minha teimosia é uma arma pra te conquistar, Hermes Tri, Zumbi e Cinco Minutos, é praticamente impossível ouvir uma música isolada.

Quem tem a oportunidade de ouvir esse disco em LP que o faça. O chiado só ajuda a entrar nessa onda de amor, positividade e ritmo. Jorge Ben (sem Jor) é meu terapeuta e esse disco minha terapia. Se estou triste ele me anima. Se estou feliz ele me empolga.

“A tábua de esmeralda” é uma jóia.

Esse é o disco.
Esse é o cara.

o desafiado


Kennedy Lui é vocalista e guitarrista da banda Zebra Zebra, além de publicitário, videomaker e empresário. Mas acima de tudo é um maluco por música – e por isso ama tanto o trabalho de malucos como Jorge Ben.

a tabua de esmeralda para ouvir

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tracklist

1. Os Alquimistas Estão Chegando
2. O Homem da Gravata Florida
3. Errare Humanum Est
4. Menina Mulher da Pele Preta
5. Eu Vou Torcer
6. Magnólia
7. Minha Teimosia, Uma Arma para te Conquistar
8. Zumbi
9. Brother
10. O Namorado da Viúva
11. Hermes Trismegisto e sua Celeste Tábua de Esmeralda
12. 5 minutos

#essencialbuns XVI: The Stooges, The Stooges

The Stooges, The Stooges

Por Raphael Fernandes
@raphafernandes

Em 1969, enquanto os Estados Unidos elegiam Richard Nixon e se atolavam até o pescoço na Guerra do Vietnã, um grupo de rock parecia estar mais preocupado em destruir o a chatice dos hippies e caretice dos líderes. Comandados pelo louco de pedra do Iggy Pop, o The Stooges é uma banda que mistura doses cavalares de sexualidade e rebeldia à brutalidade das bandas de garage como The Sonics e Thashmen.

Quando me convidaram para falar sobre qual é o disco essencial para mim, não pude deixar de pensar em um que representa o que mais gosto na música: a selvageria. Para isso, escolhi aquele que não foi o primeiro, mas é um dos alicerces do punk e da selvageria no rock. Estou falando do debut homônimo do The Stooges.

O Lado A dessa obra-prima abre com a música “1969”, que tem uma forte ligação com o xamanismo de Jim Morrison e pode te deixar em transe com sua batida hipnótica. Seguida pela declaração de amor mais punk de todos os tempos, “I wanna be your dog”. Impossível não ficar com esse refrão na cabeça. Quebrando todo o ritmo frenético das primeiras músicas, o mantra “We Will fall” é capaz de elevar sua mente para outro nível de consciência e dominá-la.

Virando o disco, o bicho pega novamente e somos jogados sem dó no meio de um hino dos inconformistas: “No fun”. Essa música faz todo mundo lembrar como é um tédio não ter o que fazer e achar nada lhe está reservado para o futuro. Basicamente a essência do que foi o movimento punk nos anos 1970. Dá pra acreditar que em 1969 já estava tudo ali? O restante do Lado B intercala músicas de ambos extremos e mantém o excelente nível do restante, mas que por mero acaso não viraram hits.

Iggy Pop é um dos poucos caras que ainda fazem o rock parecer perigoso. Seus shows costumam ter exibições pitorescas de um Iggy quase peladão e que não perde a chance de pedir pra galera invadir o palco e curtir a loucura com ele.

Poderia facilmente ter escolhido qualquer um dos três discos clássicos da banda, mas “The Stooges” é surtado e bruto da maneira certa. O álbum é tão violento que deveriam exigir uma licença de porte de arma para ser ouvido.

Seu eu pudesse levar qualquer disco para uma ilha deserta, com certeza, levaria este e começaria uma nova civilização de canibais ninfomaníacos por lá.

o desafiado

Raphael Fernandes é um caso perdido: editor da revista MAD, analista de mídias sociais, redator freelancer… e ainda alimenta o Contraversão. Está lá em sua bio — e quem somos nós pra discordar? –: “Um cara especializado em pessoas malditas e causas perdidas”.

the stooges para ouvir

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tracklist


Lado A

  1. “1969″
  2. “I Wanna Be Your Dog”
  3. “We Will Fall”

Lado B

  1. “No Fun”
  2. “Real Cool Time”
  3. “Ann”
  4. “Not Right”
  5. “Little Doll”

#essencialbuns XV: Led Zeppelin, The Fourth Album

The Fourth Álbum, Led Zeppelin

por Ricardo Mendonça
@ricardounplay

O primeiro pensamento foi escolher um disco dos Beatles, mas é impossível escolher um só. A maior banda do mundo não fez o melhor álbum.

A banda que conseguiu reunir o melhor da música em um só disco foi o Led Zeppelin, no disco que não tem nem nome. Alguns chamam de Led Zeppelin IV, outros de Four Symbols ou The Fourth Álbum.

O maior clássico da história do Rock (Stairway to Heaven), além de duas músicas que mudaram o rumo da música (Rock and Roll e Black Dog) já seriam suficientes para classificar o álbum no pódio, mas a capa com o velho e seu cajado, os vocais do Robert Plant, a cozinha perfeita de John Bonham e John Paul Jones, a marca pessoal nas guitarras e a suavidade e beleza dos violões de Jimmy Page e a mistura de blues, folk e rock fazem o Led Zeppelin levar o primeiro lugar.

o desafiado

Ricardo Mendonça é corinthiano, radialista e vocalista daquela que se apresenta como “a pior banda do mundo”, The Unplay.

the fourth album pra ouvir

tracklist

Side one
1. “Black Dog”
2. “Rock and Roll”
3. “The Battle of Evermore”
4. “Stairway to Heaven”
Side two
1. “Misty Mountain Hop”
2. “Four Sticks”
3. “Going to California”
4. “When the Levee Breaks”

Projeto Paralelo: uma nova cara para músicas antigas

Eu quase consegui resistir a falar do Projeto Paralelo esse ano. Mas não deu pra evitar: o álbum, de certa forma, me pegou. A ideia, encabeçada por Gee Rocha e Di Ferrero e produzida com a ajuda de Rick Bonadio parece simples, mas não é. Dá uma olhada nesse clipe lançado no útimo dia 24:

Projeto Paralelo é ousado. Músicas dos álbuns antigos do Nx Zero se misturam a 25 participações, de rappers nacionais — Emicida, Gabriel Pensador, Rincon Sapiência, Rappin’ Hood, Chorão, Negra Li, Marcelo D2, MV Bill, Dj King e Helião (RZO) — a artistas gringos — Smoke Thugs, Aggro Santos, Freddy Gibbs e Yo Yo, dentre outros. Quando ouvi pela primeira vez, foi como se, em algumas faixas, o Nx não se encaixasse no seu próprio álbum. Mas não é verdade: eles se encaixam sim. Sua melodia equilibra e dá forma às participações. E, embora esse passeio do Nx Zero pelo rap seja passageiro, devo dizer: um pouco desse tom agressivo podia continuar com a banda para sempre. Faz falta essa pegada no rock.

Diferente, não? Pois é. Não é uma revelação do rap rock, não é completamente inusitado, mas é bom. E é difícil pra mim definir isso, porque não sou muito fã de Nx Zero. Já tentei, mas não consigo gostar da voz de Diego Ferrero. Acontece que uma banda não é feita só de vocal, e Felipe Ricardo, Gee Rocha, Daniel Weksler e Caco Grandino mandam muito bem. Além disso, o material audiovisual dos guris sempre me encanta. Desde o DVD Sete Chaves, a minha ideia a respeito deles mudou. Você consegue acompanhar a maturidade da banda. O som evoluiu: esses já não são os menininhos de quando eu tinha 14 anos, procurando um espaço no mercado. É só reparar nos arranjos, nas influências, em como os discos são bem feitos, bem amarrados. Para o que se propõem, eles estão prontos.

Então, antes de torcer o nariz mais uma vez para eles, eu ouviria esse álbum. Sem preconceitos.


Projeto Paralelo, Nx Zero (2010)
Universal / Arsenal

Tracklist
01. Intro
02. Inimigo Invisivel Feat. Kurupt, Marcelo D2, P.MC e Mi
03. A Melhor Parte de Mim Feat. Eric Silver e Divinity Roxx
04. Daqui Pra Frente Feat. Ya Boy, Flora Matos, Xis e DJ Cia
05. Vertigem
06. Só Rezo Feat. Emicida, Yo Yo e DJ King
07. Onde Estiver Feat. Freddie Gibbs
08. Bem ou Mal Feat. Aggro Santos, Marcelinho, Kamau e DJ King.
09. Tarde Pra Desistir Feat. Rincon Sapiência
10. Entre Nós Dois Feat. Smoke
11. Corra Feat. C-Rock, Gabriel O Pensador, Strong Arm Steady e DJ King
12. Cedo ou Tarde Feat. Chorão
13. O Destino Feat. Negra Li, Rappin Hood e DJ A.S.M.A.
14. A Minha Fé Feat. Eric Silver e Túlio Dek
15. Entre Nós Feat. One Nation (Kurupt, Jasmine e Swagner)

só garotos: a vida de Patti Smith

“Eu escapava em meus devaneios enquanto trabalhava. Ansiava por entrar na fraternidade dos artistas: a fome, o modo de vestir, o processo e as orações. Eu me gabava de que um dia seria amante de um artista. Nada parecia mais romântico para minha cabeça de jovem.”

Assim que entrei na livraria, uma capa prateada me chamou a atenção. As surpresa veio quando peguei a obra nas mãos e constatei que sua autora era ninguém menos que Patti Smith, uma das grandes musas da contracultura a que me apeguei quando ainda guria de tudo. Desejei demais, e comprei-o sem hesitar, mesmo com receio. É que biografias são o único tipo de livro que costumo abandonar. Revisito-as infinitas vezes até chegar ao fim, como se, por mais interessante que tenha sido uma vida, poucos fossem aptos a retratá-la.

Felizmente, Só Garotos é uma louvável exceção. Contando sobre a sua relação com o artista Robert Mapplethorpe e a boemia em Nova Iorque nos anos 60 e 70, as palavras de Patti fluem rapidamente, capturam-nos e permitem que nos apaixonemos também. Conhecer a artista desde sua infância — e a síndrome de Peter Pan –, construir o seu desenvolvimento com as fotos e a narração incrível e apreciar a doçura e a rebeldia dela são, pelo menos aos meus olhos, objeto de profunda identificação. Às vezes, no meio de uma de suas histórias, os desejos artísticos se acendem dentro e fora da obra. É encantador acompanhar sua passagem entre ilustrações, poesia e então, a música.

“Nós nos víamos como os Filhos da Liberdade com uma missão de preservar, proteger e projetar o espírito revolucionário do rock and roll. (…) Nós também pegaríamos em armas, as armas de nossa geração, a guitarra elétrica e o microfone”

Mais do que vidas, o que há em “Só Garotos” é a arte. Os seus heróis — também meus — surgem nas páginas como personagens marcados principalmente por uma singeleza até então desconhecida. Dylan, Warhol, Hendrix, Joplin, Ginsberg, Burroughs, Morrison, todos nos fazem desejar viver a vida de Patti e Robert, sua miséria, sufoco e seu amor por tudo isso. É estar permeada de elementos da nossa bagagem que faz dela uma obra deliciosa. Terminei amparada por lágrimas, questionamentos e curiosidade, feliz por saber que essa inquietude na minha alma é comum.

“Quem entende o coração de um jovem senão ele mesmo?”

Com “Só Garotos”, Patti Smith recebeu esse ano o National Book Award na área de não ficção.

SÓ GAROTOS
Patti Smith
Brochura, 16 x 23 cm
280 páginas
Companhia das Letras

Contraversão: Viajando na psicodelia de Ronnie Von

Não sei vocês, mas eu costumo andar cercada de pessoas que admiro. Uma delas é o Raphael Fernandes, cuja cabeça não para de funcionar nem por um segundo. Sério, além de trabalhar comigo na agência, ele é editor da revista MAD e redator freelancer — e, há algumas semanas, também entrou com tudo na vida de blogueiro com o Contraversão, fonte incansável de cultura pop.

Nossa paixão em comum são os livros, mas aqui para o Vitroleiros sua contribuição é, obviamente, musical. Colecionador de vinis, como se o seu blog já não estivesse bem bacana, o danado resolveu resenhar os discos favoritos. E tem tudo para dar certo: a primeira resenha, que saiu hoje, é do psicodélico Ronnie Von – A Misteriosa Luta do Parassempre Contra o Império de Nuncamais (1969):

Não, eu não sou um saudosista. Gosto bastante é da qualidade de som e do ritual de pegar o disco, olhar a capa, limpá-lo, colocar na vitrola, ouvir todas as músicas sem pular, virar e repetir tudo com o outro lado. Isso me faz gostar de músicas que não me agradam a à primeira vista e me dá outra dimensão daquele trabalho.

Pra iniciar a brincadeira, escolhi um discão que penei bastante para encontrar e custou mais de 100 mangos. Escuto essa belezinha pelo menos uma vez por dia e sempre me surpreendo gostando de um detalhe diferente, cantarolando um refrão ou mesmo viajando nas letras. (…)

(…) LEIA O TEXTO COMPLETO >>

Gostou? Fica esperto que sempre que tiver resenha nova avisaremos aqui. E, é claro, não deixe de acompanhar o Contraversão e o twitter @raphafernandes.

A ilustração, feita especialmente para o post do Rapha, é do genial Raphael Salimena (Linha do Trem Tiras).

Contraversão ~ Resenhas

#essencialbuns XIV: Jeff Buckley, Grace

Grace, Jeff Buckley

por Rodrigo de Faria
@propolisbr

Faríamos uma jam acústica de despedida para um grande amigo que viajaria pra Roma, quando o baterista colocou no setlist a música Last Goodbye e eu nunca havia ouvido falar da música nem do artista. A música foi escolhida pra expressar a tamanha saudade que o amigo baterista sentia da irmã que se fora cedo demais, numa fatalidade. Só a música mesmo pra expressar o que sentimos quando não temos palavras suficientes para tanto…

Li a letra, engoli a seco o nó que apertou a garganta e me perguntei se foi um lampejo, uma jóia no meio do repertório do Jeff Buckley. É, quando li de novo o nome do cara, assim no papel, me veio à mente Tim Buckley, artista folk que ouvi pouco e que morreu jovem e que não foi tão famoso quanto Dylan ou Guthrie. Lembrei também de algum filme muito bom que eu tinha assistido e que me pegou de cheio uma versão MARAVILHOSA de Hallelujah, de Leonard Cohen, que fazia parte da trilha. O filme? The Edukators.

OK, era muita coincidência, o cara não podia ser tão bom assim e chegando em casa quis comprovar isso procurando pelo único álbum do cara: Grace. E sim, ele era filho meio que renegado de Tim Buckley. Só se encontraram uma única vez, quando Jeff tinha 8 anos e um pouco antes da morte de Tim, por overdose de heroína.

Mas, enfim, o álbum: não há como ouvir uma música sequer e não ficar com os olhos marejados, tamanho sentimento colocado ali. Lavagem cerebral feita por um caminho incomum: ouvidos, peito e cabeça, PUF! Num ano (94) em que Green Day lançava Dookie; Pink Floyd, Division Bell; Pearl Jam, Vitalogy; Soundgarden, Superunknown, um cara com uma voz impressionante, voz que passa um sentimento abrupto, profundo, lança um disco sensacional como esse.
Cada faixa, cada letra de música é de um esmero sem precedentes, atemporal.

Parece puxa-saquismo infundado não fossem alguns fatos: Bob Dylan dizer que Buckley foi um dos maiores compositores da década, Jimmy Page dizer que Grace é um dos melhores álbuns da década. Thom Yorke e o Radiohead estarem em estúdio gravando o disco The Bends e o vocalista não conseguir gravar o hit sucessor de Creep, Fake Plastic Trees, e sair do estúdio para um show de Buckley em Londres e voltar do mesmo conseguindo gravar a música em 3 passagens (aliás, a partir do álbum The Bends é que Thom Yorke começa a mostrar sua hoje característica voz melódica e falseteada, marca registrada de Jeff Buckley). A versão de Hallelujah foi considerada a melhor versão já feita do clássico de Cohen, reconhecida inclusive pelo mesmo. Ah! E David Bowie considerou Grace um dos seus 10 “essencialbuns” (na real eram 10 álbuns pra se levar pra uma ilha deserta =])…

Talvez toda essa idolatria veio porque Jeff Buckley acabou indo embora muito cedo como seu pai e tendo apenas lançado este álbum, com tamanho sentimento e genialidade. E a minha preferência foi por em todo meu tempo de amante de música nunca ter me impressionado tanto com um álbum e com um artista o tanto quanto me impressiono até hoje com Jeff Buckley. E pelas circunstâncias, pelo que significou pra mim e pros amigos, levarmos uma versão de Last Goodbye…

o desafiado

O Própolis é a primeira pessoa em que a relapsa editora dessa coluna pensa quando o assunto é música. Pelo menos online. Vocalista da DUBLADO, é da área de comunicação, vive microfonando ideias e um dia ainda vai dividir um palco de karaokê comigo pra cantar Easy, do Commodores.

grace para ouvir


se você acompanha o blog pelo feed, ouça aqui: http://vitroleiros.org/reviews/essencialbuns/grace-jeff-buckley/

tracklist

1.”Mojo Pin”
2.”Grace”
3.”Last Goodbye”
4.”Lilac Wine”
5.”So Real”
6.”Hallelujah”
7.”Lover, You Should’ve Come Over”
8.”Corpus Christi Carol”
9.”Eternal Life”
10.”Dream Brother”

//mais informações sobre o álbum
//wtf #essencialbuns?